{"id":8082,"date":"2020-04-27T07:05:29","date_gmt":"2020-04-27T14:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8082"},"modified":"2020-04-27T07:05:29","modified_gmt":"2020-04-27T14:05:29","slug":"etienne-daho-paris-ailleurs-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/04\/27\/etienne-daho-paris-ailleurs-entrevista\/","title":{"rendered":"Etienne Daho &#8211; \u201cParis Ailleurs\u201d &#8211; Entrevista &#8211;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Cultura >> Segunda-Feira, 13.01.1992<\/p>\n<p><strong>\u201cParis Ailleurs\u201d, o novo \u00e1lbum de Etienne Daho, foi gravado em Nova Iorque, fala de Alfama, da saudade e de deambula\u00e7\u00f5es amorosas em volta de um quarto. \u201cGuloso\u201d de m\u00fasica e de literatura, o cantor bret\u00e3o admira Lou Reed, Gainsbourg e Boris Vian. Entre m\u00faltiplas viagens e solicita\u00e7\u00f5es, comove-se com o fado e com a cidade de Paris.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8083\" rel=\"attachment wp-att-8083\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/et.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"478\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8083\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/et.jpg 626w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/et-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/et-624x476.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/et-100x76.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Solicitado constantemente por outros artistas, em Fran\u00e7a e no estrangeiro, de Chris Isaak e Bill Pritchard, de Lio a Sylvie Vartan, Etienne Daho n\u00e3o tem m\u00e3os a medir. Aos 35 anos de idade, o cantor bret\u00e3o est\u00e1 prestes a tornar-se uma estrela internacional. O facto da sua editora ser a Virgin ajuda muito. A virgindade tem as suas vantagens embora o cantor se assuma como rival de Cicciolina quando afirma praticar a \u201cpol\u00edtica do amor\u201d.<br \/>\n\u201cParis ailleurs\u201d faz parte de um pacote da Edisom para o ano em curso, de novos discos de John Cale, Ashley Maher, Public Image, Ryuchi Sakamoto e Nick Cave, entre outros ou, na Virgin francesa, dos Mano Negra, Jean-Louis Murat e T\u00e9l\u00e9phone.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 \u201cParis ailleurs\u201d foi gravado em Nova-Iorque, com Peter Scherer, um dos nomes mais prestigiados da cena \u201cunderground\u201d norte-americana. Que crit\u00e9rio presidiu \u00e0 escolha?<br \/>\nETIENNE DAHO \u2013 Trabalhei muito em Londres, em \u00e1lbuns anteriores. Neste caso quando cheguei ali n\u00e3o tive nenhum \u201cfeeling\u201d especial. Por outro lado havia m\u00fasicos com quem queria trabalhar que se encontravam em Nova-Iorque. Tamb\u00e9m estive quase para gravar em Lisboa\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 O disco acabou por ser misturado em Fran\u00e7a\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Queria que participassem no disco alguns m\u00fasicos franceses que aprecio, nomeadamente Edith Fambuena, a guitarrista e cantora do grupo \u201cles Valentins\u201d, que acabou por tocar todas as partes de guitarra e me ajudou na co-produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que no princ\u00edpio havia s\u00f3 m\u00fasicos americanos \u2013 Carlos Alomar, ou o baterista dos B-52\u2019s, Tom Durack, com os quais comecei a gravar -, mas a combina\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultou.<\/p>\n<p><strong>Viagem Sexual<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 \u201cParis ailleurs\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de viagens?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, \u00e9 verdade. O \u00e1lbum fala de viagens, de um vaiv\u00e9m constante. N\u00e3o gosto muito de gravar em Fran\u00e7a, fica-se demasiado pr\u00f3ximo do quotidiano. O facto de se ser franc\u00eas no estrangeiro actua como um revelador da nossa natureza profunda. Nunca me sinto t\u00e3o franc\u00eas como quando estou no estrangeiro.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Que s\u00e3o as \u201cviagens im\u00f3veis\u201d mencionadas na can\u00e7\u00e3o do mesmo nome?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 S\u00e3o outro tipo de viagens, talvez mais sexuais. As \u201cviagens im\u00f3veis\u201d falam de amor. Todo o \u00e1lbum fala de amor e, por consequ\u00eancia, de sexo. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco como uma viagem \u00e0 volta do quarto. H\u00e1 a paix\u00e3o e a intensidade do que se sente por algu\u00e9m que nos toca, que nos faz viajar e partir.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Neste \u00e1lbum, alude por diversas vezes de forma expl\u00edcita \u00e0 cidade de Paris, a come\u00e7ar pelo t\u00edtulo. Que significado tem para si, enquanto artista, Paris?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Descobri Paris h\u00e1 10 anos. Antes, j\u00e1 l\u00e1 tinha vivido nos tempos de crian\u00e7a. Nasci na Bretanha mas Paris \u00e9 a minha casa, os meus amigos. Funciona como uma base. Sou muito inst\u00e1vel e sinto uma necessidade constante de movimento. Paris representa a possibilidade de poder parar e de \u201cpousar as malas\u201d por momentos. \u00c9 uma cidade sublime mas aomesmo tempo n\u00e3o consigo permanecer nela durante muito tempo. Estou sempre a viajar, num estado de busca permanente.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Uma das can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum chama-se \u201cSaudade\u201d. A letra parece um retrato de Lisboa.<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u201cSaudade\u201d fala realmente de Lisboa, de Alfama, das suas vielas fantasmag\u00f3ricas e dos seus terra\u00e7os onde o sol se despenha. Depois de conhecer a cidade fiquei a conhecer o significado de \u201csaudade\u201d. Sempre que ou\u00e7o fado tenho vontade de chorar. \u201cSaudade\u201d foi a primeira can\u00e7\u00e3o que compus para o \u00e1lbum, depois de ter estado em Lisboa. A partir da\u00ed deixei-me ir ao sabor da paix\u00e3o, das palavras, da m\u00fasica\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Desprende-se de \u201cParis ailleurs\u201d uma impress\u00e3o profunda de melancolia, de nostalgia\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, mas ao mesmo tempo \u00e9 um disco muito positivo, precisamente porque fala de amor, a \u00fanica experi\u00eancia humana capaz de mover montanhas.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O disco pretende de algum modo recuperar a tradi\u00e7\u00e3o dos grandes cl\u00e1ssicos da can\u00e7\u00e3o francesa? H\u00e1 influ\u00eancias assumidas?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Sim, sobretudo de Gainsbourg, para mim o grande mestre da can\u00e7\u00e3o francesa. Tamb\u00e9m gosto bastante de Boris Vian, de Barbara, de Fran\u00e7oise Hardy, das can\u00e7\u00f5es de Jeanne Moreau. A tradi\u00e7\u00e3o francesa vive muito do texto, do aspecto liter\u00e1rio em detrimento do r\u00edtmico. \u00c9 verdade que a Fran\u00e7a n\u00e3o inventou o \u201crock \u2018n\u2019 rol\u201d e por isso teve de \u201croub\u00e1-lo\u201d aos americanos e aos ingleses. A Fran\u00e7a correu sempre de forma desenfreada atr\u00e1s do \u201crock \u2018n\u2019 rol\u201d, o que considero um erro. Aos poucos foram pessoas como eu, da minha gera\u00e7\u00e3o, educados no rock, que acabaram por assimil\u00e1-lo de uma forma mais natural.<br \/>\n<strong>P. \u2013 O rock est\u00e1 presente em temas como \u201cDes attractions desastres\u201d ou na vers\u00e3o de \u201cBerlue\u201d, de Fran\u00e7oise Hardy, sobretudo ao n\u00edvel dos arranjos que recordam Lou Reed e os Velvet Underground\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Embora se trate de artistas cuja m\u00fasica aprecio muito \u2013 considero Lou Reed um mestre \u2013 nunca me passou pela cabe\u00e7a imit\u00e1-los. N\u00e3o tenho o complexo do \u201crock \u2018n\u2019 rol\u201d. Prefiro deixar falar a minha verdadeira personalidade e deix\u00e1-la desenvolver-se at\u00e9 ao infinito.<\/p>\n<p><strong>\u201cSou Muito Guloso De M\u00fasica\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>P. \u2013 A sua m\u00fasica lembra, por vezes, a de Bill Pritchard. Ou ser\u00e1 o contr\u00e1rio, j\u00e1 que um \u00e1lbum deste cantor ingl\u00eas foi produzido por si? Poder-se-\u00e1 falar de uma identidade musical entre os dois?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 Essa identidade existe de facto e \u00e9 a raz\u00e3o por que trabalh\u00e1mos juntos. Interessamo-nos ambos em escrever can\u00e7\u00f5es com bons textos, que apelem ao lado emocional. Bill est\u00e1 mais ligado ao aspecto pol\u00edtico. Por mim, prefiro praticar a pol\u00edtica do amor.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Algu\u00e9m dos Working Week convidou-o para cantar com Julie Tippetts. Foi dif\u00edcil para si, que est\u00e1 ligado \u00e0 pop, cantar com uma das vozes mais ex\u00f3ticas do jazz actual?<\/strong><br \/>\nR. \u2013 N\u00e3o, de maneira nenhuma. Creio que, para al\u00e9m dos r\u00f3tulos, \u00e9 mais importante a mistura de pessoas, sejam elas semelhantes ou diferentes de n\u00f3s. O que interessa \u00e9 desenvolver uma atitude de espontaneidade. N\u00e3o sou um artista r\u00edgido, sou curioso, gosto de me juntar e trabalhar com outras pessoas. \u00c9 uma das raz\u00f5es que me leva a fazer co-produ\u00e7\u00f5es de outros artistas, no intervalo da grava\u00e7\u00e3o dos meus pr\u00f3prios discos. Permite-me ter acesso a outros universos. Sou muito guloso de m\u00fasica.<br \/>\n<strong>P. \u2013 Tamb\u00e9m participa no \u00e1lbum a solo do produtor Arthur Baker, ao lado de Al Green e Jimmy Sommerville\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 A ideia partiu do pr\u00f3prio Arthur Baker. Trata-se de um \u00e1lbum internacionalista e ele deve ter achado que eu dava um bom representante de Paris\u2026<br \/>\n<strong>P. \u2013 Outros m\u00fasicos estrangeiros parecem ser da mesma opini\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>\nR. \u2013 \u00c9 verdade. Tenho sido contactado por pessoas como Marianne Faithfull, Carly Simon e Boy George, para trabalhar com elas e h\u00e1 outras possibilidades de colabora\u00e7\u00e3o. Prova que a l\u00edngua n\u00e3o constitui uma barreira e que a m\u00fasica \u00e9 um gerador de emo\u00e7\u00f5es sem fronteiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura >> Segunda-Feira, 13.01.1992 \u201cParis Ailleurs\u201d, o novo \u00e1lbum de Etienne Daho, foi gravado em Nova Iorque, fala de Alfama, da saudade e de deambula\u00e7\u00f5es amorosas em volta de um quarto. \u201cGuloso\u201d de m\u00fasica e de literatura, o cantor bret\u00e3o admira Lou Reed, Gainsbourg e Boris Vian. 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