{"id":8069,"date":"2020-04-20T06:12:55","date_gmt":"2020-04-20T13:12:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=8069"},"modified":"2020-04-20T06:12:55","modified_gmt":"2020-04-20T13:12:55","slug":"varios-pes-na-terra-e-cabeca-no-ceu-celtica-folk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/04\/20\/varios-pes-na-terra-e-cabeca-no-ceu-celtica-folk\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;P\u00e9s Na Terra E Cabe\u00e7a No C\u00e9u&#8221; (c\u00e9ltica, folk)"},"content":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 18.03.1992<br \/>\n<center><br \/>\nP\u00c9S NA TERRA E CABE\u00c7A NO C\u00c9U<br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Nas \u00faltimas semanas tem-se assistido ao dil\u00favio de compactos que chegam em catadupa \u00e0s lojas nacionais e p\u00f5em a cabe\u00e7a em \u00e1gua e os bolsos vazios aos \u201cmalucos da folk\u201d, para usar o termo utilizado h\u00e1 anos pela m\u00edtica rubrica da Rock &#038; Folk. Da Bretanha \u00e0 Irlanda, com uma escapadela \u00e0 Dinamarca e aos pa\u00edses do Leste, \u00e9 o retorno em for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=8070\" rel=\"attachment wp-att-8070\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"471\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8070\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1.jpg 327w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1-208x300.jpg 208w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1-69x100.jpg 69w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Durante anos foi o deserto. Discos de folk em Portugal resumiam-se a espor\u00e1dicas importa\u00e7\u00f5es dos Fairport Convention ou Steeleye Span, os \u00fanicos nomes remanescentes do \u201cfolk bloom\u201d do in\u00edcio dos anos 70 que conseguiam romper o bloqueio do desconhecimento e do desinteresse a que era votados pela maioria dos \u201cmedia\u201d. Mantida a chama por um contingente restrito de \u201cresistentes\u201d, que atravessaram inc\u00f3lumes os anos de decad\u00eancia da \u201cm\u00fasica progressiva\u201d, a f\u00faria niilista dos rapazes dos alfinetes na orelha e a torre de Babel que sobreveio na aldeia global em que se transformou a d\u00e9cada de 80.<br \/>\nAos poucos, um n\u00famero cada vez maior de consumidores de sons, saturados da plastifica\u00e7\u00e3o vigente e da constante avalanche de pseudo-novidades em que a pop se foi atulhando, descobriram progressivamente a perenidade de uma m\u00fasica capaz de sobreviver, evoluir e transformar-se, sem que o essencial se perdesse. A m\u00fasica folk, tradicional, roots, world, ou de raiz \u00e9tnica, como lhe quiserem chamar, conseguia at\u00e9 a proeza de derrotar o inimigo mais perigoso que consiste em estar na moda.<br \/>\nHoje, em Portugal, n\u00e3o param de chegar aos escaparates discos das principais editoras do g\u00e9nero. Louve-se a persist\u00eancia e o amor \u00e0 causa, desde h\u00e1 anos evidenciados pela VGM, a portuense Mundo da Can\u00e7\u00e3o e, mais recentemente, a Megam\u00fasica, sem esquecer o pioneirismo da N\u00e9bula ou, sobretudo ao n\u00edvel dos concertos os minhotos da Etnia.<br \/>\nSegue-se uma breve resenha de novos \u00e1lbuns, entre novidades e reedi\u00e7\u00f5es, a partir de agora dispon\u00edveis no nosso pa\u00eds, representando algumas tend\u00eancias da folk actual, com particular destaque para a m\u00fasica tradicional da Bretanha, uma das que com mais insist\u00eancia e raz\u00e3o de ser faz vibrar o \u201canimus\u201d e \u201canima\u201d nacionais.<\/p>\n<p><strong>Os C\u00edrculos C\u00e9lticos Da Bretanha<\/strong><\/p>\n<p>Da editora Keltia, tr\u00eas discos fabulosos: <strong>\u201cKerzh Ba \u2018n\u2019 Dans\u201d<\/strong> dos <strong>Skolvan<\/strong>; <strong>\u201cDigor \u2018n Abadenn\u201d<\/strong> dos <strong>Storvan<\/strong>; e<strong> \u201cNa Aotrou Liskildri\u201d<\/strong> dos Strobinell. Qualquer deles de fazer corar de vergonha as mais recentes senilidades de Alan Stivell. Os tr\u00eas recuperam a sonoridade, a instrumenta\u00e7\u00e3o, os rituais e as dan\u00e7as da Bretanha, acrescentando-lhes a energia que o \u201cfim da Hist\u00f3ria\u201d acarreta e a riqueza de arranjos que os tornam esteios do Universal.<br \/>\n\u201cKerzh Ba \u2018n dans\u201d (\u201cEntrem na dan\u00e7a\u201d) alterna os \u201cna dro\u201d, \u201clarid\u00e9s\u201d e as t\u00edpicas \u201csuites\u201d de dan\u00e7a \u201cdans fisell\u201d e \u201cdans Plinn\u201d (verdadeiramente m\u00e1gicas as resson\u00e2ncias da l\u00edngua bret\u00e3\u2026) com originais do grupo e uma valsa irlandesa. Os Skolvan foram formados em 1984 por tr\u00eas professores do Conservat\u00f3rio Regional de M\u00fasica e Dan\u00e7a Tradicionais da Bretanha. De acad\u00e9mico s\u00f3 o virtuosismo evidenciado no manejo da bombarda, do violino e do \u201cbiniou\u201d (gaita-de-foles) bret\u00f5es. Dois vocalistas tradicionais participam nos \u201ccantos e retoma de canto\u201d (\u201cKan H\u00e1 Diskan\u201d), que alguns conhecer\u00e3o na vers\u00e3o feminina popularizada pelas irm\u00e3s Goadec.<br \/>\nMais fi\u00e9is a uma certa pureza interpretativa, os Storvan (designa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria tirada de um romance de Julien Graco, \u201cAub Ch\u00e2teau d\u2019 Argol\u201d) constroem longas sequ\u00eancias de dan\u00e7as tradicionais, apoiadas no jogo flauta \/ bombarda \/ \u201cbouzouki\u201d \/ violino, com incid\u00eancias nas gavotas e nas marchas e melodias da regi\u00e3o de Vannes. Nas \u201cRonds de St. Vincent\u201d, a m\u00fasica nasce das entranhas do tempo, a partir da grava\u00e7\u00e3o \u201cin loco\u201d de uma festa rural que, sem ruptura, d\u00e1 lugar \u00e0 festa instrumental no est\u00fadio. Brilhante.<br \/>\n\u201cBrilhante\u201d, \u201calucinante\u201d, \u201ccomovente\u201d, s\u00e3o alguns dos adjectivos que n\u00e3o chegam para traduzir o prazer proporcionado pela audi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica dos Strobinell e deste seu \u201csenhor Liskildri\u201d. \u201cStrobinell\u201d significa em bret\u00e3o \u201csortil\u00e9gio\u201d, o mesmo sortil\u00e9gio que em ocasi\u00f5es muito especiais, durante as \u201cfestas de noite\u201d (\u201cFest-Noz\u201d), incendeia os dan\u00e7arinos que, transportados pela magia da m\u00fasica, rodopiam at\u00e9 chegar ao transe. Jil Lebart (voz, clarinete, bombarda, gaita-de-foles), Patrig Ar Balc\u2019h (bombarda, \u201ctin whistle\u201d), Yann Herri Ar Gwicher (flautas transversais e de \u00e9bano) e Riwall Ar Menn (guitarra) pertencem \u00e0 estirpe dos bardos do s\u00e9culo XX. Na sua m\u00fasica, o sagrado recupera toda a for\u00e7a do seu significado, de sublime, excelso, puro, inviol\u00e1vel, de di\u00e1logo santificado entre a tr\u00edade dos mundos: Deus, homem e Natureza, espiralados no fogo e no movimento simbolizados, na imag\u00e9tica bret\u00e3 celta, pelo \u201cNa Triskell\u201d. Com os Strobinell, dan\u00e7ar significa a vertigem de se perder de si pr\u00f3prio para se ganhar al\u00e9m. Bater com os p\u00e9s na terra e com a cabe\u00e7a no c\u00e9u. Comungar com o Todo.<br \/>\nSagrados s\u00e3o tamb\u00e9m os c\u00e2nticos religiosos da Bretanha recolhidos e interpretados por <strong>Anne Auffret<\/strong> (voz e harpa), <strong>Jean Baron<\/strong> (bombarda e ocarina) e <strong>Michel Ghesqui\u00e8re<\/strong> (\u00f3rg\u00e3o de foles) em <strong>\u201cS\u00f3nj \u2013 Musiques Sacr\u00e9es de Bretagne\u201d <\/strong>ou, se quisermos, \u201cKanticou E Vro Breiz\u201d, recolhidos da colec\u00e7\u00e3o \u201cKanticou Brezonek\u201d. Ora\u00e7\u00f5es matinais, c\u00e2nticos m\u00edsticos de contempla\u00e7\u00e3o e de uni\u00e3o com Cristo, de Natal, se suplica\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem, de adora\u00e7\u00e3o ao Santo Sacramento ou de comunh\u00e3o, interpretados com a eleva\u00e7\u00e3o que o di\u00e1logo com Deus exige. Menos extrovertido, destitu\u00eddo da fogosidade e do telurismo dionis\u00edaco patente nos grupos atr\u00e1s referidos, \u201cS\u00f3nj\u201d soa menos exuberante e mais uniforme na simplicidade e conten\u00e7\u00e3o dos arranjos. Ora\u00e7\u00f5es do vento e do mar, da altura das fal\u00e9sias da Bretanha.<br \/>\nOs <strong>Bleizi Ruz<\/strong> j\u00e1 levam 18 anos de carreira, mas apenas cinco discos gravados. Gravado ao vivo em Brest, <strong>\u201cEn Concert\u201d<\/strong> serve para mostrar todo o ecletismo desta banda, que estar\u00e1 em Portugal na 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Interc\u00e9ltico, a realizar no Porto em Abril pr\u00f3ximo. Por vezes quase cedendo \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de \u201cfusionismos\u201d tardios que acabaram por ser fatais aos Gwendal e ao pr\u00f3prio Stivell, os Bleizi Ruz n\u00e3o perdem, por\u00e9m, nunca de vista as fontes vivificadoras. Do \u201ccajun\u201d \u00e0 bret\u00e3 do tema inicial, passam com toda a agilidade para a febre cigana ou para as dan\u00e7as da Moldova. Sempre com a Bretanha no sangue, presente nas texturas e modula\u00e7\u00f5es das bombardas e da gaita-de-foles, manuseadas pelo mestre Bernard Quillien, euf\u00f3rico, entre o apelo el\u00e9ctrico da guitarra-baixo e do acorde\u00e3o-Midi.<br \/>\nFinalmente, registe-se a edi\u00e7\u00e3o em compacto de mais duas gemas de m\u00fasica tradicional francesa, embora n\u00e3o especificamente bret\u00e3, dedicadas \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de dois instrumentos particulares: <strong>\u201cCornemuses\u201d<\/strong>, de <strong>Jean Blanchard<\/strong> (inesquec\u00edvel a sua presen\u00e7a nos \u00faltimos Encontros da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia, com a sua Grande Bande de Cornemuses) e <strong>Eric Montbel<\/strong>, que, como o nome indica, se debru\u00e7a sobre a gaita-de-foles; e o \u00e1lbum <strong>\u201cVielleux du Bourbonnais\u201d<\/strong>, do grupo hom\u00f3nimo, em que s\u00e3o explorados o report\u00f3rio e as diversas t\u00e9cnicas de interpreta\u00e7\u00e3o da sanfona. Obras de grande utilidade para quem quiser saber pormenores sobre estes instrumentos, sem excluir, \u00e9 claro, as respectivas virtudes musicais, que, por si s\u00f3, valem a audi\u00e7\u00e3o e (para os aficionados) aquisi\u00e7\u00e3o dos discos. Todos os t\u00edtulos referidos, a que se podem acrescentar outros, de Dan Ar Braz (\u201cMusique pour les silences \u00e0 venir\u201d), Bagad Kemper (Musico n the Square\u201d, vol. 4, e \u201cThe Besto f\u2026\u201d), Gwalarn (\u201cA-Hed Na Amzer\u201d), Na Triskell com Gilles Sevat (\u201cL\u2019Albatros fou\u201d) e do ex-malicorne Gabriel Yacoub (\u201cBel\u201d), s\u00e3o distribu\u00eddos pela Mundo da Can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop Rock >> Quarta-Feira, 18.03.1992 P\u00c9S NA TERRA E CABE\u00c7A NO C\u00c9U Nas \u00faltimas semanas tem-se assistido ao dil\u00favio de compactos que chegam em catadupa \u00e0s lojas nacionais e p\u00f5em a cabe\u00e7a em \u00e1gua e os bolsos vazios aos \u201cmalucos da folk\u201d, para usar o termo utilizado h\u00e1 anos pela m\u00edtica rubrica da Rock &#038; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[959,722,960,179,28,68],"tags":[2584,2575,282,2585,2405,2586,70,1405,2583],"class_list":["post-8069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1992","category-celtica","category-criticas-1992","category-etno","category-folk","category-world","tag-anne-auffret","tag-bleizi-ruz","tag-eric-montbel","tag-jean-baron","tag-jean-blanchard","tag-michel-ghesquiere","tag-skolvan","tag-storvan","tag-strobinell"],"views":1047,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8071,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8069\/revisions\/8071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}