{"id":7994,"date":"2020-03-23T05:06:38","date_gmt":"2020-03-23T12:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7994"},"modified":"2020-03-23T05:06:38","modified_gmt":"2020-03-23T12:06:38","slug":"david-sylvian-russell-mills-ember-glance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/03\/23\/david-sylvian-russell-mills-ember-glance\/","title":{"rendered":"David Sylvian &#038; Russell Mills &#8211; &#8220;Ember Glance&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop-Rock Quarta-Feira, 18.12.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>POR QUEM OS SINOS DOBRAM<\/p>\n<p>DAVID SYLVIAN &#038; RUSSELL MILLS<br \/>\nEmber Glance<br \/>\nCD, Virgin, distri. Edisom<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7995\" rel=\"attachment wp-att-7995\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ds.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"673\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7995\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ds.jpg 522w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ds-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ds-78x100.jpg 78w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nSubintitulado \u201cThe Permanence of Memory\u201d, o trabalho em quest\u00e3o \u00e9 o tipo de \u201cbibelot\u201d cultural destinado a alimentar pol\u00e9micas mais ou menos est\u00e9reis sobre o esteticismo, o classicismo das formas, os novos estilistas e o pr\u00f3ximo Wenders. De prefer\u00eancia no Bairro Alto. \u201cEmber Glance\u201d ilustra de forma exemplar uma das facetas da arte actual que tende a valorizar o formato, o primado do aleat\u00f3rio, a ambival\u00eancia das formas abertas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a apar\u00eancia, em detrimento do universal.<br \/>\nTrata-se, se n\u00e3o perceberam j\u00e1, de uma \u201cinstala\u00e7\u00e3o de escultura, som e luz\u201d montada no \u201cTemporary Museum\u201d de T\u00f3quio, que faz parte de uma s\u00e9rie de \u201cexposi\u00e7\u00f5es, instala\u00e7\u00f5es e \u2018performances\u2019 experimentais\u201d. Arte, enfim. Esse mundo maravilhoso que ajuda a fazer deste mundo um mundo melhor. Ao folhear o livro profusamente ilustrado (97 pp.), ao passar os dedos pela embalagem, ao puxar a fitinha (sim, h\u00e1 uma fitinha roxa para puxar) somos siderados com tanta coisa bonita, tanta cor, tantos grafismos p\u00f3s-modernos, tanta fotografia neocl\u00e1ssica, com luzes, contraluzes, desficagens, recortes de folhas, tubos, manchas, anota\u00e7\u00f5es \u00e0 margem, \u201cready-mades\u201d maricas, enfim, por mil e uma varia\u00e7\u00f5es sobre a apar\u00eancia das coisas.<br \/>\nA obra abre (a verdadeira obra de arte \u00e9 a que abre) com uma cita\u00e7\u00e3o do Dalai Lama (David Sylvian \u00e9 muito dado \u00e0s coisas do Oriente, fundou os Japan, pisca os olhos ao Zen, eu sei l\u00e1\u2026): \u201cA qualidade da arte \u00e9 que faz com que as pessoas que geralmente olham para fora passem a olhar para dentro.\u201d Escutado o CD de ponta a ponta, permanecemos quietos e expectantes \u00e0 escuta, de ouvidos e olhos em bico, ansiosos para coscuvilhar o lado de dentro, de prefer\u00eancia debaixo do vestido do borracho do lado. Nada aconteceu. O raio X n\u00e3o acendeu. Os cerca de 30 minutos de \u201cm\u00fasica\u201d de fundo, meio restolhar de metais, meio ru\u00eddo branco, atravessados de 15 em 15 segundos pelo repicar de sinos n\u00e3o foram suficientes. Volt\u00e1mos a ler o manual: \u201cA estrada que conduz ao aperfei\u00e7oamento de n\u00edveis mais altos de consci\u00eancia alcan\u00e7a-se em parte atrav\u00e9s de um processo de autoquestionamento.\u201d<br \/>\nEnt\u00e3o era isso! Redobr\u00e1mos a concentra\u00e7\u00e3o e escut\u00e1mos o repicar dos sinos, ao mesmo tempo que nos autoquestion\u00e1vamos, enquanto n\u00e3o f\u00f4ssemos acusados de descurar algum aspecto, pass\u00e1vamos os olhos pelos bonecos. Em v\u00e3o. Nenhuns \u201cn\u00edveis subtis de percep\u00e7\u00e3o\u201d por a\u00ed al\u00e9m, nada de ver os acontecimentos de um ponto de vista interior, mais consciente e unificado\u201d. Permanecemos broncos.<br \/>\n\u201cEmber Glance\u201d examina as \u201cideias de espa\u00e7o, tempo e mem\u00f3ria\u201d, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de sons, luzes e objectos\u201d deslocados do seu contexto natural e dispostos segundo um espa\u00e7o teatral, libertos das associa\u00e7\u00f5es vulgares\u201d. E por a\u00ed fora, num tratado de filosofia que procura a todo o custo validar o vazio. No fim de contas, n\u00e3o \u00e9 o vazio o centro de que falam os budistas? A ideia de \u201cm\u00fasica para instala\u00e7\u00f5es\u201d n\u00e3o \u00e9 nova. Dos Velvet Underground e Andy Warhol e a sua \u201cExploding Plastic Inevitable\u201d, a Laurie Anderson e Brian Eno, que a m\u00fasica popular (j\u00e1 n\u00e3o falando da infinidade de experi\u00eancias levadas a cabo no campo das \u201cnovas m\u00fasicas\u201d) tem procurado a todo o custo essa s\u00edntese ut\u00f3pica entre as diversas formas de express\u00e3o art\u00edstica, em projectos \u201cmultim\u00e9dia\u201d de menor ou maior dimens\u00e3o.<br \/>\nLembremos, por exemplo, alguns projectos de Brian Eno, como o das esculturas-v\u00eddeo, o \u201cmuzak\u201d ambiental do CD \u201cThirsty Afternoon\u201d, para citar um nome com o qual Sylvian e Mills (pintor, \u201cdesigner\u201d e ilustrador que j\u00e1 havia trabalhado nas \u201cesculturas de luz\u201d de v\u00e1rios artistas da Land, editora de Brian Eno, ou no \u201cshow\u201d de luzes de um espect\u00e1culo de Graham Lewis e Bruce Gilbert, dos Wire) mant\u00eam pontos de contacto. Tudo isto \u00e9 verdade, interessante e digno de especula\u00e7\u00e3o. Sylvian e Mills s\u00e3o artistas respeitados, com um curr\u00edculo de prest\u00edgio. O que n\u00e3o impede que \u201cEmber Glance\u201d seja chato do princ\u00edpio ao fim. H\u00e1 ru\u00eddo e ru\u00eddo, e n\u00e3o faltam, na m\u00fasica actual, registos cuja audi\u00e7\u00e3o pode provocar de facto transforma\u00e7\u00f5es nos h\u00e1bitos de escuta do auditor, sen\u00e3o mesmo na sua estrutura org\u00e2nica, para o melhor e para o pior. \u201cEmber Glance\u201d fica-se pelos sinos e pelas inten\u00e7\u00f5es. <strong>(4)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 18.12.1991 POR QUEM OS SINOS DOBRAM DAVID SYLVIAN &#038; RUSSELL MILLS Ember Glance CD, Virgin, distri. 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