{"id":7951,"date":"2020-03-05T10:58:10","date_gmt":"2020-03-05T17:58:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7951"},"modified":"2020-03-05T10:58:10","modified_gmt":"2020-03-05T17:58:10","slug":"maria-joao-maria-joao-apresenta-convidadas-em-lisboa-a-musica-suspensa-do-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/03\/05\/maria-joao-maria-joao-apresenta-convidadas-em-lisboa-a-musica-suspensa-do-corpo\/","title":{"rendered":"Maria Jo\u00e3o &#8211; &#8220;Maria Jo\u00e3o Apresenta &#8216;Convidadas&#8217; Em Lisboa &#8211; A M\u00fasica Suspensa Do Corpo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Segunda-Feira, 02.12.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Maria Jo\u00e3o Apresenta \u201cConvidadas\u201d Em Lisboa<br \/>\nA M\u00fasica Suspensa Do Corpo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>A cantora Maria Jo\u00e3o actua hoje \u00e0 noite no Teatro S. Luiz em Lisboa. Com a presen\u00e7a de \u201cconvidadas\u201d ligadas a outras \u00e1reas musicais: Lena D\u2019 \u00c1gua, Teresa Salgueiro (Madredeus), Anabela Duarte (ex-Mler Ife Dada) e Xana (R\u00e1dio Macau). Adivinham-se surpresas. Maria Jo\u00e3o prefere guardar segredo.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7952\" rel=\"attachment wp-att-7952\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/mj.jpg\" alt=\"\" width=\"655\" height=\"420\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7952\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/mj.jpg 655w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/mj-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/mj-624x400.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/mj-100x64.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Em princ\u00edpio, tudo pode acontecer. Acompanhada pelos habituais M\u00e1rio Laginha, piano, Carlos Bica, contrabaixo, Jos\u00e9 Peixoto, guitarra e Jos\u00e9 Salgueiro, bateria, Maria Jo\u00e3o, uma vez mais, preferiu o prazer inesperado, o confronto com a novidade \u2013 \u201ca ideia \u00e9 justamente pegar em pessoas que n\u00e3o fazem o mesmo que eu, construir qualquer coisa com elas e ver a que \u00e9 que isso soa. Isto \u00e9 que \u00e9 divertido e estimulante\u201d. \u201cUma ideia deliciosa\u201d \u2013 nas suas pr\u00f3prias palavras.<br \/>\nQuem quiser pormenores, o melhor que tem a fazer \u00e9 deslocar-se logo \u00e0s 22h00, ao Teatro S. Luiz, e ouvir para crer. Que vai acontecer qualquer coisa diferente, \u00e9 garantido, mas o qu\u00ea? \u201cIsso \u00e9 surpresa\u201d \u2013 a cantora fecha-se em copas e apenas adianta que \u201ccomo de costume, vai haver lugar para a improvisa\u00e7\u00e3o\u201d. Trata-se, para Maria Jo\u00e3o, de uma necessidade vital de movimento, de constante mudan\u00e7a: \u201cSeria extremamente aborrecido se fosse uma coisa fixa. Gosto muito de mudar as coisas. At\u00e9 ao \u00faltimo minuto.\u201d<br \/>\nA solo, sabe-se que cantar\u00e1 temas do seu mais recente \u00e1lbum, \u201cSol\u201d, gravado na Alemanha com o selo Enja e os mesmos m\u00fasicos do espect\u00e1culo de hoje \u00e0 noite. Al\u00e9m de \u201coutras pequenas coisas que n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1, e as convidadas, claro\u201d. Claro. Logo \u00e0 noite se ver\u00e1 qual o segredo que permite juntar, no mesmo palco, a pureza asc\u00e9tica de Teresa Salgueiro, o jovial can\u00e7onetismo de Lena d\u2019 \u00c1gua, a excentricidade de Anabela Duarte e a energia rock de Xana, com o discurso libert\u00e1rio de Maria Jo\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Entrega Total<\/strong><\/p>\n<p>A ideia de recrutar outras cantoras, aquelas de que \u201cmais gosta\u201d, surgiu a partir de um projecto que desde h\u00e1 algum tempo vem mantendo no estrangeiro, um trio vocal feminino do qual fazem parte ela e duas americanas, a experimentalista Laura Newton e a cantora de \u00f3pera, residente da Filarm\u00f3nica de Berlim, Catherine Geyer. Refira-se a prop\u00f3sito que Maria Jo\u00e3o ainda tem tempo para se integrar num quarteto \u201ccom um programa especial\u201d, ao lado de M\u00e1rio Laginha, a j\u00e1 citada Lauren Newton e o guitarrista alem\u00e3o Thomas Hortsmann. J\u00e1 para n\u00e3o falar das aventuras em duo com a pianista japonesa Aki Takase, das quais resultaram o magn\u00edfico \u201cLooking for Love\u201d, e em trio, com Takase e o contrabaixista dinamarqu\u00eas Niels-Hanning Orsted Pedersen, no \u00e1lbum \u201cAlice\u201d.<br \/>\nSeja qual for o contexto, o que mais impressiona nesta cantora que, de uma maneira quase s\u00f4frega, n\u00e3o para de evoluir, \u00e9 a paix\u00e3o com que se entrega de corpo inteiro \u00e0 m\u00fasica, numa rela\u00e7\u00e3o que tem muito de sexual. Tinham raz\u00e3o John Coltrane e John McLaughlin quando defendiam que fazer m\u00fasica \u00e9 deixar-se possuir e tocar por ela e que ao int\u00e9rprete se exija que seja o seu instrumento afinado. Afina\u00e7\u00e3o que exige uma total transpar\u00eancia e a m\u00e1xima tens\u00e3o \/ aten\u00e7\u00e3o. Fazer m\u00fasica \u00e9 saber ouvir a voz que vem de dentro, o movimento c\u00f3smico que em cada indiv\u00edduo se manifesta e traduz numa forma particular. No caso de Maria Jo\u00e3o essa capacidade passa pela dimens\u00e3o f\u00edsica, pela sensualidade dos gestos, pelo desnudar interior. Seria isto o jazz se \u201cisto\u201d n\u00e3o fosse mais qualquer coisa.<\/p>\n<p><strong>Jazz Ou Algo Mais?<\/strong><\/p>\n<p>Eis-nos chegados ao pomo da disc\u00f3rdia, para os que est\u00e3o do lado de fora. Maria Jo\u00e3o \u00e9 uma cantora de jazz ou n\u00e3o \u00e9 uma cantora de jazz? Ela n\u00e3o se importa nada com isso, desde que as pessoas a ou\u00e7am e gostem do que ouvem. O termo \u201cjazz\u201d, h\u00e1 quem o jure a p\u00e9s juntos, \u00e9 uma deriva\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica do verbo franc\u00eas \u201cjaser\u201d \u2013 \u201ctagarelar, conversar animadamente e um pouco \u00e0 toa sobre diversos assuntos\u201d, segundo a \u201cGrande Enciclop\u00e9dia Portuguesa e Brasileira\u201d (ilustrada com cerca de 15 mil gravuras), que era a que estava mais \u00e0 m\u00e3o.<br \/>\n\u00c0 primeira vista poder\u00e1 parecer ao auditor m\u00e9dio portugu\u00eas, habituado a ouvir Phul Collins e Madonna, que Maria Jo\u00e3o canta \u201c\u00e0 toa\u201d, isto \u00e9, \u201ccomo uma maluca\u201d a vociferar \u201ccoisas sem sentido\u201d, frequentemente \u201csem letra\u201d, em suma, \u201cesquisitas\u201d. Mesmo quando essas \u201ccoisas\u201d s\u00e3o um tema de m\u00fasica tradicional portuguesa ou um \u201cstandard\u201d de Billie Holiday. \u00c9 neste sentido que Maria Jo\u00e3o pode ser comparada, na atitude e na maneira como vive e dramatiza a vibra\u00e7\u00e3o musical, a Bobby McFerrin. Em ambos existe o amor pela liberdade e uma f\u00e9. Ou a consci\u00eancia, no caso feminino quase t\u00e1ctil, de um acto m\u00e1gico que s\u00f3 o verdadeiro m\u00fasico vive e compreende, no qual a ordem dos sons, a Harmonia como que se organiza por si pr\u00f3pria, cabendo ao Int\u00e9rprete, com \u201cI\u201d grande, centrar-se, coincidir, dizer e dizer-se, dan\u00e7ar e dan\u00e7ar-se, e \u00e0s vezes consumir-se, nesse fogo que dizemos vir de \u201ccima\u201d, ou de \u201cdentro\u201d, quando queremos significar a transcend\u00eancia.<br \/>\nDiz-se por outro lado, muito por for\u00e7a do h\u00e1bito, que o jazz \u00e9 \u201cm\u00fasica de negros\u201d. A \u201cGrande Enciclop\u00e9dia Portuguesa e Brasileira\u201d (ilustrada com cerca de 15 mil gravuras) faz mesmo quest\u00e3o de acentuar a \u201cnatural disposi\u00e7\u00e3o dos negros para a arte musical\u201d. \u00c9 verdade. Em Maria Jo\u00e3o corre, do lado materno, sangue africano. \u00c9 o p\u00f3lo energ\u00e9tico complementar: a natural apet\u00eancia pelo ritmo, a assun\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da terra que sobem dos p\u00e9s at\u00e9 ao c\u00e9rebro e os p\u00f5em a dan\u00e7ar. \u00c9 ainda a sensualidade e, se levada ao extremo, a dor, alegria insana dessa entrega. E no limite do humano, a loucura.<br \/>\nTalvez por isso Maria Jo\u00e3o (como Meredith Monk ou Shelley Hirsch) saiba a exig\u00eancia do m\u00e9todo (o \u201chaikido\u201d \u2013 n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 porrada \u2013 que praticou, ajuda muito), da justa medida, a necessidade de equidist\u00e2ncia entre o oceano e o raio. Decerto que sabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Segunda-Feira, 02.12.1991 Maria Jo\u00e3o Apresenta \u201cConvidadas\u201d Em Lisboa A M\u00fasica Suspensa Do Corpo A cantora Maria Jo\u00e3o actua hoje \u00e0 noite no Teatro S. Luiz em Lisboa. Com a presen\u00e7a de \u201cconvidadas\u201d ligadas a outras \u00e1reas musicais: Lena D\u2019 \u00c1gua, Teresa Salgueiro (Madredeus), Anabela Duarte (ex-Mler Ife Dada) e Xana (R\u00e1dio Macau). 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