{"id":7874,"date":"2020-01-20T13:33:51","date_gmt":"2020-01-20T20:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7874"},"modified":"2020-01-20T13:33:51","modified_gmt":"2020-01-20T20:33:51","slug":"paco-de-lucia-paco-de-lucia-traz-o-flamenco-a-lisboa-e-ao-porto-ver-a-vida-atraves-da-guitarra-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2020\/01\/20\/paco-de-lucia-paco-de-lucia-traz-o-flamenco-a-lisboa-e-ao-porto-ver-a-vida-atraves-da-guitarra-concertos\/","title":{"rendered":"Paco De Lucia &#8211; &#8220;Paco De Lucia Traz O Flamenco A Lisboa E Ao Porto &#8211; &#8216;Ver A Vida Atrav\u00e9s Da Guitarra'&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Quinta-Feira, 28.10.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Paco De Lucia Traz O Flamenco A Lisboa E Ao Porto<br \/>\n\u201cVer A Vida Atrav\u00e9s Da Guitarra\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>N\u00f3mada de alma cigana e andaluza, Paco de Lucia transporta na guitarra flamenca o fogo e a inquietude. Mas tamb\u00e9m a alegria do ritmo e a proximidade de todas as m\u00fasicas do mundo. Hoje \u00e0 noite, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, vai perceber-se por que cantou um dia: \u201cSolo quiero caminar\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7875\" rel=\"attachment wp-att-7875\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/pdl.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"469\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7875\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/pdl.jpg 654w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/pdl-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/pdl-624x447.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/pdl-100x72.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Fala devagar, pausadamente, quase para dentro. Como que temendo desconcentrar-se, por um segundo, da guitarra nipresente. Para Paco de Lucia tudo se resume ao instrumento que desde os oito anos de idade aprendeu a tocar: a guitarra de flamenco. \u201cInstrumento muito ingrato\u201d \u2013 diz, com um sorriso c\u00famplice -, basta uma semana sem pegar nela para se desaprender a tocar\u201d.<br \/>\nClaro que n\u00e3o \u00e9 assim. Paco de Lucia vibra em conson\u00e2ncia com as cordas da guitarra. Sesundo a lei dos mestres, funde-se na unidade de um corpo \u00fanico, feito de carne e de madeira, animado pelo fogo: \u201cPara tocar bem guitarra, \u00e9 necess\u00e1rio dedicar-lhe toda a vida e abdicar de coisas talvez mais agrad\u00e1veis. Mais \u00e9 preciso ver a vida atrav\u00e9s da guitarra, o que se pode tornar muito pesado.\u201d<br \/>\nQueda-se impotente a gravidade, mal os dedos afloram o metal. Chispas de lume interior, enfeiti\u00e7ante. \u00c0 semelhan\u00e7a de outros grandes guitarristas para quem a guitarra consitui uma religi\u00e3o (John McLaughlin, Carlos Santana, com os quais de resto j\u00e1 tocou), a pr\u00e1tica musical reveste-se para si de um significado m\u00edstico, ponte e porta para a transcend\u00eancia, liberta\u00e7\u00e3o: \u201cQuando chega o duende da inspira\u00e7\u00e3o [chama-lhe, num disco, \u201cDuende Flamenco\u201d], tenho a sensa\u00e7\u00e3o que me vou, que saio fora de mim, que flutuo no ar.\u201d Inspira\u00e7\u00e3o. Respira\u00e7\u00e3o. \u201cDepende do dia. Depende do que se tem na cabe\u00e7a. A minha m\u00fasica \u00e9 um abstrac\u00e7\u00e3o que provoca sensa\u00e7\u00f5es animais. N\u00e3o tem uma coer\u00eancia liter\u00e1ria. N\u00e3o exprime ideias concretas. A \u00fanica mensagem \u00e9 emocional. Ou se sente ou n\u00e3o se sente.\u201d<br \/>\nPor isso, nos Coliseus de Lisboa e do Porto onde tocar\u00e1 acompanhado por um sexteto constitu\u00eddo por Ramon Gomez, Jos\u00e9 Gomez, Ruben Dantas, Carlos Benavente, Jorge Pardo e Manuel Soler, tudo depender\u00e1 da inspira\u00e7\u00e3o do momento: \u201cVai haver muita improvisa\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nDizer ent\u00e3o apenas o som. E a luziterr\u00e2nica do Sol andaluz. Demasiado branca, que cega a raz\u00e3o, obrigando-a a desejar, inconscientemente, a \u00e1gua da fonte e a sombra dos p\u00e1tios interiores da alma. Ou essa indefini\u00e7\u00e3o que tudo abarca (e t\u00e3o presente tamb\u00e9m no fado (portugu\u00eas) gerada na conveni\u00eancia cigana, essa ra\u00e7a \u201cchegada \u00e0 Europa h\u00e1 500 anos, ainda sem uma m\u00fasica pr\u00f3pria\u201d, mas que, numa paragem do tempo \u201cem cada lugar onde se estabelece, agarra na m\u00fasica local, adaptando-a \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira de sentir\u201d.<br \/>\nPaco de Lucia faz o mesmo com o flamenco \u2013 \u201cnasci no flamenco, vivo no flamenco\u201d \u2013 e com as outras m\u00fasicas do mundo: \u201cSou algu\u00e9m que n\u00e3o para de evoluir, \u00e0 procura de conhecimento e de contacto com outros tipos de m\u00fasica, para as poder adaptar \u00e0 minha pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nBusca incessante de infinito, no cruzamento com diferentes universos musicais, que o leva ao di\u00e1logo constante com int\u00e9rpretes oriundos dos mais diversos quadrantes musicais: John McLaughlin, Carlos Santana, Larry Coryell, Al Di Meola. H\u00e1 muito que pensa gravar um disco com Carlos Paredes. S\u00f3 n\u00e3o o fez ainda por \u201cfalta de tempo para confrontar ideias e ensaiar\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m os discos reflectem essa apet\u00eancia pela variedade e pela s\u00edntese de linguagens: \u201cSiroco\u201d \u00e9 trespassado pelos ventos africanos. \u201cZyryab\u201d reinventa de forma exuberante o \u201cflamenco-jazz\u201d. O pr\u00f3ximo \u00e1lbum ser\u00e1 uma interpreta\u00e7\u00e3o do \u201cConcerto D\u2019Aranjuez\u201d, de Joaquin Rodrigo, com a guitarra cl\u00e1ssica do original substitu\u00edda pela maior din\u00e2mica r\u00edtmica da sua cong\u00e9nere flamenca. Trata-se talvez dessa necessidade de \u201calimentar o esp\u00edrito, bem mais complicada do que alimentar a barriga\u201d, referida pelo m\u00fasico. Afinal, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Quinta-Feira, 28.10.1991 Paco De Lucia Traz O Flamenco A Lisboa E Ao Porto \u201cVer A Vida Atrav\u00e9s Da Guitarra\u201d N\u00f3mada de alma cigana e andaluza, Paco de Lucia transporta na guitarra flamenca o fogo e a inquietude. Mas tamb\u00e9m a alegria do ritmo e a proximidade de todas as m\u00fasicas do mundo. 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