{"id":7815,"date":"2019-12-23T07:32:47","date_gmt":"2019-12-23T14:32:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7815"},"modified":"2019-12-23T07:32:47","modified_gmt":"2019-12-23T14:32:47","slug":"robert-wyatt-billy-bragg-a-esquerda-no-poder-billy-bragg-dont-try-this-at-home-artigo-critica-de-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/12\/23\/robert-wyatt-billy-bragg-a-esquerda-no-poder-billy-bragg-dont-try-this-at-home-artigo-critica-de-discos\/","title":{"rendered":"Robert Wyatt + Billy Bragg &#8211; &#8220;A Esquerda No Poder&#8221; &#8212; Billy Bragg &#8211; &#8220;Don\u2019t Try This At Home&#8221; (artigo \/ cr\u00edtica de discos)"},"content":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 09.10.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A ESQUERDA NO PODER<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>Robert Wyatt e Billy Bragg, assumem-se ambos de esquerda, anti-situacionistas e anti-imperialistas. A diferen\u00e7a principal entre os dois est\u00e1 em que, enquanto Billy Bragg n\u00e3o passa de um m\u00fasico vulgar, para quem gravar discos se resume a um meio eficaz de fazer passar o discurso contest\u00e1rio, Robert Wyatt \u00e9 um artista genial, preocupado com o universo em que vive, mas tamb\u00e9m com a cria\u00e7\u00e3o de novas formas para a m\u00fasica. O primeiro p\u00f5e-se em bicos de p\u00e9s para se fazer ouvir. Ao segundo, basta abrir a boca e soltar a voz tr\u00e9mula, para que os cora\u00e7\u00f5es caiam a seus p\u00e9s. Billy Bragg \u00e9 membro de todas as associa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, subscritor de todas as siglas e de todas as campanhas \u201ccontra\u201d. Robert Wyatt dedica-se aos copos, \u00e0 sua mulher polaca, pintora e activista, \u00e0 paix\u00e3o pelo jazz e `grava\u00e7\u00e3o de obras-primas em disco. Nas barricadas da rua ou na quietude tensa de uma cadeira de rodas, a luta prossegue, impulsionada pelos sonhos de um mundo que julgam ser o melhor. \u201cDondestan\u201d e \u201cDon\u2019t Try this at Home\u201d a\u00ed est\u00e3o para o provar.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7816\" rel=\"attachment wp-att-7816\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"528\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7816\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw.jpg 432w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw-245x300.jpg 245w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw-82x100.jpg 82w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>ROBERT WYATT<br \/>\nA Queda De Um Anjo<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7817\" rel=\"attachment wp-att-7817\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw2.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"377\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7817\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw2.jpg 235w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw2-187x300.jpg 187w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw2-62x100.jpg 62w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dividir a carreira de Robert Wyatt em dois per\u00edodos distintos: antes e depois da queda. O acidente, ocorrido em 1973, durante uma festa, quando, devido aos efeitos perniciosos do \u00e1lcool, caiu para a rua da janela de um quarto andar, condenou-o para sempre \u00e0 cadeira de rodas e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de parapl\u00e9gico, e obrigou-o a um corte radical com o passado. At\u00e9 \u00e0 data fat\u00eddica, Wyatt era o baterista dos Soft Machine, banda que, ao lado dos Pink Floyd, constitu\u00eda um dos pilares do movimento vanguardista ocorrido em Canterbury, na Inglaterra, nos finais da d\u00e9cada de 70.<br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o original dos Soft Machine inclu\u00eda, para al\u00e9m de Wyatt, David Allen (mais tarde fundador dos Gong), Kevin Ayers (exc\u00eantrico, detentor de uma fase inicial de carreira imaculada) Mike Ratledge e Hugh Hopper. Com estes m\u00fasicos, os Soft Machine gravaram um par de \u00e1lbuns, em que procedem \u00e0 fus\u00e3o inusitada de uma pop tipicamente inglesa com desmultiplica\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas caracter\u00edsticas do jazz.<br \/>\n\u201cThird\u201d, o duplo \u00e1lbum seguinte, representa o culminar de um estilo demasiado avan\u00e7ado para a \u00e9poca. Neste disco, Wyatt assina e canta a longa melopeia \u201cThe moon in June\u201d, na qual est\u00e3o j\u00e1 presentes os germes da sua m\u00fasica futura. Consumado o abandono dos Soft Machine, demasiado complexos e intelectuais para o seu gosto, (ainda cumpriu as sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o correspondentes a um dos lados do \u00e1lbum n\u00famero quatro, enquanto trabalhava j\u00e1 no seu primeiro disco a solo, \u201cThe End of na Ear\u201d), Wyatt re\u00fane novos m\u00fasicos e forma os Matching Mole (tradu\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica do franc\u00eas \u201cmachine molle\u201d \u2013 precisamente o mesmo que Soft Machine\u2026). \u201cMatching Mole\u201d e \u201cLittle Red Record\u201d s\u00e3o os dois testemunhos brilhantes deixados por esta forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 com sinais evidentes da futura milit\u00e2ncia, aqui ainda limitados a uma par\u00f3dia ao imagin\u00e1rio e iconografia mao\u00edstas.<br \/>\nDepois, o momento de viragem. A queda e um futuro obrigatoriamente diferente. Impossibilitado de tocar bateria, Wyatt afirma que o acidente acabou por lhe ser vantajoso: \u201cA estadia no hospital deixou-me livre para sonhar.\u201d O resultado deste corte abrupto com o passado, \u201cRock Bottom\u201d, \u00e9, sem exagero, uma das obras musicais m\u00e1ximas deste s\u00e9culo. Mergulho na loucura e no fundo do abismo. Vocaliza\u00e7\u00f5es pat\u00e9ticas sobre uma electr\u00f3nica sombria e obsessiva. Exorcismo traum\u00e1tico da dor. Experi\u00eancia do limite da solid\u00e3o humana.<br \/>\n\u201cRuth Is Stranger than Richard\u201d, o disco seguinte, funciona num registo mais \u201ccool\u201d, constituindo uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios al\u00f3gicos sobre sonoridades t\u00e3o variadas como o jazz, a m\u00fasica afro-cubana ou o \u201cmuzak\u201d ambiental. Fred Frith, Brian Eno e John Cale s\u00e3o alguns dos m\u00fasicos presentes na sess\u00e3o. Entre estes dois discos, um \u201chit\u201d inesperado, com a vers\u00e3o do tema dos Monkees, \u201cI\u2019m a believer\u201d.<br \/>\nEm 1980, cada vez mais preocupado com o agravamento da situa\u00e7\u00e3o mundial e com os problemas do Terceiro Mundo, Robert Wyatt entra para o Partido Comunista. Em termos de produ\u00e7\u00e3o musical, a op\u00e7\u00e3o salda-se pelo \u00e1lbum \u201cNothing Can Stop Us\u201d, paradoxalmente violento e delicado manifesto anticapitalista, onde temas como o tradicional cubano \u201cGuantanamera\u201d, \u201cStrange fruit\u201d de Billie Halliday, o hino estalinista \u201cStalin wasn\u2019t stalin\u201d ou a Internacional adquirem uma intensidade a um tempo perversa e demolidora.<br \/>\nA seguir, um mini-\u00e1lbum com a banda sonora de \u201cThe Animals\u201d, document\u00e1rio que denuncia as atrocidades cometidas sobre os animais, em nome da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de mais um single nos tops (Shipbuilding\u201d, composto especialmente para si por Elvis Costello, a prop\u00f3sito das v\u00edtimas da guerra das Malvinas) e um EP, \u201cAmbe rand the Amberines\u201d, contendo vers\u00f5es de \u201cBiko\u201d, \u201cYolanda\u201d e \u201cTe recuerdo\u201d, respectivamente de Peter Gabriel, Pablo Milan\u00eas e Victor Jara. Depois Robert Wyatt regressa aos \u00e1lbuns, com \u201cOld Rottenhat\u201d, preocupado com problemas como a ocupa\u00e7\u00e3o de Timor-Leste ou a prepot\u00eancia dos \u201cunited states of amnesia\u201d, tornados senhores do mundo.<br \/>\nPara tr\u00e1s, ficavam colabora\u00e7\u00f5es com Michael Mantler, Bem Watt e os Working Week, ou a alian\u00e7a com o activista dos Specials \/ Special Aka, Jerry Dammers, e cantores da SWAPO, traduzida noutro single, \u201cWinds of Change\u201d (1985), em que se condena a ocupa\u00e7\u00e3o da Nam\u00edbia pelo ex\u00e9rcito sul-africano, e uma can\u00e7\u00e3o, \u201cThe lst Nightingale\u201d, destinada \u00e0 angaria\u00e7\u00e3o de fundos a favor da greve dos mineiros ingleses.<br \/>\nWyatt credita realmente que a m\u00fasica pode contribuir para as mudan\u00e7as do mundo. Pensa, por exemplo, que o concerto de homenagem a Nelson Mandela contribuiu de alguma maneira para a sua liberta\u00e7\u00e3o, \u201cembora n\u00e3o fizesse desaparecer o \u2018apartheid\u2019\u201d. Segue-se o ex\u00edlio volunt\u00e1rio para o sol da Catalunha, na companhia de Alfie (diminutivo de Alfreda Benge, a quem dedica o tema final de \u201cOld Rottenhat\u201d \u2013 \u201cPoor little Alfie\u201d), o reatar de rela\u00e7\u00f5es com o jazz, \u00e0 sua maneira \u2013 \u201csou um turista do jazz, n\u00e3o um participante activo\u201d \u2013 e, finalmente, o regresso a Inglaterra e a assun\u00e7\u00e3o das origens pop, no novel e not\u00e1vel \u201cDondestan\u201d (onde est\u00e3o?\u201d \u2013 pergunta, a prop\u00f3sito dos refugiados palestinianos e do Kurdist\u00e3o). Sempre ao lado desses e doutros refugiados, do mundo e da vida, Robert Wyatt continua a lutar, em combust\u00e3o lenta. Contra as prepot\u00eancias do destino e a estagna\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito. Nos seus discos a dor \u00e9 redimida, consubstanciada em liberdade. \u00c9 o seu testemunho e a sua vingan\u00e7a.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>BILLY BRAGG:<br \/>\nCantor A Martelo<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7818\" rel=\"attachment wp-att-7818\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw3.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"266\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7818\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw3.jpg 180w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/rw3-68x100.jpg 68w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Billy Bragg canta mal, toda a gente que o ouviu o sabe. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que interessa: \u201cN\u00e3o sou um cantor, nunca serei um Pavarotti, nem sequer um Rick Astley\u201d \u2013 reconhece, para logo adiantar: \u201cO mais importante \u00e9 o conte\u00fado\u201d. Billy Bragg \u00e9 militante empenhado do RAR. (Rock Against Fascism). Cerra fileiras ao lado da CND (Campaign for Nuclear Disarmament). Faz horas extraordin\u00e1rias na YTS (Youth Training Scheme). Almo\u00e7a todos os dias na cantina do YTUR (Youtj Trade Union Rights Campaign). Al\u00e9m disso, tem assinatura na GLC (Gas Light Chanticleer) e costuma frequentar o clube privado da SEX (Sociological Entertainment Xenogamy). \u00c9 aquilo a que se costuma chamar um \u201ccamarada\u201d.<br \/>\nDe facto, para Billy Bragg, o mundo \u00e9 uma m***a, resumindo-se a quest\u00e3o essencial \u00e0 proverbial luta de classes e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos fracos pelos fortes. Billy, fan\u00e1tico do futebol, n\u00e3o admite contudo  a exist\u00eancia de uma linha m\u00e9dia. Suporta-a s\u00f3 enquanto esta lhe for comprando discos. A subida ao poder de Margaret Thatcher foi, para si, providencial. \u00c9 preciso ter um inimigo contra quem lutar, que sirva de est\u00edmulo \u2013 \u201c\u00c9 imposs\u00edvel escrever uma boa can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se n\u00e3o houver o ambiente apropriado.\u201d Com a \u201cdama de ferro\u201d no poleiro, foi-lhe mais f\u00e1cil fazer \u00e1lbuns como \u201cLife\u2019s a riot with spy vs. Spy\u201d ou \u201cBrewing up\u201d ou \u201cTalking with the Taxman about Poetry\u201d.<br \/>\nEmbora n\u00e3o o encare como um po\u00e7o de virtudes, aderiu ao Labour Party \u2013 \u201cTem no seu seio tantos reaccion\u00e1rios que se fica a pensar se n\u00e3o se ter\u00e3o enganado na escolha do partido.\u201d Mas, como em tudo, \u00e9 preciso escolher, escolheu o que lhe pareceu melhor. \u201cMadonna usa os \u2018soutiens\u2019 pontiagudos, eu uso o Partido Trabalhista. A diferen\u00e7a \u00e9 que o partido \u00e9 mais sexy.\u201d O sexo \u00e9, de resto uma das suas principais preocupa\u00e7\u00f5es. No \u00e1lbum acabado de sair, \u201cDon\u2019t try this at home\u201d, um dos temas intitula-se, sem ambiguidades, \u201cSexuality\u201d. Diz assim: \u201cSafe sex doesn\u2019t mean no sex, it just means use your imagination\u201d \u2013 para, de seguida, agitar a bandeira do Maio de 68 e do amor livre: \u201cSexuality \u2013 strong and warm and wild and free, sexuality \u2013 we can be what we want to be.\u201d N\u00e3o est\u00e1 mal visto.<br \/>\nO que faz correr Billy Bragg, fundador da Red Wedge, uma agremia\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos pop de que fazem parte m\u00fasicos como Gary Kemp, dos Spandau Ballet \u2013 presen\u00e7a um pouco suspeita, a deste neo-rom\u00e2ntico da treta; mas, como Billy faz quest\u00e3o de frisar, \u201cquer queiram quer n\u00e3o, temos que trazer as classes m\u00e9dias do mundo connosco\u201d \u2013 e Paul Weller (The Jam, Style Council) destinada a apoiar o partido nas elei\u00e7\u00f5es? Quer dizer, para al\u00e9m de, como ele pr\u00f3prio diz, \u201cter rela\u00e7\u00f5es com raparigas de muitas na\u00e7\u00f5es\u201d, vibrar com o futebol e, como todo o bom ingl\u00eas, beber litros e litros de ch\u00e1?<br \/>\n\u201cQuando da greve dos mineiros, n\u00e3o fui muito bem recebido\u201d \u2013 resmunga, sentido. \u201cPerguntaram-me o que \u00e9 que estava a fazer ali, de guitarra em punho. Respondi-lhes que era eu quem atra\u00eda os jovens de 18 anos e lhes chamava a aten\u00e7\u00e3o para ouvir aquilo que eles, mineiros, tinham a dizer. Fiz-lhes ver que \u00e9 esta a minha profiss\u00e3o.\u201d Billy Bragg, porta-voz das minorias, devia ser eleito. J\u00e1.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>BILLY BRAGG<br \/>\nDon\u2019t Try This At Home<br \/>\nLP duplo \/ CD \/ Go! Discs, distri. Polygram<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nNem em casa nem noutro lugar qualquer. Billy Bragg prossegue a sua saga contra as injusti\u00e7as do mundo, com os ocasionais interl\u00fadios amorosos de permeio. Em rela\u00e7\u00e3o a discos anteriores, assiste-se a um refinamento da produ\u00e7\u00e3o (uma concess\u00e3o ao \u201cmusic-hall\u201d que chegou ao ponto de o pr\u00f3prio produtor se chamar \u201cShowbizz\u201d), e at\u00e9 (pasme-se) do desempenho vocal deste \u201ccantor de protesto\u201d, para quem a m\u00fasica pop \u00e9 o meio ideal de propaganda de uma boa (ou m\u00e1) ideologia. As refer\u00eancias musicais s\u00e3o variadas, para que a mensagem seja destilada de forma o menos enfadonha poss\u00edvel. H\u00e1 um pouco de tudo em \u201cDon\u2019t try this at Home\u201d: ecos de Leonard Cohen, (\u201cMoving the Goalposts\u201d), dos Moody Blues (ser\u00e1 poss\u00edvel? \u2013 em \u201cCindy of a thousand lives\u201d), de Julian Cope (\u201cTrust\u201d, \u201cSexuality\u201d), juntamente com as cordas, plenas de dramatismo, de \u201cRumours of war\u201d ou o encosto \u00e0 country em \u201cYou woke up my neighborhood\u201d. Entre a vulgaridade mais ou menos bem disfar\u00e7ada, o melhor acabam por ser as letras, um cat\u00e1logo completo das obsess\u00f5es e procupa\u00e7\u00f5es do autor. Para dourar a p\u00edlula, n\u00e3o falta sequer a ajuda de nomes como Michael Stipe e Peter Buck (dos REM), Kirsty MacColl, Johnny Marr e Donny Thompson, em \u201cDolphins\u201d, uma das poucas can\u00e7\u00f5es verdadeiramente belas de um \u00e1lbum subjugado pelo peso da \u201cmensagem\u201d.<br \/>\n**<\/p>\n<p>Legenda:<br \/>\n. Imperdo\u00e1vel<br \/>\n* Mau Mau<br \/>\n** V\u00e1 L\u00e1<br \/>\n*** Simp\u00e1tico<br \/>\n**** Aprovado<br \/>\n***** \u00danico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 09.10.1991 A ESQUERDA NO PODER Robert Wyatt e Billy Bragg, assumem-se ambos de esquerda, anti-situacionistas e anti-imperialistas. 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