{"id":7752,"date":"2019-11-19T10:34:47","date_gmt":"2019-11-19T17:34:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7752"},"modified":"2019-11-19T10:34:47","modified_gmt":"2019-11-19T17:34:47","slug":"carlos-santana-happy-mondays-happy-mondays-e-santana-nao-aquecem-nem-arrefecem-alvalade-so-cancoes-conhecidas-o-resto-nao-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/11\/19\/carlos-santana-happy-mondays-happy-mondays-e-santana-nao-aquecem-nem-arrefecem-alvalade-so-cancoes-conhecidas-o-resto-nao-concertos\/","title":{"rendered":"Carlos Santana + Happy Mondays &#8211; &#8220;Happy Mondays E Santana N\u00e3o Aquecem Nem Arrefecem Alvalade &#8211; S\u00f3 Can\u00e7\u00f5es Conhecidas, O Resto N\u00e3o&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Segunda-Feira, 29.07.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Happy Mondays E Santana N\u00e3o Aquecem Nem Arrefecem Alvalade<br \/>\nS\u00f3 Can\u00e7\u00f5es Conhecidas, O Resto N\u00e3o<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Desta vez n\u00e3o houve festa em Alvalade. A banda de Manchester chocou em demasia com os preconceitos de um p\u00fablico que vinha para \u201ccurtir\u201d boas vibra\u00e7\u00f5es. Quanto a Carlos Santana, ter\u00e1 dialogado com a divindade mas a comunica\u00e7\u00e3o com a assist\u00eancia n\u00e3o foi isenta de interfer\u00eancias. Os grandes concertos de est\u00e1dio v\u00e3o-se tornando uma rotina.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7753\" rel=\"attachment wp-att-7753\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/santana-3.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"460\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7753\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/santana-3.jpg 654w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/santana-3-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/santana-3-624x439.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/santana-3-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Nos recentes concertos de est\u00e1dio realizados no nosso pa\u00eds, aqueles que t\u00eam permitido ver em ac\u00e7\u00e3o os \u201cdinossauros excelent\u00edssimos\u201d, h\u00e1 a registar um fen\u00f3meno curioso: as pessoas s\u00f3 t\u00eam ouvidos para as can\u00e7\u00f5es mais conhecidas, os chamados cl\u00e1ssicos, aquelas que fizeram (e parece que continuam a fazer) as del\u00edcias das gera\u00e7\u00f5es mais velhas. Curioso \u00e9 verificar que jovens de quinze anos, que na altura nem sequer eram nascidos, vibram com essas mesmas can\u00e7\u00f5es, como se desde sempre as conhecessem de cor.<br \/>\nFoi assim no concerto de s\u00e1bado, com a m\u00fasica dos Santana. Para esses jovens e, em geral, para as 15 ou 20 mil pessoas (\u00e9 dif\u00edcil conta-las, ningu\u00e9m para quieto no mesmo s\u00edtio) que encheram a ala Norte do est\u00e1dio de Alvalade, s\u00f3 \u201cOye como va\u201d, \u201cBlack Magic Woman\u201d ou \u201cSamba pa ti\u201d contam. O resto \u00e9 tudo porcaria para encher. A atitude \u00e9 reveladora do modo como a mioria dos portugueses ouve m\u00fasica: mais com o cora\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria do que com os ouvidos e a sensibilidade.<br \/>\nPara evitar, de futuro, coment\u00e1rios, sempre desagrad\u00e1veis, como os que se ouviram durante parte (na altura dos solos) da actua\u00e7\u00e3o dos Santana \u2013 \u201cParem l\u00e1 com essa merda\u201d \u2013 aconselha-se desde j\u00e1 as organiza\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3ximos concertos a limitarem o tempo de actua\u00e7\u00e3o dos artistas ao estritamente necess\u00e1rio. Por exemplo, j\u00e1 depois de amanh\u00e3, no mesmo est\u00e1dio, Joe Cocker deveria actuar apenas durante cinco minutos, o tempo preciso para cantar \u201cWith a little help from my friends\u201d e ficar toda a gente satisfeita.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>As Massas N\u00e3o Compreendem<\/strong><\/p>\n<p>Os Happy Mondays, que preencheram a primeira parte n\u00e3o tiveram esse problema. Quase ningu\u00e9m conhece as suas can\u00e7\u00f5es e mesmo que algu\u00e9m conhecesse, Shaun Ryder e os seus pares, tratariam de as tornar irreconhec\u00edveis. Esperava-se que os mais jovens aderissem mas isso n\u00e3o aconteceu. As gera\u00e7\u00f5es mais novas j\u00e1 nascem \u201ccaretas\u201d. N\u00e3o gostam de excessos nem de barulho. Muito menos de se sentirem gozadas. Os Happy Mondays adoptaram em palco a postura que lhes \u00e9 habitual \u2013 o desprezo pelo p\u00fablico, a bandalheira controlada, o as \u201cblas\u00e9\u201d de quem ali est\u00e1 a fazer um frete. Shaun cantou quase todo o tempo sentado, lata de cerveja em punho, um cigarro permanentemente mal aceso ao canto da boca, compondo a imagem do artista afogado em drogas e dramas existenciais, votado \u00e0 incompreens\u00e3o das massas.<br \/>\nDe facto, as massas voltaram a n\u00e3o compreender e desde cedo manifestaram essa incompreens\u00e3o, atrav\u00e9s de assobiadelas e insultos variados. Um vocalista sentado \u00e9 falta de respeito. Uma dan\u00e7arina de mau ar mas boa perna, tamb\u00e9m, mas v\u00e1 l\u00e1, ainda se suporta. Mais dif\u00edcil de suportar foi a agress\u00e3o dos \u201cflashes\u201d dos holofotes apontados, n\u00e3o se sabe bem porqu\u00ea, aos olhos do p\u00fablico. Se a inten\u00e7\u00e3o era alucinar, o melhor que conseguiram foi irritar (sobretudo a vista).<br \/>\nQuanto \u00e0 massa sonora que passa por m\u00fasica dos Happy Mondays, encarregou-se de despeda\u00e7ar o resto da paci\u00eancia dos presentes que n\u00e3o tiveram outro rem\u00e9dio (os que podiam) sen\u00e3o refugiar-se na parte de tr\u00e1s das bancadas. O encore final foi quase aned\u00f3tico, do g\u00e9nero Serafim Saudade \u2013 \u201cquerem mais? Ent\u00e3o est\u00e1 bem\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fazer Render O Peixe<\/strong><\/p>\n<p>Em contrapartida, os Santana foram acolhidos como her\u00f3is portadores da mensagem salvadora. Mas foi sol de pouca dura. Todos estavam \u00e0 espera das tais can\u00e7\u00f5es \u201cconhecidas\u201d e Carlos Santana tardou em fazer-lhes a vontade. Era preciso fazer render o peixe, de maneira a esticar a actua\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas horas previstas, como modo de tapar o buraco deixado em aberto pela desist\u00eancia de \u00faltima hora de Salif Keita. Passou uma hora de exerc\u00edcios jazz-rockeiros at\u00e9 os Santana satisfazerem as \u00e2nsias nost\u00e1lgicas do costume. \u201cOye como va\u201d, \u201cBlack Magic Woman\u201d e \u201cSamba pa ti\u201d (\u201cum dos \u2018slows\u2019 mais compridos que havia\u201d \u2013 suspirou algu\u00e9m ao lado, saudoso dos tempos dos conv\u00edvios de liceu) conseguiram congregar alguns isqueiros acesos e provocar uns t\u00edmidos passos de dan\u00e7a.<br \/>\nEmbora ningu\u00e9m duvidasse da compet\u00eancia t\u00e9cnica dos m\u00fasicos, os mesmos fizeram quest\u00e3o em demonstr\u00e1-lo, estendendo-se por solos intermin\u00e1veis que, a dada altura, come\u00e7aram a provocar na assist\u00eancia reac\u00e7\u00f5es de impaci\u00eancia. As pessoas n\u00e3o queriam m\u00fasica, muito menos virtuosismo, queriam melodias para trautear e ritmos para acompanhar com palmas.<\/p>\n<p><strong>Uma Surpresa<\/strong><\/p>\n<p>Momentos altos, que , foram infelizmente recebidos quase com indiferen\u00e7a: uma fabulosa sequ\u00eancia r\u00edtmica pela dupla de percussionistas Raul Rekow e Karl Perazzo, o solo poderoso em estilo locomotiva do baterista Caylord Birch, e evidentemente, todas as notas arrancadas da guitarra por Carlos Santana, sem sombra de d\u00favida um mestre do instrumento, n\u00e3o chegaram para transformar o concerto em espect\u00e1culo de multid\u00f5es.<br \/>\nNas ilumina\u00e7\u00f5es asc\u00e9ticas de \u201cPeace on Earth\u201d, de John Coltrane, ou na releitura de sinal invertido das pulsa\u00e7\u00f5es infernais de Jimi Hendrix, sempre a mesma energia que, percebe-se, vem muito de dentro (ou do alto, como o guitarrista prefere dizer), a respira\u00e7\u00e3o sublime, a alegria de tocar. Carlos Santana mostrou por que faz da guitarra a sua religi\u00e3o.<br \/>\nSurpreendente foi a apari\u00e7\u00e3o inesperada em palco de Pat Metheny, primeiro a solo e depois num curto mas magistral di\u00e1logo mantido com Carlos Santana. Instantes de eternidade, suspensos na euforia de duas guitarras em comunica\u00e7\u00e3o com Deus. Depois foi levar a coisa at\u00e9 ao fim, com alguns truques pelo meio (a inser\u00e7\u00e3o de uma frase mel\u00f3dica reconhec\u00edvel, a pausa para uma pequena pr\u00e9dica doutrinal, um compasso bin\u00e1rio na bateria a puxar as palmas) e a certeza de que, por enquanto, entre n\u00f3s, a barreira das duas horas \u00e9 dif\u00edcil de passar. Nem sequer houve tempo para fogo de artif\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Segunda-Feira, 29.07.1991 Happy Mondays E Santana N\u00e3o Aquecem Nem Arrefecem Alvalade S\u00f3 Can\u00e7\u00f5es Conhecidas, O Resto N\u00e3o Desta vez n\u00e3o houve festa em Alvalade. A banda de Manchester chocou em demasia com os preconceitos de um p\u00fablico que vinha para \u201ccurtir\u201d boas vibra\u00e7\u00f5es. 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