{"id":7704,"date":"2019-10-30T13:06:39","date_gmt":"2019-10-30T20:06:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7704"},"modified":"2019-10-30T13:06:39","modified_gmt":"2019-10-30T20:06:39","slug":"paul-simon-o-evangelho-segundo-sao-paulo-dossier-artigo-de-fundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/10\/30\/paul-simon-o-evangelho-segundo-sao-paulo-dossier-artigo-de-fundo\/","title":{"rendered":"Paul Simon &#8211; &#8220;O Evangelho Segundo S\u00e3o Paulo&#8221; (dossier \/ artigo de fundo)"},"content":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 17.07.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O EVANGELHO SEGUNDO S\u00c3O PAULO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>N\u00e3o se sabe se Paul Simon era Tom ou Jerry no duo que h\u00e1 34 anos formou com o seu parceiro de muitas ocasi\u00f5es, Art Garfunkel, decalcado da c\u00e9lebre dupla dos desenhos animados. O que sabe \u00e9 que o homem tem j\u00e1 um lugar reservado no \u201chall of fame\u201d, pante\u00e3o das celebridades mundiais cuja import\u00e2ncia deve exceder inevitavelmente as dimens\u00f5es de um hipermercado.<br \/>\nPaul tem hoje cinquenta anos deidade, mais ano menos ano, e uma quantidade de \u00e1lbuns no activo, a solo e com o outro. Filho espiritual de Bob Dylan (que imitou durante muitos anos), ter\u00e1 chegado \u00e0 conclus\u00e3o que Dylan s\u00f3 havia o Bob e mais nenhum. Optou ent\u00e3o pela \u201cm\u00fasica folk\u201d, como dizia ele e diziam os cr\u00edticos, sempre que havia algu\u00e9m a cantar baladas acompanhado por uma guitarra ac\u00fastica. Nos anos 60 a \u201cm\u00fasica folk\u201d era ch\u00e3o que dava uvas. Paul Simon apreciava particularmente este fruto, e m\u00fasicos ingleses como John Renbourn ou Martin Carthy, n\u00e3o espantando portanto a op\u00e7\u00e3o. Depois foi a recolha sistem\u00e1tica de \u201chits\u201d e estilos musicais que culminou nos mundialmente aclamados \u201cGraceland\u201d e \u201cRhythm of the Saints\u201d. Vamos ver como foi, dissecar a obra, escalpelizar o discurso, mergulhar em complexas an\u00e1lises estruturais, que o homem est\u00e1 mesmo a chegar e n\u00e3o conv\u00e9m perder pitada.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7705\" rel=\"attachment wp-att-7705\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"306\" height=\"303\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7705\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1.jpg 306w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 306px) 100vw, 306px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Para Paul Simon, a m\u00fasica rock \u00e9 indissoci\u00e1vel de todos os outros g\u00e9neros e, em particular, das m\u00fasicas do mundo. Tal atitude deriva de uma exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua a toda a esp\u00e9cie de sons ouvidos durante a juventude. Do rock \u2018n\u2019 rol de Elvis Presley e Chuck Berry e a \u201ccountry music\u201d de Johnny Cash, \u00e0 m\u00fasica soul, os blues e a religiosidade \u201cgospel\u201d. Os Beatles, evidentemente, fizeram parte da cartilha, assim como Bob Dylan que, durante anos, tentou imitar. Deste caldeir\u00e3o de influ\u00eancias soube Paul Simon extrair a ees\u00eancia, depurando-a para lhe acrescentar os contornos da sua excepcional aptid\u00e3o para a melodia. M\u00e9todo que em \u201cGraceland\u201d e \u201cRhythm of the Saints\u201d atingiu o apogeu, no casamento dos sons africanos do primeiro e o tropicalismo brasileiro do segundo com um apuro formal ent\u00e3o j\u00e1 perfeitamente consolidado.<\/p>\n<p><strong>Quarta-Feira, Tr\u00eas Da Madrugada<\/strong><\/p>\n<p>Era ainda manh\u00e3zinha, nem uma agulha bulia, na suave melancolia dos pinheiros do caminho, quando Paul Simon gravou o primeiro \u00e1lbum de parceria com Art Garfunkel, em 1964. Mais precisamente \u00e0s tr\u00eas da madrugada de uma quarta-feira. Disco florido, suave, doce, \u201cWednesday Morning 3 a. M.\u201d \u00e9 a sobremesa ideal num dia de Primavera, \u00e0 hora e dia da semana indicados. Harmonias vocais bonitas, modernas, originais. Sem agressividade nem angulosidades escusadas. Nada de grave, n\u00e3o fora a exist\u00eancia de uma can\u00e7\u00e3o chamada \u201cThe sound of silence\u201d, que, no ano seguinte, subiria ao primeiro lugar no top de vendas norte-americano, gra\u00e7as ao golpe de g\u00e9nio do produtor, Tom Wilson. Este, sem dar cavaco aos autores, resolveu electrificar a coisa, inaugurando assim, sem mais nem menos, a corrente est\u00e9tica a que se convencionou chamar \u201cfolk rock\u201d. H\u00e1 dias de sorte. A Paul Simon saiu a sorte grande. <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7706\" rel=\"attachment wp-att-7706\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"269\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7706\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/2.jpg 277w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/2-100x97.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7707\" rel=\"attachment wp-att-7707\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"323\" height=\"318\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7707\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/3.jpg 323w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/3-300x295.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/3-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Quis o destino que Paul e Art permanecessem pouco tempo juntos. Sabe-se l\u00e1 porqu\u00ea. Talve devido ao alegado perfeccionismo de Paul, que n\u00e3o teria suportado o fraco empenhamento demosntrado pelo companheiro, desde cedo voltado para uma carreira na s\u00e9tima arte.<\/p>\n<p><strong>O Som Do Sil\u00eancio<\/strong><\/p>\n<p>Assim, no ano seguinte, Paul estava de novo sozinho, \u00e0 procura de calor humano e de inspira\u00e7\u00e3o. Calor humano, n\u00e3o recebeu tanto como isso. Inspira\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 o que n\u00e3o falta no primeiro disco a solo, \u201cThe Paul Simon Song Book\u201d, sa\u00eddo em 1965, no qual figuram alguns dos temas posteriormente interpretados pela dupla, no seu segundo \u00e1lbum: \u201cThe sound of silence\u201d (outra vez), \u201cI am a rock\u201d, e \u201cKathy\u2019s song\u201d. \u201cSounds of silence\u201d viria mesmo a constituir uma esp\u00e9cie de obsess\u00e3o, tendo sido aproveitado como gen\u00e9rico do disco e utilizado em t\u00e9cnicas revolucion\u00e1rias na educa\u00e7\u00e3o dos surdo-mudos.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7708\" rel=\"attachment wp-att-7708\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"322\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7708\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4.jpg 341w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4-300x283.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/4-100x94.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Musicalmente o \u00e1lbum pouco adianta em rela\u00e7\u00e3o ao anterior, exceptuando, evidentemente, a import\u00e2ncia dada \u00e0s pausas, de resto t\u00e3o bem exploradas pelos dois, em sublimes harmonias vocais que passaram a ostentar o timbre inconfund\u00edvel do seu estilo. S\u00f3 ouvido. Ou melhor, s\u00f3 n\u00e3o ouvido. Ainda hoje, nos pubs, em casa, no campo, na praia, no escrit\u00f3rio, no autom\u00f3vel, no Audit\u00f3rio da Gulbenkian, durante um recital de m\u00fasica de c\u00e3mara, se trauteiam e assobiam as can\u00e7\u00f5es imortais de Simon and Garfunkel. Deste e sobretudo dos \u00e1lbuns que se haviam de seguir.<\/p>\n<p><strong>Paran\u00f3ias Existenciais<\/strong><\/p>\n<p>Como \u201cParse, Sage, Rosemary &#038; Thyme\u201d, de 1966, considerado como um dos seus melhores. O t\u00edtulo-tema, inspirado numa melodia tradicional esquim\u00f3, \u00e9 encantador. \u00c9 nesta altura que come\u00e7am a vir ao de cima as paranoias existenciais de Paul Simon, patentes em temas como \u201cThe dangling conversation\u201d ou \u201cPatterns\u201d. Noutras p\u00e1ginas deste suplemento, d\u00e1-se conta do boletim cl\u00ednico.<br \/>\n\u201cThe Graduate\u201d, 1968, a banda sonora do filme de Mike Nicholls, foi por muitos considerado pornogr\u00e1fico. Passemos pudicamente ao lado. Do mesmo ano, \u201cBookends\u201d, cont\u00e9mm uma das can\u00e7\u00f5es mais conhecidas do duo, \u201cAmerica\u201d, balada de concep\u00e7\u00e3o imaculada e uma simplicidade espantosa, possuidora de uma inenarr\u00e1vel riqueza r\u00edtmico-t\u00edmbrico-mel\u00f3dico-harm\u00f3nica, capaz de injectar na parelha o entusiasmo suficiente para se lan\u00e7ar naquela que, at\u00e9 hoje, permanece como sendo a obra-prima absoluta, ou, pelo menos, a mais vendida: \u201cBridge over Troubled Water\u201d, a subir e a descer nos tops durante 32 anos consecutivos, entre 1957 e 1973.<\/p>\n<p><strong>Uma Ponte Que Ruiu<\/strong><\/p>\n<p>\u201cBridge\u201d (para Paul Simon, um \u00e1lbum de \u201cgospel\u201d puro) faz a ponte entre diversas tend\u00eancias musicais, juntando as ambi\u00eancias folk da praxe \u00e0s alturas ventosas de \u201cEl condor passa\u201d e \u00e0 releitura suavizada de \u201cBye bye love\u201d dos Everly Brothers. \u00c9 tamb\u00e9m o \u00e1lbum do romantismo, de se ouvir agarradinho ao\/\u00e0 parceiro\/a, dentro daquela linha a que se convencionou chamar \u201cm\u00fasica para constituir fam\u00edlia\u201d ou, na vers\u00e3o popular, \u201crock sentimetal\u00e3o\u201d. \u201cThe boxer\u201d, \u201cCecilia\u201d, \u201cThe setter\u201d, \u201cEmily\u201d, \u201cThe wolfhound\u201d e \u201cVirginia\u201d s\u00e3o alguns dos temas inesquec\u00edveis de um \u00e1lbum, cujo lema parece ter sido \u201cKeep the customer satisfied\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7709\" rel=\"attachment wp-att-7709\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5.jpg\" alt=\"\" width=\"379\" height=\"362\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7709\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5.jpg 379w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5-300x287.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5-100x96.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 379px) 100vw, 379px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Durante as grava\u00e7\u00f5es de \u201cBridge over Troubled Waters\u201d as diverg\u00eancias entre Paul Simon e Art Garfunkel atingiram o auge \u2013 Art n\u00e3o deixava o cinema, oo que muito aborrecia Paul. Na faixa \u201cThe only living boy in New York\u201d, Paul denuncia as frequentes aus\u00eancias do companheiro no M\u00e9xico, justificadas pela rodagem de \u201cCatch 22\u201d, chagendo mesmo a criticar o seu desempenho dram\u00e1tico, acusando-o de acad\u00e9mico, prom\u00edscuo, aleat\u00f3rio, etnogr\u00e1fico e atentat\u00f3rio contra os bons costumes. O que manifestamente n\u00e3o jogava com o seu feitio (de Paul). Eram raz\u00f5es mais que suficientes para p\u00f4r um ponto final na carreira da dupla. Separaram-se como bons amigos que afinal nunca tinham deixado de o ser (Paul viria mais tarde a retratar-se publicamente da acusa\u00e7\u00e3o de \u201cetnogr\u00e1fica\u201d, \u00e0 actua\u00e7\u00e3o de Art, alegando que tinha dormido mal nessa noite. O termo, contudo, nunca lhe sairia da cabe\u00e7a, revelando-se mesmo de capital import\u00e2ncia em fases posteriores da sua carreira). Art perdoou-lhe, mas continuou a representar.<br \/>\nParte do \u00e1lbum \u00e9 gravado apenas por Paul e pelo co-produtor Ray Halee que nele investem doses maci\u00e7as de paix\u00e3o. Curiosamente, na faixa principal, \u201cBridge over troubled water\u201d, composta por Paul, este fez quest\u00e3o de ser Art a cant\u00e1-la. Mas a rotura era inevit\u00e1vel e concretizar-se-ia pouco tyempo depois. Voltaria a reunir-se num espect\u00e1culo ao vivo no Central Park, em 1982, perante v\u00e1rias pessoas que n\u00e3o os tinham esquecido.<\/p>\n<p><strong>Os Perigos Do Rock \u2018N\u2019 Roll<\/strong><\/p>\n<p>Paul Simon tinha o caminho livre para uma carreira gloriosa. Come\u00e7ou a ler livros e revistas, a consultar especialistas, a visitar locais, a estudar a melhor maneira de incorporar v\u00e1rios estilos musicais no esquema b\u00e1sico das suas baladas. O resultado de tais pesquisas viria a revelar-se brilhante no \u00e1lbum \u201cPaul Simon\u201d, de 1972, mescla estimulante de fluidez vocal, produ\u00e7\u00e3o imaginativa e boas can\u00e7\u00f5es. Contando no est\u00fadio com a presen\u00e7a de m\u00fasicos ilustres, como o guitarrista ex\u00edmio na t\u00e9cnica de \u201cpicking\u201d, Stefan Grossman (\u201cParanoia blues\u201d) e o violinista cigano Stephanne Grappelli (Hobos\u2019s blues\u201d, \u201cPaul Simon\u201d \u00e9 uma esp\u00e9cie de visita guiada pela mente tortuosa de um m\u00fasico \u00e0 procura de si pr\u00f3prio. C\u00e1 est\u00e1 o \u201creggae\u201d de \u201cMother and child reunion\u201d, a veia latina de \u201cMe and Julio down by the schoolyard\u201d, a beleza intimista de \u201cDuncan\u201d, a fantasmagoria evocativa de \u201cCongratulations\u201d, a auto-introspec\u00e7\u00e3o de \u201cEverything put together falls apart\u201d. <\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7710\" rel=\"attachment wp-att-7710\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"315\" height=\"293\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7710\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/6.jpg 315w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/6-300x279.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/6-100x93.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 315px) 100vw, 315px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Sim, Paul Simon, enveredava por uma via pessimista, ondementes mais fortes que a sua viriam a encontrar a mis\u00e9ria e a desgra\u00e7a. Que o aviso sirva de exemplo aos mais jovens, que nunca, mas mesmo nunca, dever\u00e3o ceder aos prazeres \u2013 t\u00e3o modernos -, do pessimismo e, sobretudo, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de ser m\u00fasico, pois a droga e a loucura espreitam a cada esquina. E o sexo. N\u00e3o foi por acaso que, anos mais tarde, j\u00e1 curado da doen\u00e7a, Paul Simon renegou por completo o \u201crock \u2018n\u2019 rol\u201d, acusando-o de aleat\u00f3rio, prom\u00edscuo e atentat\u00f3rio contra os bons costumes.<br \/>\n\u201cThere goes rhymin\u2019 Simon\u201d explode numa cintila\u00e7\u00e3o de melodias que recuperam a facilidade mel\u00f3dica dos tempos com Art Garfunkel, para lhes imprimir um cunho muito pessoal. Formid\u00e1vel tamb\u00e9m a maneira como recupera a facilidade pessoal dos tempos com Art Garfunkel, para lhes imprimir um cunho muito mel\u00f3dico. Enfim, temas como \u201cKodachrome\u201d e \u201cTake me to the Mardi Gras\u201d ca\u00edram no goto de todos e venderam-no como batatas, o que, em quest\u00f5es de arte, \u00e9 o que mais interessa. <\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7711\" rel=\"attachment wp-att-7711\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"284\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7711\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/7.jpg 288w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/7-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 288px) 100vw, 288px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>No \u00e1lbum ao vivo \u201cLive Rhymin\u2019\u201d, de 1974, entret\u00e9m-se a reproduzir novas vers\u00f5es de \u201cThe boxer\u201d e \u201cBridge over troubled water\u201d, acompanhado por m\u00fasicos negros e pelos chilenos Los Incas, rebaptizados Urubamba, numa brincadeira com \u201cEl Condor Pasa\u201d, entre n\u00f3s um \u201cmust\u201d radiof\u00f3nico absoluto do p\u00f3s-25 de Abril.<\/p>\n<p><strong>Louco, Depois De Tantos Anos<\/strong><\/p>\n<p>Tempo entretanto de continuada introspec\u00e7\u00e3o e da loucura finalmente assumida em \u201cStill crazy after all these years\u201d. \u00c9 dos \u00e1lbuns mais conhecidos de Paul Simon, mas tamb\u00e9m um dos mais incompreendidos. As massas viram nele apenas um lote de can\u00e7\u00f5es apraz\u00edveis, compostas por um autor de reconhecidos m\u00e9ritos. Poucos foram os que se aperceberam de estar diante do genu\u00edno testamento espiritual de um artista em fase cr\u00edtica, para quem a m\u00fasica sempre serviu de terapia. Que \u00e9 \u201cMy little town\u201d sen\u00e3o a menifesta\u00e7\u00e3o pat\u00e9tica de uma alma torturada? Que alucina\u00e7\u00f5es povoam \u201cNight Game\u201d que n\u00e3o fa\u00e7am parte do cat\u00e1logo geral das fantasias esquizofr\u00e9nicas? Pobre, pobre Paul Simon, t\u00e3o novo e j\u00e1 preso nas garras da loucura. Nem a presen\u00e7a entre os m\u00fasicos convidados de Tony Levin, Steve Gadd, Phoebe Snow, Toots Thielemans, Phil Woods e o pr\u00f3prio Art Garfunkel foram suficientes para aliviar o sofrimento. \u201cStill Crazy after all these years\u201d fica para a hist\u00f3ria como um dos manifestos mais pungentes sobre a inexorabilidade do destino, a solid\u00e3o humana, o pavoroso assombramento existencial resultante do confronto com a divindade, o medo do desconhecido, o medo dos espa\u00e7os abertos, o medo das picadas de insecto, a avers\u00e3o aos dentistas, a poliomielite e a febre dos fenos. Medonho e grandioso ao mesmo tempo.<br \/>\n\u201cOne Trick Pony\u201d e \u201cHearts and Bones\u201d, respectivamente de 1980 e 1983, s\u00e3o \u00e1lbuns que conhe\u00e7o mal, e por isso n\u00e3o interessam muito, sendo pouco importantes na economia da obra do autor. Completamente irrelevantes. Mesmo que Philip Glass tenha contribu\u00eddo com arranjos para um tema deste \u00faltimo, \u201cThe late great Johnny Ace\u201d, dedicado ao pr\u00f3prio e a John Lennon. Philip Glass que nas suas pr\u00f3prias \u201cSongs from liquid days\u201d n\u00e3o dispensaria a voz do autor do \u201csom do sil\u00eancio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Contra O Boicote<\/strong><\/p>\n<p>Incontorn\u00e1vel \u00e9, sem sombra de d\u00favida, \u201cGraceland\u201d. Sem sombra de d\u00favida, mas com sombra de pecado, j\u00e1 que houve quem n\u00e3o lhe perdoasse ter passado por cima de preconceitos e conven\u00e7\u00f5es enraizadas.<br \/>\nTudo come\u00e7ou com a audi\u00e7\u00e3o de uma cassete-pirata, contendo grava\u00e7\u00f5es de m\u00fasica sul-africana, no estilo \u201cgumboots\u201d, um \u201ccocktail\u201d explosivo de c\u00e2nticos zulus, hinos vitorianos e \u201csoul\u201d traficada.<br \/>\nEntusiasmado, Paul voou para a \u00c1frica do Sul, onde registou em fita magn\u00e9tica alguns desses artistas locais. A seguir, trouxe-os consigo para Nova Iorque e Londres, para novas grava\u00e7\u00f5es e misturas a que acrescentou finalmente os \u201ctakes\u201d vocais da sua autoria.<br \/>\nFoi o bom e o bonito. De oportunista a fascista, tudo lhe chamaram. N\u00e3o lhe perdoaram ter \u201cinfringido\u201d o boicote impeditivo para qualquer ocidental de colaborar com o \u201cmonstro\u201d sul-africano, fosse qual fosse a cor da pele e a filia\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Intelectuais da estirpe de Paul Weller, Billy Bragg e Jerry Dammers exigiram que fosse reposta a legalidade e que o prevaricador pedisse publicamente desculpas. Paul Simon fez-se distra\u00eddo, olhou para o outro lado e calou-se, enquanto o disco vendia \u00e0s toneladas. Miriam Makeba, Hugh Masekela e mais 25 instrumentistas negros, por seu turno, n\u00e3o ficaram nada procupados e acompanharam o \u201cporco fascista\u201d por todo o lado numa \u201ctourn\u00e9e\u201d mundial que serviu para calar as bocas acintosas.<\/p>\n<p><strong>A M\u00fasica Das Botas<\/strong><\/p>\n<p>\u201cGraceland inclui-se na tend\u00eancia impar\u00e1vel para embalar seja que produto for no pacote, actualmente rent\u00e1vel, da \u201cworld music\u201d. Com resultados diferentes, David Byrne, Peter Gabriel e Sting n\u00e3o se co\u00edbiram de explorar o fil\u00e3o. Para Paul Simon, tratava-se de aproveitar, no bom sentido, as capacidades dos \u201cmelhores cantores\u201d do continente africano. No caso concreto de \u201cGraceland\u201d, o \u201censemble\u201d Ladysmith Black Mambazo e o nigeriano Youssou N\u2019Dour.<br \/>\nDo cruzamento entre duas culturas d\u00edspares surgiu o diamante. \u201cGraceland\u201d, para al\u00e9m de todas as pol\u00e9micas geradas \u00e0 sua volta, irradia m\u00fasica e energia por todos os poros. \u201cGumboots\u201d (designa\u00e7\u00e3o com origem nas botas dos mineiros negros), o \u201cjive sound\u201d ou \u201cMbqanga\u201d, m\u00fasica de rua do Soweto, (que partilha semelhan\u00e7as com o \u201crhythm \u2018n\u2019 blues\u201d e a m\u00fasica \u201czydeco\u201d), electricidade e as t\u00edpicas subtilezas mel\u00f3dicas de Paul Simon juntam-se num ritual de alegria e liberdade, demasiado forte para as d\u00e9beis investidas dos detractores. Bem podiam as Na\u00e7\u00f5es Unidas continuar a gritar, agitando a bandeira do boicote. \u201cGraceland\u201d \u00e9 terra inexpugn\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Estado De Gra\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>\u201cThe Boy in the bubble\u201d, gravado com o agrupamento do Lesotho Tao Ea Matsekha, dispara no acorde\u00e3o e na r\u00edtmica do \u201cGumboots\u201d. \u201cGraceland\u201d recorre aos servi\u00e7os do guitarrista Ray Phiri e ao baixo de Baghiti Khumalo e soa a \u201ccountry\u201d sem fronteiras. \u201cGumboots\u201d \u00e9 isso mesmo, o lamento do mineiro na escurid\u00e3o da vida e da mina, redimido pelo ritmo e a interven\u00e7\u00e3o esclarecida dos saxofones. \u201cDiamonds on the soles of her shoes\u201d serve para os Ladysmith Black Mambazo brilharem, tal como \u201cHomeless\u201d, escrito por um dos seus membros, Joseph Shabala. Heresia m\u00e1xima, em \u201cYou can cal me Al\u201d, aparece a tocar um m\u00fasico sul-africano branco. Os objectivos e ideais do m\u00fasico s\u00e3o claros (n\u00e3o se veja aqui quaisquer facciosismos racistas): \u201cAceita\u00e7\u00e3o, a tentativa de alcan\u00e7ar um estado de paz, de reden\u00e7\u00e3o ou de Gra\u00e7a\u201d. Mas ainda aqui as l\u00ednguas viperinas atacaram: Paul Simon n\u00e3o teria pago aos m\u00fasicos africanos as \u201croyalties\u201d devidas, tendo estes trabalhado para si praticamente \u201cde gra\u00e7a\u201d. <\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7712\" rel=\"attachment wp-att-7712\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/8.jpg\" alt=\"\" width=\"332\" height=\"325\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7712\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/8.jpg 332w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/8-300x294.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/8-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Se cr\u00edticas h\u00e1 a apontar a \u201cGraceland\u201d, estas dizem respeito a uma certa complac\u00eancia acad\u00e9mica, dir\u00edamos mesmo aleat\u00f3ria, da parte de Paul Simon, com alguns laivos de promiscuidade e mesmo uma atitude geral atentat\u00f3ria contra os bons costumes. Mas isso foi sempre assim, desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Mist\u00e9rios Da Mente Humana<\/strong><\/p>\n<p>Por fim a conflu\u00eancia final nas florestas e rios do Brasil. Milton Nascimento foi o instigador de Paul em novo pecadilho, \u00e0 procura do \u201critmo dos santos\u201d. O que de imediato sugere mais um libelo a favor da floresta e dos \u00edndios da Amaz\u00f3nia. Nada mais falso. O que Paul Simon procurou solucionar em \u201cRhythm of the Saints\u201d foi um problema essencialmente metaf\u00edsico: analisar o modo como a mente \u201csalta e muda ao longo do dia\u201d (numa n\u00edtida recorr\u00eancia \u00e0 problem\u00e1tica abordada em \u201cWednesday Morning 3 a.m.\u201d). Para Paul Simon, h\u00e1 um mist\u00e9rio insond\u00e1vel no facto da mente humana passar num \u00e1pice do \u00eaxtase ao desespero e vice-versa. Num instante achar que \u201cest\u00e1 tudo bem\u201d e no outro afligir-se com a eventualidade da guerra. Num minuto passar da felicidade completa \u00e0 afli\u00e7\u00e3o de se saber seropositivo. Ter\u00e1 conclu\u00eddo que s\u00f3 a santidade permite ultrapassar a dial\u00e9ctica.<br \/>\n\u00c9 nessa medida que \u201cRhythm of the Saints\u201d procura conciliar opostos, est\u00e9ticos e \u00e9ticos. A revolta dos negros sul-africanos, no primeiro caso. A aceita\u00e7\u00e3o passiva e a languidez do negro brasileiro, no segundo. Se \u201cGraceland\u201d era a celebra\u00e7\u00e3o do ritmo, aquele joga na subtileza e nos arranjos et\u00e9reos, \u00e0 procura da transcend\u00eancia e do transe hipn\u00f3tico. Se \u201cGraceland\u201d era um tambor de terra e tempestade, \u201cRhythm of the Saints\u201d \u00e9 marimbas, oceano, vento. \u201cGraceland\u201d \u00e9 um grito. \u201cRhythm of the Saints\u201d um murm\u00fario.<br \/>\nNum dos temas fortes do disco, \u201cThe obvious child\u201d, Paul Simon esteve quase para convidar Bob Dylan a cant\u00e1-lo. Depois achou que isso s\u00f3 serviria para desviar as aten\u00e7\u00f5es. O comando das opera\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas foi entrgue aos brasileiros, obrigados embora a um \u201clow profile\u201d subtil imposto pela mesa de mistura. J. J. Cale participa como co-autor de dois temas, acentuando ainda mais a impress\u00e3o de imponderabilidade. Tudo flui com a placidez de um rio durante o Ver\u00e3o, que vai sem saber para onde vai.<\/p>\n<p><strong>Por Fim, A Santidade<\/strong><\/p>\n<p>De resto, \u00e9 talvez este o principal \u201cproblema\u201d de Paul Simon \u2013 uma quest\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o. Acusam-no de refugiar-se no perfeccionismo. Ele aceita finalmente a acusa\u00e7\u00e3o, liberto da necessidade e dos constrangimentos de destino fixo. Atingida finalmente essa \u201cinsustent\u00e1vel leveza do ser\u201d que tanto pode ser conquista como desist\u00eancia.<br \/>\nH\u00e1 uma hist\u00f3ria divertida: uma vez, ao transportar no carro um amigo ferido numa perna, Paul aproveitou o sil\u00eancio dorido deste, para lhe perguntar a opini\u00e3o sobre umas misturas para o novo \u00e1lbum. Paul Simon acha a hist\u00f3ria engra\u00e7ada, mas diz que n\u00e3o \u00e9 verdade. Apenas receia uma coisa \u2013 a morte. \u201cA ideia de vir a morrer\u201d, diz, \u201cn\u00e3o \u00e9 mitigada pelo facto de uma orquestra poder tocar na televis\u00e3o \u2018Bridge over troubled water\u2019 nessa mesma noite.\u201d Resta-lhe a santidade. E a m\u00fasica dos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock Quarta-Feira, 17.07.1991 O EVANGELHO SEGUNDO S\u00c3O PAULO N\u00e3o se sabe se Paul Simon era Tom ou Jerry no duo que h\u00e1 34 anos formou com o seu parceiro de muitas ocasi\u00f5es, Art Garfunkel, decalcado da c\u00e9lebre dupla dos desenhos animados. O que sabe \u00e9 que o homem tem j\u00e1 um lugar reservado no \u201chall [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[868,2291,44,10],"tags":[358],"class_list":["post-7704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-1991","category-dossiers-1991","category-pop","category-rock","tag-paul-simon"],"views":1233,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7704"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7713,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7704\/revisions\/7713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}