{"id":7664,"date":"2019-09-26T07:48:00","date_gmt":"2019-09-26T14:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7664"},"modified":"2019-09-26T07:48:00","modified_gmt":"2019-09-26T14:48:00","slug":"nuno-rebelo-nuno-rebelo-depois-da-vitoria-no-concurso-de-musica-moderna-gosto-da-liberdade-de-improvisacao-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/09\/26\/nuno-rebelo-nuno-rebelo-depois-da-vitoria-no-concurso-de-musica-moderna-gosto-da-liberdade-de-improvisacao-entrevista\/","title":{"rendered":"Nuno Rebelo &#8211; &#8220;Nuno Rebelo, Depois Da Vit\u00f3ria No Concurso De M\u00fasica Moderna &#8211; &#8216;Gosto Da Liberdade De Improvisa\u00e7\u00e3o'&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Quarta-Feira, 19.06.1991 (entrevista)<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Nuno Rebelo, Depois Da Vit\u00f3ria No Concurso De M\u00fasica Moderna<br \/>\n\u201cGosto Da Liberdade De Improvisa\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Dos computadores, Nuno Rebelo passou para os del\u00edrios da improvisa\u00e7\u00e3o em palco. Duas faces de uma mesma moeda: a paix\u00e3o pela m\u00fasica. H\u00e1 anos, o concurso do Rock Rendez-Vous lan\u00e7ou-o e aos Mler Ife Dada. Agora a hist\u00f3ria repete-se, com os Plopoplot Pot.<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7665\" rel=\"attachment wp-att-7665\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/nr.jpg\" alt=\"\" width=\"482\" height=\"408\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7665\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/nr.jpg 482w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/nr-300x254.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/nr-100x85.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Os Plopoplot Pot, projecto h\u00e1 muito acalentado por Nuno Rebelo, venceram o Concurso de M\u00fasica Moderna, promovido pela C\u00e2mara Municipal de Lisboa. Como sempre acontece nestas ocasi\u00f5es, houve pol\u00e9mica. Vit\u00f3ria da compet\u00eancia sobre a imagina\u00e7\u00e3o, disse-se a prop\u00f3sito. Colagem aos Naked City, \u201cexerc\u00edcio masturbat\u00f3rio\u201d, mut\u00edssimo competente execu\u00e7\u00e3o\u201d foram algumas das \u201cacusa\u00e7\u00f5es\u201d. Nuno Rebelo n\u00e3o tinha o direito de ser o melhor.<br \/>\nP\u00daBLICO \u2013 Que motivos o levaram a participar num concurso aparentemente vocacionado para a divulga\u00e7\u00e3o de novos nomes, o que n\u00e3o \u00e9 o seu caso nem dos outros Plopoplot Pot?<br \/>\nNUNO REBELO \u2013 Os Plopoplot Pot s\u00e3o um projecto surgido h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos. O nome era outro mas a ideia era a mesma. Houve alguns ensaios e desistimos. Mas fiquei com essa \u201cfisgada\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos concursos, vejo-os como uma oportunidade de concretizar ideias. S\u00e3o uma motiva\u00e7\u00e3o. Quando era pequeno, fazia hist\u00f3rias de banda desenhada. Pensava em escrever hist\u00f3rias de 50 p\u00e1ginas mas nunca passava da segunda, porque sabia que n\u00e3o as ia publicar. Preciso imenso desses objectivos concretos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 banda, como n\u00e3o houve nenhuma editora que viesse ter comigo a dizer \u201cforma uma banda que eu gravo-te o disco\u2026\u201d<br \/>\nP. \u2013 Mas a vossa participa\u00e7\u00e3o no concurso pode ser encarada como uma forma de promo\u00e7\u00e3o que, na pr\u00e1tica, est\u00e1 a tirar a oportunidade a m\u00fasicos mais novos\u2026<br \/>\nR. \u2013 Antes de eu apresentar as maquetes, telefonei para a organiza\u00e7\u00e3o a p\u00f4r essa quest\u00e3o. Foi-me dito que havia v\u00e1rios grupos a concorrer com m\u00fasicos profissionais, um com o Rui J\u00fanior e a Paula dos Ban, falava-se de um grupo com o Jimba e alguns dos Censurados. Disseram-me mesmo que o pr\u00e9mio do concurso era muito bom, precisamente para cativar os profissionais, de modo a aumentar a qualidade, para n\u00e3o se chegar ao fim e o j\u00fari dizer \u201cbem, ora vamos l\u00e1 dar o pr\u00e9mio ao mal menor\u201d.<br \/>\nP. \u2013 E se os Plopoplot Pot n\u00e3o tivessem ganho?<br \/>\nR. Teria sido uma vergonha tremenda para mim. Foi um risco que tive de assumir. A partir do momento em que entreguei a maquete, passei a funcionar s\u00f3 em termos de \u201cvou ganhar este concurso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Projecto Para Continuar<\/strong><\/p>\n<p>P. \u2013 Os Plopoplot Pot s\u00e3o projecto para continuar?<br \/>\nR. \u2013 Isto foi a concretiza\u00e7\u00e3o da ideia do grupo. A segunda etapa \u00e9 tentar arranjar, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, maneira de gravar um LP. A terceira, tentar ir l\u00e1 para fora, uma vez que nos movemos numa \u00e1rea em que competimos em p\u00e9 de igualdade, o que n\u00e3o acontece com grupos como os Delfins ou os Xutos, que t\u00eam de competir com mega-estruturas, ao n\u00edvel das dos Simple Minds ou Rolling Stones.<br \/>\nP. \u2013 H\u00e1 quem compare a m\u00fasica dos Plopoplot Pot \u00e0 dos Naked City. Em rela\u00e7\u00e3o a si, que no grupo toca baixo e violino, vem \u00e0 baila o nome de Fred Frith. Aceita este tipo de compara\u00e7\u00f5es?<br \/>\nR. \u2013 O que se passa \u00e9 haver uma rela\u00e7\u00e3o de identidade. H\u00e1 dias, a seguir a um concerto, a prop\u00f3sito da tal influ\u00eancia dos Naked City, respondi que \u201cl\u00e1 por duas pessoas falarem franc\u00eas, n\u00e3o quer dizer que se andem a imitar uma \u00e0 outra\u201d. Dito isto, em termos de refer\u00eancias, \u00e9 preciso recuar aos anos 70 e aos Gentle Giant, ou aos 80, quando ouvia Fred Frith, com quem me identifico, em termos de sensibilidade musical. J\u00e1 John Zorn e os Naked City \u00e9 uma coisa que eu j\u00e1 desenvolvia com os Mler Ife Dada.<br \/>\nP. \u2013 As pessoas tendem a associ\u00e1-lo aos computadores e \u00e0 m\u00fasica electr\u00f3nica. Como explica a passagem repentina para um contexto t\u00e3o diferente?<br \/>\nR. \u2013 Nesta banda reencontrei a energia que tinha perdido quando deixei os Street Kids, que vinham da \u201cnew wave\u201d. Havia uma carga energ\u00e9tica em palco que se foi perdendo nos Mler Ife Dada e de que comecei a sentir falta. Posso dizer que nunca na minha vida dei um concerto em que tivesse descarregado tanta energia, como na final do concurso. Sa\u00ed com os m\u00fasculos da barriga completamente doridos, as pernas pareciam de gelatina. N\u00e3o me aguentava em p\u00e9.<br \/>\nP. \u2013 Houve mesmo quem chamasse \u00e0 vossa presta\u00e7\u00e3o um \u201cexerc\u00edcio masturbat\u00f3rio\u201d\u2026<br \/>\nR. \u2013 N\u00f3s o que fizemos foi reencontrar o velho prazer de tocar ao vivo. Em palco, h\u00e1 toda uma comunica\u00e7\u00e3o entre os m\u00fasicos, \u00e0 base de sinais, de olhares, de gritos. Quase um ritual. Subimos para o palco, fech\u00e1mo-nos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios e carreg\u00e1mo-nos de energia. A pensar: \u201cvou explodir a seguir, vou dar o m\u00e1ximo\u201d.<\/p>\n<p><strong>O Prazer De Fazer M\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>P. Como encara o futuro da m\u00fasica portuguesa alternativa?<br \/>\nR.  \u2013 H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o interessant\u00edssima na cena actual. Acho t\u00e3o importante a actividade individual de matura\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos, como depois partilhar isso com os que passaram pelo mesmo processo. No meu caso, h\u00e1 um m\u00eas estava no Johnny Guitar com um computador, em improvisa\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas, e o Sei Miguel na trompete. Um m\u00eas depois estou num palco a partir cordas do baixo. Isto \u00e9 ser m\u00fasico, em 1990. Gosto da electr\u00f3nica, mas tamb\u00e9m da energia rock e da liberdade de improvisa\u00e7\u00e3o. Movimento-me pelo prazer de fazer m\u00fasica.<br \/>\nP. \u2013 Em que ponto se encontra a hip\u00f3tese de edi\u00e7\u00e3o no estrangeiro, nomeadamente na belga Made To Measure (MTM), subsidi\u00e1ria da Crammed?<br \/>\nR. \u2013 A \u201cSagra\u00e7\u00e3o do M\u00eas de Maio\u201d funcionou como uma esp\u00e9cie de cart\u00e3o de visita para o Marc Hollander. Mandei-lhe depois material como o \u201cAuto da \u00cdndia\u201d, da pe\u00e7a de Gil Vicente, composta sobre m\u00fasica do s\u00e9c. XVI, vista por um prisma actual, e m\u00fasica \u00e9tnica dos lugares por onde os portugueses passaram. Disse-me que nunca tinha ouvido nada igual, mas lamentou n\u00e3o poder editar. Ele edita discos de John Lurie ou Arto Lindsay que vendem 40, 50 mil exemplares. Quantos venderia o Nuno Rebelo? O objectivo de Marc Hollander \u00e9 chegar o dia em que as pessoas comprem um disco da MTM s\u00f3 porque \u00e9 MTM, seja do Jos\u00e9 da Silva ou do Mike Stangerman. S\u00f3 nesse dia o Nuno Rebelo ter\u00e1 lugar na Crammed.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Quarta-Feira, 19.06.1991 (entrevista) Nuno Rebelo, Depois Da Vit\u00f3ria No Concurso De M\u00fasica Moderna \u201cGosto Da Liberdade De Improvisa\u00e7\u00e3o\u201d Dos computadores, Nuno Rebelo passou para os del\u00edrios da improvisa\u00e7\u00e3o em palco. Duas faces de uma mesma moeda: a paix\u00e3o pela m\u00fasica. H\u00e1 anos, o concurso do Rock Rendez-Vous lan\u00e7ou-o e aos Mler Ife Dada. 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