{"id":7490,"date":"2019-06-07T06:42:44","date_gmt":"2019-06-07T13:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7490"},"modified":"2019-06-07T06:42:44","modified_gmt":"2019-06-07T13:42:44","slug":"varios-gala-dos-artistas-contra-o-mal-do-seculo-no-coliseu-de-lisboa-a-arte-e-a-sida-gala-sida-coliseu-concerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/06\/07\/varios-gala-dos-artistas-contra-o-mal-do-seculo-no-coliseu-de-lisboa-a-arte-e-a-sida-gala-sida-coliseu-concerto\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;Gala Dos Artistas Contra O Mal Do S\u00e9culo, No Coliseu De Lisboa &#8211; A Arte E A Sida&#8221; (gala \/ sida \/ coliseu \/ concerto)"},"content":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura  Domingo, 03.02.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Gala dos Artistas contra o mal do s\u00e9culo, no Coliseu de Lisboa<br \/>\nA Arte E A Sida<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Realizada sexta \u00e0 noite no Coliseu dos Recreios, a Gala dos Artistas contra a Sida alcan\u00e7ou plenamente o seu objectivo \u2013 ajudar a combater uma das pragas do s\u00e9culo, a sida.<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00e3o perfeita, boa m\u00fasica e um p\u00fablico participativo contribu\u00edram para que assim fosse. Sabe bem, quando a Arte se confunde com a Vida.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7491\" rel=\"attachment wp-att-7491\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/mj.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"371\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7491\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/mj.jpg 487w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/mj-300x229.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/mj-100x76.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 487px) 100vw, 487px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Casa cheia. P\u00fablico diversificado. O programa apelava ao gosto de diversas camadas culturais e et\u00e1rias. Sem distin\u00e7\u00f5es. Havia uma raz\u00e3o comum que a todos ligava \u2013 a vontade de lutar contra um flagelo que a todos diz respeito. M\u00fasica e palavras transmitiram a mensagem que importava: tentar a todo o custo vencer o mal, o medo e a incompreens\u00e3o. N\u00e3o se tratou propriamente de uma festa \u2013 nada havia para festejar -, mas tudo foi feito com alegria.<br \/>\nMeia hora depois do programado (\u00fanica falha sens\u00edvel de uma organiza\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel), actuou a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, com um report\u00f3rio \u201cmainstream\u201d adequado \u00e0s circunst\u00e2ncias. Actua\u00e7\u00e3o calorosa que recolheu os primeiros aplausos da noite.<br \/>\nQuando Herman Jos\u00e9 subiu ao palco, como apresentador do espect\u00e1culo, foi o del\u00edrio. Esperava-se a habitual torrente de piadas, o humor delirante, a irrever\u00eancia. Herman compreendeu que a ocasi\u00e3o n\u00e3o se prestava a excessos, optando por um registo mais discreto. Brincou quando devia brincar. Foi s\u00e9rio quando a gravidade do tema o justificava. S\u00f3 n\u00e3o resistiu quando, a prop\u00f3sito de alguns estampidos na amplifica\u00e7\u00e3o sonora, afirmou tratar-se de uma pequena homenagem aos m\u00edsseis \u201cPatriot\u201d. De resto, ao longo das quase tr\u00eas horas que durou a Gala, conseguiu evitar momentos mortos.<br \/>\nDona Am\u00e1lia Rodrigues desta vez n\u00e3o cantou. \u201cSou uma pessoa muito atrapalhada\u201d \u2013 come\u00e7ou por dizer. N\u00e3o \u00e9 nada, D. Am\u00e1lia. Disse o que sentia, com o cora\u00e7\u00e3o, como costuma fazer sempre. Por isso a amamos. Por isso n\u00e3o tem nunca que se sentir atrapalhada. Apresentou a sua amiga Line Renaud, presidente da \u201cAssocia\u00e7\u00e3o dos Artistas Franceses contra a SIDA\u201d que, na ocasi\u00e3o, dissertou sobre o combate \u00e0 doen\u00e7a. Seguiu-se um caudal de boa m\u00fasica. Primeiro, o dueto pian\u00edstico de Pedro Burmester e M\u00e1rio Laginha, fluido como um rio, aliando a intensidade emocional do Romantismo a estruturas r\u00edtmicas pr\u00f3ximas do Minimalismo.<\/p>\n<p><strong>O Corpo E A Voz<\/strong><\/p>\n<p>Maria de Medeiros surgiu para ler, t\u00edmida e bel\u00edssima, um texto de Jos\u00e9 Saramago. Menos t\u00edmido, bastante menos, era o mini-vestido negro que envergava. Depois, o terramoto. A Arte Absoluta. Na voz, na Alma, no corpo, em tudo, de Maria Jo\u00e3o. A cantora portuguesa, que vive no estrangeiro (somos um pa\u00eds mimoso e pequenino que n\u00e3o consegue suportar aquilo que \u00e9 grande), encheu o recinto com a sua voz e uma presen\u00e7a avassaladora. Quando canta Maria Jo\u00e3o vive, no sentido literal do verbo, a liberdade total. Acompanhada por Bernardo Sassetti ao piano e Carlos Bica no contrabaixo, cantou um tema tradicional portugu\u00eas. Depois, tudo \u2013 o gemido, o ritmo da respira\u00e7\u00e3o, os graves m\u00e1sculos subindo em vertigem at\u00e9 \u00e0 ternura de uma mulher no C\u00e9u. Os jogos, a intui\u00e7\u00e3o fulgurante, as piscadelas de olho a Meredith Monk e Billie Holiday, os Blues, o Amor, o Corpo. Nas costas e ombros desnudos, muito brancos, luminosos, contrastando com o negrume das vestes. Erotismo em que a carne e a alma se confundem e s\u00e3o a pr\u00f3pria ess\u00eancia da mulher. Na fila de tr\u00e1s, uma senhora queixava-se porque n\u00e3o conseguia perceber bem as palavras.<br \/>\nLena d\u2019\u00c1gua, logo a seguir no alinhamento do espect\u00e1culo, tinha de ressentir-se da compara\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, foi de certo modo surpreendente a forma como a int\u00e9rprete soube puxar as pessoas das alturas superiores onde ainda flutuavam, atraindo-as para os terrenos onde se sente mais \u00e0 vontade. Cantou, acompanhada ao piano por Pedro Os\u00f3rio, duas can\u00e7\u00f5es, ambas tristes: \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil o amor\u201d, de Janita Salom\u00e9 e \u201cChanson Triste\u201d composta por Henry \/ Marie LeJeune, no s\u00e9culo passado, Masculino \/ Feminino a jogar \u00e0s escondidas.<br \/>\nOlga Pratts trouxe para o Coliseu o dramatismo da m\u00fasica de Astor Piazolla, sensual e dolorida, obrigando a repensar o termo \u201ctango\u201d, fechando com chave de ouro a primeira parte da Gala.<\/p>\n<p><strong>Perdidamente<\/strong><strong><\/p>\n<p>O maestro Jos\u00e9 Rodrigues dirigiu de forma exuberante o coro a\u00e7oriano Eduardo Machado de Oliveira que acompanhou os solistas Teresa Salgueiro (MadreDeus), Pedro Mosquitela e Theresa Maiuko (\u00fanica dama de branco), esta cantando a solo logo de seguida. Depois contaram-se armas, que \u00e9 como quem diz, preservativos, com Herman Jos\u00e9 contando a hist\u00f3ria daquele senhor j\u00e1 de idade mas prevenido que comprou a colec\u00e7\u00e3o inteira, para depois se referir com ternura \u201ca todas as pessoas que amamos e, porque n\u00e3o diz\u00ea-lo, que comemos\u201d.<br \/>\nPaulo de Carvalho cantou sozinho uma can\u00e7\u00e3o, dando lugar \u00e0 voz e guitarra de S\u00e9rgio Godinho, outro dos momentos altos do espect\u00e1culo. \u201cAlice no Pa\u00eds dos Matraquilhos\u201d, \u201cLisboa que Amanhece\u201d, hist\u00f3rias nost\u00e1lgicas das mis\u00e9rias quotidianas do nosso desencanto. Disse que \u201cA Vida \u00e9 a Grande Desforra do Corpo\u201d vingando-se \u201cde tudo aquilo que o quer matar\u201d.<br \/>\nPalavras em que todos acreditaram antes de o Coliseu explodir com o rock dos GNR e dos Trovante. Os primeiros provocat\u00f3rios como sempre, com \u201cDunas\u201d, \u201cMorte ao Sol\u201d e \u201cV\u00eddeo Maria\u201d, os segundos interpretando \u201cQue Assim Seja\u201d, \u201cPeter\u2019s\u201d e \u201c125 Azul\u201d. Finalmente a despedida apote\u00f3tica, com Lena d\u2019\u00c1gua, Teresa Maiuko, Paulo de Carvalho e S\u00e9rgio Godinho juntando-se a Lu\u00eds Represas e restantes Trovante para cantar \u201cPerdidamente\u201d as palavras de Forbela Espanca. Enquanto o p\u00fablico ia abandonando a sala, alguns adolescentes pulavam ainda de contentamento. Para eles n\u00e3o h\u00e1 v\u00edrus capaz de vencer a alegria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sec\u00e7\u00e3o Cultura Domingo, 03.02.1991 Gala dos Artistas contra o mal do s\u00e9culo, no Coliseu de Lisboa A Arte E A Sida Realizada sexta \u00e0 noite no Coliseu dos Recreios, a Gala dos Artistas contra a Sida alcan\u00e7ou plenamente o seu objectivo \u2013 ajudar a combater uma das pragas do s\u00e9culo, a sida. 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