{"id":7435,"date":"2019-05-24T05:40:31","date_gmt":"2019-05-24T12:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7435"},"modified":"2019-05-24T05:40:31","modified_gmt":"2019-05-24T12:40:31","slug":"penguin-cafe-orchestra-a-arte-do-desequilibrio-perfeito-concertos-antevisao-artigo-opiniao-discografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/05\/24\/penguin-cafe-orchestra-a-arte-do-desequilibrio-perfeito-concertos-antevisao-artigo-opiniao-discografia\/","title":{"rendered":"Penguin Cafe Orchestra &#8211; &#8220;A Arte Do Desequil\u00edbrio Perfeito&#8221; (concertos \/ antevis\u00e3o \/ artigo opini\u00e3o \/ discografia)"},"content":{"rendered":"<p>Pop-Rock 09.01.1991 \u2013 concertos \/ artigo de opini\u00e3o<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A Arte Do Desequil\u00edbrio Perfeito<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>S\u00e3o como uma orquestra de circo, ex\u00f3tica e colorida \u2013 seis pinguins de corpo humano que arribam a Portugal para nos fazer c\u00f3cegas e confundir. Cl\u00e1ssicos e folcl\u00f3ricos, os Penguin Caf\u00e9 Orchestra deitam abaixo todos os castelos sem que ningu\u00e9m lhes leve a mal. O melhor \u00e9 n\u00e3o tentar compreender.<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7436\" rel=\"attachment wp-att-7436\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p1.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"644\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7436\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p1.jpg 654w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p1-300x295.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p1-624x614.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p1-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7437\" rel=\"attachment wp-att-7437\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/p2.jpg\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"771\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7437\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>O verdadeiro c\u00f3mico nunca se desmancha. Conta as piadas sem se rir, como deve ser. A \u201ctroupe\u201d Penguin Caf\u00e9 Orchestra \u00e9 assim mesmo: n\u00e3o para de brincar. Sempre com ar s\u00e9rio, violinos e pautas para desconcertar. S\u00e3o danados para a brincadeira. Pegam em tudo, nos sons todos que fazem o folclore do mundo, abanam um bocadinho os alicerces, n\u00e3o muito, da tradi\u00e7\u00e3o e entret\u00eam-se a ver como seria se fossem eles os demiurgos.<br \/>\nSimon Jeffes \u00e9 o maestro da banda da fantasia. Um sonhador. De um sonho nasceu a designa\u00e7\u00e3o do grupo. Caf\u00e9 de pinguins, como poderiam ser ursos polares ou focas. Sonhos frios. Esquisitos. Os bichos em causa t\u00eam corpo humano, como aparecem nas capas dos discos. Tocam tambores, ukeleles, dan\u00e7am, apanham sol. Os mais pequerruchos andam de triciclo.<\/p>\n<p><strong>Obscuros<\/strong><\/p>\n<p>Brian Eno reparou neles, como n\u00e3o podia deixar de ser. Brian Eno repara em tudo o que \u00e9 diferente. Eles eram. Produziu-lhes a estreia em disco, intitulada simplesmente \u201cMusic From The Penguin Caf\u00e9\u201d, dos menos obscuros gravados para a Obscure. A capa original era como todas as outras da editora \u2013 um quadaradinho de luz aberto sobre paisagem urbana escurecida. Anos mais tarde, a E.G. apagou a noite, substituindo-a pelos pinguins, refrescando-se \u00e0 luz do sol. Comparada com os assombramentos oce\u00e2nicos de Gavin Bryars ou os malabarismos conceptuais de John Cage, Jan Steele, Michael Nyman, Chritopher Hobbs ou Tom Philips, na altura juntos e \u201cobscuros\u201d, a m\u00fasica dos Penguin Caf\u00e9 Orchestra soava a sol, a brinquedos tocados por meninos a quem deixaram brincar aos \u201ccl\u00e1ssicos\u201d. Na \u00e9poca, n\u00e3o se parecia com nada. Rock n\u00e3o era. Cl\u00e1ssico muito menos. Para folclore havia erudi\u00e7\u00e3o e electr\u00f3nica a mais. Experimentais, talvez?&#8230; Se se quiser\u2026 embora nesta categoria n\u00e3o haja quase nunca espa\u00e7o para dan\u00e7ar, nem para o simples prazer de tocar.<br \/>\nPercebe-se que SimoncJeffes se diverte a confundir as mentes menos ginasticadas. Ou talvez queira que acreditemos nele, \u00e0 boa maneira elegante dos exc\u00eantricos genu\u00ednos. De 1974, ano em que come\u00e7aram a gravar o primeiro \u00e1lbum, at\u00e9 hoje, consolidou-se o discurso, tornado entretanto familiar pelo h\u00e1bito e o gosto pelo bizarro, caracter\u00edstico do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>A Vida No Circo<\/strong><\/p>\n<p>Em seis anos gravaram outros tantos \u00e1lbuns, entre os quais um mini de reduzida circula\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas primeiros permanecem, at\u00e9 \u00e0 data, como os melhores: \u201cMusic from the Penguin Caf\u00e9\u201d (1976), \u201cPenguin Caf\u00e9 Orchestra\u201d (1981) e \u201cBroadcasting from Home\u201d (1984). Era a novidade, mas n\u00e3o s\u00f3. Havia o gosto pelo risco, a vontade de tudo experimentar. A procura de um equil\u00edbrio entre todos os g\u00e9neros musicais que se diria imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar. Ao fim e ao cabo, se n\u00e3o o conseguiram, pelo menos, honra lhe seja feita, fizeram gala em exibir o espect\u00e1culo esplendoroso do desequil\u00edbrio perfeito. Ainda e sempre uma brincadeira?<br \/>\n\u201cSigns of Life\u201d (1987) e \u201cWhen in Rome\u201d (registo ao vivo, 1988) s\u00e3o mais calmos e previs\u00edveis. Quase cl\u00e1ssicos, se a palavra n\u00e3o soasse, neste caso, a pervers\u00e3o. O mundo, para os Penguin Caf\u00e9 Orchestra, \u00e9 um circo aberto a todas as idades. Da Hist\u00f3ria, fazem t\u00e1bua rasa. Cantam e tocam, com a mesma seriedade distanciada, o tradicional \u00e9pico \u201cGiles Farnaby\u2019s Dream\u201d e temas que intitulam solenemente de \u201cO som de algu\u00e9m que amas, que se vai embora e isso n\u00e3o interessa\u201d, \u201cAs cal\u00e7as de Pit\u00e1goras\u201d e \u201cO \u00eaxtase de pulgas dan\u00e7arinas\u201d. T\u00ea uma especial predilec\u00e7\u00e3o por feij\u00f5es.<br \/>\nUtilizam em disco e em palco, muitos instrumentos, ac\u00fasticos, c\u00f3micos e electr\u00f3nicos: ukelele (o nosso cavaquinho), cuatro, acorde\u00e3o, as cordas todas, dulcitone, harm\u00f3nio, oimnichord, kalimba, a lista continua. H\u00e1 quem os leve muito a s\u00e9rio ou exactamente o contr\u00e1rio \u2013 a banda \u201cfolk\u201d irlandesa Patrick Street inclui, no seu \u00faltimo \u00e1lbum, o tema \u201cMusic For a Found Harmonium\u201d, como se de um cl\u00e1ssico tradicional se tratasse. Admir\u00e1vel mundo novo. Hoje, em Coimbra, no Teatro Gil Vicente, sexta em Lisboa, no Teatro S. Luiz, e s\u00e1bado no Porto, Simon Jeffes, Geoffrey Richardson, Helen Liebman e mais tr\u00eas explicam por sons a l\u00f3gica da \u201cRua S\u00e9samo\u201d. Hist\u00f3rias estimulantes, como por vezes se contam no caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>OS DISCOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cMUSIC FROM THE PENGUIN CAF\u00c9\u201d<\/strong> (1976, Obscure, reed. E.G.)<br \/>\nEstreia magistral. O caos sob controlo. Can\u00e7\u00f5es falsamente folcl\u00f3ricas alternando com longas sequ\u00eancias (ZOPF\u201d, \u201cThe Sound of Someone\u2026\u201d) em que a electr\u00f3nica serve para ligar caixinhas de m\u00fasica \u00e0 corrente. Pequenos \u201ctrompe l\u2019oeil\u2019 mel\u00f3dicos de fazer arrebitar o ouvido. Pinguins \u00e0 solta. Uma del\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>\u201cPENGUIN CAF\u00c9 ORCHESTRA\u201d<\/strong> (1981, E.G.)<br \/>\nSuperdivertido. O \u201cnon-sense\u201d como l\u00f3gica irredut\u00edvel, elevado \u00e0 dignidade de grande arte. O tal das \u201cca\u00e7l\u00e7as de Pit\u00e1goras\u201d e das pulgas em \u00eaxtase. Can\u00e7\u00f5es curtas em extens\u00e3o, mas enormes em capacidade criativa e subvers\u00e3o inocente. Como as cal\u00e7as do fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p><strong>\u201cBROADCASTING FROM HOME\u201d<\/strong> (1984, E.G.)<br \/>\nNa senda dos anteriores trabalhos, opta no entanto por vias mais declaradamente \u201ccl\u00e1ssicas\u201d, como em \u201cHeartwind\u201d, com predom\u00ednio das cordas, ou ambientais como o satiesco \u201cNow Nothing\u201d. \u201cMusic by Numbers\u201d prossegue o fasc\u00ednio pela matem\u00e1tica utilizada \u00e0 avessas.<\/p>\n<p><strong>\u201cSIGNS OF LIFE\u201d <\/strong>(1987, E.G.)<br \/>\nDissipado um pouco do fasc\u00ednio da trilogia inicial, tornada previs\u00edvel, a m\u00fasica dos pinguins perdeu em novidade o que ganhou em seriedade. Como se brincar fosse agora uma coisa muito s\u00e9ria. O que antes era alegria de crian\u00e7a n\u00e3o passa aqui de riso amarelo. Tamb\u00e9m\u2026 A vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brincar\u2026<\/p>\n<p><strong>\u201cWHEN IN ROME\u201d <\/strong>(1988, E.G.)<br \/>\nGravado ao vivo na capital italiana, o disco serve apenas para demonstrar mais uma vez o reconhecido virtuosismo dos m\u00fasicos. Nenhum original, de uma das bandas mais originais de sempre da m\u00fasica popular. Os Penguin Caf\u00e9 preparam-se para editar brevemente um disco gravado com orquestra, das verdadeiras\u2026 \u00c0 aten\u00e7\u00e3o da Gulbenkian\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock 09.01.1991 \u2013 concertos \/ artigo de opini\u00e3o A Arte Do Desequil\u00edbrio Perfeito S\u00e3o como uma orquestra de circo, ex\u00f3tica e colorida \u2013 seis pinguins de corpo humano que arribam a Portugal para nos fazer c\u00f3cegas e confundir. 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