{"id":7430,"date":"2019-05-21T07:57:34","date_gmt":"2019-05-21T14:57:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7430"},"modified":"2019-05-21T07:57:34","modified_gmt":"2019-05-21T14:57:34","slug":"varios-world-o-melhor-de-1990-balanco-anual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/05\/21\/varios-world-o-melhor-de-1990-balanco-anual\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; World &#8211; &#8220;O Melhor De 1990&#8221; (balan\u00e7o anual)"},"content":{"rendered":"<p>Pop-Rock 02.01.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O Melhor de 1990<\/strong><\/p>\n<p><strong>WORLD<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<em>1990 foi sobretudo o ano de todos os encontros, cabendo ao Oriente a parte de le\u00e3o, desde a en\u00e9sima vers\u00e3o das vozes b\u00falgaras \u00e0s divaga\u00e7\u00f5es el\u00e9ctricas centradas na \u00c1sia. Em Portugal, o acontecimento do ano, nesta \u00e1rea musical, passou despercebido: numa perspectiva descentralizadora, realizaram-se no passado Ver\u00e3o, em Oeiras, Famalic\u00e3o e \u00c9vora, os primeiros Encontros Musicais da Tradi\u00e7\u00e3o Europeia, organizados por uma cooperativa nortenha. Foi poss\u00edvel escutar ao vivo a magia musical de regi\u00f5es culturalmente t\u00e3o ricas como a Esc\u00f3cia, a Cant\u00e1bria, o Piemonte e a Ocit\u00e2nia, trazidas respectivamente por Andrew Cronshaw, Manuel Luna, La Ciapa Rusa e Perlinpinpin Folc. Tamb\u00e9m no cap\u00edtulo das edi\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas, nomeadamente de m\u00fasica celta, os adeptos n\u00e3o se puderam queixar, gra\u00e7as a alguns importadores nacionais que tornaram dispon\u00edveis, entre n\u00f3s, cat\u00e1logos t\u00e3o importantes como os da \u201ctopic\u201d, da \u201cIona\u201d ou da \u201cGreen Linnet\u201d.<\/em><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>MARTA SEBESTYEN &#038; MUZSIKAS<br \/>\nBlues For Transylvania<br \/>\nHannibal, distri. N\u00e9bula<\/strong><\/p>\n<p>Foi na Transilv\u00e2nia que Dr\u00e1cula e Ceaesescu, pela imagina\u00e7\u00e3o ou pela revolta verdadeira da popula\u00e7\u00e3o, se viram arrancados dos tronos do poder. Terra de violentos confrontos, tel\u00faricos e pol\u00edticos, cantada pela voz forte e doce de Marta Sebestyen. Como em \u201cThe Prisoner\u2019s Song\u201d e \u201cMuzsikas\u201d, de novo se canta a hist\u00f3ria e o dorido queixume da alma romena, aqui expressos com tanta intensidade, como se do lamento de um \u201cblues\u201d se tratasse. No seio das \u201cMuzsikas\u201d, a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida como acto. No ano passado, a banda tocava em homenagem \u00e0s v\u00edtimas de Timisoara, conciliando o inconcili\u00e1vel \u2013 tradi\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>MARI BOINE PERSEN<br \/>\nGula Gula<br \/>\nReal World, distri. Edisom<\/strong><br \/>\nMari nasceu em Gamehisnj\u00e1rga, promont\u00f3rio algures a norte da Escandin\u00e1via, atravessado pelo rio Anarjohka e habitado pela etnia S\u00e1mi. Os mapas n\u00e3o registam tal local. Nunca \u00e9 tarde para se aprender geografia. Mari optou pela \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d, passando a sentir na carne o confronto entre diferentes culturas. Na escola ensinavam em noruegu\u00eas. Resolveu mudar o estado das coisas, recuperando a l\u00edngua e o esp\u00edrito antigos. \u201cGula Gula\u201d significa \u201cEscuta a voz dos antepassados \u2013 assombra\u00e7\u00f5es e melodias estranhas, auroras boreais que esculpem, lentamente, novas maneiras de sentir.<\/p>\n<p><strong>Banda Sonora Do Filme \u201cThe Mahabharata\u201d<br \/>\nReal World, distri. Edisom<\/strong><br \/>\nO princ\u00edpio do mundo, segundo a lenda hindu, recriado pela inspira\u00e7\u00e3o colectiva de um grupo de int\u00e9rpretes de v\u00e1rias nacionalidades, baseada nos sons tradicionais, nomeadamente do Tibete e da \u00cdndia. M\u00fasica de \u201cfus\u00e3o\u201d, bem entendido, que combina diferentes sensibilidades e discursos musicais, unificados por uma comum aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza absoluta. \u201cM\u00fasica do mundo\u201d em todo o seu esplendor a que os poemas de Rabindranath Tagore e a voz de Sarmila Roy acrescentam a dimens\u00e3o do sublime.<\/p>\n<p><strong>MOUTH MUSIC<br \/>\nMouth Music<br \/>\nTriple Earth, import. Contraverso<\/strong><br \/>\nDiscos de m\u00fasica celta, sa\u00eddos este ano, ainda c\u00e1 n\u00e3o chegaram. Este \u201cMouth Music\u201d (ou \u201cPuirt a Beul\u201d, em ga\u00e9lico, designando um estilo vocal destinado \u00e0 dan\u00e7a) acaba por ser um bom substituto, talvez n\u00e3o muito do agrado dos puristas, mas, de qualquer modo, uma entre outras interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da m\u00fasica tradicional escocesa. Os instrumentos de Martin Swan e a voz cristalina de Talitha MacKenzie fazem-nos acreditar que o mundo \u00e9 uma hist\u00f3ria de encantar.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>ELECTRO<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<em>Tornado obsoleto o termo \u201cnew age\u201d \u2013 por demasiado redutor quando aplicado, na generalidade, a m\u00fasicas formal e esteticamente assentes no primado da electr\u00f3nica -, nem por isso estas t\u00eam deixado de enveredar por caminhos e \u201cidades\u201d (passadas e futuras) que constantemente procuram actualizar o conceito de \u201cnovo\u201d, \u201cAmbiental\u201d, \u201cindustrial\u201d, \u201cplanante\u201d, \u201cmeditativa\u201d, \u201critual\u201d, \u201ctechno\u201d, s\u00e3o outras categorias abrigando o esp\u00edrito explorat\u00f3rio dos \u201cmalucos\u201d dos computadores, sequenciadores, sintetizadores e m\u00e1quinas afins, unidos na epopeia de \u201cdar novos mundos\u201d ao mundo da m\u00fasica.<br \/>\n1990 foi o ano da pluralidade e da s\u00edntese dos folclores planet\u00e1rios (reais ou imagin\u00e1rios) com a alquimia digital. Nunca como agora soaram t\u00e3o bem juntos o vento, a \u00e1gua, o canto das vozes e dos instrumentos tradicionais, a electricidade e a imagina\u00e7\u00e3o humana. Insustent\u00e1vel beleza do Apocalipse\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>JON HASSELL<br \/>\nCity: Works Of Fiction<br \/>\nLand, import. Contraverso<\/strong><br \/>\nO trompete gal\u00e1ctico e tribal, guia condutor das viagens pelos sonhos e lugares luxuriantes do mundo que h\u00e1 de vir, Jon Hassell demanda a totalidade e nunca, como nestas \u201cfic\u00e7\u00f5es\u201d, esteve t\u00e3o pr\u00f3ximo de a alcan\u00e7ar. Depois das experi\u00eancias, em \u201cFlesh Of The Spirit\u201d, com o agrupamento do Burkina Faso, Farafina, e do tropicalismo brasileiro de \u201cEarthquake Island\u201d, o trompetista americano lan\u00e7ado por Brian Eno consegue criar uma esp\u00e9cie de \u201cfunky\u201d estratosf\u00e9rico (o temas \u201cVoiceprint\u201d teve mesmo direito a nova mistura, em vers\u00e3o maxi, ainda mais dan\u00e7\u00e1vel) que actualiza a ideia de \u201caldeia global)\u201d enunciada por McLuhan.<\/p>\n<p><strong>INGRAM MARSHALL<br \/>\nThree Penitential Visions \/ Hidden Voices<br \/>\nElektra Nonesuch, import. VGM e Contraverso<\/strong><br \/>\nPara Ingram Marshall, todos os sons s\u00e3o mat\u00e9ria suscept\u00edvel de transmuta\u00e7\u00e3o. Um computador soletra as s\u00edlabas m\u00e1gicas da natureza, sirenes de nevoeiro vibram como sinfonias. \u201cAbrandamento da percep\u00e7\u00e3o temporal\u201d e \u201cevoca\u00e7\u00f5es encantat\u00f3rias\u201d, segundo o compositor. Em \u201cThree Penitential Visions\u201d utiliza como matriz sonora o ranger do gigantesco port\u00e3o em a\u00e7o da cadeia de Alcatraz. \u201cHiden Voices\u201d junta \u201csamples\u201d de c\u00e2nticos f\u00fanebres russos, a uma soprano feminina entoando um hino religioso. Reinven\u00e7\u00e3o do sagrado.<\/p>\n<p><strong>STEVE SHEHAN<br \/>\nArrows<br \/>\nMade To Measure, distri. Contraverso<\/strong><br \/>\nSteve Shehan toca neste disco cerca de cinquenta instrumentos diferentes, desde os artefactos \u00e9tnicos primitivos aos \u201csamplers\u201d mais sofisticados. Na conflu\u00eancia das s\u00ednteses festivas da dupla Musci \/ Venosta com o ascetismo e conten\u00e7\u00e3o de Stephan Micus, a m\u00fasica de Steve Shehan cria paisagens de extraordin\u00e1ria serenidade e complexidade, recriando as for\u00e7as de um mundo ancestral em que \u201ca m\u00fasica existia somente por causa do poder da vibra\u00e7\u00e3o e do seu efeito, m\u00edstico e sens\u00edvel, sobre a condi\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p><strong>ERSATZ<br \/>\nErsatz<br \/>\nPinpoint, import. Contraverso<\/strong><br \/>\nDieter Moebius (antigo companheiro de Joachim Roedelius, nos Cluster), e um tal Renziehausen, inventaram a f\u00e1brica do futuro. Ambientais, industriais, frios, rob\u00f3ticos, hipn\u00f3ticos, os Ersatz s\u00e3o tudo o que se lhes quiser chamar. Se Roedelius representava a faceta rom\u00e2ntica dos Cluster, Moebius deitou para tr\u00e1s a melodia e carrega com for\u00e7a na tecla do ritmo e dos automatismos electr\u00f3nicos. Abstracta, terrivelmente sedutora, a m\u00fasica destes alem\u00e3es prolonga a racionalidade milim\u00e9trica dos Kraftwerk at\u00e9 ao limite demon\u00edaco da pura matem\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock 02.01.1991 O Melhor de 1990 WORLD 1990 foi sobretudo o ano de todos os encontros, cabendo ao Oriente a parte de le\u00e3o, desde a en\u00e9sima vers\u00e3o das vozes b\u00falgaras \u00e0s divaga\u00e7\u00f5es el\u00e9ctricas centradas na \u00c1sia. 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