{"id":7426,"date":"2019-05-20T06:56:07","date_gmt":"2019-05-20T13:56:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7426"},"modified":"2019-05-20T06:56:07","modified_gmt":"2019-05-20T13:56:07","slug":"klf-chill-out-o-melhor-disco-do-ano-de-1990","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/05\/20\/klf-chill-out-o-melhor-disco-do-ano-de-1990\/","title":{"rendered":"KLF &#8211; &#8220;Chill-Out&#8221; (o melhor disco do ano de 1990)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pop-Rock 02.01.1991<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O DISCO DO ANO<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7427\" rel=\"attachment wp-att-7427\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/klf.jpg\" alt=\"\" width=\"565\" height=\"555\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7427\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/klf.jpg 565w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/klf-300x295.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/klf-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>Depois de \u201cChill Out\u201d, deixa de fazer sentido falar de \u201cnova vaga\u201d ou de simples evolu\u00e7\u00e3o musical. Se calhar, nem sequer vale a pena falar de \u201cm\u00fasica\u201d. Para j\u00e1 o dem\u00f3nio \u00e9 quem domina a \u201cnova\u201d idade.<\/strong><\/p>\n<p>O universo evolui aparentemente em c\u00edrculos. Na verdade n\u00e3o se trata de c\u00edrculos, mas de uma infinita espiral a desdobrar-se pela eternidade. Assim, contrariamente \u00e0s apar\u00eancias, nada se repete e tudo se transforma. Na m\u00fasica, como em tudo. Em \u201cChill Out\u201d, dos KLF, cada som evoca a um tempo as imagens do passado e vis\u00f5es de um poss\u00edvel futuro. Da capa, em que figura buc\u00f3lica paisagem onde pastam pac\u00edficos carneiros, aos acordes espaciais de long\u00ednquas guitarras, assoma o espectro dos Pink Floyd (\u00e9 l\u00edcito ver no disco uma \u201cpastiche\u201d ir\u00f3nica a \u201cAtom Heart Mother\u201d) e dos misticismos electr\u00f3nicos que, nos anos 70, viriam a desembocar na corrente denominada \u201cplanante\u201d.<br \/>\nO estilo e o conceito prestam-se a todas as interpreta\u00e7\u00f5es e mistifica\u00e7\u00f5es, confundindo por igual aqueles que insistem em ver no disco um indesment\u00edvel sinal de retorno ao passado e os que julgam ter encontrado, nos KLF, os profetas do som da \u201cnova idade\u201d. \u201cChill Out\u201d existe, simplesmente, como objecto de cataloga\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, buraco negro que aspira a multiplicidade de g\u00e9neros, esvaziando-os de sentido, ao mesmo tempo que se serve deles como plasticina infinitamente mold\u00e1vel e perme\u00e1vel a todas as pervers\u00f5es. Trata-se, em concreto, de uma longa sucess\u00e3o de colagens sonoras, em que cabe tudo: a electr\u00f3nica, sons naturais, peda\u00e7os roubados (diz-se \u201csamplados\u201d.) de outros discos, mensagens quase subliminais, o sil\u00eancio. A primeira impress\u00e3o sugere serenidade e promessas de um futuro dourado, como o antecipam os \u201cnew age gurus\u201d de longas barbas e c\u00e9rebros ligados a terminais de computadores, perdidos na contempla\u00e7\u00e3o de para\u00edsos que julgam naturais. Depois nasce a suspeita. Como nas primeiras imagens de \u201cBlue Velvet\u201d, passa-se da luz e cores da superf\u00edcie, para as sombras e monstruosidades ocultas nas traseiras da realidade. Erra quem julga ver na actual vaga da \u201cambiente house\u201d (torna-se c\u00f3modo arrumar o disco nesta categoria) um passo no sentido da pacifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata (como a capa e a sonoridade geral parecem sugerir) de um retorno \u00e0 Natureza, mas, pelo contr\u00e1rio, de uma fuga em direc\u00e7\u00e3o desconhecida. Tornada uma acumula\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos destitu\u00eddos de qualquer significado, a realidade transforma-se numa sucess\u00e3o de imagens, deslizando \u00e0 velocidade de um filme. O caminho escolhido pela nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o da integra\u00e7\u00e3o, mas antes o da fuga para a frente \u2013 do \u00eaxtase da dan\u00e7a alimentada a comprimidos, incapaz j\u00e1 de prolongar por mais tempo a alucina\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ou-se em direc\u00e7\u00e3o ao asil\u00eancio -, n\u00e3o o da serenidade finalmente atingida, mas o de quem n\u00e3o tem nada a dizer, por nada haver j\u00e1 que dizer. Do sonho fren\u00e9tico para o sonho da anestesia. Paralisia. Instant\u00e2neo fotogr\u00e1fico \u2013 em \u201cChill Out\u201d, a m\u00fasica n\u00e3o avan\u00e7a nem recua, todos os movimentos se autodevoram, culminando um processo de simula\u00e7\u00e3o, que acumula farrapos e simulacros de todos os g\u00e9neros que fizeram a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular, para os reduzir a nada, como se, para al\u00e9m de todo o movimento, estivesse irremediavelmente a absoluta imobilidade, isto \u00e9, a morte. Os KLF obrigam a que se comece tudo de novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pop-Rock 02.01.1991 O DISCO DO ANO Depois de \u201cChill Out\u201d, deixa de fazer sentido falar de \u201cnova vaga\u201d ou de simples evolu\u00e7\u00e3o musical. Se calhar, nem sequer vale a pena falar de \u201cm\u00fasica\u201d. Para j\u00e1 o dem\u00f3nio \u00e9 quem domina a \u201cnova\u201d idade. O universo evolui aparentemente em c\u00edrculos. 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