{"id":7411,"date":"2019-05-10T10:16:21","date_gmt":"2019-05-10T17:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7411"},"modified":"2019-05-10T10:16:21","modified_gmt":"2019-05-10T17:16:21","slug":"jorge-luis-borges-colecao-mil-folhas-ficcoes-jorge-luis-borges-a-enciclopedia-infinita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/05\/10\/jorge-luis-borges-colecao-mil-folhas-ficcoes-jorge-luis-borges-a-enciclopedia-infinita\/","title":{"rendered":"Jorge Luis Borges &#8211; &#8220;COLE\u00c7\u00c3O MIL FOLHAS FIC\u00c7\u00d5ES:  Jorge Luis Borges &#8211; A enciclop\u00e9dia infinita&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> literatura)<br \/>\nquarta- feira, 26 Fevereiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>COLE\u00c7\u00c3O MIL FOLHAS FIC\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Jorge Luis Borges<br \/>\nA enciclop\u00e9dia infinita<\/p>\n<p>Em \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d, obra hoje publicada na Cole\u00e7\u00e3o Mil Folhas, Jorge Luis Borges combina o arrebatamento po\u00e9tico com o del\u00edrio l\u00f3gico. Contos para se perder ou ganhar a raz\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7412\" rel=\"attachment wp-att-7412\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jlb-1.jpg\" alt=\"\" width=\"644\" height=\"390\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7412\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jlb-1.jpg 644w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jlb-1-300x182.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jlb-1-624x378.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/jlb-1-100x61.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 644px) 100vw, 644px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d, de Jorge Luis Borges, foi editada em 1944. Junta duas cole\u00e7\u00f5es de contos, \u201cO Jardim dos Caminhos Que Se Bifurcam\u201d (1941) e \u201cArtif\u00edcios\u201d (1944). Poderiam ser datas fict\u00edcias e Jorge Luis Borges um anagrama do nome de outro autor, real ou imagin\u00e1rio. O pr\u00f3prio Borges admitiria o logro, questionando a sua identidade. \u201c\u00c0s vezes sou Borges.\u201d<br \/>\n\tBorges foi acima de tudo um fil\u00f3sofo poeta, da mesma forma que Fernando Pessoa foi um poeta fil\u00f3sofo. Um e outro tentaram descartar-se da personalidade, da m\u00e1scara. Borges afirmou: \u201cNa realidade n\u00e3o tenho a certeza de que exista. Sou todos os autores que li, toda a gente que conheci, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei, todos<br \/>\nos meus antepassados.\u201d Pessoa, mais sint\u00e9tico, falou em \u201cser tudo, de todas as maneiras\u201d.<br \/>\n\tTransformaram-se integralmente em literatura. Procurando ser, como o Deus da Cabala judaica, o nome sagrado que em si \u00e9 e cont\u00e9m todo o Real. No caso de Jorge Luis Borges havia ainda labirintos e espelhos, temas que, de resto, o enfastiavam \u201cespecialmente quando s\u00e3o outros que os usam\u201d. Em \u201cAn\u00e1lise da obra de Herbert Quinn\u201d, um dos contos reunidos em \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d, avalia-se uma obra deste escritor fict\u00edcio intitulada \u201cThe God of the Labirynth\u201d, atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas. Existem espelhos disseminados nas salas hexagonais de \u201cA Biblioteca de Babel\u201d, conto central no universo borgesiano, que \u201cfielmente duplicam as apar\u00eancias\u201d. Reflexos de reflexos. Em \u201cPierre M\u00e9nard, autor do \u2018Quixote\u2019\u201d, Pierre M\u00e9nard, outro escritor imaginado por Borges, escreve uma obra inteira absolutamente igual, letra a letra, ao \u201cQuixote\u201d de Cervantes, no entanto absolutamente diferente porque M\u00e9nard reproduziu interiormente todo o processo psicol\u00f3gico e liter\u00e1rio que conduziu \u00e0 sua feitura.<br \/>\n\tComo se percebe, Jorge Luis Borges soube esconder-se. Ele que, na s\u00e9rie de entrevistas concedidas a Georges Charbonnier em 1964, publicadas pela Gallimard no livro \u201cEntretiens avec Jorge Luis Borges\u201d (\u201cEntrevistas com Jorge Luis Borges\u201d, na tradu\u00e7\u00e3o portuguesa pela editora In\u00edcio) falava numa \u201cm\u00e1quina de fazer versos que nos diz para n\u00e3o pensar, esgotando as poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es das palavras at\u00e9 ao momento em que tais palavras dariam algumas ideias\u201d. Mas que, no fundo, reconhece que esse \u201cpoeta mec\u00e2nico\u201d jamais \u201csatisfaria inteiramente, dado que n\u00e3o conseguiria explicar a emo\u00e7\u00e3o\u201d, e porque a intensidade do poema se mede pelo estado de \u201carrebatamento interior\u201d do autor.<\/p>\n<p><strong>O jogador<\/strong><\/p>\n<p>Eis-nos instalados no eixo do paradoxo de que se faz a obra de Borges. Entre a arte combinat\u00f3ria do jogador e do matem\u00e1tico e a absoluta imprevisibilidade da vida e da literatura.<br \/>\n\tOs temas da lei (ordem) e do jogo (acaso) s\u00e3o sistematizados, de acordo com a l\u00f3gica mais implac\u00e1vel (e, por isso, delirante) a par da poesia mais marcada pelo onirismo, em \u201cA Biblioteca de Babel\u201d e \u201cA Lotaria na Babil\u00f3nia\u201d, dois contos fulcrais contidos em \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d.<br \/>\n\tEm \u201cA Lotaria na Babil\u00f3nia\u201d, das narrativas mais marcadamente kafkianas do escritor argentino, a sociedade \u00e9 governada por uma Companhia que se dedica a tornar o quotidiano dos cidad\u00e3os num imenso jogo de lotaria que progressivamente se complexifica at\u00e9 \u00e0 insanidade, permitindo toda a esp\u00e9cie de teorias explicativas. \u201cPorque a Babil\u00f3nia n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um infinito jogo de acasos\u201d, enquanto para outros \u201ca Companhia \u00e9 omnipresente mas s\u00f3 tem influ\u00eancia sobre as coisas min\u00fasculas: o piar de uma ave, as cambiantes da ferrugem e da poeira, os meios sonhos da madrugada\u201d.<br \/>\n\tJ\u00e1 na \u201cBiblioteca de Babel\u201d a ordem ostenta a crueldade de Sade. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nesta biblioteca dois livros id\u00eanticos. A biblioteca \u00e9 total e as suas estantes registam todas as poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es dos vinte e tal s\u00edmbolos ortogr\u00e1ficos (n\u00famero embora vast\u00edssimo, n\u00e3o infinito) ou seja, tudo o que nos \u00e9 dado exprimir: em todos os idiomas. Tudo: a hist\u00f3ria minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o cat\u00e1logo fiel da biblioteca, milhares e milhares de cat\u00e1logos falsos, a demonstra\u00e7\u00e3o da fal\u00e1cia desses cat\u00e1logos, a demonstra\u00e7\u00e3o da fal\u00e1cia do cat\u00e1logo verdadeiro, o evangelho gn\u00f3stico de Basilides, o coment\u00e1rio desse evangelho, o relat\u00f3rio ver\u00eddico da tua morte, a vers\u00e3o de cada livro em todas as l\u00ednguas&#8230;\u201d e mesmo \u201cum livro que seja a chave e o resumo perfeito de todos os outros\u201d.<br \/>\n\tNa biblioteca de Babel n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel combinar os caracteres \u201cdhcmrlchtdj\u201d, \u201cque a divina biblioteca n\u00e3o haja previsto e que nalguma das suas l\u00ednguas secretas n\u00e3o contenham um terr\u00edvel sentido. Ningu\u00e9m pode articular uma s\u00edlaba que n\u00e3o esteja plena de ternuras e de temores; que n\u00e3o seja nalguma dessas linguagens o nome poderoso de um Deus. Falar \u00e9 incorrer em tautologias.(&#8230;). Um n\u00famero \u2018n\u2019 de linguagens poss\u00edveis usa o mesmo vocabul\u00e1rio; numas o s\u00edmbolo \u2018biblioteca\u2019 admite a correta defini\u00e7\u00e3o de \u2018ub\u00edquo e duradouro sistema de galerias hexagonais\u2019 mas \u2018biblioteca\u2019 \u00e9 \u2018p\u00e3o\u2019 ou \u2018pir\u00e2mide\u2019 ou outra coisa qualquer, e as sete letras que a definem t\u00eam outro valor. Tu que me l\u00eas, tens a certeza de que compreendes a minha linguagem?\u201d<br \/>\n\tJorgeluisborges, rigsbsorulejore, sigerjgroseulo&#8230; Ao ler estas \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d jogue o leitor e descubra quantos e quais s\u00e3o os nomes de Deus. Apenas fic\u00e7\u00f5es ou algo mais?<\/p>\n<p><strong>CRONOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>1899 <\/strong>Nasce a 24 de Agosto, em Buenos Aires, na casa do av\u00f3 paterno, Isidoro Acevedo, onde cresceu rodeado de livros. Com seis anos, disse ao pai que queria ser escritor; dois anos mais tarde, escreve \u201cLa Visera Fatal\u201d, inspirado num epis\u00f3dio do \u201cD. Quixote\u201d. Aos nove anos, traduz para espanhol \u201cO Pr\u00edncipe Feliz\u201d, de Oscar Wilde<\/p>\n<p><strong>1914 <\/strong>Acompanha o pai numa viagem \u00e0 Europa, fixando-se com ele em Genebra e depois em Lugano. Posteriormente, vive em Espanha \u2014 onde contacta com movimentos vanguardistas como o ultra\u00edsmo \u2014 e na Argentina<\/p>\n<p><strong>1923 <\/strong>Regressa \u00e0 cidade natal, onde funda as revistas \u201cPrisma\u201d e \u201cProa\u201d, com Macedonio Fern\u00e1ndez. Foi a\u00ed que come\u00e7ou a publicar os poemas que, mais tarde, apareceriam reunidos nos livros \u201cFervor de Buenos Aires\u201d (1923), \u201cLua Defronte\u201d 1925) e \u201cCaderno de San Mart\u00edn\u201d (1929)<\/p>\n<p><strong>1935 <\/strong>Publica \u201cHist\u00f3ria Universal da Inf\u00e2mia\u201d. Mais tarde, \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d (1944) e \u201cO Aleph\u201d (1949)<\/p>\n<p><strong>1938 <\/strong>Sofre um grave acidente, provocando-lhe uma degenera\u00e7\u00e3o progressiva da vista. Essa experi\u00eancia foi relatada em \u201cO Sul\u201d, o seu melhor conto, na opini\u00e3o do pr\u00f3prio<\/p>\n<p><strong>1955 <\/strong>\u00c9 nomeado diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, cargo que ocupa at\u00e9 1973, quando o avan\u00e7o da sua cegueira o impede de continuar<\/p>\n<p><strong>1973 <\/strong>Viaja por todo o mundo, dando confer\u00eancias e cursos<\/p>\n<p><strong>1986 <\/strong>Morre a 14 de Julho, em Genebra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> literatura) quarta- feira, 26 Fevereiro 2003 COLE\u00c7\u00c3O MIL FOLHAS FIC\u00c7\u00d5ES Jorge Luis Borges A enciclop\u00e9dia infinita Em \u201cFic\u00e7\u00f5es\u201d, obra hoje publicada na Cole\u00e7\u00e3o Mil Folhas, Jorge Luis Borges combina o arrebatamento po\u00e9tico com o del\u00edrio l\u00f3gico. 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