{"id":7402,"date":"2019-05-06T07:48:01","date_gmt":"2019-05-06T14:48:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7402"},"modified":"2019-05-06T07:48:01","modified_gmt":"2019-05-06T14:48:01","slug":"bud-powell-the-scene-changes-jackie-mclean-let-freedom-ring-lee-morgan-search-for-the-new-land-sam-rivers-fuchsia-swing-song-joe-henderson-mode-for-joe-wayne-sh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/05\/06\/bud-powell-the-scene-changes-jackie-mclean-let-freedom-ring-lee-morgan-search-for-the-new-land-sam-rivers-fuchsia-swing-song-joe-henderson-mode-for-joe-wayne-sh\/","title":{"rendered":"Bud Powell &#8211; &#8220;The Scene Changes&#8221; + Jackie McLean &#8211; &#8220;Let Freedom Ring&#8221; + Lee Morgan &#8211; &#8220;Search For The New Land&#8221; + Sam Rivers &#8211; &#8220;Fuchsia Swing Song&#8221; + Joe Henderson &#8211; &#8220;Mode For Joe&#8221; + Wayne Shorter &#8211; &#8220;Adam\u2019s Apple&#8221; + Larry Young &#8211; &#8220;Mother Ship&#8221; + Andrew Hill &#8211; &#8220;Passing Ships&#8221; + Hank Mobley &#8211; &#8220;Thinking Of Home&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 20 Dezembro 2003<\/p>\n<p>Jackie McLean e Wayne Shorter, em duas das suas obras-chave, destacam-se do mais recente pacote de remasteriza\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie Rudy van Gelder. Os colecionadores da Blue Note n\u00e3o v\u00e3o ter m\u00e3os a medir.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong><em>Liberdade de comer a ma\u00e7\u00e3<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Bud Powell<br \/>\nThe Scene Changes<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Jackie McLean<br \/>\nLet Freedom Ring<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Lee Morgan<br \/>\nSearch For The New Land<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Sam Rivers<br \/>\nFuchsia Swing Song<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>Joe Henderson<br \/>\nMode For Joe<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Wayne Shorter<br \/>\nAdam\u2019s Apple<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>Larry Young<br \/>\nMother Ship<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Andrew Hill<br \/>\nPassing Ships<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>Hank Mobley<br \/>\nThinking Of Home<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p><em>Todos Blue Note, distri. EMI-VC<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7403\" rel=\"attachment wp-att-7403\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"616\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7403\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1.jpg 460w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1-1-75x100.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Sabe a manjar e n\u00e3o sai caro escutar as preciosidades que a Blue Note vem colocando periodicamente no mercado em remasteriza\u00e7\u00f5es de 24-bit com a chancela \u201cThe<br \/>\nRudy Van Gelder Edition\u201d, incluindo as novas \u201cConnoisseur CD S\u00e9ries\u201d. Na mais recente fornada encontramos os nomes de Bud Powell, Jackie McLean, Lee Morgan, Sam Rivers, Joe Henderson, Wayne Shorter, Larry Young, Andrew Hill e Hank Mobley. Qualquer deles com o nome inscrito em letras gordas na grande enciclop\u00e9dia do jazz. Depois do \u201cquem\u201d, vejamos o \u201cqu\u00ea\u201d. Por ordem cronol\u00f3gica.<br \/>\n\t28 de Dezembro de 1958. Bud Powell, uma das for\u00e7as vivas do piano \u201cbop\u201d. Em \u201cThe Scene Changes\u201d em trio com Paul Chambers (contrabaixo) e Art Taylor (bateria). Powell habitou desde cedo o lado negro do \u201cbe bop\u201d, acometido por problemas f\u00edsicos e mentais que moldaram a sua m\u00fasica em intervalos estranhos, tons menores e solos aos quais algu\u00e9m chamou um \u201cempilhamento de caixas\u201d de modo incongruente. \u201cUn poco loco\u201d, t\u00edtulo revelador inclu\u00eddo no primeiro volume de \u201cThe Amazing Bud Powell\u201d (grava\u00e7\u00f5es compreendidas entre 1949 e 1951), \u201cg\u00e9nio\u201d ou ambas as coisas, Bud Powell recria em \u201cThe Scene Changes\u201d os tempos r\u00e1pidos, fragmentados em n\u00f3dulos harm\u00f3nicos de onde \u00e9 poss\u00edvel extrair inesgot\u00e1vel alimento. Entre o mambo e o enigma, Powell bopou como um louco, fazendo os cen\u00e1rios girar interminavelmente nas nossas cabe\u00e7as.<br \/>\n\t19 de Mar\u00e7o de 1962. Sob a influ\u00eancia de Ornette Coleman, Jackie McLean relan\u00e7a em \u201cLet Freedom Ring\u201d a linguagem do \u201cbop\u201d e do \u201chard bop\u201d na dire\u00e7\u00e3o de uma expressividade mais livre, rasgada pelas inova\u00e7\u00f5es modais que Miles Davis patenteara tr\u00eas anos antes no manifesto \u201cKind of Blue\u201d. O sax alto liberta-se, aliando a rugosidade t\u00edmbrica e uma energia entusiasmante \u00e0s permissividades do \u201cfree\u201d e a modula\u00e7\u00f5es pertencentes j\u00e1 ao emergente jazzrock. A longa abertura \u201cMelody for melonae\u201d \u00e9 um portento onde o fogo e a \u00e1gua (jorrando em cascata do piano de Walter Davis Jr.), a abstrac\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o se combinam na cria\u00e7\u00e3o de um cl\u00e1ssico. \u201cMy life has been sweet and sour, bittersweet, and I\u2019m interpreting my experience. I\u2019m a sugar-free saxophonist\u201d, disse de si pr\u00f3prio o saxofonista que neste disco se faz acompanhar ainda por Herbie Lewis (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria). Para o comprovar, basta escutar o licor e o grito amargo que se desprendem de \u201cI\u2019ll keep loving you\u201d.<br \/>\n\t15 de Fevereiro de 1964. Lee Morgan, autor da obra-prima \u201cThe Sidewinder\u201d, gravaria no ano seguinte outro disco magistral, \u201cSearch for the New Land\u201d, como l\u00edder de uma formid\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o composta por Wayne Shorter (sax tenor), Grant Green (guitarra), Herbie Hancock (piano, Reggie Workman (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria). Tamb\u00e9m neste caso os 13 minutos do t\u00edtulo-tema que abre o \u00e1lbum funcionam como formul\u00e1rio de um disco marcado por uma faceta dan\u00e7\u00e1vel, advinda do \u201cblues\u201d, a par da imagina\u00e7\u00e3o e criatividade proporcionadas por Shorter e Hancock, ambos em picos de forma (o saxofonista gravaria neste ano \u201cJuju\u201d e \u201cSpeak no Evil\u201d enquanto para o teclista 1964 seria o ano do monumental \u201cMaiden Voyage\u201d). Para o trompetista, por\u00e9m, esta busca de novas terras soaria como um dos derradeiros ecos de uma m\u00fasica que da\u00ed para a frente se esgotaria num s\u00f3lido suporte de \u201cblowing sessions\u201d, \u00e0s quais faltaria, por\u00e9m, a nitidez do enfoque deste disco e de \u201cThe Sidewinder\u201d.<br \/>\n\t11 de Dezembro de 1964. \u201cFuchsia Swing Song\u201d constitui a primeira grava\u00e7\u00e3o enquanto l\u00edder de Sam Rivers, um dos grandes saxofones tenores do \u201cfree jazz\u201d, mas nesta grava\u00e7\u00e3o dependendo ainda das m\u00e9tricas swingantes do \u201chard bop\u201d. Torrente impar\u00e1vel de ideias, todavia invariavelmente formatadas na disciplina do \u201cblues\u201d (\u201cDownstairs blues upstairs\u201d) e da tradi\u00e7\u00e3o. Atento \u00e0s inova\u00e7\u00f5es de Rollins, Coltrane, Dolphy e Coleman, bem como aos percursos de Ayler e Shepp, Rivers permite-se rasgar os compassos, entrando e saindo, estendendo-os em modula\u00e7\u00f5es circulares, como em \u201cCyclic episode\u201d, ou solil\u00f3quios de pura interioriza\u00e7\u00e3o, como \u201cLuminous monolith\u201d. Jaki Byard (piano), Ron Carter (contrabaixo) e Tony Williams (bateria), s\u00e3o os seus parceiros de luxo mas n\u00e3o ainda aqueles que permitiriam ao saxofonista libertar todo o seu g\u00e9nio.<br \/>\n\t27 Janeiro de 1966. Joe Henderson, tenorista de sonoridade redonda e \u201ccomest\u00edvel\u201d (como Rollins e Coltrane, embora sem a amplitude an\u00edmica destes, o que n\u00e3o o impede de meter ambos no bolso no extraordin\u00e1rio \u201cCaribbean fire dance\u201d) recruta Lee Morgan, Curtis Fullwer (trombone), Bobby Hutcherson (vibrafone), Cedar Walton (piano), Ron Carter (contrabaixo) e Joe Chambers (bateria) para fazer \u201cMode for Joe\u201d. A instrumenta\u00e7\u00e3o diversificada permite uma riqueza de arranjos e cores que Henderson aproveita, como em \u201cBlack\u201d, para juntar a complexidade da composi\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade da improvisa\u00e7\u00e3o. Depois, j\u00e1 se sabe, qualquer disco que tenha a participa\u00e7\u00e3o de Hutcherson jamais corre o risco de ser recompensado na avalia\u00e7\u00e3o com um d\u00e9fice de estrelas.<br \/>\n\t2 de Fevereiro de 1966. Outro disco indispens\u00e1vel. \u201cAdam\u2019s Apple\u201d, de Wayne Shorter. Com Herbie Hancock, Reggie Workman e Joe Chambers. Aos primeiros acordes de piano de Hancock, o cora\u00e7\u00e3o dispara numa dan\u00e7a irresist\u00edvel. Logo a seguir, o tenor entra e acerta o passo e\u2026 nada a fazer\u2026 quem quiser assistir a uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do que \u00e9 o swing s\u00f3 tem que ter ouvidos e deixar-se arrastar pelo balan\u00e7o. Hancock e Shorter s\u00e3o, ali\u00e1s, almas g\u00e9meas, e da sua colabora\u00e7\u00e3o irrompe invariavelmente magia. Seja nos tempos r\u00e1pidos, seja numa balada como \u201c802 blues (drinkin\u2019 and drivin\u2019)\u201d, di\u00e1logo muito perto da perfei\u00e7\u00e3o. Voltam a ser o tandem perfeito na latinidade de \u201cEl gaucho\u201d. Ah, claro, e \u00e9 neste disco que se encontra \u201cFootprints\u201d, um dos \u201cstandards\u201d dos anos 60 que marcaram o som e a atitude do jazz de fus\u00e3o que a d\u00e9cada de 70 consagraria.<br \/>\n\t7 de Fevereiro de 1969. Menos \u201clounge\u201d que Jimmy Smith, menos \u201cfunky\u201d que Charles Earland, Larry Young \u00e9 um organista assolado por uma espiritualidade acentuada (a infl u\u00eancia de Coltrane e McCoy Tyner, tem destes efeitos), autor de \u201cUnity\u201d, gravado quatro anos antes deste \u201cMother Ship\u201d (com Lee Morgan, Herbert Morgan, no sax tenor, e Eddie Gladden, na bateria). Constru\u00edda em verticalidade (ou\u00e7a-se um solo de Smith e outro de Young, para se perceber a diferen\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o\u2026) \u201cMother Ship\u201d lan\u00e7a na estratosfera hinos e ora\u00e7\u00f5es a divindades pag\u00e3s, em templos onde a arquitetura \u00e9 por vezes, como em \u201cVisions\u201d, banhada pela sombra do \u201cdark magus\u201d Miles Davis.<br \/>\n\t7 de Novembro de 1969. Dois trompetes, trombone, \u201cfrench horn\u201d, tuba, clarinet baixo, \u201cenglish horn\u201d, saxofones, flauta. Woody Shaw, Julian Priester, Howard Johnson, Joe Farrell, est\u00e3o presentes em \u201cPassing Ships\u201d repletos de sopros em banda de nove elementos sob a lideran\u00e7a do pianista Andrew Hill. O t\u00edtulo-tema \u00e9 elucidativo do barroquismo dos arranjos e a entrada de \u201cPlantation bag\u201d poderia fazer parte de um \u00e1lbum dos Soft Machine. Para quem aprecie desbravar florestas e deparar com o inesperado a cada canto, embarque num destes \u201cPassing Ships\u201d e desfrute da riqueza das paisagens. O pr\u00f3prio Hill se deixa deslumbrar baixando o piano ao n\u00edvel das sombras. Ocasionalmente, a grava\u00e7\u00e3o deixa entender o trabalho de remontagem a que as fitas originais foram sujeitas.<br \/>\n\t31 de Julho de 1970. Entrada nos anos 70 com o Jazz Messenger e ex-sideman, uma d\u00e9cada antes, de Miles Davis, Hank Mobley, tenorista incontorn\u00e1vel do \u201chard bop\u201d. Mas \u00e9 Woody Shaw quem come\u00e7a por se destacar na trompete na \u201csuite\u201d cortada em tr\u00eas segmentos que abre o \u00e1lbum. Cedar Walton, no piano, \u00e9 a outra pe\u00e7a-chave deste trabalho onde a compet\u00eancia dos m\u00fasicos \u00e9 inquestion\u00e1vel, mas ao qual falta a chispa das grandes obras. Como \u00e9 \u201cSoul Station\u201d, deste mesmo Hank Mobley, aqui caseiro e acomodado em demasia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 20 Dezembro 2003 Jackie McLean e Wayne Shorter, em duas das suas obras-chave, destacam-se do mais recente pacote de remasteriza\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie Rudy van Gelder. Os colecionadores da Blue Note n\u00e3o v\u00e3o ter m\u00e3os a medir. 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