{"id":7382,"date":"2019-04-29T06:46:24","date_gmt":"2019-04-29T13:46:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7382"},"modified":"2019-04-29T06:46:24","modified_gmt":"2019-04-29T13:46:24","slug":"david-s-ware-threads-marty-ehrlich-line-on-love-jean-derome-louis-sclavis-quartet-un-moment-de-bonheur-tony-malaby-apparition-john-lindberg-ruminations-upon-ives","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/04\/29\/david-s-ware-threads-marty-ehrlich-line-on-love-jean-derome-louis-sclavis-quartet-un-moment-de-bonheur-tony-malaby-apparition-john-lindberg-ruminations-upon-ives\/","title":{"rendered":"David S. Ware &#8211; &#8220;Threads&#8221; + Marty Ehrlich &#8211; &#8220;Line On Love&#8221; + Jean Derome \/ Louis Sclavis Quartet &#8211; &#8220;Un Moment De Bonheur&#8221; + Tony Malaby &#8211; &#8220;Apparition&#8221; + John Lindberg &#8211; &#8220;Ruminations Upon Ives And Gottschalk&#8221; + Michael Moore &#8211; &#8220;Air Street&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 6 Dezembro 2003<\/p>\n<p>David S. Ware rendeu-se \u00e0s cordas, Marty Ehrlich ao amor, John Lindberg a Ives e Gottschalk. Mas na lotaria do novo jazz foram Jean Derome e Louis Sclavis que encontraram a felicidade<br \/>\n<center><br \/>\n<strong><em>O azul que n\u00e3o cabe no \u201cblues\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7383\" rel=\"attachment wp-att-7383\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"473\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7383\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw.jpg 416w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw-264x300.jpg 264w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw-88x100.jpg 88w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><\/a> <\/p>\n<p>DAVID S.WARE<br \/>\nThreads<br \/>\nThirsty Ear, distri. Trem Azul<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>MARTY EHRLICH<br \/>\nLine on Love<br \/>\nPalmetto, distri. Trem Azul<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>JEAN DEROME\/LOUIS SCLAVIS QUARTET<br \/>\nUn Moment de Bonheur<br \/>\nVicto, distri. Trem Azul<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>TONY MALABY<br \/>\nApparition<br \/>\nSonglines (SACD), distri. Trem Azul<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>JOHN LINDBERG<br \/>\nRuminations upon Ives and Gottschalk<br \/>\nBetween the Lines, distri. Ananana<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>MICHAEL MOORE<br \/>\nAir Street<br \/>\nBetween the Lines, distri. Ananana<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7384\" rel=\"attachment wp-att-7384\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw2.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"740\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7384\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw2.jpg 140w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw2-57x300.jpg 57w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dw2-19x100.jpg 19w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>No fado s\u00e3o as novas Am\u00e1lias. No jazz, os novos Coltranes. David S. Ware \u00e9, de entre todos os \u201cnovos Coltrane\u201d, o mais cred\u00edvel. Como em Trane, o saxofone tenor de Ware combina o tecnicismo, a expressividade levada ao paroxismo e o misticismo. Um ano ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da sua particular vers\u00e3o de \u201cFreedom Suite\u201d, de Sonny Rollins, o tenorista fez aumentar o seu trio habitual de acompanhantes (Guillermo F. Brown, William Parker, Matthew Shipp) para quinteto, com a inclus\u00e3o de Mat Maneri (viola) e Daniel Bernard Roumain (violino), transformando-o num \u201cstring ensemble\u201d e conferindo uma nova dimens\u00e3o \u00e0 sua m\u00fasica: um jazz de c\u00e2mara pulsante que chega a ser arrebatador em \u201cSufic passages\u201d, \u00e0 custa da insist\u00eancia no \u201criffing\u201d e de um swingante fraseado violin\u00edstico de Maneri, mas que no t\u00edtulo tema se aproxima do tipo de arranjos majestosos, aviados para consumo imediato, de Michael Nyman, embora haja nele um lado obsessivo (devocional?) que acaba por lhe conferir uma densidade porventura mais pr\u00f3xima de algumas composi\u00e7\u00f5es de Gavin Bryars. J\u00e1 \u201cCarousel of lightness\u201d levita num ambientalismo com selo ECM. Quanto a Ware, \u00e9 mais coltraniano do que nunca em \u201cWeave I\u201d e \u201cWeave II\u201d, exerc\u00edcios de improvisa\u00e7\u00e3o que funcionam como catarse ao formalismo de escrita dos restantes temas, numa m\u00fasica que insistentemente procura alargar os seus horizontes.<br \/>\n\tAdepto confesso de aventuras conceptuais, Marty Ehrlich faz em \u201cLine on Love\u201d o percurso inverso ao de David S. Ware, em \u201cThreads\u201d. \u00c9 uma inflex\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o e num jazz por vezes de grande lirismo (\u201cHymn\u201d, \u201cLine on love\u201d, marcados pelo piano de Craig Taborn) de que Ehrlich andava arredado em trabalhos como o anterior \u201cThe Long View\u201d. Os desempenhos do saxofonista no alto s\u00e3o de alt\u00edssimo calibre em \u201cLike I said\u201d e \u201cTurn circle and spin\u201d, este \u00faltimo tema complementado pelo solo de um dos mais not\u00e1veis contrabaixistas do jazz contempor\u00e2neo, Michael Formanek. Billy Drummond assume papel de destaque, na bateria, no \u201cbluesy\u201d \u201cSt. Louis Summer\u201d, impelido por um surpreendente e hardbopante solo, em tempo lento, do saxofonista, que conclui a tocar clarinete baixo na magn\u00edfica arquitetura r\u00edtmica rubricada pelos quatro m\u00fasicos no derradeiro \u201cThe git go\u201d.<br \/>\n\tEntusiasmante \u00e9 a simples associa\u00e7\u00e3o dos nomes de Louis Sclavis e Jean Derome, dois dos mais desalinhados e criativos artistas da m\u00fasica improvisada atual, em \u201cUn Moment de Bonheur\u201d. Sclavis, herdeiro de Portal e ecl\u00e9tico solista e compositor do jazz franc\u00eas, e Derome, autor canadiano com larga e, por vezes, burlesca obra na editora Ambiances Magn\u00e9tiques, a solo, em duo com Robert-Marcel LePage ou Ren\u00e9 Lussier, ou com a sua orquestra de alunos, encontraram-se neste registo ao vivo de 2001, no 18\u00ba Festival Internacional de Musique Actuelle de Victoriavile. Os di\u00e1logos \u201cfree\u201d entre a flauta, flauta baixo, saxofone alto e berimbau do canadiano e o clarinete, clarinete baixo, saxofone soprano e \u201cobjetos\u201d do franc\u00eas far\u00e3o as del\u00edcias dos apreciadores de m\u00fasica improvisada, em un\u00edssonos, contrapontos e fugas que atingem o \u00e2mago do \u201cfree jazz\u201d nos longos \u201cL\u2019errance\u201d e \u201cSuite pour un bal\u201d, respetivamente de 18 e 20 minutos, sendo a suite cortada a meio por uma descarga de ru\u00eddo e de&#8230; rock, na melhor tradi\u00e7\u00e3o da escola RIO (\u201cRock in Opposition\u201d), da qual Derome, de resto, sempre esteve perto. E se Sclavis perde no processo um pouco da sua habitual eloqu\u00eancia e Derome uma parte do seu humor, ganha-se a unidade de duas for\u00e7as vivas em combust\u00e3o. Bruno Chevillon (contrabaixo) e Pierre Tanguay (outro \u201chabitu\u00e9\u201d da casa dos \u201cambientes magn\u00e9ticos\u201d, bateria) deliram de satisfa\u00e7\u00e3o na forma como enrolam ou desimpedem os caminhos aos seus companheiros solistas.<br \/>\n\tEm mat\u00e9ria de \u201csuites\u201d, o saxofonista, tenor e soprano Tony Malaby tamb\u00e9m n\u00e3o se sai mal, em \u201cThe mestizo suite\u201d, tema de abertura de \u201cApparitions\u201d. Malaby (marido de uma das mais dotadas pianista rec\u00e9m-surgidas, Angelica Sanchez), em anteriores ocasi\u00f5es \u201csideman\u201d de Tim Berne, Fred Hersch, Marty Ehrlich, Michael Formanek, Mark Dresser e George Schuller, a par de uma passagem breve pela Mingus Big Band, \u00e9 um daqueles m\u00fasicos que constr\u00f3i por fases, sem rel\u00e2mpagos flamejantes, mas possuidor de uma s\u00f3lida intui\u00e7\u00e3o do tempo e da cor. A utiliza\u00e7\u00e3o em simult\u00e2neo de dois bateristas, Tom Rainey e Michael Sarin, juntamente com o contrabaixo de Drew Gress, sugerem um enquadramento r\u00edtmico refor\u00e7ado que o saxofone, em permanente liquefa\u00e7\u00e3o, se encarrega de diluir. O t\u00edtulo tema, pontuado por percuss\u00f5es e pelo saxofone soprano, enfim liberto de um discurso em continuidade, acaba por ser o \u00fanico a fazer fa\u00edsca.<br \/>\n\t\u201cRuminations upon Ives and Gottschalk\u201d, do quarteto do contrabaixista John Lindberg \u2014 com Baikida Carroll (trompete, flisc\u00f3rnio), Steve Gorn (bansuri, flautas, clarinete, saxofone soprano), Susie Ibarra (bateria, percuss\u00e3o, kulingtang, gongos chineses) \u2013 dedica sete originais aos compositores norte-americanos Charles Ives (1874-1954, autor, entre outras obras, de uma \u201cConcord Sonata\u201d e uma \u201cSymphony No.3\u201d) e Louis Moreau Gottschalk (1829-1869, natural de Nova Orle\u00e3es, apaixonado pelos sons ex\u00f3ticos das Cara\u00edbas e pela m\u00fasica crioula). Dif\u00edcil \u00e9 catalogar estas \u201crumina\u00e7\u00f5es\u201d que misturam instrumentos e melodias tradicionais (\u201cBeau theme\u201d) e jazz, atrav\u00e9s de improvisa\u00e7\u00f5es que remetem as concep\u00e7\u00f5es de bitonalidade e polirritmia de Ives e a propens\u00e3o \u00e9tnica de Gottschalk para uma m\u00fasica de cambiantes sempre inesperados. Ou o que poderia ser o encontro de Ornette Coleman e Don Cherry com os Oregon e os Art Ensemble of Chicago. \u201cSpirit great, golden shine\u201d, inspirado nos tr\u00e1gicos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, \u00e9 uma evoca\u00e7\u00e3o ao hino religioso \u201cHoly Spirit, light divine\u201d, de Gottschalk.<br \/>\n\tAinda em direto para o cora\u00e7\u00e3o e os ouvidos dos incondicionais da m\u00fasica improvisada, \u201cAir Street\u201d contrap\u00f5e, numa grava\u00e7\u00e3o ao vivo em Amesterd\u00e3o, o saxofonista e clarinetista Michael Moore, elemento habitual do quinteto de Gerry Hemingway, \u00e0 dupla holandesa Cor Fuhler (keyolin, piano, \u00f3rg\u00e3o Hammond) e Tristan Honsinger (violoncelo). A livre justaposi\u00e7\u00e3o de sonhos e sons encontra o \u201cfree rock\u201d dos Henry Cow, a voz humana an\u00f3nima rivaliza com um apito para chamar p\u00e1ssaros, a m\u00fasica concreta harmoniza-se em s\u00fabitos afluxos de romantismo. Como em toda a (boa) m\u00fasica que nasce das ilumina\u00e7\u00f5es do instante, cada um encontrar\u00e1 nela j\u00f3ias ou lixo, consoante o grau de investimento posto na audi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 aqui mat\u00e9ria de sobra para o c\u00e9rebro fazer horas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 6 Dezembro 2003 David S. Ware rendeu-se \u00e0s cordas, Marty Ehrlich ao amor, John Lindberg a Ives e Gottschalk. 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