{"id":7346,"date":"2019-04-10T11:43:13","date_gmt":"2019-04-10T18:43:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7346"},"modified":"2019-04-10T11:43:13","modified_gmt":"2019-04-10T18:43:13","slug":"dave-holland-quintet-extended-play-miroslav-vitous-universal-syncopations-art-ensemble-of-chicago-tribute-to-lester-the-george-burt-raymond-macdonald-quartet-c-lol-coxhill","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/04\/10\/dave-holland-quintet-extended-play-miroslav-vitous-universal-syncopations-art-ensemble-of-chicago-tribute-to-lester-the-george-burt-raymond-macdonald-quartet-c-lol-coxhill\/","title":{"rendered":"Dave Holland Quintet &#8211; &#8220;Extended Play&#8221; + Miroslav Vitous &#8211; &#8220;Universal Syncopations&#8221; + Art Ensemble Of Chicago &#8211; &#8220;Tribute To Lester&#8221; + The George Burt \/ Raymond MacDonald Quartet c\/ Lol Coxhill &#8211; &#8220;Coxhill Street&#8221; + Frances-Marie Uitti &#038; Jonathan Harvey &#8211; &#8220;Imaginings&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 25 Outubro 2003<\/p>\n<p><em>Holland e Vitous<\/em>. Contrabaixistas a ditar as regras do jogo do jazz. O ingl\u00eas disp\u00f5e dos melhores trunfos.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Contra baixos n\u00e3o h\u00e1 argumentos<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7347\" rel=\"attachment wp-att-7347\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"220\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7347\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh.jpg 641w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh-300x103.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh-624x214.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh-100x34.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/a><\/p>\n<p>DAVE HOLLAND QUINTET<br \/>\nExtended Play<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>MIROSLAV VITOUS<br \/>\nUniversal Syncopations<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>ART ENSEMBLE OF CHICAGO<br \/>\nTribute to Lester<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>THE GEORGE BURT\/RAYMOND MacDONALD QUARTET c\/LOL COXHILL<br \/>\nCoxhill Street<br \/>\nFMR, distri. Sonoridades<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>FRANCES-MARIE UITTI &#038; JONATHAN HARVEY<br \/>\nImaginings<br \/>\nSargasso, distri. Sonoridades<br \/>\n7 | 10<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7348\" rel=\"attachment wp-att-7348\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/dh1.jpg\" alt=\"\" width=\"138\" height=\"708\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7348\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nNos \u00faltimos tempos o homem n\u00e3o tem feito outra coisa a n\u00e3o ser reciclar a sua pr\u00f3pria m\u00fasica e a do quarteto que o tem acompanhado desde 1997. Mas dado que o seu nome \u00e9 Dave Holland, perdoa-se, aceita-se e at\u00e9 se agradece. \u201cExtended Play\u201d \u00e9 uma obra monumental em dois CDs, gravado h\u00e1 dois anos no m\u00edtico Birdland de Nova Iorque. As pe\u00e7as, na maioria extra\u00eddas de \u201cPrime Directive\u201d e \u201cPoint of View\u201d, t\u00eam uma dura\u00e7\u00e3o tal que s\u00f3 a simples men\u00e7\u00e3o dos tempos gastaria a totalidade do espa\u00e7o dispon\u00edvel nesta p\u00e1gina. Mas mais do que tempo, a m\u00fasica esbanja qualidade.<br \/>\n\tA m\u00e1quina card\u00edaca do l\u00edder deu a cada m\u00fasico espa\u00e7o para respirar e dizer longamente. Diz Holland que para explorer em larga escala novas formulas para temas antigos, fazendo delas \u201cve\u00edculo para a intui\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n\tPotter mostra-se impar\u00e1vel em \u201cThe Balance\u201d e \u201cHigh wire\u201d, solando \u201cfree\u201d. Nelson prova ser um dos grandes vibrafonistas actuais, sem nunca abusar do pedal de reverbera\u00e7\u00e3o, preferindo a clareza e a flu\u00eancia do ritmo aos registos mais ambientais. O solo de marimba em \u201cJugglers parade\u201d \u00e9 funky, progressivo, misterioso, hipn\u00f3tico. F\u00e3s dos Can, h\u00e1 um mundo de jazz, mesmo ao lado, \u00e0 vossa espera! Quando Holland faz a sua entrada e o trombone de Eubanks se alarga num manifesto feito de subtileza mas tamb\u00e9m de s\u00fabitas guinadas para a faixa de rodagem da experimenta\u00e7\u00e3o, o swing rola numa montanha-russa.<br \/>\n\t\u201cClaressence\u201d, de \u201cDream of the Elders\u201d, abre o segundo CD numa nota mais \u201ccool\u201d, com Nelson a chegar-se aos timbres de cristal de Milt Jackson, nos Modern Jazz Quartet. Potter volta a mostrar at\u00e9 que ponto compareceu a esta sess\u00e3o em estado de gra\u00e7a. O seu di\u00e1logo com o trombone de Eubanks \u00e9 de fazer dan\u00e7ar um moribundo. Holland, o mestre, deixa a sua assinatura lavrada a fogo em \u201cMetamorphos\u201d, imprimindo-lhe um balan\u00e7o e equil\u00edbrio sobrenaturais. Abusando ou n\u00e3o da reciclagem, Holland acertou uma vez mais na \u201cmouche\u201d. \u201cExtended Play\u201d ostenta a novidade e a incandesc\u00eancia do princ\u00edpio do mundo. E, porque n\u00e3o, do princ\u00edpio do jazz. Contra tais factos, contra o seu baixo, n\u00e3o h\u00e1 argumentos.<br \/>\n\tOutro contrabaixista, porventura menos conhecido, mas de n\u00e3o menores m\u00e9ritos, \u00e9 Miroslav Vitous, checoslovaco de nascimento, antigo \u201csideman\u201d de<br \/>\nMiles Davis, membro fundador dos Weather Report e autor de um magn\u00edfico \u201cJourney\u2019s End\u201d, ao lado de John Surman e John Taylor. Em \u201cUniversal Syncopations\u201d rodeou-se de um quartet de \u201cfigur\u00f5es\u201d: Jan Garbarek, Chick Corea, John McLaughlin e Jack DeJohnette. A capa mostra uma coreografi a de nuvens e quando os discos da ECM utilizam fotos de coreografias de nuvens j\u00e1 se sabe que som se h\u00e1-de esperar. Mais ainda se Jan Garbarek estiver presente na sess\u00e3o, pois tamb\u00e9m se sabe que cores esperar deste saxofonista que progressivamente foi atafulhando o timbre do seu saxophone com flores e mel (quando toca a adocicar, Manfred Eicher n\u00e3o perdoa &#8211; \u00e9 a perdi\u00e7\u00e3o dos diab\u00e9ticos do jazz).<br \/>\n\tPois bem, o Garbarek destas \u201cs\u00edncopes universais\u201d arrepiou caminho at\u00e9 \u00e0s antigas e mais espinhosas encruzilhadas de \u201cDis\u201d. Voltou a curvar nas esquinas. Corea domina o \u201csom ECM\u201d como se tomasse uma ch\u00e1vena de ch\u00e1 e Vitous aproveita para se mostrar como o contrabaixista ginasticado e, se a ocasi\u00e3o o justifica, nevr\u00f3tico que \u00e9. Entre todos os participantes, \u00e9 o menos conformista, num programa que junta uma \u201cfloresta de bambu, uma \u201cflor do sol\u201d, \u201cMiro bop\u201d (o quintet acorda! Vitous e DeJohnette sacodem Corea e Garbarek bopa), \u201cBeethoven\u201d e \u201condas brasileiras\u201d. Tudo bonito, tudo certo, tudo extraordinariamente bem tocado. Sem riscos. A sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica solta, no entanto, as amarras\u2026<br \/>\n\t\u201cTribute to Lester\u201d \u00e9 uma homenagem ao trompetista Lester Bowie, falecido em 1999, pelos seus antigos companheiros no Art Ensemble of Chicago. Bowie era o tipo dos \u00f3culos e da bata que punha ordem na selva e orientava os rituais pela b\u00fassola do jazz, dos gritos \u201cfree\u201d ao \u201cmardi gras\u201d de Nova Orle\u00e3es. A justa homenagem que Roscoe Mitchell, Malachi Favors e Don Moye lhe prestam funcionou como o despertar de uma longa letargia. O habitual clamor de gongos e sonoridades ex\u00f3ticas ficou mais focado, embora seja l\u00edcito questionar se o solo de flauta barroca, de Roscoe Mitchell, em \u201cSuite for Lester\u201d, \u00e9 ou n\u00e3o apenas mais uma das m\u00faltiplas \u201cboutades\u201d extrajazz que os AEC por norma incluem nas suas \u201cperformances\u201d. De resto, h\u00e1 a usual componente sul-africana, \u201cfree\u201d do melhor (\u201cAs clear as the sun\u201d, com Mitchell a uivar de dor nos agudos) e uma nova vers\u00e3o de \u201cTutankhamun\u201d, onde o solo de saxofone baixo de Mitchell poderia servir de sarc\u00f3fago para a m\u00fasica do homenageado. Mas \u00e9 na improvisa\u00e7\u00e3o coletiva final, \u201cHe speaks to me often in dreams\u201d, celebrada nos p\u00edncaros de uma montanha no Tibete, que os esp\u00edritos e os sil\u00eancios falam aos homens.<br \/>\n\tEsp\u00edrito \u00e9 o que n\u00e3o falta a Lol Coxhill, saxofonista e lun\u00e1tico. Com Coxill \u00e9 sempre Natal. Os jazzados da cabe\u00e7a que escarafuncham noutras paragens escancaram um sorriso t\u00e3o largo como o do gato das hist\u00f3rias de Alice s\u00f3 de imaginarem o desempenho delirante deste saxofonista na obra-prima do rock progressivo exc\u00eantrico dos anos 70, \u201cShooting at the Moon\u201d, de Kevin Ayers. Lol Coxhill poderia ser o chapeleiro maluco. \u201cEar of the Beholder\u201d (com uma impens\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o composta por Burton Greene, Jasper Van\u2019t Hoff, Pierre Courbois e David Bedford) \u00e9 outro \u00e1lbum do saxofonista careca que os puristas do jazz menosprezam e os loucos do Progressivo veneram.<br \/>\n\tCoxhill aparece em \u201cCoxill Street\u201d a convite do guitarrista George Burt e do saxofonista alto e soprano, Raymond MacDonald. M\u00fasica improvisada, bruta, enformada pelas angulosidades da guitarra, que Coxill aproveita para levar o saxophone soprano \u00e0 histeria e recorrer \u00e0s t\u00e9cnicas de multifonia que t\u00e3o bem domina. Toca-se com a convic\u00e7\u00e3o dos iluminados, encarcerados num mundo fechado sobre si mesmo, por\u00e9m fascinante para quem ousar abrir a porta e dar de caras com a loucura. O chapeleiro louco est\u00e1 nas suas sete quintas, claro.<br \/>\n\tAinda no campo da improvisa\u00e7\u00e3o lim\u00edtrofe, \u201cImaginings\u201d, de Frances-Marie Uitti, no violoncelo, e Jonathan Harvey, nos sintetizadores, desenvolve-se no sentido do impressionismo . \u201cExplora\u00e7\u00e3o de timbres\u201d e emprego de t\u00e9cnicas extensivas fazem parte do l\u00e9xico destes dois executantes com larga experi\u00eancia na m\u00fasica eletroac\u00fastica (Harvey trabalhou no IRCAM, a convite de Boulez), indicativos dos par\u00e2metros que subjazem \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de \u201cImaginings\u201d \u2013 painel de sons fantasmag\u00f3ricos, electr\u00f3nica residual, drones e ocasionais ruturas num \u201ccontinuum\u201d elaborado a partir de diversas linhas de tens\u00e3o\/clivagem sustentadas pelos dois m\u00fasicos. O que \u00e9 que o jazz tem que ver com tudo isto? Nada! Mas em que outro espa\u00e7o poder\u00edamos escrever sobre este disco?&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 25 Outubro 2003 Holland e Vitous. Contrabaixistas a ditar as regras do jogo do jazz. O ingl\u00eas disp\u00f5e dos melhores trunfos. Contra baixos n\u00e3o h\u00e1 argumentos DAVE HOLLAND QUINTET Extended Play ECM, distri. Dargil 9 | 10 MIROSLAV VITOUS Universal Syncopations ECM, distri. 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