{"id":7339,"date":"2019-04-08T05:17:12","date_gmt":"2019-04-08T12:17:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7339"},"modified":"2019-04-08T05:17:12","modified_gmt":"2019-04-08T12:17:12","slug":"albert-ayler-music-is-the-healing-force-of-the-universe-albert-ayler-the-copenhagen-tapes-burton-greene-quartet-burton-greene-quartet-the-vanguard-jazz-orchestra-can-i-per","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/04\/08\/albert-ayler-music-is-the-healing-force-of-the-universe-albert-ayler-the-copenhagen-tapes-burton-greene-quartet-burton-greene-quartet-the-vanguard-jazz-orchestra-can-i-per\/","title":{"rendered":"Albert Ayler &#8211; &#8220;Music Is The Healing Force Of The Universe&#8221; + Albert Ayler &#8211; &#8220;The Copenhagen Tapes&#8221; + Burton Greene Quartet  &#8211; &#8220;Burton Greene Quartet&#8221; + The Vanguard Jazz Orchestra &#8211; &#8220;Can I Persuade You?&#8221; + Enrico Rava &#8211; &#8220;Full Of Life&#8221; + Stan Getz &#8211; &#8220;Bossas and Ballads: The Lost Sessions&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 18 Outubro 2003<\/p>\n<p>Ayler conviveu com os esp\u00edritos com a naturalidade de uma crian\u00e7a. Nele, o \u201cfree\u201d \u00e9 a vibra\u00e7\u00e3o que arde e cura.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O santo pecador<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7340\" rel=\"attachment wp-att-7340\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"277\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7340\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler.jpg 272w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler-98x100.jpg 98w\" sizes=\"auto, (max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><\/a> <\/p>\n<p>ALBERT AYLER<br \/>\nMusic is the Healing Force of the Universe<br \/>\nVerve, distri. Universal<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>ALBERT AYLER<br \/>\nThe Copenhagen Tapes<br \/>\nAyler, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>BURTON GREENE QUARTET<br \/>\nBurton Greene Quartet<br \/>\nESP, distri. Trem Azul<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>THE VANGUARD JAZZ ORCHESTRA<br \/>\nCan I Persuade you?<br \/>\nPlanet Arts, distri. Trem Azul<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>ENRICO RAVA<br \/>\nFull of Life<br \/>\nCamjazz, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>STAN GETZ<br \/>\nBossas and Ballads: the Lost Sessions<br \/>\nVerve, distri. Universal<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7341\" rel=\"attachment wp-att-7341\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler2.jpg\" alt=\"\" width=\"121\" height=\"742\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7341\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler2.jpg 121w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/ayler2-49x300.jpg 49w\" sizes=\"auto, (max-width: 121px) 100vw, 121px\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/center><\/p>\n<p>Em jazz, quando calha veicular a mensagem do misticismo, nada melhor do que p\u00f4r uma voz feminina a apregoar a boa nova. Sun Ra, por exemplo, tinha a sua pr\u00f3pria profetisa. Albert Ayler encontrou a sua em Mary Maria (o nome n\u00e3o poderia ser mais apropriado), para anunciar que \u201cvida \u00e9 m\u00fasica\u201d, \u201cm\u00fasica \u00e9 amor\u201d, etc., ou que a unidade espiritual \u00e9 um bem necess\u00e1rio. M\u00e1ximas que fazem todo o sentido. Mas n\u00e3o c\u00e1 em baixo. N\u00e3o para os que se deixam morrer, adormecer ou desistir. Um raio. E tudo se ilumina. A \u201cm\u00fasica do universo\u201d e a \u201cm\u00fasica que cura\u201d dispensam as palavras para exercerem todo o seu poder, quando o saxofone tenor de Albert Ayler entra em di\u00e1logo com as for\u00e7as do cosmos, sejam elas do c\u00e9u ou do inferno. \u201cMusic is the Healing Force of the Universe\u201d, agora dispon\u00edvel em capa de cart\u00e3o, r\u00e9plica do vinil original, \u00e9 m\u00fasica para se subir por ela. Ou descer, caso se escorregue. \u201cFree jazz\u201d em grava\u00e7\u00e3o de 1960, com Bobby Few ao piano, Henry Vestine na guitarra, Bill Folwell no baixo el\u00e9trico, Stafford James no contrabaixo, e Muhammad Ali na bateria. Ayler esvazia-se, usando o grito para atingir o sil\u00eancio, Few lan\u00e7a uma chuva de pedras, Ali enrola os despojos em folhas de metal. As melodias n\u00e3o passam de esbo\u00e7os logo abandonados para se partir em viagem de descoberta. Viagens do som (no in\u00edcio de \u201cMasonic inborn, part 1\u201d Ayler toca uma gaita-de-foles escocesa, descartando-a de quaisquer conota\u00e7\u00f5es \u201cfolk\u201d) e do esp\u00edrito, sin\u00f3nimo de fogo. Em \u201cA man is like a tree\u201d, sente-se a religiosidade que preside \u00e0 combust\u00e3o de cada nota e se \u201cOh! Love of life\u201d \u00e9 redundante no seu prop\u00f3sito, a voz infantile de \u201cIsland harvest\u201d, bem como o j\u00fabilo dionis\u00edaco do tenor, s\u00e3o a confirma\u00e7\u00e3o de que se Ayler tocou na Verdade \u00e9 porque esta apenas se d\u00e1 a conhecer, nua, aos puros de cora\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, \u00e0s crian\u00e7as. Nota \u00e0 parte: ser\u00e1 que Laurie Anderson ouviu Mary Maria a cantar neste tema, como inspira\u00e7\u00e3o para um dos temas de \u201cBig Science\u201d? Ou\u00e7am e adivinhem qual! A cura termina com um fabuloso \u201cblues\u201d, em conversa de labaredas a tr\u00eas entre o saxofone, a guitarra e o piano. Al\u00e9m dele, a paz.<br \/>\n\tAinda Ayler, desta feita numa grava\u00e7\u00e3o ao vivo de 1964, no Club Montmartre de Copenhaga. Mais \u201cSpirits\u201d, \u201cVibrations\u201d e \u201cSaints\u201d mas aqui na companhia de verdadeiros santos e esp\u00edritos irm\u00e3os, nas pessoas de Gary Peacock (contrabaixo) e Sunny Murray (bateria), ambos presentes, tr\u00eas meses antes, na obra-prima \u201cSpiritual Unity\u201d. Quem sentir difi culdades em penetrar na mina (Ayler despeda\u00e7ava a rocha para fazer sobressair o diamante) poder\u00e1 meditar nas palavras do cr\u00edtico Daniel Caux, a prop\u00f3sito de Murray e dos jogos da apanhada e das escondidas, entre o tempo e o \u201cswing\u201d: \u201co \u2018swing\u2019 for a de um tempo regular poderia parecer uma contradi\u00e7\u00e3o mas vale a pena ter em conta que os aspetos r\u00edtmicos do jazz nunca foram uma quest\u00e3o de imposi\u00e7\u00e3o de uma grelha metron\u00f3mica mas, pelo contr\u00e1rio, de o tornar \u2018vivo\u2019 atrav\u00e9s de uma liga\u00e7\u00e3o dial\u00e9ctica entre tens\u00e3o e relaxamento, rigor e liberdade\u201d. Ritmo passaria a ser ent\u00e3o, mais do que um vector matem\u00e1tico, uma \u201cvibra\u00e7\u00e3o\u201d. Ayler e os seus companheiros desfazem o compass e as notas. Ou, como se diz nas notas de capa, arrancam a pintura da parede. O que se esconde por detr\u00e1s s\u00e3o os mist\u00e9rios da alegria e da dor.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Livres de estilo<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tContinuam a resistir ao vendaval de liberdade (nalguns casos, libertinagem\u2026) que assolou o jazz nos anos 60? Complementem a dupla sess\u00e3o com Ayler com a n\u00e3o menos radical estalada de \u201cfree\u201d desferida em 1966 pelo pianist Burton Greene, na companhia, entre outros, de Marion Brown (saxofone alto) e Henry Grimes (contrabaixo). Greene fundou, com Steve Lacy, o Free Form Improvisation Ensemble, tocou com Sam Rivers, Gato Barbieri, Paul Bley, John Tchicai, William Breker e Han Bennink, e derivou, na d\u00e9cada seguinte, para experi\u00eancias que passaram pela reavalia\u00e7\u00e3o de Bartok e da m\u00fasica medieval. Mas nos \u201csixties\u201d tratava-se de demolir o j\u00e1 feito para construir o novo, fosse este o que fosse. \u201cClusters\u201d infind\u00e1veis, fraccionamentos, deflagra\u00e7\u00f5es, avalanches, explora\u00e7\u00f5es nas cordas do piano. Com tempo para uma ca\u00e7ada a criaturas mais subtis no ritual da selva impressionista, \u201cBallade II\u201d. Onde Greene desce \u00e0s camadas mais baixas do espectro sonoro, agitando o magma at\u00e9 fazer saltar dem\u00f3nios.<br \/>\n\tLimpar a lama e o medo \u00e9 o que importa agora. Entremos, pois, de cara e esp\u00edrito lavados, no campo aberto da Vanguard Jazz Orchestra, forma\u00e7\u00e3o criada em 1966 por Thad Jones e Mel Lewis, atualmente composta por quatro sec\u00e7\u00f5es lideradas, respetivamente, por Earl Gardner (trompetes), John Mosca (trombones), Dick Oatts (saxofones) e Jim McNeely (piano, sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica). Al\u00e9m de temas de Jimmy Giuffre, Bob Mintzer, Wayne Shorter e Duke Ellington, \u201cCan\u2019t Persuade You?\u201d apresenta um par de temas de Juliane Beth Cavadini (1956-1988), a quem o disco \u00e9 dedicado, cujos tra\u00e7os musicais primam por uma melancholia n\u00e3o muito diferente da que faz sonhar Carla Bley. Quanto \u00e0 orquestra, \u00e9 uma \u00e2ncora a segurar a vanguarda. Esta, obviamente, avan\u00e7a muito \u00e0 sua frente.<br \/>\n\tSigamos, pois, at\u00e9 It\u00e1lia para encontramos o trompetista Enrico Rava (por sinal, parceiro de Carla no monumental \u201cEscalator Over the Hill\u201d), numa grava\u00e7\u00e3o do ano passado, \u201cFull of Life\u201d, em quarteto com Javier Girotto (saxes soprano e bar\u00edtono), Fabrizio Sferra (bateria) e Ares Tavolazzi (contrabaixo), m\u00fasico de que alguns se recordar\u00e3o da banda de jazz-rock Area. \u201cFull of Life\u201d vive da descontra\u00e7\u00e3o, dos \u201cmidtempos\u201d e de baladas que fazem justi\u00e7a ao que a compositora e orquestradora Maria Schneider declarou sobre a generalidade dos \u201cjazzmen\u201d italianos: \u201cTocam com despreocupa\u00e7\u00e3o [\u2018abandon\u2019].\u201d Ao ouvi-los em \u201cThe Surrey with the fringe on top\u201d parece, de facto, que o jazz \u00e9 uma coisa f\u00e1cil, brincadeira de crian\u00e7as, t\u00e3o natural como respirar. Quanto \u00e0 trompete de Rava, respira como uns pulm\u00f5es impregnados pela fragr\u00e2ncia de pinheiros. E como swingam, em \u201cMiss Mg\u201d, cheios de vida! E \u201cabandon\u201d\u2026<br \/>\n\tPara descontrair ainda mais, uma prenda para os incondicionais do \u201ccool\u201d e de um dos seus expoentes, Stan Getz, mestre do \u201cabandon\u201d e da eleg\u00e2ncia. \u201cBossa and Ballads: the Lost Sessions\u201d (com Kenny Barron, no piano, George Mraz, no contrabaixo, e Victor Lewis, na bateria) re\u00fane material de sess\u00f5es de 1989 destinadas \u00e0 estreia do saxofonista para a editora A&#038;M, por\u00e9m sem edi\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 data. Poder-se-ia falar, a prop\u00f3sito de Getz, no triunfo do estilo e do tratamento. \u00c9 verdade mas n\u00e3o \u00e9 toda a verdade. H\u00e1 nos seus trinados e na profundidade sedosa do timbre do seu tenor uma ternura triste e uma saudade que s\u00e3o, afinal, id\u00eantico apan\u00e1gio da bossa nova. Apenas faltar\u00e1 a estas \u201csess\u00f5es perdidas\u201d o sangue e o sal proporcionados pela voz de Jo\u00e3o Gilberto que, na m\u00edtica grava\u00e7\u00e3o de 1963, deixara o saxofonista marcado para sempre.<\/p>\n<p><em>NOTA: Por lapso, h\u00e1 duas semanas, ficou por referir que os \u00e1lbuns \u201cHot Fives &#038; Sevens\u201d de Louis Armstrong t\u00eam distribui\u00e7\u00e3o Sony Music.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 18 Outubro 2003 Ayler conviveu com os esp\u00edritos com a naturalidade de uma crian\u00e7a. Nele, o \u201cfree\u201d \u00e9 a vibra\u00e7\u00e3o que arde e cura. O santo pecador ALBERT AYLER Music is the Healing Force of the Universe Verve, distri. 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