{"id":7326,"date":"2019-04-04T11:16:44","date_gmt":"2019-04-04T18:16:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7326"},"modified":"2019-04-04T11:16:44","modified_gmt":"2019-04-04T18:16:44","slug":"ray-barretto-homage-to-art-greg-osby-st-louis-shoes-von-freeman-the-improvisor-michael-brecker-quindectet-wide-angles-jean-michel-pilc-cardinal-points-keith-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/04\/04\/ray-barretto-homage-to-art-greg-osby-st-louis-shoes-von-freeman-the-improvisor-michael-brecker-quindectet-wide-angles-jean-michel-pilc-cardinal-points-keith-ja\/","title":{"rendered":"Ray Barretto &#8211; &#8220;Homage To Art&#8221; + Greg Osby &#8211; &#8220;St. Louis Shoes&#8221; + Von Freeman &#8211; &#8220;The Improvisor&#8221; + Michael Brecker Quindectet &#8211; &#8220;Wide Angles&#8221; + Jean-Michel Pilc &#8211; &#8220;Cardinal Points&#8221; + Keith Jarrett &#8211; &#8220;Up For It&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 27 Setembro 2003<\/p>\n<p>Uma homenagem latina aos Jazz Messengers, uma viagem ao cora\u00e7\u00e3o do \u201cblues\u201d do Mississipi, fus\u00e3o com gra\u00e7a, e dois pianistas com as b\u00fassolas apontadas em dire\u00e7\u00f5es opostas cortam \u00e0s fatias o jazz desta semana.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Medir o tempo com uma b\u00fassola<\/strong><em><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7333\" rel=\"attachment wp-att-7333\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/7.jpg\" alt=\"\" width=\"441\" height=\"373\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7333\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/7.jpg 441w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/7-300x254.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/7-100x85.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>RAY BARRETTO<br \/>\nHomage to Art<br \/>\nNight Bird, distri. Multidisc<br \/>\n7 | 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7332\" rel=\"attachment wp-att-7332\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6-1.jpg\" alt=\"\" width=\"133\" height=\"123\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7332\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6-1.jpg 133w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/6-1-100x92.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 133px) 100vw, 133px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tOutra vez a m\u00e1quina. Art Blakey e os seus Jazz Messengers deixaram marcas no jazz que hoje se ouve, levando o percussionista e \u201ccongueiro\u201d de origem porto-riquenha, Ray Barretto, a agir em conformidade, homenageando a locomotiva do \u201chard-bop\u201d em \u201cHomage to Art\u201d. Influenciado pelo swing das congas de Chano Pozo, a veia latina de Barretto expressou-se tanto ao lado de Dizzy Gillespie, como de Tito Puente. \u00c0 semelhan\u00e7a dos Jazz Messengers do final dos anos 50 e de \u00e1lbuns como \u201cOrgy in Rhythm\u201d (um dos que mais impressionou Barretto), a sec\u00e7\u00e3o r\u00edtmica desta \u201cHomage\u201d conta com um regimento de percussionistas latinos. Salta um jazz ligeiro, animado e \u201csaleroso\u201d cujo alinhamento se socorre em larga medida de composi\u00e7\u00f5es de um dos homens que marcaram a sonoridade do coletivo de Blakey no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, Wayne Shorter, juntando-se-lhe uma composi\u00e7\u00e3o de outro ilustre mensageiro, Lee Morgan. Miguel Zenon, no saxofone alto (escorreito e razo\u00e1vel bopper), e John Bailey, na trompete (de notar o calor do timbre) fazem, com compet\u00eancia, as vezes daqueles dois. Jazz assim, com sorriso entrela\u00e7ado nos compassos, n\u00e3o s\u00f3 sabe, como faz bem.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>GREG OSBY<br \/>\nSt. Louis Shoes<br \/>\nBlue Note, distri. EMI-VC<br \/>\n8| 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7331\" rel=\"attachment wp-att-7331\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/5-1.jpg\" alt=\"\" width=\"122\" height=\"121\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7331\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/5-1.jpg 122w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/5-1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 122px) 100vw, 122px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tFigura de proa do coletivo M-Base, o saxofonista alto natural de St. Louis regressa aqui \u00e0s origens, numa revisita\u00e7\u00e3o inspirada do jazz de New Orleans e das \u00e1guas quentes do \u201cblues\u201d do Mississipi, constru\u00edda sobre a mem\u00f3ria dos tempos (anos 70) em que tocava at\u00e9 de madrugada em bares mal afamados, com o sustento do \u00e1lcool e swingando para jogadores clandestinos e prostitutas. \u201cSt. Louis Shoes\u201d percorre uma gama de composi\u00e7\u00f5es que abrange Duke Ellington, Charlie Parker, Thelonious Monk, Cassandra Wilson (sua companheira de armas no M-Base), Gershwin, Jack DeJohnette, Lieber, Miller &#038; Stoller e William Handy, rearranjados, segundo o saxofonista, de forma \u201cdram\u00e1tica\u201d (altera\u00e7\u00e3o das progress\u00f5es de acordes, dos tons e dos tempos, permanecendo intacto apenas o esqueleto das melodias). Osby, j\u00e1 se sabe, n\u00e3o dispensa o \u201cgroove\u201d e faz rebentar foguetes e fogo-de-artif\u00edcio numa paisagem sem fissuras. O seu alto escorre como licor por entre as trincheiras escavadas pelo piano de Harold O\u2019Neal e o baixo de Robert Hurst. Mas desta feita n\u00e3o h\u00e1 \u201crap\u201d, nem \u201cfunk\u201d, nem \u201chip hop\u201d, mas t\u00e3o-somente uma sentida viagem em dire\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o do \u201cblues.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>VON FREEMAN<br \/>\nThe Improvisor<br \/>\nPremonition, distri. Trem Azul<br \/>\n8| 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7330\" rel=\"attachment wp-att-7330\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"126\" height=\"121\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7330\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/4-1.jpg 126w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/4-1-100x96.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 126px) 100vw, 126px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tOctagen\u00e1rio, Von Freeman viveu um pouco \u00e0 sombra do seu filho, Chico Freeman, embora tenho tocado ao lado de Gillespie, Parker e Dexter Gordon. Oriundo de Chicago, \u00e9 um saxofonista tenor e uma personagem enigm\u00e1tica cuja m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil catalogar. Da entrada em solo absoluto, \u201cIf I should lose you\u201d, desprende-se um fasc\u00ednio pouco comum constru\u00eddo sobre um timbre rouco (por vezes fazendo lembrar Ornette Coleman) e um lirismo que tanto pode soar torturado, como possu\u00eddo por uma alegria ing\u00e9nua. Em grupo por\u00e9m (com Jason Moran ao piano e Mark Helias no baixo), o tempo solta-se num \u201cswing\u201d tenso, quase obsessivo. Von Freeman define o seu pr\u00f3prio estilo como \u201chardcore jazz\u201d e nele \u00e9 poss\u00edvel descortinar pontos em comum com outros saxofonistas de Chicago, como John Gilmore, Anthony Braxton, Roscoe Mitchell e Henry Threadgill, fruto do seu conv\u00edvio com a escola AACM. \u201cThe Improvisor\u201d, gravado ao vivo h\u00e1 dois anos em Chicago, permite compreender as raz\u00f5es por que, apesar de pouco conhecida, a m\u00fasica de Von Freeman serve de est\u00edmulo a um n\u00famero crescente de novos m\u00fasicos. H\u00e1 nela uma vitalidade que dispensa o artif\u00edcio. Von Freeman toca como se estivesse a falar.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>MICHAEL BRECKER QUINDECTET<br \/>\nWide Angles<br \/>\nVerve, distri. Universal<br \/>\n8| 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7329\" rel=\"attachment wp-att-7329\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"130\" height=\"127\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7329\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-1.jpg 130w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/3-1-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 130px) 100vw, 130px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tEste, confessamos, conseguiu surpreender-nos pela positiva. Nunca morremos de amores pelas fus\u00f5es confecionadas em banho-maria no \u201cmainstream\u201d deste saxofonista, cujo ineg\u00e1vel talento nem sempre esteve ao servi\u00e7o das causas mais nobres. Brecker foi membro fundador dos Steps Ahead, uma das bandas com maior sucesso comercial dos anos 80, o que de pouco valer\u00e1, se compararmos a maior parte dos grupos de fus\u00e3o desta d\u00e9cada com as inova\u00e7\u00f5es e o arrojo do \u201cjazz rock\u201d que, na anterior, soube relan\u00e7ar os dados lan\u00e7ados por Miles Davis em \u201cIn a Silent Way\u201d e \u201cBitches Brew\u201d. Desta vez, por\u00e9m, a m\u00fasica recupera uma dignidade e uma solidez de constru\u00e7\u00e3o de que a atual m\u00fasica de fus\u00e3o anda, por regra, afastada. Brecker dirige uma \u201cbig band\u201d de 15 elementos e n\u00e3o desperdi\u00e7a a oportunidade para se revelar, al\u00e9m do saxofonista de costela coltraniana (embora sem a preocupa\u00e7\u00e3o de atirar o jazz para esferas inating\u00edveis) que \u00e9, um surpreendente arquiteto e arranjador, capaz de fazer saltar da cartola solu\u00e7\u00f5es harm\u00f3nicas e r\u00edtmicas surpreendentes, como acontece em \u201cCool day in hell\u201d, nos M-basianos \u201cBrexterity\u201d e \u201cSoylla\u201d (com Brecker arrasador) ou na balada \u201cAngle of repose\u201d, onde se faz prova de que, afinal, \u00e9 poss\u00edvel pintar um quadro com tintas comerciais diferente de um postal ilustrado. Michael Brecker abriu o compasso e os ouvidos. A verdade \u00e9 que \u201cWide Angles\u201d faz renascer no reino da fus\u00e3o a esperan\u00e7a de que o jazz continue a ser a for\u00e7a-motriz. Um \u201ccl\u00e1ssico menor\u201d do g\u00e9nero.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>JEAN-MICHEL PILC<br \/>\nCardinal Points<br \/>\nDreyfus, distri. Megam\u00fasica<br \/>\n6| 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7328\" rel=\"attachment wp-att-7328\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"132\" height=\"124\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7328\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/2-1.jpg 132w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/2-1-100x94.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 132px) 100vw, 132px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tO novo \u201ccool\u201d, mesclado de \u201cThird Stream\u201d, a\u00ed est\u00e1, bem implantado em terras gaulesas. Jean-Michel Pilc \u00e9 um pianista que decalcou topografias v\u00e1rias, de Bill Evans em mangas de camisa ao traje de gala de Jarrett, mantendo as arestas mais ou menos agu\u00e7adas e atafulhando a gaveta com prendas modernistas (palmas, assobios, concretismos). Sam Newsome, no saxofone soprano, d\u00e1 mostras de pouca imagina\u00e7\u00e3o, mas a combina\u00e7\u00e3o da bateria de Ari Hoenig com as percuss\u00f5es de Abdou M\u2019Boup cumpre com efic\u00e1cia a moagem de \u201ccroissants\u201d amassados com a farinha da abstra\u00e7\u00e3o. O \u201ctour de force\u201d final, uma sonata em quatro partes, retorna ao cl\u00e1ssico formato piano\/baixo\/bateria e faz girar a b\u00fassola de \u201cCardinal Points\u201d no sentido de uma demonstra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tanto de virtuosismo, como de cultura pian\u00edstica de Pilc. Mas este \u00e9 um jazz desprovido de emo\u00e7\u00f5es em tempo real que parece contemplar o horizonte em busca do chamamento que n\u00e3o vem. Intelig\u00eancia e calculismo redundam, regra geral, em frio. \u201cCardinal Points\u201d transporta-nos para a Ant\u00e1rtida.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>KEITH JARRETT<br \/>\nUp for it<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n7| 10<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7327\" rel=\"attachment wp-att-7327\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"126\" height=\"127\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7327\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/1-1.jpg 126w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/1-1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 126px) 100vw, 126px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tNas notas de apresenta\u00e7\u00e3o escritas pouco tempo antes de os EUA invadirem o Iraque. Keith Jarrett faz notar \u201ca falta de poesia\u201d que afeta o mundo de hoje, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para \u201ca alegria e a transcend\u00eancia\u201d e \u201caspirar a coisas grandiosas parece ser uma coisa do passado\u201d: \u201cImita\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo o que sabemos, \u2018marketing\u2019 \u00e9 tudo o que vemos.\u201d Se em anteriores ocasi\u00f5es Keith Jarrett procurou alcan\u00e7ar essas \u201ccoisas grandiosas\u201d e a transcend\u00eancia atrav\u00e9s da grandiloqu\u00eancia, a presente grava\u00e7\u00e3o ao vivo, em Juan-les-Pins, Fran\u00e7a, com Gary Peacock e Jack DeJohnette (quando se completam 20 anos sobre a sua primeira grava\u00e7\u00e3o juntos, \u201cStandards, Vol.1\u201d), aponta na dire\u00e7\u00e3o oposta e obriga-nos a olhar para dentro. Apesar do dia do concerto apresentar condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas p\u00e9ssimas e a disposi\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos n\u00e3o ser a melhor (os tr\u00eas recuperavam de doen\u00e7as ou de acidentes), o \u201csatori\u201d (instante de revela\u00e7\u00e3o) aconteceu, mal o interc\u00e2mbio instrumental e espiritual se estabeleceu. \u201cEntr\u00e1mos de imediato na \u2018zona\u2019\u201d, recorda o pianista. Essa \u2018zona\u2019, como a de \u201cStalker\u201d, repleta de armadilhas, mas dando acesso ao mais precioso dos tesouros, \u00e9 aqui percorrida pelo trio numa comunica\u00e7\u00e3o quase telep\u00e1tica. Infelizmente, por\u00e9m, o tempo tem duas medidas. Entre esse instante de revela\u00e7\u00e3o original e a sua posterior reprodu\u00e7\u00e3o digital ergue-se a barreira que separa a verticalidade do primeiro momento e a horizontalidade do segundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 27 Setembro 2003 Uma homenagem latina aos Jazz Messengers, uma viagem ao cora\u00e7\u00e3o do \u201cblues\u201d do Mississipi, fus\u00e3o com gra\u00e7a, e dois pianistas com as b\u00fassolas apontadas em dire\u00e7\u00f5es opostas cortam \u00e0s fatias o jazz desta semana. 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