{"id":7314,"date":"2019-03-29T07:32:00","date_gmt":"2019-03-29T14:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7314"},"modified":"2019-03-29T07:32:00","modified_gmt":"2019-03-29T14:32:00","slug":"improvisors-pool-backgrounds-for-improvisors-hans-ulrik-steve-swallow-jonas-johansen-trio-ahmad-jamal-in-search-of-momentum-1-10-buster-williams-quartet-lost-in-a-memo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/03\/29\/improvisors-pool-backgrounds-for-improvisors-hans-ulrik-steve-swallow-jonas-johansen-trio-ahmad-jamal-in-search-of-momentum-1-10-buster-williams-quartet-lost-in-a-memo\/","title":{"rendered":"Improvisors Pool &#8211; &#8220;Backgrounds For Improvisors&#8221; + Hans Ulrik, Steve Swallow, Jonas Johansen  &#8211; &#8220;Trio&#8221; + Ahmad Jamal &#8211; &#8220;In Search Of Momentum (1-10)&#8221; + Buster Williams Quartet &#8211; &#8220;Lost In A Memory&#8221; + Angelica Sanchez &#8211; &#8220;Mirror Me&#8221; + Jason Moran &#8211; &#8220;The Bandwagon&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 6 Setembro 2003<\/p>\n<p>O calor do sol volta a apertar neste final do Ver\u00e3o. O do jazz, idem. O piano de<strong> Ahmad Jamal<\/strong> queima. O de <strong>Angelica Sanchez <\/strong>refresca. E o de <strong>Jason Moran<\/strong> exibe-se. Um mergulho na piscina da improvisa\u00e7\u00e3o pode ser uma boa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>Improvisa\u00e7\u00e3o a banhos na piscina<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7315\" rel=\"attachment wp-att-7315\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr.jpg\" alt=\"\" width=\"287\" height=\"239\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7315\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr.jpg 287w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr-100x83.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 287px) 100vw, 287px\" \/><\/a><\/p>\n<p>IMPROVISORS POOL<br \/>\nBackgrounds for Improvisors<br \/>\nFMP, distri. Trem Azul<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>HANS ULRIK, STEVE SWALLOW, JONAS JOHANSEN<br \/>\nTrio<br \/>\nStunt, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>AHMAD JAMAL<br \/>\nIn Search of Momentum (1-10)<br \/>\nDreyfus, distri. Megam\u00fasica<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>BUSTER WILLIAMS QUARTET<br \/>\nLost in a Memory<br \/>\nAGB, distri. Dargil<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>ANGELICA SANCHEZ<br \/>\nMirror me<br \/>\nOmnitone, distri. Trem Azul<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>JASON MORAN<br \/>\nThe Bandwagon<br \/>\nBlue Note, distri. EMI-VC<br \/>\n7 | 10<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7316\" rel=\"attachment wp-att-7316\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr2.jpg\" alt=\"\" width=\"122\" height=\"804\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7316\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr2.jpg 122w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sr2-15x100.jpg 15w\" sizes=\"auto, (max-width: 122px) 100vw, 122px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Quem se dispuser a mergulhar na piscina da improvisa\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o saiba nadar, dever\u00e1 averiguar em primeiro lugar se tem ou n\u00e3o tem p\u00e9. \u00c9 que n\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de afogamento de incautos bem intencionados mas pouco previdentes. Nem dos que se esmagaram contra o fundo da piscina por n\u00e3o terem reparado que estava vazia. A Improvisors Pool \u00e9 uma piscina de jazz alem\u00e3 criada em Berlim em 1992 na sequ\u00eancia de uma s\u00e9rie de aulas lecionadas por Alexander von Schlippenbach a uma classe de alunos da Hochschule der K\u00fcnste (\u201cescola de arte\u201d), interessada no estudo e na interpreta\u00e7\u00e3o de obras do pianista, compositor, arranjador e fundador, nos anos 60, da Globe Unity Orchestra. A rela\u00e7\u00e3o entre composi\u00e7\u00e3o e improvisa\u00e7\u00e3o esteve desde o in\u00edcio no centro das aten\u00e7\u00f5es desta orquestra de \u201cfree jazz\u201d. Sabe-se, ou h\u00e1 quem saiba, que quanto mais s\u00f3lida \u00e9 a arquitetura de uma pe\u00e7a musical, mais liberdade \u00e9 concedida a um bom improvisador. Isto mesmo defende o saxofonista Sam Rivers, convidado do grupo, quando afirma que \u201ca good jazz composition creates a framework for the improvisation\u201d e que \u201cgiven the strenght of their rhythmical moment, the themes can actually propel the improviser\u201d. Sete composi\u00e7\u00f5es servem para demonstrar a validade deste princ\u00edpio que levou o saxofonista a subintitular a presente grava\u00e7\u00e3o de 1995 \u201cBackgrounds for Improvisors\u201d. Sam Rivers \u00e9 um m\u00fasico\/improvisador que durante d\u00e9cadas viveu fora \u2013 ou antes \u2013 do seu tempo e, mesmo aos 71 anos, foi dif\u00edcil ao coletivo de jovens m\u00fasicos alem\u00e3es assimilarem a liberdade de discurso e os seus modos de articula\u00e7\u00e3o com uma banda de maiores dimens\u00f5es. Rivers \u00e9 o vision\u00e1rio para quem o tempo nunca \u00e9 linear (algo que ter\u00e1 apreendido com Cecil Taylor) mas mat\u00e9ria subjetiva de e em distens\u00e3o cont\u00ednua, como se pode comprovar pela composi\u00e7\u00e3o de 29 minutos, da sua autoria, aqui inclu\u00edda, \u201cBackground\u201d, onde a m\u00e9trica se alarga atrav\u00e9s da multiplica\u00e7\u00e3o pelos quatro saxofonistas da Pool. Schlippenbach limpa a piscina de detritos, renova a \u00e1gua e faz as contas para que no final tudo bata certo (o solo de piano que jorra a meio do tema \u00e9 um teste \u00e0 resist\u00eancia e economia dos materiais de constru\u00e7\u00e3o). Sem afogamentos nem inunda\u00e7\u00f5es. Com ou sem boia, vale a pena lan\u00e7armo-nos nos remoinhos e correntes destes \u201cBackgrounds for Improvisors\u201d, um banho estimulante de arrojo e criatividade.<br \/>\n\tMais domesticada mas n\u00e3o menos possu\u00edda pela energia \u00e9 a m\u00fasica de \u201cTrio\u201d, com Hans Ulrik, nos saxofones soprano e tenor, Steve Swallow, no baixo el\u00e9trico, e Jonas Johansen, bateria e pandeiro. Bastaria o prazer de reescutar o \u201cdrive\u201d de um dos mestres do baixo el\u00e9trico, Steve Swallow, para recomendar a audi\u00e7\u00e3o. Swallow mostra-se impar\u00e1vel, desenhando com insuper\u00e1vel clareza incessantes motivos r\u00edtmicos e mel\u00f3dicos que Ulrik aproveita da melhor maneira para colocar por cima os timbres, roucos e quentes, e os fraseados, por vezes de cepa rollinsoniana, dos seus sopros. Jazz de grande solidez, assente na tradi\u00e7\u00e3o, imbu\u00eddo de urg\u00eancia e da explora\u00e7\u00e3o de novas ideias.<br \/>\n\tQuem n\u00e3o se pode queixar de falta de energia e de capacidade de \u201cataque\u201d \u00e9 o veterano pianista (72 anos) Ahmad Jamal, na lideran\u00e7a de outro trio, no caso formado por Idris Muhammad (bateria) e James Camack (baixo), em \u201cIn Search of Momentum (1-10)\u201d. O modo como o pianista \u201cataca\u201d as notas e articula acordes e harpejos no tema de abertura indicia inquieta\u00e7\u00e3o e o desejo de \u201cfalar alto\u201d, arrancando de cada sequ\u00eancia de notas principalmente as suas potencialidades r\u00edtmicas. N\u00e3o h\u00e1 sombras, nem manchas nem nevoeiros impressionistas, mas a vontade de exprimir com m\u00e1xima clareza as \u201cnuances\u201d da inspira\u00e7\u00e3o. Nem a ternura de \u201cI\u2019ve never been in love before\u201d resiste ao clamor dos \u201cclusters\u201d.<br \/>\n\tMiles Davis, os Jazz Messengers e McCoy Tyner fazem parte do curr\u00edculo do contrabaixista e compositor Buster Williams. E Herbie Hancock, com quem colaborou, nos anos 70, em tr\u00eas obras importantes deste pianista, \u201cMwandishi\u201d, \u201cCrossings\u201d e \u201cSextant\u201d. \u201cLost in a Memory\u201d apresenta-o em quarteto com o vibrafonista Stefon Harris, a pianista Geri Allen e o baterista Lenny White. Em equil\u00edbrio \u201centre a disciplina e a criatividade\u201d, a escrita e o aproveitamento do instante, Buster assina a maioria das composi\u00e7\u00f5es num registo pr\u00f3ximo do \u201chard bop\u201d, apoiado nas linhas de \u201cwalking bass\u201d que caracterizam o seu estilo. O piano de Geri Allen e o vibrafone de Stefon Harris (regra geral, com a caixa de resson\u00e2ncia aberta ao m\u00e1ximo) conferem colorido t\u00edmbrico e delicadeza a um \u00e1lbum marcado pela compet\u00eancia mas que s\u00f3 teria a ganhar com um pouco mais de arrojo. A balada \u201cDeja\u201d, dedicada a um neto, e \u201cI thought about you\u201d, em andamento inicial de valsa, vers\u00e3o de um tema anteriormente tocado por Miles Davis (aten\u00e7\u00e3o ao swingante solo de vibrafone), s\u00e3o genuinamente tocantes, enquanto \u201cWhy should I pretend\u201d, estreia de Buster como vocalista, n\u00e3o resistiu a socorrer-se do mela\u00e7o de cordas sint\u00e9ticas para acentuar os gemidos de solid\u00e3o de um cora\u00e7\u00e3o partido.<br \/>\n\tCome\u00e7ar por ouvir Elton John e Boy George poder\u00e1 n\u00e3o ser o melhor caminho de aprendizagem para um pianista de jazz. Mas foi assim que aconteceu com Angelica Sanchez, jovem de ascend\u00eancia mexicana cujo primeiro instrumento foi o clarinete. Seguiram-se as audi\u00e7\u00f5es de Tito Puente, Willie Bobo, Dave Brubeck, os Modern Jazz Quartet e o Miles de \u201cMiles Smiles\u201d. No fim, aproveitou tudo para desenvolver um estilo discreto de execu\u00e7\u00e3o e uma aus\u00eancia de preconceitos que lhe permitem tocar tanto a m\u00fasica sacra de Olivier Messiaen como a \u201ccountry\u201d de Merle Haggard ou fazer a reconvers\u00e3o de um velho \u201cboogie pop\u201d dos T. Rex. \u201cMirror me\u201d, por\u00e9m, \u00e9 jazz ao mais alto n\u00edvel, tendo a pianista criado, \u00e0 semelhan\u00e7a dos Improvisors Pool, uma s\u00e9rie de \u201cenvironments\u201d dirigidos \u00e0 criatividade dos solistas, aspeto que tanto confirma o excecional talento do algo menosprezado Michael Formanek, no baixo, como revela um not\u00e1vel saxofonista tenor e improvisador, na pessoa de Tony Malaby. O seu di\u00e1logo, terno e ferrugento, com a conjun\u00e7\u00e3o de metal e \u00e1gua da pianista, no t\u00edtulo-tema, \u00e9 um dos pontos altos e de maior extravag\u00e2ncia de \u201cMirror Me\u201d.<br \/>\n\t\u00c9, a par de Matthew Shipp e Uri Caine, um dos pianistas da moda. Chama-se Jason Moran, \u201cnasceu\u201d com o grupo de Greg Osby e tenta aproveitar da forma que mais lhe conv\u00e9m a onda que lhe \u00e9 favor\u00e1vel. No novo \u201cThe Bandwagon\u201d, gravado ao vivo no Village Vanguard, tendo a secund\u00e1-lo Tarus Mateen, no baixo, e Nasheet, na bateria, Jason d\u00e1 \u201cshow\u201d. De t\u00e9cnica, bem entendido. E de \u201cmusical awareness\u201d, como deixa a entender a inclus\u00e3o de um \u201cIntermezzo, op.118, no.2\u201d, de Brahms, capaz de colocar o rapaz na mesma fila do conservat\u00f3rio de Keith Jarrett mas, infelizmente, desfeito por um despropositado acompanhamento de baixo \u201c\u00f3-pra-mim-como-sou-r\u00e1pido\u201d. \u201cRinging my phone\u201d aposta no un\u00edssono piano\/voz e nas onomatopeias, \u201cOut front\u201d \u00e9 bom trabalho a tr\u00eas e \u201cGentle shifts south\u201d um inusitado mon\u00f3logo. Neste, como noutros temas, Jason \u201cscata\u201d alto e bom som sobre as notas do piano mas a precipita\u00e7\u00e3o de m\u00fasica sem a preocupa\u00e7\u00e3o de exibir um estilo moderno e abrangente chega, paradoxalmente, com \u201cPlanet rock\u201d, repleto de cita\u00e7\u00f5es, incluindo \u201cTrans Europe Express\u201d, dos\u2026 Kraftwerk! Tudo se transforma. A vivacidade, a sensibilidade, a entrega e o humor d\u00e3o a m\u00e3o \u00e0s m\u00e3os e \u2013 \u201chelas\u201d \u2013 Jason Moran, esquecendo-se de o publicitar, mostra que \u00e9 mesmo um grande pianista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 6 Setembro 2003 O calor do sol volta a apertar neste final do Ver\u00e3o. O do jazz, idem. O piano de Ahmad Jamal queima. O de Angelica Sanchez refresca. E o de Jason Moran exibe-se. 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