{"id":7291,"date":"2019-03-18T07:51:42","date_gmt":"2019-03-18T14:51:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7291"},"modified":"2019-03-18T07:51:42","modified_gmt":"2019-03-18T14:51:42","slug":"gianluigi-trovesi-ottetto-fugace-spring-heel-jack-live-the-tradition-trio-tone-akosh-s-unit-vetek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/03\/18\/gianluigi-trovesi-ottetto-fugace-spring-heel-jack-live-the-tradition-trio-tone-akosh-s-unit-vetek\/","title":{"rendered":"Gianluigi Trovesi Ottetto &#8211; &#8220;Fugace&#8221; + Spring Heel Jack  &#8211; &#8220;Live&#8221; + The Tradition Trio &#8211; &#8220;Tone&#8221; + Akosh S. Unit &#8211; &#8220;Vetek&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 19 Julho 2003<\/p>\n<p><em>Trovesi, Spring Heel Jack, The Tradition Trio e Akosh S. Unit <\/em>fazem-nos acreditar que a m\u00fasica de fus\u00e3o pode n\u00e3o ser, afinal de contas, o epit\u00e1fio do jazz. Que nos perdoem os puristas, mas o futuro passa por aqui.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7292\" rel=\"attachment wp-att-7292\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/shj.jpg\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"306\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7292\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/shj.jpg 642w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/shj-300x143.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/shj-624x297.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/shj-100x48.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>\u2018What have they done to the blues, ma?\u2019<\/strong><\/p>\n<p><strong>GIANLUIGI TROVESI OTTETTO<br \/>\nFugace<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>SPRING HEEL JACK<br \/>\nLive<br \/>\nThirsty Ear.<br \/>\nDistri. Trem Azul<br \/>\n10 | 10<\/p>\n<p>THE TRADITION TRIO<br \/>\nTone<br \/>\nFMP, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>AKOSH S. UNIT<br \/>\nVetek<br \/>\nEd. e distri. Universal<br \/>\n9 | 10<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7293\" rel=\"attachment wp-att-7293\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tt.jpg\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"555\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7293\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tt.jpg 140w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tt-76x300.jpg 76w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/tt-25x100.jpg 25w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/center><br \/>\nO mundo musical de Gianluigi Trovesi nem sempre \u00e9 o mundo do jazz, como j\u00e1 o haviam demonstrado \u00e1lbuns anteriores deste poli-instrumentista natural de Bergamo, como \u201cLes Hommes Arm\u00e9s\u201d ou o espetacular menu de luxo para \u201cbig band\u201d, \u201cDedalo\u201d. Ou pelo menos, do jazz enquanto recapitula\u00e7\u00e3o, recria\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que nasceu e, provavelmente, morrer\u00e1 com os \u201cblues\u201d. E, no entanto, algo se move ainda, como se o \u201cswing\u201d fizesse afinal parte de toda a m\u00fasica onde bate um cora\u00e7\u00e3o humano.<br \/>\n\t\u201cFugace\u201d \u00e9, por si s\u00f3, um mundo. A m\u00fasica de baile italiana do p\u00f3s-guerra, reminisc\u00eancias do boogie-woogie e do jazz de Dixieland, o swing de Benny Goodman, cita\u00e7\u00f5es de Louis Armstrong, mas tamb\u00e9m Scarlati, Duffay e Bartok, mais eletr\u00f3nica em intricados rendilhados, combinam-se numa s\u00edntese absolutamente original que se desfruta como a vis\u00e3o de um vasto e \u00e9pico \u201cwestern spaghetti\u201d em Cinemascope e som Sensaround. Tal qual o caudal de uma imagina\u00e7\u00e3o rigorosamente conhecedora da hist\u00f3ria do jazz \u2013 de \u201cNew Orleans\u201d ao \u201cfree\u201d \u2013, da m\u00fasica cl\u00e1ssica e contempor\u00e2nea, mas tamb\u00e9m das formas etnogr\u00e1ficas da m\u00fasica \u00e1rabe e africana, \u201cFugace\u201d muda impercetivelmente de registo, fluindo como um fascinante caleidosc\u00f3pio de sons que recriam o pr\u00f3prio movimento do universo. Depois, h\u00e1 neste disco algo que come\u00e7a a cortar \u00e0s fatias o fundamentalismo: Se \u201cMinneapolis\u201d, \u00e1lbum novo de Michel Portal, inclui uma faixa de hip-hop, \u201cFugace\u201d n\u00e3o lhe fica atr\u00e1s e envereda pelo drum \u2018n\u2019 bass, em \u201cClumsy dancing of the fat bird\u201d e pelo&#8230; rock, pesado em \u201cBlues and West\u201d, e progressivo, em \u201cSiparietto II\u201d (ser\u00e3o os Gryphon?). Trovesi faz com que tudo pare\u00e7a apropriado e natural.<br \/>\n\tQuem j\u00e1 havia pregado um valente susto aos puristas do jazz foram os Spring Heel Jack, com \u201cAmassed\u201d, sobretudo pela proje\u00e7\u00e3o que este disco atingiu nos centros de difus\u00e3o de m\u00fasica alternativa (o anterior, \u201cMasses\u201d, j\u00e1 lan\u00e7ara as sementes da revolu\u00e7\u00e3o). Em \u201cLive\u201d, registo ao vivo no Corn Exchange, Brighton, em Janeiro deste ano, a dupla exilada do drum \u2018n\u2019 bass, John Coxon e Ashley Wales, reincide com o mesmo bando de \u201cmalfeitores\u201d (Han Bennink, Evan Parker, William Parker, Matthew Shipp e J. Spaceman) em duas longas improvisa\u00e7\u00f5es, respetivamente de 35 e 39 minutos, que projetam a m\u00fasica de \u201cAmassed\u201d numa verdadeira selva de criaturas mutantes. O que em \u201cAmassed\u201d surpreendia pelo lado estrutural explode aqui num espetacular \u201ctour de force\u201d de jazz multidimensional e org\u00e2nico onde a raiva, a intelig\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas. \u00c9 como se a \u201cfree music\u201d dos anos 60 decidisse que o futuro lhe volta a pertencer, pegando nas descobertas do passado, arrancando retalhos do Sun Ra gal\u00e1ctico e do Miles das fus\u00f5es el\u00e9tricas, para com elas encetar nova viagem, ainda mais rica e arriscada, com t\u00e9rmino num longo e majestoso \u201cfade out\u201d, marcha f\u00fanebre pelo jazz. O que significa que os Spring Heel Jack voltam a reescrever a hist\u00f3ria.<br \/>\n\tIgualmente incontorn\u00e1vel \u00e9 \u201cTone\u201d, dos The Tradition Trio, formado por tr\u00eas nomes paradigm\u00e1ticos da m\u00fasica improvisada: o veterano Alan Silva (sintetizador, tocou com Ayler, Cecil Tayler, Sun Ra, Shepp, Globe Unity Orchestra, etc.), Johannes Bauer (trombone, estar\u00e1 em Portugal no festival Jazz em Agosto, com os Doppelmoppel) e Roger Turner (bateria e percuss\u00e3o). Gravado ao vivo no Free Music Festival de Antu\u00e9rpia, em 2001, \u201cTone\u201d desenrola-se ao longo de uma faixa \u00fanica de 51 minutos (e ainda h\u00e1 quem se queixe do rock progressivo!&#8230;) que glosa o conceito \u201cin the tradition\u201d (\u201cTradition: the handing down of statements, beliefs, legends, customs, etc, from generation to generation, esp. by word of mouth or by pratice\u201d). A constru\u00e7\u00e3o de Babel dos Spring Heel Jack n\u00e3o anda longe, ainda que a dimens\u00e3o \u201cc\u00f3smica\u201d esteja aqui mais condensada e subjugada aos c\u00f3digos de alguma m\u00fasica improvisada de cariz eletr\u00f3nico e tribal, como a dos pioneiros MEV (Musica Elettronica Viva). A aparente e prevalecente sensa\u00e7\u00e3o de del\u00edrio que atravessa uma audi\u00e7\u00e3o mais superficial n\u00e3o escamoteia o facto de estarmos perante um intenso trabalho de comunica\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o coletiva que, em certos momentos, consegue ser exaltante, nomeadamente quando Silva enche as crateras vazias com oceanos de sons sintetizados dentro e sobre os quais o trombone de Bauer experimenta os limites do \u201cfree\u201d e da m\u00fasica contempor\u00e2nea, entre m\u00fasicos referenciais como Albert Mangelsdorff, Paul Rutherford ou Vinko Glonbokar, divertindo-se a tentar escapar dos labirintos montados por Turner.<br \/>\n\tAinda alucinados pelas emana\u00e7\u00f5es dos Spring Heel Jack e dos The Tradition Trio \u00e9 j\u00e1 com naturalidade que aceitamos encarar de frente o r\u00e9ptil que nos olha, vindo das trevas, a cuspir sangue na capa de \u201cVetek\u201d, terceiro e \u00faltimo cap\u00edtulo de uma trilogia do saxofonista e multi-instrumentista h\u00fangaro Akosh Szelev\u00e9nyl, sucedendo aos anteriores \u201cKebelen\u201d e \u201cLenne\u201d.<br \/>\n\tComo solista, nos saxofones soprano e tenor e no clarinete de metal, Akosh insere-se sem desconforto na linhagem da escola francesa de Michel Portal e Louis Sclavis. A seu lado encontramos Joe Doherty (violino, saxofone alto e clarinete baixo), Bernard Malandain (baixo) e Philippe Foch (bateria, percuss\u00e3o, tablas), mais os convidados Nicolas Guillemet (saxofones alto e soprano) e Mokhtar Choumane (ney).<br \/>\n\tAssumindo como influ\u00eancias Archie Shepp, Albert Ayler, John Coltrane, Pharoah Sanders, Ornette Coleman, Don Cherry, Sun Ra e Charlie Haden (embora o m\u00fasico h\u00fangaro fa\u00e7a tamb\u00e9m quest\u00e3o em nomear Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Frank Zappa, Prince e Krzystof Pendereczki), a m\u00fasica de \u201cVetek\u201d descobre na conflu\u00eancia desta lista de nomes o gosto pelas m\u00fasicas do mundo (n\u00e3o no sentido de exotismo folcl\u00f3rico com que habitualmente \u00e9 conotado mas de acordo com a vis\u00e3o de uma s\u00edntese planet\u00e1ria constru\u00edda sobre ra\u00edzes comuns mas plurifacetada nas suas ramifica\u00e7\u00f5es) em que o jazz \u2013 n\u00e3o se sabe ainda se inevitavelmente ou n\u00e3o \u2013 desemboca quando atinge e ultrapassa as fronteiras impostas pelos seus pr\u00f3prios c\u00e2nones.<br \/>\n\t\u201cVetek\u201d rasteja e amontoa tens\u00f5es e cl\u00edmaxes, profana os templos zen de Stephan Micus e Steve Shehan, acolhe o grito nas florestas cerimoniais de Boris Kovak (de \u201cRitual Nova\u201d) para finalmente, num tema de antologia, \u201cPatak\u201d, rejubilar na tradi\u00e7\u00e3o e espalhar a felicidade e o \u00eaxtase. O r\u00e9ptil cospe, afinal, uma flor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 19 Julho 2003 Trovesi, Spring Heel Jack, The Tradition Trio e Akosh S. Unit fazem-nos acreditar que a m\u00fasica de fus\u00e3o pode n\u00e3o ser, afinal de contas, o epit\u00e1fio do jazz. 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