{"id":7267,"date":"2019-03-01T09:00:37","date_gmt":"2019-03-01T16:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7267"},"modified":"2019-03-01T09:00:37","modified_gmt":"2019-03-01T16:00:37","slug":"peter-brotzmann-live-at-nefertiti-peter-brotzmann-aoyama-crows-anthony-braxton-this-time-anthony-braxton-four-compositions-gtm-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/03\/01\/peter-brotzmann-live-at-nefertiti-peter-brotzmann-aoyama-crows-anthony-braxton-this-time-anthony-braxton-four-compositions-gtm-2000\/","title":{"rendered":"Peter Br\u00f6tzmann &#8211; &#8220;Live At Nefertiti&#8221; + Peter Br\u00f6tzmann &#8211; &#8220;Aoyama Crows&#8221; + Anthony Braxton &#8211; &#8220;This Time\u2026&#8221; + Anthony Braxton &#8211; &#8220;Four Compositions (GTM) 2000&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 250;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"250x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 5 Julho 2003<\/p>\n<p><em>Peter Br\u00f6tzmann <\/em>lan\u00e7a chamas. <em>Anthony Braxton<\/em> usa r\u00e9gua e compasso. Qualquer deles representa o lado mais incandescente da \u201cfree music\u201d atual.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Quando eles tocam as pessoas ouvem<\/p>\n<p>Peter Br\u00f6tzmann<br \/>\nLive at Nefertiti<br \/>\nAyler, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Peter Br\u00f6tzmann<br \/>\nAoyama Crows<br \/>\nFMP, distri. Multidisc<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>Anthony Braxton<br \/>\nThis Time\u2026<br \/>\nSunspots, distri. Trem Azul<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>Anthony Braxton<br \/>\nFour Compositions (GTM) 2000<br \/>\nDelmark, distri. Multidisc<br \/>\n8 | 10<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7268\" rel=\"attachment wp-att-7268\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pb.jpg\" alt=\"\" width=\"134\" height=\"552\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7268\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pb.jpg 134w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pb-73x300.jpg 73w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/pb-24x100.jpg 24w\" sizes=\"auto, (max-width: 134px) 100vw, 134px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nImagine o leitor\/auditor que o sentam confortavelmente numa poltrona instalada na penumbra de um t\u00fanel, para ouvir jazz, com um cachimbo ao lado pronto para umas baforadas e umas pantufas fofas para cal\u00e7ar. De s\u00fabito sente uma ventania varrer-lhe o corpo e o esp\u00edrito, cai da poltrona e verifica que o t\u00fanel \u00e9, afinal, o interior de uma turbina. O vendaval \u00e9 de som e prov\u00e9m de um saxofone. No redemoinho de ar ainda apanha com uma aresta de cart\u00e3o na testa (o contacto com o jazz pode ser doloroso). Apenas tem tempo de agarrar na capa do digipak e de ler um nome: Peter Br\u00f6tzmann. Assim avisado, sorri e compreende. Amarra a poltrona ao ch\u00e3o, senta-se de novo e absorve com prazer a torrente sonora que brota do tenor deste m\u00fasico alem\u00e3o que levou a linguagem do \u201cfree\u201d ao paroxismo da respira\u00e7\u00e3o e do fogo.<br \/>\n\tCom mais calma l\u00ea o t\u00edtulo: \u201cLive at Nefertiti\u201d. Foi gravado no clube sueco com este nome, em 1999, em improvisa\u00e7\u00e3o total com o baixo el\u00e9trico do dinamarqu\u00eas Peter Friis Nielsen e a bateria do sueco Peeter Uuskyla (ex-sideman de Cecil Taylor), ambos pertencentes ao grupo Biigi Vinkeloe Trio, repetindo a forma\u00e7\u00e3o de \u201cNoise of Wings\u201d. O jorro do saxofone, do clarinete e do taragato \u00e9 impar\u00e1vel, o timbre do tenor emana centelhas de Albert Ayler (\u201cNidhog 4\u201d \u00e9 absolutamente ayleriano) e, a suportar a onda, o baixo do dinamarqu\u00eas revela-se surpreendentemente fluido e macio, a par de uma bateria em constante trabalho solista. Assim, leitor, n\u00e3o oponha resist\u00eancia, deleite-se na corrente, soletre as notas e entre em sintonia com o f\u00f4lego de modo a sentir a adrenalina de conduzir um F\u00f3rmula 1.<br \/>\n\t\u201cAyoama Crows\u201d, com os Die Like Dog Quartet \u2013 William Parker (contrabaixo), Toshinori Kondo (trompete, eletr\u00f3nica) e Hamid Drake (bateria) \u2013 em bora igualmente abrasivo da parte do autor de \u201cMachine Gun\u201d, revela por\u00e9m uma abordagem diferente do coletivo, com o trompetista japon\u00eas a entrar em di\u00e1logos contrapont\u00edsticos de alta velocidade e Parker e Drake a dominarem e a dividirem o tempo com outra complexidade. Kondo confere mesmo ao som do \u201censemble\u201d, registado ao vivo tamb\u00e9m em 1999, no \u201cTotal Music Meeting\u201d de Berlim, as tonalidades \u201cfunk\u201d que lhe s\u00e3o caracter\u00edsticas, evocando por vezes uma outra banda de Br\u00f6tzmann, os Last Exit. A evoca\u00e7\u00e3o de Albert Ayler encontra-se uma vez mais patente neste trabalho de extensas composi\u00e7\u00f5es, verdadeiro mural de jazz cubista representativo do melhor que a \u201cfree music\u201d atual tem para oferecer.<br \/>\n\tAnthony Braxton oferece outro tipo de viol\u00eancia. A do desconhecido. Em mais um pacote de miniaturas da Sunspots, o saxofonista ressurge numa grava\u00e7\u00e3o de 1970, \u201cThis Time\u2026\u201d, com Leo Smith (trompete, sirenes, buzinas, etc), Leroy Jenkins (violino, viola, flauta, \u00f3rg\u00e3o, etc) \u2013 os tr\u00eas tocam juntos, mais a eletr\u00f3nica de Richard Teitelbaum, no fabuloso \u201cSilence\/Time Zones\u201d \u2013 e Steve McCall (bateria, darbouka, percuss\u00f5es). Braxton toca a habitual parafern\u00e1lia de sopros mas tamb\u00e9m uma \u201csound machine\u201d e sinos. Entre a m\u00fasica concreta e o ritual xam\u00e2nico dos Art Ensemble of Chicago (tudo o que emite som provoca m\u00fasica), \u201cComposition n\u00ba1\u201d \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do \u201cfree\u201d na sua vertente mais multidirecional, criando uma infinidade de espa\u00e7os e arquiteturas, etnografias urbanas desenhadas com tubos, fios, ferragens, ventoinhas, cornetas, martelo e pregos, agulhas e tintas de todas as cores, umas vezes bem, outras mal misturadas. J\u00e1 as \u201cSmall Compositions\u201d, numeradas de 1 a 5, mostram o lado mais conceptual, \u201cext\u00e1tico\u201d e \u201cgeom\u00e9trico\u201d do m\u00fasico de Chicago.<br \/>\n\tUm salto de 33 anos leva-nos at\u00e9 \u201cFour Compositions (GTM) 2000\u201d, n\u00fameros 242 a 245, vers\u00e3o em quarteto do original de 1969, \u201cFor Alto\u201d, para saxofone alto solo, com Kevin Uehlinger (piano, mel\u00f3dica), Keith Witty (baixo com arco) e Noam Scahtaz (percuss\u00e3o), enquanto Braxton se socorre da gama de saxofones que vai do soprano ao contrabaixo. Fria, em compara\u00e7\u00e3o com \u201cThis Time\u2026\u201d ou com a combust\u00e3o de Peter Br\u00f6tzmann, esta \u201cGhost Trance Music\u201d, como o compositor lhe chama, est\u00e1 pr\u00f3xima de algum jazz de c\u00e2mara representado pela editora Recommended, indo facilmente ao encontro do gosto dos que apreciam bandas como os Henry Cow (de \u201cWestern Culture\u201d), Univers Zero ou Motor Totemist Guild. Em qualquer caso confirmando, como dizia o outro, que \u201cquando Anthony Braxton toca, as pessoas ouvem\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 5 Julho 2003 Peter Br\u00f6tzmann lan\u00e7a chamas. Anthony Braxton usa r\u00e9gua e compasso. Qualquer deles representa o lado mais incandescente da \u201cfree music\u201d atual. Quando eles tocam as pessoas ouvem Peter Br\u00f6tzmann Live at Nefertiti Ayler, distri. 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