{"id":7260,"date":"2019-02-25T06:59:19","date_gmt":"2019-02-25T13:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7260"},"modified":"2019-02-25T06:59:19","modified_gmt":"2019-02-25T13:59:19","slug":"ben-webster-soulville-bill-evans-alone-chick-corea-rendezvous-in-new-york-shirley-horn-may-the-music-never-end-ella-fitzgerald-louis-armastrong-again","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/02\/25\/ben-webster-soulville-bill-evans-alone-chick-corea-rendezvous-in-new-york-shirley-horn-may-the-music-never-end-ella-fitzgerald-louis-armastrong-again\/","title":{"rendered":"Ben Webster &#8211; &#8220;Soulville&#8221; + Bill Evans &#8211; &#8220;Alone&#8221; + Chick Corea &#8211; &#8220;Rendezvous In New York&#8221; + Shirley Horn &#8211; &#8220;May The Music Never End&#8221; + Ella Fitzgerald &#038; Louis Armastrong  &#8211; &#8220;Again&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 28 Junho 2003<\/p>\n<p>O amor e a solid\u00e3o, nos seus mais diversos cambiantes, foram tocados e cantados pelos mestres. Bill Evans, Ben Webster, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong disseram-nos que podem ser felizes.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O amor feliz<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7261\" rel=\"attachment wp-att-7261\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/e.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"325\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7261\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/e.jpg 487w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/e-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/e-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 487px) 100vw, 487px\" \/><\/a><br \/>\nElla Fitzgerald                            Louis Armstrong<\/p>\n<p>BEN WEBSTER<br \/>\nSoulville<br \/>\nVerve<br \/>\n10 | 10<\/p>\n<p>BILL EVANS<br \/>\nAlone<br \/>\nVerve<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>CHICK COREA<br \/>\nRendezvous in New York<br \/>\n2xCD Stretch<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>SHIRLEY HORN<br \/>\nMay the Music never End<br \/>\nVerve<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>ELLA FITZGERALD &#038; LOUIS ARMSTRONG<br \/>\nAgain<br \/>\n2xCD Verve<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>                             Todos distri. Universal<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7262\" rel=\"attachment wp-att-7262\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/f.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"718\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7262\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/f.jpg 191w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/f-80x300.jpg 80w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/f-27x100.jpg 27w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\nSeis meses antes de Bill Evans, Oscar Peterson abrira o caminho, com uma sess\u00e3o de piano em solo absoluto, algo que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o fazia parte das tradi\u00e7\u00f5es mais comuns do jazz. Com \u201cAlone\u201d, de 1968, o autor de \u201cWaltz for Debby\u201d procurou atingir a \u201csensa\u00e7\u00e3o do absoluto no ato de tocar sozinho\u201d. Provavelmente atingiu-a. Para tr\u00e1s ficara, como confessou, o medo e a impress\u00e3o que sempre tivera, de que sempre que um pianista tocava sem acompanhamento as pessoas n\u00e3o prestavam aten\u00e7\u00e3o e se entretinham a beber, a comer (se num bar) ou a conversar. \u201cM\u00fasica para jantar\u201d n\u00e3o \u00e9 certamente o caso de \u201cAlone\u201d, um \u00e1lbum cuja delicadeza e nostalgia, habituais em Evans, a par das figuras de estilo e da eleg\u00e2ncia das modula\u00e7\u00f5es harm\u00f3nicas, se sustentam numa s\u00f3lida arquitetura matem\u00e1tica, menos intuitiva e bastante mais racional do que seria de supor, sendo o pr\u00f3prio pianista a acentuar a import\u00e2ncia da estrutura e do \u201cratio\u201d matem\u00e1tico. Rigor que n\u00e3o impede, antes liberta, o fluxo musical que, no formato t\u00edpico do trio com contrabaixo e bateria, se confina a regras bastante mais r\u00edgidas. Claro que haver\u00e1 sempre algu\u00e9m disposto a utilizar esta m\u00fasica como fundo musical para a degusta\u00e7\u00e3o de um bife (embora, na nossa opini\u00e3o, ela ligue melhor com peixe fresco) o que, afinal, at\u00e9 se poder\u00e1 considerar como um complemento daquele estado de \u201cr\u00eaverie\u201d que a m\u00fasica de Bill Evans tende a provocar no auditor. Embora seja l\u00edcito duvidar de que os 14 minutos e as constantes oscila\u00e7\u00f5es de registo de \u201cNever let me go\u201d possam constituir um bom auxiliar da digest\u00e3o. Ao alinhamento original, a presente reedi\u00e7\u00e3o remasterizada adiciona seis \u201ctakes\u201d alternativos. \u201cAlone\u201d transporta-nos para a nossa pr\u00f3pria solid\u00e3o.<br \/>\n\tSer\u00e1 portanto aconselh\u00e1vel contrabalan\u00e7ar tal estado com outros menos acabrunhantes. O novo de Chick Corea, \u201cRendezvous in New York\u201d, duplo CD gravado no formato de Super Audio CD com recurso ao DSD, tecnologia que recorre a \u201csoftware\u201d Pyramix (garantia de um som piramidal) associado aos processadores Pentium da nova gera\u00e7\u00e3o, serve \u00e0s mil maravilhas este prop\u00f3sito. Gravado ao vivo no Blue Note de Nova Iorque em Dezembro de 2001, os dois discos oferecem um \u201cdigest\u201d, em v\u00e1rias combina\u00e7\u00f5es, do pianista, que v\u00e3o do \u201cconcerto\u201d cl\u00e1ssico ao \u201cfree jazz\u201d, com pouco espa\u00e7o para a fus\u00e3o.<br \/>\n\tNo primeiro CD Corea aparece em duo com Bobby McFerrin, num triplo n\u00famero de malabarismos vocais, em trio com Roy Haynes e Miroslav Vitous (na \u201cMatrix\u201d de \u201cNow he Sings, Now he Sobs\u201d, aqui recenseado recentemente), com Haynes, Joshua Redman, Terence Blanchard e Christian McBride (numa mnem\u00f3nica da banda de Bud Powell que \u00e9 o grande momento deste trabalho), em duo com o vibrafonista Gary Burton (recuperando o m\u00e1gico \u201cCrystal silence\u201d gravado para a ECM) e com a sua Akoustic Band, num \u201cBessie\u2019s blues\u201d solto na tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tDo \u201coutro lado\u201d, de novo a Akoustic Band, mais \u201cArmando\u2019s tango\u201d, tanguero q.b. mas n\u00e3o tanguista, na companhia dos Origin (Avishai Cohen, Jeff Ballard, Steve Wilson, Steve Davis e Tim Garland). Clarinetes quentes. Movimentos mel\u00f3dicos ainda mais. Not\u00e1vel o \u201cConcierto de Aranjuez\u201d, di\u00e1logo de pianos com Gonzalo Rubalcaba, que \u201criffa\u201d com raro vigor nas m\u00e3os esquerdas do \u201chard bop\u201d e se constr\u00f3i em plena comunh\u00e3o.<br \/>\n\tNo pacote das remasteriza\u00e7\u00f5es da Verve, dois cl\u00e1ssicos, ambos de 1957. O primeiro chama-se \u201cSoulville\u201d e tem a assinatura de um dos maiores mestres de todos os tempos do saxofone tenor, Bem Webster. A balada de \u201cblues\u201d de abertura revela-se um daqueles momentos de luz absoluta que qualquer amante de jazz deve utilizar para converter os descrentes ao jazz. O saxofone fala diretamente ao cora\u00e7\u00e3o (porque sai diretamente dele), respira no nosso peito, obriga-nos a enfrentar, sem defesas, a pr\u00f3pria ess\u00eancia do \u201cblues\u201d e a penetrarmos nela. Sensualidade \u00e9 a ideia que estamos a tentar fazer passar. Com a presen\u00e7a, n\u00e3o menos sublime, do piano de Oscar Peterson \u2013 o esp\u00edrito. \u201cLate date\u201d sua a sexo puro. O lado mais rugoso e l\u00fabrico do tenor segundo Webster num enlace em que o piano acerta na certeza de que o \u201cblues\u201d \u00e9 o balan\u00e7o perfeito. Quem se deixa apanhar, ou se casa ou se vicia. Quem sabe escutar os conselhos do pai do jazz tem a sabedoria do seu lado. E que dizer de \u201cLover, come back to me\u201d ou \u201cWhere are you?\u201d? N\u00e3o h\u00e1 quem resista \u00e0 for\u00e7a e ternura desta sedu\u00e7\u00e3o, abra\u00e7o tr\u00e9mulo, jazz do continente interior. Tenor-amor. Sensa\u00e7\u00e3o em estado puro, sem intermedi\u00e1rios. \u201cSoulville\u201d, podendo ser saboreado por todos os que retiram do jazz o sumo, faz transbordar (e chorar) de felicidade o epicurista para quem a m\u00fasica \u00e9 o n\u00e9ctar oferecido pelos deuses. \u201cMakin\u2019 whoopee\u201d. \u00c9 o que apetece fazer.<br \/>\n\tO outro cl\u00e1ssico, do mesmo ano de 1957, tamb\u00e9m tem a ver com quem sabia lidar com a felicidade, o que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil: Ella Fitzgerald e Louis Armstrong juntaram-se em \u201cAgain\u201d, depois de um primeiro encontro em \u201cElla and Louis\u201d. Ou, como algu\u00e9m comentou, \u201ca match made in heaven\u201d. \u201cMakin\u2019 whoppee\u201d, de novo, claro, volta a entrar no alinhamento, instando-nos a fazer o mesmo. O grupo de m\u00fasicos \u00e9 praticamente igual ao de \u201cSoulville\u201d: Oscar Peterson (piano), Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (baixo). S\u00f3 o baterista \u00e9 diferente, Louis Bellson, em vez de Stan Levey. Encontramo-nos com o patrim\u00f3nio da balada na sua vertente mais l\u00fadica. Ella e Louis cantam com a inoc\u00eancia (curioso verificar como o registo vocal de Armstrong foi moldado por Tom Waits na forma das cabe\u00e7as que fecham de dia mas est\u00e3o abertas toda a noite&#8230;) pr\u00f3pria de quem n\u00e3o chegou a morder a ma\u00e7\u00e3 dada por Eva a Ad\u00e3o, mas mesmo assim guarda a sabedoria, \u201cstandards\u201d como \u201cDon\u2019t be that way\u201d, \u201cStompin\u2019 at the Savoy\u201d, \u201cThese foolish things\u201d, \u201cLove is here to stay\u201d ou \u201cI get a kick out of you\u201d. Ella n\u00e3o esconde nada, embora cada uma das notas que canta seja uma li\u00e7\u00e3o de vida. Dele, Louis, \u201cSatchmo\u201d n\u00e3o conseguimos desligar a voz do sorriso. \u201cComes love\u201d soa como algo que se desaprendeu de ouvir dizer e de dizer ao outro.  Ella sabia-o. Ele sabia-o. E quando os ouvimos, sabemos tamb\u00e9m, milagrosamente, que o amor nem sempre vem para magoar.<br \/>\n\tMas quando magoa, pode matar. Di-lo outra cantora de que n\u00e3o se pode desviar. Shirley Horn, de regresso com um novo disco, \u201cMay the Music never End\u201d. Escutar no momento errado a sua vers\u00e3o de \u201cNe me quitte pas\u201d, de Jacques Brel, na adapta\u00e7\u00e3o inglesa, \u201cIf you go away\u201d, \u00e9 sufi ciente para fazer o Ver\u00e3o terminar prematuramente. Shirley canta como uma contadora de hist\u00f3rias, estendendo o tempo, sempre lento, como um tapete \u00e0s palavras, t\u00e3o cantadas como declamadas. Roy Hargrove (trompete) e Ahmad Jamal (piano) s\u00e3o os convidados especiais desta cole\u00e7\u00e3o de \u201ctorch songs\u201d, t\u00e3o suaves que deixam no ar a esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 28 Junho 2003 O amor e a solid\u00e3o, nos seus mais diversos cambiantes, foram tocados e cantados pelos mestres. Bill Evans, Ben Webster, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong disseram-nos que podem ser felizes. 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