{"id":7247,"date":"2019-02-18T08:52:47","date_gmt":"2019-02-18T15:52:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7247"},"modified":"2019-02-19T07:45:34","modified_gmt":"2019-02-19T14:45:34","slug":"chick-corea-now-he-sings-now-he-sobs-chick-corea-the-complete-is-sessions","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/02\/18\/chick-corea-now-he-sings-now-he-sobs-chick-corea-the-complete-is-sessions\/","title":{"rendered":"Chick Corea &#8211; &#8220;Now He Sings, Now He Sobs&#8221; + Chick Corea &#8211; &#8220;The Complete &#8216;Is&#8217; Sessions&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 14 Junho 2003<\/p>\n<p>Na antec\u00e2mara do \u201cjazz rock\u201d, Chick Corea montou um jogo de ilus\u00f5es onde a realidade do jazz n\u00e3o \u00e9 o que parece. E afirmou e estendeu os seus limites quando toda uma gera\u00e7\u00e3o se ligava \u00e0 eletricidade.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>CHICK COREA<br \/>\nNow He Sings, Now He Sobs<br \/>\n8 | 10<br \/>\nThe Complete \u201cIs\u201d Sessions<br \/>\n2xCD<br \/>\n9 | 10<br \/>\nBlue Note, distri. EMI-VC<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7248\" rel=\"attachment wp-att-7248\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chick.jpg\" alt=\"\" width=\"644\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7248\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chick.jpg 644w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chick-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chick-624x392.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/chick-100x63.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 644px) 100vw, 644px\" \/><\/a><br \/>\nChick na Matrix<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nPianista de m\u00faltiplas facetas \u2014 do \u201clatin jazz\u201d ao free jazz, do \u201ccool\u201d ao \u201chard bop\u201d, da m\u00fasica brasileira e das espanholadas ao jazz rock, passando pelo tecido impressionista e a improvisa\u00e7\u00e3o, Chick Corea tem sido uma esp\u00e9cie de \u201crival\u201d de Keith Jarrett, inclusive no bigode.<br \/>\n\tO homem que em meados dos anos 60 substituiu Horace Silver no quinteto de Blue Mitchell, no Ver\u00e3o do Amor de 1967 marcou presen\u00e7a no quarteto de Stan Getz e, dois anos mais tarde, entrou para o quadro de honra de \u201cIn a Silent way\u201d, de Miles Davis (tirando o lugar a Herbie Hancock), \u00e9 o mesmo homem que, j\u00e1 na d\u00e9cada de 70, cedeu ao sol e aos aromas de maresia da m\u00fasica brasileira (com os Return to Forever), cometeu o pecado do funk e da fus\u00e3o (se \u201cRomantic Warrior\u201d e \u201cThe Leprechaun\u201d s\u00e3o queridos mesmo dos apreciadores de rock progressivo, j\u00e1 coisas como \u201cMy Spanish Heart\u201d e \u201cMusic Magic\u201d s\u00e3o pastilhadas dificilmente trag\u00e1veis&#8230;) e, finalmente, sacudiu o rock do capote, redescobrindo na ECM e na GRP a luz e os prazeres do jazz.<br \/>\n\tMas, em 1968, o jazz corria ainda como jazz, embora as correntes de energia do rock estivessem prestes a infiltrar-se. \u201cNow He Sings, Now he Sobs\u201d, lan\u00e7ado nesse ano pelo pianista em trio com Miroslav Vitous, no baixo, e Roy Haynes, na bateria, \u00e9 um cl\u00e1ssico coreano. Ao contr\u00e1rio do vinilo, com selo Solid State, com apenas cinco faixas, a presente reedi\u00e7\u00e3o em CD re\u00fane a totalidade dos 13 temas da sess\u00e3o original. Em remasteriza\u00e7\u00e3o de 24-bits.<br \/>\n\tPercet\u00edvel o gosto do pianista pelas ornamenta\u00e7\u00f5es impressionistas e um fraseado onde a extrema precis\u00e3o do \u201ctouching\u201d se alia a um timbre cristalino. \u201cThe law of falling and catching up\u201d prima pelo experimentalismo, com Corea a percutir as cordas do piano e Vitous e Haynes a pulverizarem o tempo, dando sequ\u00eancia a um fabuloso \u201cSamba yantra\u201d, onde o \u201chard\u201d serve tanto o brasileirismo j\u00e1 latente nas suas conce\u00e7\u00f5es como um misticismo recorrente (outro ponto em comum com Jarrett&#8230;). \u201cFragments\u201d, em regime \u201cfree\u201d, joga com a acelera\u00e7\u00e3o, os c\u00edrculos, a secura e um fant\u00e1stico trabalho de pontua\u00e7\u00e3o de Haynes, enquanto \u201cWindows\u201d regressa \u00e0 pura sedu\u00e7\u00e3o da melodia e \u00e0s tonalidades \u201ccool\u201d. Um original de Monk, \u201cPannonica\u201d, e \u201cMy<br \/>\none and only love\u201d permitem vislumbrar por detr\u00e1s da cortina os olhares de Bud Powell, Bill Evans, Hancock e McCoy Tyner, sublimados por uma s\u00edntese vision\u00e1ria.<br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7255\" rel=\"attachment wp-att-7255\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ccorea.jpg\" alt=\"\" width=\"172\" height=\"161\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7255\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ccorea.jpg 172w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ccorea-100x94.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 172px) 100vw, 172px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><br \/>\n\t\u201cNow He Sings, Now he Sobs\u201d, no seu movimento dial\u00e9tico de aproxima\u00e7\u00e3o e distanciamento da Beleza (\u201cClinging to beauty; clinging to ugliness\u201d), apresenta ainda um curioso toque de profetismo, na faixa \u201cMatrix\u201d. \u201cO vento sopra sobre o lago\/E agita a superf\u00edcie da \u00e1gua\/Assim se manifestando os efeitos vis\u00edveis do invis\u00edvel\u201d, pode ler-se no emblema zen da capa. Oculta\u00e7\u00e3o\/desoculta\u00e7\u00e3o, realidade e apar\u00eancia. Como \u00e9 a pr\u00f3pria estrutura, toda ela ilus\u00f3ria de \u201cNow He Sings, Now He Sobs\u201d (o disco foi montado a partir de fragmentos sabiamante colados e improvisa\u00e7\u00f5es estruturadas \u201ca posteriori\u201d). \u201cMatrix\u201d que, de entre todos os temas onde o jazz se torna realidade a partir de jogos, \u00e9 o \u00fanico tema composto de forma tradicional. Corea, 30 anos antes de Neo, penetrara j\u00e1 no programa de \u201cMatrix\u201d.<br \/>\n\tIgualmente dispon\u00edveis em reedi\u00e7\u00e3o remasterizada da Blue Note est\u00e3o \u201cThe Complete \u2018Is\u2019 Sessions\u201d, gravadas em 1969 em Nova Iorque, por Corea, Woody Shaw (trompete), Hubert Laws (flauta, \u201cpiccolo\u201d), Bennie Maupin (saxofone tenor), Dave Holland (baixo), Jack DeJohnette (bateria) e Horace Arnold (bateria e percuss\u00e3o).<br \/>\n\tCorea integrava ent\u00e3o o grupo que gravou com Miles Davis o \u00e1lbum \u201cFilles de Kilimanjaro\u201d, com DeJohnette e Dave Holland. Per\u00edodo de excita\u00e7\u00e3o e descobertas. \u201cEst\u00e1vamos constantemente a for\u00e7ar, a tocar de uma maneira completamente livre, \u00e0 espera que Miles nos dissesse alguma coisa. Como n\u00e3o dizia nada, for\u00e7\u00e1vamos ainda mais.\u201d \u201cThe Complete \u2018Is\u2019 Sessions\u201d reflete esta liberdade, constituindo um complemento perfeito para a m\u00fasica da fase el\u00e9trica do trompetista. Woody Shaw j\u00e1 inoculara no pianista a adrenalina e o veneno da fus\u00e3o. Maupin delira no \u201cfree\u201d. Laws confere lirismo e floreados progressivos. Corea passa grande parte do tempo agarrado ao piano el\u00e9trico, continuando as explora\u00e7\u00f5es encetadas com Miles, a abrir caminho para a entrada em cena de grupos como os Soft Machine e Nucleus (\u201cSundance\u201d antecipa obras como \u201cThird\u201d, \u201c42 e 5\u201d, dos Softs, ou \u201cElastic Rock\u201d, da banda do trompetista Ian Carr). Miles preparava a ogiva nuclear \u201cBitches Brew\u201d. Os Lifetime de Tony Williams abriam trincheiras com arame farpado. John McLaughlin recebia instru\u00e7\u00f5es do seu guru para formar a Mahavishnu Orchestra. Wayne Shorter e Joe Zawinul tinham aprendido, ainda com Miles, os fundamentos que dariam origem aos Weather Report. Na \u00e9poca em que o \u201cjazz rock\u201d se preparava para virar o jazz do avesso, tudo se movia e transformava. Corea, curiosamente, relia os manuais do \u201chard bop\u201d e do \u201cfree\u201d, firme no meio da confus\u00e3o e excita\u00e7\u00e3o que se instalara. Quando o \u201cjazz rock\u201d o agarrou, por fim, o tempo das descobertas, o seu tempo, tinha passado. \u201cIs\u201d \u00e9, paradoxalmente, a afirma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o levada ao paroxismo e \u00e0s fronteiras de um futuro que se revelaria glorioso ou letal para todos os \u201cjazzmen\u201d que ousaram dar o passo em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 14 Junho 2003 Na antec\u00e2mara do \u201cjazz rock\u201d, Chick Corea montou um jogo de ilus\u00f5es onde a realidade do jazz n\u00e3o \u00e9 o que parece. E afirmou e estendeu os seus limites quando toda uma gera\u00e7\u00e3o se ligava \u00e0 eletricidade. 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