{"id":7214,"date":"2019-01-16T08:38:25","date_gmt":"2019-01-16T15:38:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7214"},"modified":"2019-01-16T08:38:25","modified_gmt":"2019-01-16T15:38:25","slug":"nathalie-loriers-trio-extensions-tombouctou-defoort-turner-thys-black-sound-plaza-stephan-oliva-bruno-chevillon-paul-motian-interieur-nuit-antonio-farao-far-out","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/01\/16\/nathalie-loriers-trio-extensions-tombouctou-defoort-turner-thys-black-sound-plaza-stephan-oliva-bruno-chevillon-paul-motian-interieur-nuit-antonio-farao-far-out\/","title":{"rendered":"Nathalie Loriers Trio + Extensions &#8211; &#8220;Tombouctou&#8221; + Defoort, Turner, Thys, Black &#8211; &#8220;Sound Plaza&#8221; + Stephan Oliva, Bruno Chevillon, Paul Motian &#8211; &#8220;Int\u00e9rieur Nuit&#8221; + Antonio Fara\u00f2 &#8211; &#8220;Far Out&#8221; + Tommaso\/Rava Quartet &#8211; &#8220;La Dolce Vita&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 17 Maio 2003<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Pianos do melhor jazz belga. Piano para ouvir de noite. Piano de um fara\u00f3. E um velho animat\u00f3grafo restaurado no ecr\u00e3 do presente.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Pianos<\/p>\n<p>NATHALIE LORIERS TRIO + EXTENSIONS<br \/>\nTombouctou<br \/>\nDe Werf<br \/>\n6 | 10<\/p>\n<p>DEFOORT, TURNER, THYS, BLACK<br \/>\nSound Plaza<br \/>\nDe Werf<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>STEPHAN OLIVA, BRUNO CHEVILLON, PAUL MOTIAN<br \/>\nInt\u00e9rieur Nuit<br \/>\nNight Bird<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>ANTONIO FARA\u00d2<br \/>\nFar Out<br \/>\nCamjazz<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>TOMMASO\/RAVA QUARTET<br \/>\nLa Dolce Vita<br \/>\nCamjazz<br \/>\n8 | 10<\/strong><\/p>\n<p>                                      Todos distri. Multidisc<br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7215\" rel=\"attachment wp-att-7215\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-4.jpg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"698\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7215\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-4.jpg 153w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-4-66x300.jpg 66w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-4-22x100.jpg 22w\" sizes=\"auto, (max-width: 153px) 100vw, 153px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cThe finest in Belgian Jazz\u201d, \u201co melhor do jazz belga\u201d \u00e9 o nome de afixado na frente das capas desta s\u00e9rie, composta por dez nomes, representativos do novo jazz belga, selecionados por um painel de 50 jornalistas e promotores de concertos. Todos eles com direito a grava\u00e7\u00e3o. Atr\u00e1s, s\u00e3o enumerados os diversos apoios e patroc\u00ednios, incluindo os governamentais, ao projeto.<br \/>\n\tN\u00e3o que o \u201cmelhor do jazz belga\u201d seja propriamente o melhor jazz do mundo, mas fica o exemplo do que deve ser feito para apoiar uma m\u00fasica minorit\u00e1ria, num pa\u00eds pequeno. Como a B\u00e9lgica, \u00e0 qual o jazz deve Toots Thielemans, Philip Catherine ou, o menos conhecido Ren\u00e9 Thomas.<br \/>\n\tA mais recente coqueluche do jazz belga chama-se Nathalie Loriers, pianista que ainda recentemente atuou em Portugal. \u201cTombouctou\u201d (t\u00edtulo inspirado na novela \u201cTimbuktu\u201d, de Paul Auster), apresenta-a com o seu trio habitual, aumentado pelo grupo Extensions e \u00e9 ela que assina a totalidade dos temas.<br \/>\n\tJazz bem balan\u00e7ado, elegante, delicado, fr\u00e1gil, compensa a ocasional pouca presen\u00e7a da pianista, com o vigor dos sopros de Laurent Blondiau (trompete e flisc\u00f3rnio) e Kurt van Herck (saxofones soprano e tenor). \u201cLa rivi\u00e8re du pr\u00e9sent\u201d arrisca solu\u00e7\u00f5es mais abstratas, enquanto, com sinal oposto, \u201cM\u00e9moire d\u2019\u00d4\u201d se concentra no intimismo e lirismo de frases simples mas sentidas, com Blondiau a desempenhar o papel de Chet Baker. Nas \u201cObsessions\u201d, o ataque (afago?) \u00e0s teclas liberta uma feminilidade que, no posterior desenvolvimento, se retrai numa mera disserta\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da pele. Bill Evans deu a solu\u00e7\u00e3o: No jazz de jardim s\u00f3 h\u00e1 um caminho que fa\u00e7a brotar a for\u00e7a \u2014 para dentro, escavando a terra dos sentimentos. Nathalie dan\u00e7a, com as m\u00e3os e o esp\u00edrito leves.<br \/>\n\tOutro dos escolhidos pelo painel dos \u201codd jazz journalists\u201d foi o tamb\u00e9m pianista Kris Defoort que, em \u201cSound Plaza\u201d, tem a companhia de Mark Turner (saxofone tenor), Nic Thys (contrabaixo e baixo el\u00e9trico), mais a estrela emergente da bateria, Jim Black, bem conhecido do p\u00fablico portugu\u00eas.<br \/>\n\t\u201cSound Plaza\u201d exige outra disponibilidade. Defoort comp\u00f5e e improvisa numa gama mais larga de registos que a sua compatriota, percorrendo, resolvendo e explorando escalas crom\u00e1ticas, fraseados multidimensionais, fracionando o ritmo e a melodia, oferecendo aos sopros mat\u00e9ria rica de trabalho. Como vem acontecendo com alguma frequ\u00eancia em v\u00e1rias latitudes do jazz contempor\u00e2neo, por vezes a m\u00fasica (como no t\u00edtulo-tema) recorre a f\u00f3rmulas e a uma respira\u00e7\u00e3o r\u00edtmica t\u00edpicas do p\u00f3s-jazz de Chicago, mas a energia, criada a partir de sobreposi\u00e7\u00f5es e satura\u00e7\u00f5es, situa\u00e7\u00f5es que o piano de Defoort domina como ningu\u00e9m, flui, ora com a naturalidade de um rio, ora descentrada pelos polos de tens\u00e3o criados pela percuss\u00e3o de Black, fabricante de ideias a um ritmo alarmante. \u201cSubconsciouslee\u201d, de Lee Konitz, recebe um tratamento \u00e0 altura, com o pianista e o baterista a pesquisarem no fundo, sem perder de vista a rota que Konitz tra\u00e7ara em 1949 no \u00e1lbum com este nome, ainda sob a tutela de Lennie Tristano. \u201cFloating\u201d \u00e9 um instante de suspens\u00e3o e recapitula\u00e7\u00e3o, cordas do piano percutidas, tambores Duracel e subidas e descidas do tenor em escada-rolante, logo interrompido pela divers\u00e3o, na segunda ocorr\u00eancia de \u201cBlues is on the way\u201d, com o \u201cblues\u201d teimosamente a deixar ver-se, para logo desaparecer de vista por detr\u00e1s do horizonte, com passagem para o \u201cone man show\u201d do percussionista, em \u201cSolo Jim\u201d. A finalizar, \u201cTranen\u201d faz a homenagem a Coltrane, um dos m\u00fasicos favoritos deste belga, em cuja discografia figura, de resto, o \u00e1lbum \u201cVariations on a Love Supreme\u201d. \u201cSound Plaza\u201d \u00e9 como banda desenhada \u2014 uma m\u00fasica fracionada numa sucess\u00e3o de quadros, onomatopeias e epis\u00f3dios rocambolescos. E nisto, como se sabe, os belgas s\u00e3o bons.<br \/>\n\tOs franceses, idem. Mas \u201cInt\u00e9rieur Nuit\u201d do trio do pianista Stephan Oliva, com Bruno Chevillon (baixo) e Paul Motian (bateria), a mesma forma\u00e7\u00e3o que h\u00e1 tr\u00eas anos j\u00e1 fizera \u201cFantasm\u201d, \u00e9 literatura de outro quilate.<br \/>\n\tM\u00fasico de forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, disc\u00edpulo de Eric Watson, Oliva dispensa fronteiras e balizas, embora se possa detetar nele alguns excessos de formalismo. Sozinho, o piano sofre uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel pela m\u00fasica contempor\u00e2nea e por uma abordagem \u201cconcreta\u201d do instrumento. Mas est\u00e3o l\u00e1 Chevillon e, sobretudo Motian (autor da maioria dos temas) a segur\u00e1-lo e a manter o balan\u00e7o, num \u00e1lbum de estudos, esquissos e cosmologias incompletas, por vezes dif\u00edcil de acompanhar mas inesgot\u00e1vel nas propostas nele contidas. Os admiradores de Paul Bley, por exemplo, saber\u00e3o apreci\u00e1-lo devidamente.<br \/>\n\t\u201cFar out\u201d, do pianista italiano Antonio Fara\u00f2, devolve as cores do jazz de Nova Iorque, pela simples raz\u00e3o de o seu principal parceiro se chamar Bob Berg, not\u00e1vel tenorista. Dois homens do Leste fecham a forma\u00e7\u00e3o: Martin Gjakonovski (baixo) e Dejan Terzic (bateria). Nada de novo resulta desta inusitada geografia humana, mas \u00e9 bom voltar, uma vez mais, ao ber\u00e7o. Ao local de todos os imagin\u00e1rios, onde as baladas solit\u00e1rias se cruzam com o \u201chard bop\u201d e a luz do Mediterr\u00e2neo alterna com a dos sem\u00e1foros da 5\u00aa Avenida. Quanto a Fara\u00f2, diz sobre ele Herbie Hancock que \u201cn\u00e3o \u00e9 somente um bom pianista, mas um grande pianista\u201d. Se \u201cWalking with my soul\u201d e \u201cSimple\u201d s\u00e3o sufi cientes para lhe dar raz\u00e3o \u00e9, contudo, Berg quem \u201crouba o show\u201d.<br \/>\n\t\u201cLa Dolce Vita\u201d, de Tommaso\/Rava Quartet, \u00e9 um tratado de nostalgia sobre bandas sonoras de cl\u00e1ssicos do cinema italiano. \u201cMovie-ing jazz\u201d atrav\u00e9s do qual o contrabaixista italiano Giovanni Tommaso refaz n\u00e3o s\u00f3 antigas afinidades com a m\u00fasica de Nino Rotta para \u201cLa Dolce Vita\u201d, como estende o seu amor a \u201cPerfume de Mulher\u201d de Dino Risi, \u201cA Aventura\u201d, de Antonioni, ou \u201cIl Prato\u201d, de Paolo e Vittorio Taviani, entre outros filmes, e \u00e0s respetivas partituras com assinatura de Armando Trovaioli, Giovanni Fusco e Ennio Morricone, com um \u201cSonho de Hitchcock\u201d, de Enrico Rava, pelo meio.<br \/>\n\tJazz para se ver. Ver o que ficou de um tempo feito de outras imagens e sons inventados dentro de outro tempo. Em crian\u00e7a, Tommaso apreciava acima de todos, T\u00f3t\u00f3 e Stan Laurel, de cujas perip\u00e9cias se enchia nas \u201cmatin\u00e9es\u201d do Cinema Nazionale de Lucca. Mas foi com Rotta e \u201cLa Dolce Vita\u201d que reconheceu, e se reconheceu, nas \u201catmosferas\u201d, \u201cmovimentos\u201d e \u201ccircunst\u00e2ncias\u201d de um \u201cpassado indifi n\u00edvel\u201d a que, neste \u00e1lbum, procura dar de novo vida. A este \u201cMovieing jazz\u201d apenas se pode e deve responder com igual devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 17 Maio 2003 Pianos do melhor jazz belga. Piano para ouvir de noite. Piano de um fara\u00f3. E um velho animat\u00f3grafo restaurado no ecr\u00e3 do presente. 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