{"id":7197,"date":"2019-01-10T12:54:07","date_gmt":"2019-01-10T19:54:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7197"},"modified":"2019-01-10T12:54:07","modified_gmt":"2019-01-10T19:54:07","slug":"nina-simone-nina-simone-1933-2003-a-indomavel-nina-simone-rainha-da-musica-negra-artigo-de-opiniao-obituario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/01\/10\/nina-simone-nina-simone-1933-2003-a-indomavel-nina-simone-rainha-da-musica-negra-artigo-de-opiniao-obituario\/","title":{"rendered":"Nina Simone &#8211; &#8220;Nina Simone (1933-2003)&#8221; \/  &#8220;A indom\u00e1vel&#8221;  \/ &#8220;Nina Simone, rainha da m\u00fasica negra&#8221; (artigo de opini\u00e3o \/ obitu\u00e1rio)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> artigo de opini\u00e3o)<br \/>\nquarta-feira, 23 Abril 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Nina Simone (1933-2003)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>A indom\u00e1vel<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7198\" rel=\"attachment wp-att-7198\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/NS.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"528\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7198\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/NS.jpg 409w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/NS-232x300.jpg 232w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/NS-77x100.jpg 77w\" sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><\/a><br \/>\nNina Simone, rainha da m\u00fasica negra<br \/>\n<\/center><br \/>\nSacerdotisa da \u201csoul\u201d e do \u201cgospel\u201d, cantora de jazz, int\u00e9rprete de Brel, Nina Simone foi acima de tudo uma voz do tamanho do mundo que lutou contra os preconceitos. Musicais e raciais. Encontrou-se a si pr\u00f3pria a s\u00f3s com um piano. Morreu na segunda-feira<\/p>\n<p>Amada e odiada. Quase sempre incompreendida. Nina Simone esteve sempre \u00e0 margem de onde queriam que estivesse. E quando a encontravam, mudava de lugar. O jazz olhou-a de soslaio. A pop condescendeu em aceit\u00e1-la. N\u00e3o foi nem uma cantora de jazz nem uma cantora pop. Foi uma cantora. Morreu na segunda-feira, aos 70 anos, em casa, em Carry-le-Rouet, nos arredores de Marselha, e o corpo vai ser cremado na sexta-feira, no cemit\u00e9rio de Saint-Pierre, na mesma cidade.<br \/>\n\t\u201cSe tiver que ser chamada alguma coisa\u201d \u2013 escreveu na autobiografia \u201cI Put a Spell on You\u201d, de 1991 \u2013 \u201cque seja cantora folk, porque houve mais folk e blues do que jazz na minha m\u00fasica\u201d.<br \/>\n\t\u201cI put a spell on you\u201d, tamb\u00e9m a emblem\u00e1tica can\u00e7\u00e3o de Screamin\u2019 Jay Hawkins, e que integrou no seu report\u00f3rio, define na perfei\u00e7\u00e3o a sua atitude perante a m\u00fasica e os que a ouviam. Folk era gospel na sua indom\u00e1vel voz de contralto de vagabunda entre o c\u00e9u e o inferno. E gospel \u00e9 \u201cGod\u201d e \u201cspell\u201d, Deus e feiti\u00e7o.<br \/>\n\tNina Simone lan\u00e7ou um feiti\u00e7o, uma maldi\u00e7\u00e3o. Impacientava-se e exigia dos outros o que muitas vezes n\u00e3o exigia de si. Uma entrevista mal conduzida, um ru\u00eddo entre a assist\u00eancia, eram suficientes para a exasperar. Como consequ\u00eancia, e de acordo com o efeito de retorno que \u00e9 uma das principais leis da magia, foi paga na mesma moeda: a sua m\u00fasica leva, por sua vez, alguns ouvintes ao desespero.<br \/>\n\tHouve, sem d\u00favida, ced\u00eancias e falhas na gest\u00e3o da sua carreira. De gosto e de coer\u00eancia. Que se perdoam. Nina Simone era uma for\u00e7a da Natureza, um grito gutural num momento, uma ora\u00e7\u00e3o rezada em segredo, no outro. \u00c9 dif\u00edcil descobrir o centro do ciclone, o ponto onde o orgulho e a revolta, a vis\u00e3o e o caos, o grito e o sil\u00eancio nela se reconciliaram em obra de arte. Mas ele existe e assombranos e essa obra tem nome: \u201cNina Simone and the Piano!\u201d, \u00e1lbum de 1969, reeditado pela primeira vez em CD, em vers\u00e3o remasterizada, pela RCA, no ano passado, e considerado pela cr\u00edtica de jazz nacional como uma das reedi\u00e7\u00f5es do ano.<br \/>\n\t\u201cNina Simone and the Piano!\u201d apresenta a cantora e compositora no formato mais despojado e intenso que \u00e9 poss\u00edvel desejar. Voz e piano, energia e disciplina, por uma vez unem-se com a finalidade de nos fazer estremecer. \u00c9 um \u00e1lbum de gospel e de blues, de p\u00e9riplos solit\u00e1rios, de ascese e queda. Para alguns soar\u00e1 como o seu \u00e1lbum mais incompreens\u00edvel, porque absolutamente criado no interior de uma esp\u00e9cie de universo paralelo onde as emo\u00e7\u00f5es e o instinto se casam segundo uma l\u00f3gica indecifr\u00e1vel pela raz\u00e3o. Mas esse \u00e9 precisamente o caminho que n\u00e3o se deve seguir para dar com a m\u00fasica de Nina Simone. Pelo contr\u00e1rio, se nos abandonarmos ao vento (\u201cWild is the Wind\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de um dos seus \u00e1lbuns), \u00e0 \u00e1gua e ao fogo, \u00e0 tempestade e \u00e0 bonan\u00e7a, a\u00ed sim, encontraremos o sentido m\u00e1gico em que todas as partes se juntam para revelar a imagem do Todo. Uma das can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, \u201cEveryone\u2019s gone to the moon\u201d, \u00e9 \u201ccrooning\u201d astral, rito de passagem de algu\u00e9m eternamente em tr\u00e2nsito, de uma sociedade injusta e desumanizada \u2013 que Nina sempre condenou \u2013 para um mundo ideal onde se diz que vivem os poetas.<br \/>\n\tNina, a n\u00f3mada, que viajou na m\u00fasica como pela vida, deixando os EUA em 1973, falida e divorciada, para habitar na Lib\u00e9ria, Barbados, Su\u00ed\u00e7a, Holanda, Inglaterra e Fran\u00e7a, onde se estabeleceu h\u00e1 oito anos, vindo a\u00ed a morrer. Nina, a \u201cjazz singer\u201d que o jazz esteve perto de condenar ao degredo. A ela que, numa entrevista, confessara: \u201cFoi sempre meu prop\u00f3sito permanecer afastada de quaisquer categorias \u2013 \u00e9 a minha liberdade. Por\u00e9m, liberdade \u00e9, para mim, a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do jazz, por isso n\u00e3o posso afirmar que n\u00e3o sou uma cantora de jazz.\u201d<br \/>\n\tNoutra can\u00e7\u00e3o de \u201cNina Simone and Piano!\u201d, \u201cWho am I?\u201d, de Leonard Bernstein, \u00e9 mostrada outra faceta, a do seu pr\u00f3prio espanto frente ao espelho, mas tamb\u00e9m a transcend\u00eancia. \u201cAcreditas na encarna\u00e7\u00e3o? J\u00e1 aqui estiveste? Tiveste essa experi\u00eancia? Ent\u00e3o dever\u00e1s questionar todas as verdades conhecidas&#8230;\u201d Foi o que ela fez.<\/p>\n<p><strong>Jovem, prendada e negra<\/strong><br \/>\nEunice Kathleen Waymon (o seu verdadeiro nome) nasceu em Tryon, Carolina do Norte, h\u00e1 70 anos. Filha de m\u00fasicos, estudou \u00f3rg\u00e3o e piano na prestigiada Juilliard School, de Nova Iorque, encetando a sua carreira como pianista em 1954, num bar-churrascaria de Atlantic City, ao mesmo tempo que assumia o nome art\u00edstico por que ficou conhecida, Nina Simone, para n\u00e3o ser descoberta pela m\u00e3e.<br \/>\n\tEntre dois churrascos e uma escala de piano, pediram-lhe, ou for\u00e7aram-na, a cantar. Nina cantou como se fosse Billie Holiday. Ou, por outras palavras, como se cantar fosse uma forma de sobreviv\u00eancia. J\u00e1 nessa altura havia quem, entretido a deglutir um bife, n\u00e3o se deixasse tocar. Nina vingava-se, carregando, ao piano, nas notas do classicismo, compondo a figura paradoxal de um piano de fraque a dan\u00e7ar com uma voz de guerreira-amazona.<br \/>\n\tEm 1957 assinou o seu primeiro contrato discogr\u00e1fico, com o selo Bethlehem, conseguindo o primeiro \u201chit\u201d com \u201cI loves you, Porgy\u201d, um tema de Gershwin extra\u00eddo do musical \u201dPorgy and Bess\u201d, dispersando a partir da\u00ed a sua extensa discografia (demasiado extensa e pouco criteriosa, bradam os porta-vozes do cepticismo) pela Colpix, Charly, Roulette, Philips, Verve, Mercury, Canyon, Carrere, Accord e RCA, entre outras editoras. \u201cNina Simone and her Friends\u201d (1957), \u201cThe Amazing Nina Simone\u201d (1959), \u201cPastel Blues\u201d (1965), \u201cI Put a Spell on you\u201d (1965), \u201cNina Simone Sings the Blues\u201d 1966), \u201cWild is the Wind\u201d (1966), \u201cSilk and Soul\u201d (1967), \u201cHigh Priestess of Soul\u201d (1966), \u201cEmergency Ward!\u201d (1973), \u201cBaltimore\u201d (1978), \u201cLive at Ronnie Scott\u2019s\u201d (1984) e \u201cA Single Woman\u201d (1993, o disco que marcou a sua reentrada no mercado norte-americano) s\u00e3o exemplos de uma cole\u00e7\u00e3o infind\u00e1vel de registos nos quais se inclui uma percentagem elevada de grava\u00e7\u00f5es ao vivo. Nina Simone actuou em Portugal, no Casino do Estoril, em Setembro de 1987.<\/p>\n<p><strong>Cantora de protesto<\/strong><br \/>\nTudo cabia nesta voz que levou talvez longe de mais o seu poder mas que deixou marcas em Aretha Franklin, Roberta Flack, Laura Nyro, Dee Dee Bridgewater, Rickie Lee Jones, Norah Jones e, surpreendentemente, Beth Gibbons, vocalista dos Portishead. De onde se depreende que a \u201dsoul\u201d girava com mais intensidade. Chamaram-lhe, ali\u00e1s, \u201cthe high priestess of soul\u201d (como o \u00e1lbum), a suma sacerdotisa<br \/>\nda \u201csoul\u201d.<br \/>\n\tGospel, blues, jazz, pop, cabar\u00e9 foram atravessados pela sua voz sem fronteiras. E a can\u00e7\u00e3o de protesto, fruto de uma aguda consci\u00eancia social e pol\u00edtica, que veiculou em can\u00e7\u00f5es como \u201cMississipi goddamn\u201d, composta em resposta ao assass\u00ednio de Medgar Evers, um advogado defensor dos direitos civis da popula\u00e7\u00e3o negra, o manifesto feminista \u201cFour women\u201d, \u201cWhy the king of love is dead\u201d, inspirada no assass\u00ednio de Martin Luther King Jr. e \u201cTo be young, gifted and black\u201d, de Simone e Weldon Irvine Jr., posteriormente interpretada por Aretha Franklin e eregida hino do \u201cblack pride\u201d norte-americano. Posi\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 levado algumas vozes cr\u00edticas, como as do jornalista nova-iorquino Whitney Balliett, a afirmar que Nina se tornara \u201cmais interessada na mensagem das suas can\u00e7\u00f5es do que na maneira de as cantar\u201d. Hollie West, do \u201cWashington Post\u201d, preferiu chamar-lhe a representante da \u201cindomabilidade humana\u201d. H\u00e1 cerca de cinco anos, interrogada sobre o estado do racismo nos EUA, Nina Simone declarou simplesmente: \u201cPior do que nunca!\u201d<br \/>\n\tNina Simone cantou George e Ira Gershwin, Richard Rodgers, Billie Holiday, Duke Ellington, Weill\/Brecht (\u201cPirate Jenny\u201d, enquanto reflex\u00e3o amarga da experi\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es negras africanas e americanas), Jacques Brel (h\u00e1 quem prefira a sua vers\u00e3o de \u201cNe me quitte pas\u201d ao original), Bob Dylan, Leonard Cohen (\u201cSuzanne\u201d), Bee Gees (\u201cTo love somebody\u201d), George Harrison (\u201cMy sweet Lord\u201d) e um tema do musical \u201dHair\u201d, \u201cAint\u2019t got no &#8211; I got life\u201d.<br \/>\n\tCantou como se o mundo fosse acabar num minuto e se recompusesse no seguinte. De certa forma foi isso que aconteceu quando uma das suas can\u00e7\u00f5es mais antigas, \u201cMy baby just cares for me\u201d, foi usada em 1987 num an\u00fancio de televis\u00e3o do perfume Chanel e se tornou um \u00eaxito.<br \/>\n\tEm \u201cNina Simone and the Piano!\u201d alberga-se ainda uma can\u00e7\u00e3o, \u201cThe desperate ones\u201d, cujos versos poderiam servir de epit\u00e1fio: \u201cThe desperate ones, they walk without a sound, the desperate ones\u201d. Os desesperados caminham sem um ru\u00eddo, os desesperados. Nina Simone disfar\u00e7ou tal facto, cantando com quanta for\u00e7a tinha.<\/p>\n<p><strong>DISCOS PARA RECORDAR NINA SIMONE<br \/>\n\u201cMy baby just cares for me\u201d<br \/>\n\u201cDon\u2019t explain\u201d<\/strong><br \/>\nEscolho duas can\u00e7\u00f5es, duas interpreta\u00e7\u00f5es fabulosas, \u201cMy baby just cares for me\u201d e \u201cDon\u2019t explain\u201d. Ao ouvi-las, penso no legado de Billie Holliday, de Sarah Vaughan, sinto uma grande afinidade com o meu universo. Sendo Nina Simone uma cantora t\u00e3o vers\u00e1til, nesses dois temas consegue estar muito pr\u00f3xima do jazz.<br \/>\n<strong>Bernardo Moreira<\/strong>, contrabaixista<\/p>\n<p><strong>\u201cNina\u2019s Choice\u201d<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma cantora que opta por cantar a partir do cora\u00e7\u00e3o, da alma, de dentro. Isso d\u00e1-lhe um carisma e verdade que passa atrav\u00e9s de tudo o que ela canta. E cantar \u00e9 isso. \u00c9-me dif\u00edcil eleger um disco. Opto por escolher um pelo t\u00edtulo, um \u00e1lbum que se chama \u201cNina\u2019s Choice\u201d, porque se a escolha \u00e9 dela certamente \u00e9 soberba.<br \/>\n<strong>Anamar<\/strong>, cantora e atriz<\/p>\n<p><strong>\u201cNina Simone and Piano!\u201d<\/strong><br \/>\nQualquer tema cantado em ingl\u00eas, desde que tenha o tempo lento em que ela era genial. Qualquer disco em que ela tamb\u00e9m toque piano. Todos v\u00e3o escolher a interpreta\u00e7\u00e3o de \u201cNe<br \/>\nme quitte pas\u201d, de Jacques Brel, uma obra genial cantada com o sotaque americano\/franc\u00eas. Como os grandes autores que s\u00e3o int\u00e9rpretes, nunca ningu\u00e9m cantou ou cantar\u00e1 como ela esta can\u00e7\u00e3o de Brel.<br \/>\n<strong>Jos\u00e9 Duarte<\/strong>, cr\u00edtico de jazz<\/p>\n<p><strong>\u201cIn Concert\/I Put a Spell on You\u201d<br \/>\n\u201cThe Very Best of Nina Simone\/Sugar in My Bowl\u201d<\/strong><br \/>\nN\u00e3o escolho tanto discos, mas antes can\u00e7\u00f5es. \u201cFeeling good\u201d foi a primeira m\u00fasica que descobri da Nina Simone. Ouvi primeiro a vers\u00e3o dos Mighty Bop e depois cheguei \u00e0 da Nina Simone, \u00e9 do CD \u201cIn Concert\/I Put a Spell on You\u201d. Fiquei completamente apaixonada. J\u00e1 fiz tr\u00eas desfiles com m\u00fasicas dela, as outras duas s\u00e3o \u201cMr. Bojangles\u201d e \u201cMy father\/dialog\u201d, do disco \u201cThe Very Best of Nina Simone\/Sugar in My Bowl\u201d.<br \/>\n<strong>Maria Gambina<\/strong>, criadora de moda<\/p>\n<p><strong>\u201cI loves you Porgy\u201d<\/strong><br \/>\nA can\u00e7\u00e3o que melhor recordo \u00e9 \u201cI loves you Porgy\u201d. Das muitas vers\u00f5es que existem do \u201cPorgy &#038; Bess\u201d, a maior de todas \u00e9 a dela. \u00c9 de uma negritude, uma declara\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a absolutamente tocante, maravilhosa. Como cantora foi uma refer\u00eancia, tinha uma voz magnificamente grave, muito emotiva. Mas as duas experi\u00eancias que tive com ela em festivais foram horrorosas \u2013 era uma pessoa insuport\u00e1vel.<br \/>\n<strong>Maria Jo\u00e3o<\/strong>, cantora<\/p>\n<p><strong>\u201cFeeling good\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cFeeling good\u201d foi uma can\u00e7\u00e3o de Nina Simone que escolhi para o [filme] \u201cJaime\u201d. Havia mais can\u00e7\u00f5es previstas, mas esta foi a \u00fanica que ficou. Eu tinha visto a imagem final com essa can\u00e7\u00e3o, o tom e a letra adequavam-se, havia uma ambiguidade na voz, algu\u00e9m a convencer-se que \u00e9 feliz. Era uma grande voz, inconfund\u00edvel.\u201d<br \/>\n<strong>Ant\u00f3nio-Pedro de Vasconcelo<\/strong>s, cineasta<\/p>\n<p><strong>\u201cThe Blues\u201d<\/strong><br \/>\nA arte de Nina Simone \u00e9 ausente de complac\u00eancia. A sua maneira de cantar leva-nos ao fundo da emo\u00e7\u00e3o, ao cora\u00e7\u00e3o da vida. A sua representa\u00e7\u00e3o do mundo est\u00e1 na sua obra e \u00e9 isso que a torna \u00fanica e universal.<br \/>\n<strong>M\u00edsia<\/strong>, fadista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> artigo de opini\u00e3o) quarta-feira, 23 Abril 2003 Nina Simone (1933-2003) A indom\u00e1vel Nina Simone, rainha da m\u00fasica negra Sacerdotisa da \u201csoul\u201d e do \u201cgospel\u201d, cantora de jazz, int\u00e9rprete de Brel, Nina Simone foi acima de tudo uma voz do tamanho do mundo que lutou contra os preconceitos. 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