{"id":7194,"date":"2019-01-09T11:50:12","date_gmt":"2019-01-09T18:50:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7194"},"modified":"2019-01-09T11:50:12","modified_gmt":"2019-01-09T18:50:12","slug":"drew-gress-spin-drift-pharoah-sanders-spirits-francois-bourassa-trio-live-lee-konitz-martial-solal-european-episode-francois-theberge-5-c-lee-konitz-music-of-k","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2019\/01\/09\/drew-gress-spin-drift-pharoah-sanders-spirits-francois-bourassa-trio-live-lee-konitz-martial-solal-european-episode-francois-theberge-5-c-lee-konitz-music-of-k\/","title":{"rendered":"Drew Gress &#8211; &#8220;Spin &#038; Drift&#8221; + Pharoah Sanders &#8211; &#8220;Spirits&#8221; + Fran\u00e7ois Bourassa Trio &#8211; &#8220;Live&#8221; + Lee Konitz &#038; Martial Solal &#8211; &#8220;European Episode&#8221; + Fran\u00e7ois Th\u00e9berge 5 c\/ Lee Konitz &#8211; &#8220;Music Of Konitz&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 12 Abril 2003<\/p>\n<p>A selva de Sanders. O gozo de Dress. E grande jazz do Hex\u00e1gono, de ontem e de hoje. Espirituoso ou espiritual.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Esp\u00edritos \u00e0 solta<\/p>\n<p>DREW GRESS<br \/>\nSpin &#038; Drift<br \/>\nPremonition<br \/>\n8 | 10<\/p>\n<p>PHAROAH SANDERS<br \/>\nSpirits<br \/>\nMeta<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>FRAN\u00c7OIS BOURASSA TRIO<br \/>\nLive<br \/>\nEffendi<br \/>\n10 | 10<\/p>\n<p>LEE KONITZ &#038; MARTIAL SOLAL<br \/>\nEuropean Episode<br \/>\nCamJazz<br \/>\n9 | 10<\/p>\n<p>FRAN\u00c7OIS TH\u00c9BERGE 5 c\/LEE KONITZ<br \/>\nMusic of Konitz<br \/>\nEffendi<br \/>\n6 | 10<\/p>\n<p>Todos distri. Multidisc<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7195\" rel=\"attachment wp-att-7195\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jazz-1.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"125\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7195\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jazz-1.jpg 641w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jazz-1-300x59.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jazz-1-624x122.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jazz-1-100x20.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Simbiose, com Drew Gress a trocar de pap\u00e9is com o saxofonista Tim Berne, passando em \u201cSpin &#038; Drift\u201d a assumir o papel de l\u00edder. Mas a cumplicidade entre ambos \u00e9 t\u00e3o grande que se torna irrelevante falar em lideran\u00e7a a prop\u00f3sito desta m\u00fasica em que a for\u00e7a do coletivo \u00e9 superior \u00e0 da soma das partes. Berne n\u00e3o \u00e9 um saxofonista dram\u00e1tico, mas o timbre carnudo do seu alto permite colorir cada tema com os tons do folguedo. \u201cDisappearing\u201d \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o direta a quatro vozes entre o alto, o contrabaixo, o piano de Uri Caine e a bateria de Tom Rainey. Em \u201cTorque\u201d, o contrabaixista faz jus a um \u201cswing\u201d largo, Berne desce com agilidade \u00e0s profundezas do bar\u00edtono e Caine parece querer desmentir quem acusa o seu piano de frigidez. \u201cIt was after rain that the angel came\u201d, outonal, reflete cambiantes de nostalgia nas notas do contrabaixo, com Caine resplandecente na sua faceta de recitalista cl\u00e1ssico. A faixa ex\u00f3tica, e uma das mais belas do disco, chama-se \u201cAquamarine\u201d e nela a \u201cpedal steel guitar\u201d de Gress escorre como um riacho pelo empedrado, com Caine a fazer tombar notas de chuva. \u00c1lbum bel\u00edssimo, forte sem gorduras, pujante sem gritar ao megafone, imaginativo sem cair no del\u00edrio.<br \/>\n\t\u201cSpirits\u201d, gravado ao vivo em 1998 em local n\u00e3o identificado, \u00e9 o prolongamento l\u00f3gico de toda a obra anterior de Pharoah Sanders, coltraniano coberto de missangas, cuja m\u00fasica viajou entre o \u201chard bop\u201d, o \u201cfree\u201d, a improvisa\u00e7\u00e3o asc\u00e9tica e a m\u00fasica \u00e9tnica. Os 19 minutos de abertura de \u201cSunrise\u201d soltam os esp\u00edritos do mundo, em \u201cdrone\u201d de resson\u00e2ncias indianas, com floresc\u00eancias de uma \u201cmbira\u201d africana, apontamentos de pequena percuss\u00e3o sa\u00eddos da cornuc\u00f3pia de Adam Rudolph e o veterano Sanders a dividir-se entre a contempla\u00e7\u00e3o indolente no sax tenor e c\u00e2nticos de chamamento. Organizado como um louvor \u00e0 sabedoria \u201csufi \u201d e \u00e0 intui\u00e7\u00e3o, \u201cSpirits\u201d oferece nesta longa prece introdut\u00f3ria mais do que um motivo de agrado aos apreciadores tanto do jazz como da \u201cworld music\u201d. As restantes faixas oscilam entre o exotismo exuberante das percuss\u00f5es de Rudolph e Hamid Drake, o \u201cfree\u201d do \u201cquarto mundo\u201d, como o saboroso piscar de olhos a Coltrane, \u201cThe thousand petalled lotus\u201d, ou o \u201csatori\u201d de gongos e \u201covertone singing\u201d, ecos da fauna e flora de uma selva tropical incrustada no c\u00e9rebro. Flautas de bambu, tablas, batuques rituais, borboletas e flores canibais, \u201cSpirits\u201d une com as pontas de um arco-\u00edris o passado ancestral a um futuro on\u00edrico, em que jazz e o folclore imagin\u00e1rio se entrela\u00e7am, numa celebra\u00e7\u00e3o exterior a qualquer no\u00e7\u00e3o de urbanidade como aquela que anima os Art Ensemble of Chicago. Um \u201cSunset\u201d de fogo fecha como come\u00e7ou o ciclo do dia &#8211; \u201cdrone\u201d, suspiros \u201caum\u201d e os murm\u00farios da floresta. Pharoah Sanders encontrou o seu nirvana.<br \/>\n\tO disco da semana \u00e9 o \u201cLive\u201d, do trio do pianista Fran\u00e7ois Bourassa, registado em Toronto em Maio de 2001, com Guy Boisvert (contrabaixo), Yves Boisvert (bateria) e o convidado Andr\u00e9 Leroux, nos saxofones tenor e soprano e flauta. Bourassa \u00e9 um fabuloso arquiteto e desenhador com uma flu\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o inesgot\u00e1veis. O modo como constr\u00f3i em crescendo \u201c30 Octobre 85\u201d, partindo de motivos simples para o recorte de frases cuja for\u00e7a e complexidade se concentram na recria\u00e7\u00e3o do \u201cBig Bang\u201d, em conjuga\u00e7\u00e3o com o desempenho explosivo de Leroux, no tenor, constitui daqueles momentos raros de audi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica em que apetece gritar de excita\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tA contrastar, \u201cW! U! W!\u201d surge de seguida como um \u201cpizzicato\u201d de sombras e sil\u00eancios. Frases sint\u00e9ticas, revela\u00e7\u00e3o de perspetivas obl\u00edquas, que, uma vez iluminadas, adquirem a inevitabilidade das evid\u00eancias. Como cidades constru\u00eddas dentro de cidades, segundo uma infinidade de escalas sobrepostas. \u201cArico \u2013 Afab\u201d confirma Bourassa como um pianista de exce\u00e7\u00e3o, capaz de equilibrar \u201cclusters\u201d t\u00e3o vastos como o cosmos com miniaturas de ourives. M\u00e3o esquerda de mago negro, m\u00e3o direita de pintor renascentista, Leroux brilha e inventa a cada momento, acrescentando novas ideias e solu\u00e7\u00f5es inusitadas ao terreno, j\u00e1 de si f\u00e9rtil, semeado pelo pianista. Uma paisagem impressionista, \u201d13\u201d, e uma homenagem, em duas partes, ao pianista Herbie Nichols d\u00e3o a conhecer o outro lado da moeda. Flauta e piano em di\u00e1logo intimista, com Leroux a utilizar, sem exibicionismos, um leque de t\u00e9cnicas e respira\u00e7\u00f5es \u201dextensivas\u201d e Bourassa, uma vez mais, a operar prod\u00edgios. Tudo isto a transbordar de \u201dswing\u201d, a oferecer um espetacular momento de bop (\u201cChambrette\u201d) e, a culminar, um \u201cmedley\u201d de 16 minutos ao redor de Monk (\u201cFour in one\u201d\/\u201cRound midnight\u201d\/\u201cEpistrophy\u201d\/\u201cTrinkle tinkle\u201d) que entra diretamente para a galeria dos cl\u00e1ssicos. Um dos discos do ano.<br \/>\n\tA m\u00fasica de Lee Konitz ocupa o centro das aten\u00e7\u00f5es, em dois discos registados em \u00e9pocas diferentes. \u201dEuropean Episiode\u201d recupera em vers\u00e3o remasterizada uma sess\u00e3o de 1968 com o pianista franc\u00eas Martial Solal e dois compatriotas seus, Henri Texier (contrabaixo) e Daniel Humair (bateria), nomes de refer\u00eancia do jazz com origem no \u201dhex\u00e1gono\u201d. Uma colagem de \u201dstandards\u201d, com Konitz no alto eletrificado, \u201dAnthropology\u201d, de Parker e Gillespie, um cl\u00e1ssico do \u201dbop\u201d, a balada \u201dLover man\u201d e o blues \u201cRoman blues\u201d t\u00eam a companhia de \u201cDuet for saxophone and drums, and piano\u201d, um \u201cdivertimento\u201d em forma de improvisa\u00e7\u00e3o \u201cfree\u201d que pode servir de manual de aprendizagem. Criatividade e liberdade exigem ordem, seja de que natureza for. Konitz, Solal, Texier e Humair s\u00e3o professores de Direito. Descodificar o c\u00f3digo de leis elaborado pelos quatro \u00e9 um dos muitos aliciantes deste epis\u00f3dio europeu.<br \/>\n\t\u00c9 um Konitz mais velho e cansado que escutamos a enriquecer com a sua participa\u00e7\u00e3o um \u00e1lbum que lhe \u00e9 dedicado, \u201cMusic of Konitz\u201d, pelo quinteto do saxofonista tenor franc\u00eas Fran\u00e7ois Th\u00e9berge. Mestre e disc\u00edpulos mant\u00eam dist\u00e2ncias, neste encontro que ocorreu em 2002 no clube Duc des Lombards, em Paris. O encontro das autocita\u00e7\u00f5es do \u201cbopper\u201d com a rever\u00eancia dos cinco franceses n\u00e3o faz fa\u00edsca.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tO03ygyDLIg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 12 Abril 2003 A selva de Sanders. O gozo de Dress. E grande jazz do Hex\u00e1gono, de ontem e de hoje. Espirituoso ou espiritual. 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