{"id":7167,"date":"2018-12-26T13:28:05","date_gmt":"2018-12-26T20:28:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7167"},"modified":"2018-12-26T13:28:05","modified_gmt":"2018-12-26T20:28:05","slug":"varios-o-jazz-mais-desalinhado-passou-por-portalegre-concertos-festivais-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/26\/varios-o-jazz-mais-desalinhado-passou-por-portalegre-concertos-festivais-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"V\u00e1rios &#8211; &#8220;O Jazz Mais Desalinhado Passou Por Portalegre&#8221; (concertos \/ festivais \/ artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> concertos)<br \/>\nSegunda-feira, 24 Fevereiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O jazz mais desalinhado passou por Portalegre<\/strong><\/p>\n<p>Na estreia do Portalegre Jazz Fest, Jim Black foi a estrela de maior grandeza. A sua bateria provou que o jazz e o rock n\u00e3o se esgotam nos r\u00f3tulos<br \/>\n<\/center><br \/>\nPortalegre vibrou durante tr\u00eas noites com algum do jazz mais desalinhado da cena atual, enchendo o gelado audit\u00f3rio do Cine-Teatro Crisfal com o seu entusiasmo. O menos desalinhado e o mais friorento dos m\u00fasicos que passaram pela 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Portalegre Jazz Fest foi o pianista Bernardo Sassetti que, na quinta-feira, no concerto de abertura, em trio com o contrabaixista Carlos Barretto e o baterista Alexandre Fraz\u00e3o, apresentou a m\u00fasica do seu mais recente \u00e1lbum, \u201cNocturno\u201d, tentando a todo o custo aquecer os dedos resfriados.<br \/>\n\tO jazz de Sassetti e do trio \u00e9 cl\u00e1ssico. Tem Bill Evans a inspir\u00e1-lo. Sassetti esteve superior quando a sua cabe\u00e7a e alma se voltaram para as zonas mais intimistas do piano. M\u00fasica impressionista que progressivamente se foi alheando do mundo para se concentrar nos requintados arabescos que s\u00f3 atrav\u00e9s do sil\u00eancio se d\u00e3o a ouvir. Sassetti passou pelos \u201cclich\u00e9s\u201d sem se deter. Percorreu escalas orientais, procurando pontos de fuga. Dan\u00e7ou. Barretto foi o alicerce inquebrant\u00e1vel, o swing permanente, a descontra\u00e7\u00e3o firme, a imagina\u00e7\u00e3o a dan\u00e7ar nos solos. Fraz\u00e3o acrescentou a energia, por vezes algo despropositada, \u00e0s ondas centr\u00edpetas da m\u00fasica. Conquistaram a sala e um merecido \u201cencore\u201d.<br \/>\n\tNa sexta-feira o trio alem\u00e3o Der Rote Bereich fez a mudan\u00e7a de agulhas para um jazz hiper-cerebral constru\u00eddo em pequenas pe\u00e7as que alternaram o riso com doses controladas de risco. Frank M\u00f6bus, na guitarra, e Rudi Mahal, no clarinete-baixo, remetem-se a um di\u00e1logo incessante e a jogos de tens\u00e3o que raramente encontram escape ou explos\u00e3o. Um jazz de jogadas estudadas que remonta a pr\u00e1ticas dos anos 80 conotadas com grupos \u201cunderground\u201d com selo Recommended como Semantics, Doctor Nerve, Neo Museum, Orthotonics ou Uludag. Rudi tocou o clarinete-baixo como um saxofone, abanou as pernas o tempo todo e destacou-se como a mais imaginativa voz solista de um trio cuja paix\u00e3o por Portugal vai ao ponto de chamar a alguns dos seus temas \u201cPastilha el\u00e1stica\u201d, \u201cPortugal\u201d e o j\u00e1 lend\u00e1rio \u201cFeijoada de chocos\u201d, cuja vers\u00e3o nova faz parte do recente \u00e1lbum \u201cRisky Business\u201d.<\/p>\n<p><strong>Absoluto Jim Black<\/strong><br \/>\nA melhor m\u00fasica do Jazz Fest foi, por\u00e9m, a do quarteto AlasNoAxis, do baterista Jim Black. A melhor e a mais afastada do jazz. Dividida em dois \u201csets\u201d, a atua\u00e7\u00e3o pautou-se por caracter\u00edsticas distintas em cada uma delas. Em comum apenas a lideran\u00e7a absoluta de Jim Black, um fabuloso baterista de t\u00e9cnica e imagina\u00e7\u00e3o inesgot\u00e1veis que em alguns momentos fez lembrar Bill Brufford e Charles Hayward. Quanto \u00e0 m\u00fasica, suscitou na plateia curiosas compara\u00e7\u00f5es, vindo \u00e0 baila os Sonic Youth, King Crimson, Godspeed You Black Emperor! Tortoise e, nos momentos mais ambientais, Sigur R\u00f3s (!).<br \/>\n\tBlack atuou em solo constante, percutindo a bateria de ponta a ponta e mesmo alguns objetos fora dela. Bateu nos tambores com as m\u00e3os, fez os c\u00edmbalos gemer com um arco de violino e ainda encontrou tempo para lan\u00e7ar ambi\u00eancias eletr\u00f3nicas no computador.<br \/>\n\tNa primeira parte andou praticamente sozinho, inventando, desmultiplicando e desfazendo tempos que os seus companheiros n\u00e3o souberam acompanhar. Chris Speed, no sax tenor e clarinete, ent\u00e3o, esteve irreconhec\u00edvel. Quase amorfo, limitou-se a soprar um timbre \u201cflat\u201d sem chama ou \u201cpunch\u201d. Hilmar Jensson, na guitarra, e Skuli Sverrisson, no baixo, tentaram acertar o passo com o andamento vertiginoso do baterista. Apenas na segunda parte o conseguiram, porque Black pareceu acalmar um pouco, dando-lhes maior espa\u00e7o de manobra. Em vez de um mais tr\u00eas, os AlasNoAxis mostraram que s\u00e3o mesmo um quarteto. Embora mais pr\u00f3ximos do p\u00f3s-rock de uns Tortoise ou Gastr Del Sol do que inseridos nas categorias tradicionais do jazz.<br \/>\n\tJensson e Sverrisson afiaram os \u201criffs\u201d e deram a dire\u00e7\u00e3o devida ao \u201cnoise\u201d, Speed fez finalmente jus ao seu apelido e pareceu acordar, aumentando o corpo e a presen\u00e7a do sax tenor, colorindo com fraseado pr\u00f3prio, no clarinete, as constantes divaga\u00e7\u00f5es do baterista. Quase a concluir um dos temas demonstrou todo o poder que os AlasNoAxis t\u00eam ao seu alcance, atrav\u00e9s de um crescendo que juntou a psicose dos Naked City (de John Zorn) ao clamor e conten\u00e7\u00e3o totalit\u00e1rios dos Urban Sax (de Gilbert Artman).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> concertos) Segunda-feira, 24 Fevereiro 2003 O jazz mais desalinhado passou por Portalegre Na estreia do Portalegre Jazz Fest, Jim Black foi a estrela de maior grandeza. 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