{"id":7154,"date":"2018-12-20T09:34:19","date_gmt":"2018-12-20T16:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7154"},"modified":"2018-12-20T09:34:19","modified_gmt":"2018-12-20T16:34:19","slug":"louis-sclavis-dans-la-nuit-yves-robert-in-touch-edouard-bineau-trio-exodusmaurizio-giammarco-phil-markowitz-seven-plus-eight-civica-jazz-band-italian-jazz-graffiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/20\/louis-sclavis-dans-la-nuit-yves-robert-in-touch-edouard-bineau-trio-exodusmaurizio-giammarco-phil-markowitz-seven-plus-eight-civica-jazz-band-italian-jazz-graffiti\/","title":{"rendered":"Louis Sclavis &#8211; &#8220;Dans La Nuit&#8221; + Yves Robert &#8211; &#8220;In Touch&#8221; + Edouard Bineau Trio &#8211; &#8220;Exodus&#8221;Maurizio Giammarco &#038; Phil Markowitz &#8211; &#8220;Seven Plus Eight&#8221; + Civica Jazz Band &#8211; &#8220;Italian Jazz Graffiti&#8221; + Prince Lasha &#8211; &#8220;Inside Story&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 15 Fevereiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Paris Texas<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nSclavis rendido ao romantismo do cinema mudo. Robert enfiado no jazz de c\u00e2mara. Uma escola italiana em euforia. Todos vencidos por um pr\u00edncipe texano em busca de trono. A guerra do jazz joga-se noutros tabuleiros.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Louis Sclavis<br \/>\nDans la Nuit<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n6 | 10<\/p>\n<p>Yves Robert<br \/>\nIn Touch<br \/>\nECM, distri. Dargil<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Edouard Bineau Trio<br \/>\nExodus<br \/>\nNight Bird Music, distri. Multidisc<br \/>\n4 | 10<\/p>\n<p>Maurizio Giammarco &#038; Phil Markowitz<br \/>\nSeven Plus Eight<br \/>\nNight Bird Music, distri. Multidisc<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>Civica Jazz Band<br \/>\nItalian Jazz Graffiti<br \/>\n2xCD Soul Note, distri. Dargil<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<p>Prince Lasha<br \/>\nInside Story<br \/>\nEnja, distri. Dargil<br \/>\n8 | 10<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7155\" rel=\"attachment wp-att-7155\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fm.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"103\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7155\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fm.jpg 638w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fm-300x48.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fm-624x101.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fm-100x16.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Fran\u00e7a. Romantismo. Uma certa ideia de Primavera de poetas. De m\u00fasicos perdidos. Louis Sclavis, grande saxofonista e clarinetista, tem ateado inc\u00eandios onde menos se espera e, embora vagabundo, nunca se perdeu. \u201cDans la Nuit\u201d \u00e9 mais frio, a banda sonora de um filme mudo realizado em 1930 por Charles Vanel, cuja apresenta\u00e7\u00e3o, no folheto, \u00e9 feita por Bertrand Tavernier. Hist\u00f3rias de escuro e de mineiros que o m\u00fasico franc\u00eas equilibra entre Murnau e Renoir. Mas havia, segundo Sclavis, que obedecer a certos princ\u00edpios: Respeitar os ambientes da \u00e9poca e de cada sequ\u00eancia; encontrar para cada uma destas a puls\u00e3o justa, a dura\u00e7\u00e3o e o ritmo pr\u00f3prios; adequar os dois primeiros princ\u00edpios \u00e0 sua est\u00e9tica e preocupa\u00e7\u00f5es atuais, o que implicou a soma de momentos improvisados \u00e0 partitura escrita.<br \/>\n\tO resultado agradar\u00e1 porventura aos apreciadores de \u201cmusiques de sc\u00e8ne\u201d feitas de imagens musicais bem focadas, que aqui achar\u00e3o mat\u00e9ria de sobra para preencher os seus sonhos, no andamento do acorde\u00e3o de Jean Louis Matinier, nas atmosferas de valsa musette, nos \u201cflashes\u201d de um imagin\u00e1rio de princ\u00edpio do s\u00e9culo indubitavelmente sedutor. Agora, se falarmos de jazz e, sobretudo, compararmos \u201cDans la Nuit\u201d com anteriores trabalhos do esp\u00edrito livre que \u00e9 Sclavis, ser\u00e1 dif\u00edcil n\u00e3o sentir desilus\u00e3o. Portal sucumbira \u00e0 mesma beleza sedativa nas suas pr\u00f3prias \u201cMusiques de Cin\u00e9mas\u201d. Quanto a Sclavis, por mais \u201cpo\u00e9tica\u201d e interiorizada que seja a forma como o seu clarinete \u201cl\u00ea\u201d e tenta refletir a magia da \u201ccaixinha m\u00e1gica\u201d, n\u00e3o conseguiu, desta vez, fazer saltar a fa\u00edsca. A noite, afinal, tamb\u00e9m foi feita para adormecer.<br \/>\n\tNa mesma editora, o seu compatriota e trombonista Yves Robert optou por outro \u201cfilme\u201d, em trio com Vincent Courtois (violoncelo) e Cyril Atef (bateria). Em \u201cIn Touch\u201d, o trombone e o violoncelo sentam-se na nave central de uma catedral sonora com alicerces na m\u00fasica de c\u00e2mara, com o jazz a imiscuir-se, por vezes desajeitadamente, no meio das liturgias, altares e crucifixos, como em \u201cL\u2019air d\u2019y toucher\u201d, pautado por uma nota de humor (a bateria despreocupada, o registo escapista do trombone) a perturbar a ora\u00e7\u00e3o. \u201cIn touch\u201d, com as suas \u201cdrones\u201d erguidas aos cumes indianos, funciona ainda como ponto de fuga de uma m\u00fasica feita de contempla\u00e7\u00e3o, solenidade e ternura plat\u00f3nica.<br \/>\n\tAinda um terceiro gaul\u00eas, o pianista Edouard Bineau, apresenta-se no formato cl\u00e1ssico de trio piano\/baixo\/bateria, ao lado de Olivier Rivaux e Arnaud Lechantre. No extremo oposto ao conceptualismo assumido desta vez tanto por Sclavis como por Robert, Bineau pratica em \u201cExodus\u201d um jazz mais imediatamente reconhec\u00edvel como tal, em onze originais com assinatura pr\u00f3pria, onde a serenidade, o despretensiosismo e abund\u00e2ncia de atmosferas \u201ccool\u201d n\u00e3o escondem a absoluta incapacidade em renovar a partir do interior da tradi\u00e7\u00e3o. Assim, contentemo-nos com baixar o volume e saborear estes \u201cclich\u00e9s\u201d em boa companhia, imaginando porventura como seria amar nesse outro tempo em que a vida e o jazz avan\u00e7avam nas constantes descobertas da \u201creal thing\u201d.<br \/>\n\tJ\u00e1 desesper\u00e1vamos, mas eis que finalmente se faz ouvir um saxofone tenor. E o jazz deixa de ser azul para se tornar vermelho. Ainda na Europa, mas agora j\u00e1 sob o sol mediterr\u00e2nico do jazz italiano e de um quarteto liderado pelo saxofonista tenor e soprano Maurizio Giammarco e pelo pianista Phil Markowitz, com Piero Leveratto (baixo) e Fabrizio Sferra (bateria). \u201cSeven Plus Eight\u201d socorre-se do \u201ccool\u201d e do \u201cbop\u201d, o que significa que, se quisermos inquietar-nos e confrontarmo-nos com o vendaval do novo, n\u00e3o ser\u00e1 ainda por aqui que desbravaremos caminho por nossa pr\u00f3pria conta e risco. \u201c7\u201d \u00e9 das poucas composi\u00e7\u00f5es que ousa p\u00f4r a cabe\u00e7a de fora e sair de casa para o meio do bosque, onde os quatro m\u00fasicos se desafiam e estimulam mutuamente. \u201cShapes\u201d \u00e9 uma incurs\u00e3o alternada no \u201cneo bop\u201d e no \u201cfree\u201d bem modelado, e \u201cBeloved\u201d um exerc\u00edcio de piano impressionista. No tema final, Giammarco parece querer dizer que, al\u00e9m de razo\u00e1vel tenorista, sabe as linhas com que se cosem tradicionalismo, espontaneidade e convic\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Hist\u00f3ria de pr\u00edncipe<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n\tTamb\u00e9m de It\u00e1lia chega um objeto curioso: \u201cItalian Jazz Graffiti\u201d, um duplo CD pela Civica Jazz Band (formada em 1996 por um grupo de professores e alunos, sob a dire\u00e7\u00e3o de Enrico Intra e Bruno Tommaso, no \u00e2mbito dos \u201cCivici Corsi di Jazz\u201d), gravado ao vivo em dois teatros de Mil\u00e3o. Cada faixa teve a participa\u00e7\u00e3o de um solista convidado, contando-se, entre eles, al\u00e9m do pr\u00f3prio Maurizio Giammarco, Enrico Rava, Gianluigi Trovesi (numa vers\u00e3o esfuziante de \u201cDedalo\u201d), Roberto Ottaviano, Enrico Pieranunzi, Pietro Tonolo, Paolo Fresu, Antonio Farao, Claudio Fasoli, Franco Ambrosetti, Paolo Damiani, Franco d\u2019Andrea e Tiziana Ghiglioni, todos com discografia gravada em nome pr\u00f3prio. Como o nome indica, \u201cItalian Jazz Graffiti\u201d \u00e9 isso mesmo, um mural, um painel que serve essencialmente para avaliar a maior ou menor inspira\u00e7\u00e3o dos diversos solistas durante os dois concertos (integrados no ciclo \u201cOrchestra senza confi ni\u201d), sendo que, em cada um deles, a base orquestral de \u201cbig band\u201d permanece vinculada ao jazz tradicional, nomeadamente o \u201cswing\u201d e todo o legado Ellington at\u00e9 \u00e0 fase \u201cjungle\u201d, e o \u201cbop\u201d, com ocasionais escapadelas pelo jazz mais liberal. Quente, mas sem surpresas.<br \/>\n\tDisco forte da semana \u00e9 \u201cInside Story\u201d do saxofonista (alto e bar\u00edtono) e flautista Prince Lasha, um texano marcado pelas inova\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas de Ornette Coleman e Eric Dolphy cujo nome, poucas vezes mencionado nos comp\u00eandios, se imp\u00f4s atrav\u00e9s de \u201cThe Cry\u201d, editado em 1962. Ao mesmo tempo que a Europa se esgota em dissid\u00eancias, a Am\u00e9rica continua a rever-se na odisseia do velho Oeste\u2026<br \/>\n\tGravado em duas sess\u00f5es, uma delas com Herbie Hancock, Cecil McBee e Jimmy Lovelace, a outra, ao vivo, destacando a presen\u00e7a no baixo de Ron Carter, que deram origem, respetivamente, aos \u00e1lbuns \u201cInside Story\u201d (1965) e \u201cSearch for Tomorrow\u201d (1974), a presente reedi\u00e7\u00e3o evidencia, ao n\u00edvel do discurso de Lasha no alto (e no disco de 65) sobretudo a influ\u00eancia de Coleman, enquanto a sombra de Dolphy norteia o sax bar\u00edtono ao longo da sess\u00e3o registada em 1974 no Berkeley Jazz Festival. Na flauta sobressai um curioso lado \u00e9tnico (\u201cKwadwo safari\u201d), mas seja qual for o registo atrav\u00e9s do qual Lasha se embrenha nas suas lucubra\u00e7\u00f5es (porque se trata, de facto, de uma hist\u00f3ria voltada para as explora\u00e7\u00f5es interiores), tendo como base \u2014 e h\u00e1 quem diga que sem ela o jazz corre o risco de ficar sem alma&#8230; \u2014 os \u201cblues\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p2fFVJU1Ym8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 15 Fevereiro 2003 Paris Texas Sclavis rendido ao romantismo do cinema mudo. Robert enfiado no jazz de c\u00e2mara. Uma escola italiana em euforia. Todos vencidos por um pr\u00edncipe texano em busca de trono. A guerra do jazz joga-se noutros tabuleiros. Louis Sclavis Dans la Nuit [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[724,725,12],"tags":[1964,1960,1958,1962,1961,1963,1965,1959],"class_list":["post-7154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-2003","category-criticas-2003","category-jazz","tag-civica-jazz-band","tag-edouard-bineau-trio","tag-louis-sclavis","tag-maurizio-giammarco","tag-maurizio-giammarco-phil-markowitz","tag-phil-markowitz","tag-prince-lasha","tag-yves-robert"],"views":1139,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7154"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7157,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions\/7157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}