{"id":7142,"date":"2018-12-18T09:26:34","date_gmt":"2018-12-18T16:26:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7142"},"modified":"2018-12-18T09:26:34","modified_gmt":"2018-12-18T16:26:34","slug":"django-bates-quiet-nights-tim-berne-open-coma-tim-berne-science-friction-matthew-shipp-equilibrium","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/18\/django-bates-quiet-nights-tim-berne-open-coma-tim-berne-science-friction-matthew-shipp-equilibrium\/","title":{"rendered":"Django Bates &#8211; &#8220;Quiet Nights&#8221; + Tim Berne &#8211; &#8220;Open, Coma&#8221; + Tim Berne &#8211; &#8220;Science Friction&#8221; + Matthew Shipp &#8211; &#8220;Equilibrium&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 08 Fevereiro 2003<\/p>\n<p>Django Bates, Tim Berne, Matthew Shipp. Ou como o jazz pode enveredar por \u00ednvios desvios. Umas vezes, perdendo-se, outras n\u00e3o.<br \/>\ncenter><br \/>\n<strong>As curvas do caminho<\/p>\n<p>DJANGO BATES<br \/>\nQuiet Nights<br \/>\n7 | 10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7143\" rel=\"attachment wp-att-7143\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-5.jpg\" alt=\"\" width=\"355\" height=\"355\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7143\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-5.jpg 355w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-5-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-5-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-5-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><\/a> <\/p>\n<p>TIM BERNE<br \/>\nOpen, Coma<br \/>\n7 | 10<br \/>\nScience Friction<br \/>\n8 | 10<br \/>\nTodos Night Bird, distri. Trem Azul<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7144\" rel=\"attachment wp-att-7144\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"447\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7144\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-3.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-3-300x268.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-3-100x89.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7145\" rel=\"attachment wp-att-7145\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"295\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7145\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/3-1.jpg 338w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/3-1-300x262.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/3-1-100x87.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/a> <\/p>\n<p>MATTHEW SHIPP<br \/>\nEquilibrium<br \/>\n7 | 10<br \/>\nThirsty Ear, distri. Trem Azul<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7146\" rel=\"attachment wp-att-7146\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7146\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/4-1.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/4-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/4-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/4-1-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/center><br \/>\nTriste Inverno, este, da nossa incredulidade, do nosso medo e da nossa inseguran\u00e7a. Como triste foi sempre uma grande parte do jazz e das vidas que o fizeram. Caminhos onde o amor n\u00e3o tem abrigo e fala baixo. \u201cSpeak low\u201d, tema de abertura de \u201cQuiet Nights\u201d, do teclista ingl\u00eas Django Bates (frequentador de paragens jazz-rock, ao lado de Bill Brufford ou do saxofonista Iain Ballamy, de resto aqui presente) \u00e9 um murm\u00fario quente e melanc\u00f3lico como os de Annette Peacock, mistura de balada e eletr\u00f3nica, \u201clounge\u201d difuso de sentimentos e programa\u00e7\u00f5es, com a voz de Josefine Cronholm em lugar de destaque. Um mundo suspenso nas margens do jazz e de uma \u201cworld\u201d imagin\u00e1ria, t\u00e3o pr\u00f3ximo de Peacock como de Anja Garbarek, Sade e da bossa-nova. Suspiros, \u201cscat\u201d indolente, ventos do Tibete, Ballamy a tentar enquadrar no seu saxofone o jazz mais ortodoxo, e Weill, Tom Jobim e Duke Ellington, Bates a mexer nos bot\u00f5es e nos circuitos como se cozinhasse um bolo de \u201cchantilly\u201d na selva amaz\u00f3nica e Josefine a fazer o papel de diva l\u00e2nguida numa cerim\u00f3nia permissiva. Noites ex\u00f3ticas.<br \/>\n\tTim Berne tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 propriamente um purista, fazendo parte de uma fam\u00edlia que re\u00fane, entre outros, os irm\u00e3os Cline, Mark Dresser, Joey Baron, Bill Frisell, Drew Gress, Tom Rainey e \u2014 habitante j\u00e1 de outra dimens\u00e3o \u2014 Michael Formanek.<br \/>\n\tA arte do seu saxofone alto, influenciada por Julius Hemphill, por demasiadas vezes tem sido desvalorizada, ao mesmo tempo que s\u00e3o louvados os seus esfor\u00e7os na pesquisa e procura de novas formas de \u201cdesalinhamento\u201d. Em \u201cOpen, Coma\u201d (2001) encontramo-lo rodeado por uma banda de dez elementos constitu\u00edda por m\u00fasicos n\u00f3rdicos, os Copenhagen Art Ensemble, pelo guitarrista-improvisador Marc Ducret e pelo trompetista de alto risco Herb Robertson, numa obra de grande f\u00f4lego gravada maioritariamente ao vivo no Jazzhouse de Copenhaga (apenas um dos quatro temas foi registado em est\u00fadio, na Su\u00e9cia) de \u201cbig band\u201d ansiosa por libertar-se de todos os espartilhos.<br \/>\n\tQuatro \u00fanicos temas, longu\u00edssimos (\u201cEye contact\u201d dura 46 minutos, \u201cThe legend of p-1\u201d, 33 e \u201cImpacted wisdom\u201d, 41&#8230;) proporcionam encontros e desencontros, desvarios \u201cfree\u201d e complexas arquiteturas coletivas, com largo espa\u00e7o de manobra para os desempenhos individuais. Por vezes, parece faltar cola que mantenha unida a estrutura, ficando no ar uma certa ideia de gratuitidade. Talvez uma menor cronometragem garantisse maior identidade e estabilidade a esta m\u00fasica que recusa os g\u00e9neros, sem, contudo, deixar de os utilizar, e sem esgotar as possibilidades oferecidas por cada um. O segundo CD sofre dos mesmos defeitos, mas a m\u00fasica adquire tonalidades mais sombrias, evocando alguns momentos de \u201cThe legend of p-1\u201d  impressionismo l\u00fagubre de Carla Bley em vestido de luto ou o cinema \u201calien\u201d de Michael Mantler (Herb Robertson consegue soar como se soprasse de uma gal\u00e1xia distante!&#8230;), enquanto Ducret d\u00e1 largas \u00e0 sua veia hendrixiana (ou, mais diretamente, herdada de Sonny Sharrock). Quanto a Berne, d\u00e1 o melhor de si por volta do minuto dez de \u201cImpacted Wisdom\u201d, gritando nos agudos como se estivesse a pedir ajuda&#8230; Um bom, nalguns momentos impressionante, disco, que, no entanto, n\u00e3o consegue atingir a altura do gigante que aparenta ser.<br \/>\n\tGravado no ano seguinte, 2002, \u201cScience Friction\u201d revela o lado mais descontra\u00eddo, mas tamb\u00e9m mais mundano, do saxofonista, sem que se possa confundir mundanidade com leviandade. Entre o jazzrock, a turbina \u201cfunk\u201d do movimento M-Base e o jazz progressivo, passam por aqui correntes realmente futuristas, na guitarra de Ducret e nos teclados el\u00e9tricos de Craig Taborn. Se \u201cOpen, Coma\u201d \u00e9 um disco para fazer pensar como um tratado herm\u00e9tico, \u201cScience Friction\u201d, pelo contr\u00e1rio, nada mais pretende do que p\u00f4r em alerta m\u00e1ximo os sentidos e faz\u00ea-los gozar (friccionar&#8230;) o mais poss\u00edvel. N\u00e3o tem a dimens\u00e3o \u00e9pica de um Frank Herbert ou de um Robert Heinlein, nem o lirismo m\u00e1gico de um Simak ou de um Bradbury, muito menos a esquizofrenia sagrada de um Philip Dick, esta antecipa\u00e7\u00e3o jazz\u00edstica de um futuro que afinal continua a ser de marcianos verdes, m\u00e1quinas do tempo reguladas para o passado e pistolas de raios laser. Mas entra-se nele como num romance de aventuras. E basta escutar a maneira como o saxofonista sopra em \u201cManatee woman\u201d para se perceber como um homem pode ser feliz.<br \/>\n\tNas j\u00e1 m\u00edticas \u201cBlue Series\u201d da Thirsty Ear, o pianista Matthew Shipp, atual parceiro das aventuras m\u00edsticas de David S. Ware, arranca em \u201cEquilibrium\u201d uma m\u00fasica sem segundas leituras, baseada no \u201criffi ng\u201d e num \u201cpunch\u201d sem quebras. William Parker encarrega-se, como seria previs\u00edvel, do contrabaixo, com a seguran\u00e7a e esp\u00edrito interventivo de sempre, Gerald Cleaver chega a ser indigente na bateria (\u201cThe root\u201d), mas \u00e9 Khan Jamal, no vibrafone, que se afirma como primeiro dialogante do piano. Algu\u00e9m disfar\u00e7ado sob a sigla FLAM toca sintetizadores e organiza as programa\u00e7\u00f5es, sem que o equil\u00edbrio do todo se ressinta de excessiva eletrifica\u00e7\u00e3o, embora \u201cNebula theory\u201d e \u201cNu matrix\u201d possam ser enquadrados nos mesmos par\u00e2metros de \u201cAmassed\u201d, dos Spring Heel Jack: Jazz c\u00f3smico, com centro de gravidade nas estrelas, como Sun Ra lan\u00e7ara a profecia. \u201cCohesion\u201d e \u201cWorld of blue glass\u201d s\u00e3o as faces opostas de uma mesma moeda. Manobra de divers\u00e3o (conclu\u00edda em \u201cPortal\u201d, curta homenagem ao m\u00fasico franc\u00eas) apelativa no primeiro caso. Assun\u00e7\u00e3o da interioridade como fonte primordial do jazz, no segundo. N\u00e3o vive muito do jazz atual deste dilema?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 08 Fevereiro 2003 Django Bates, Tim Berne, Matthew Shipp. Ou como o jazz pode enveredar por \u00ednvios desvios. 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