{"id":7128,"date":"2018-12-14T07:55:11","date_gmt":"2018-12-14T14:55:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7128"},"modified":"2018-12-14T07:55:11","modified_gmt":"2018-12-14T14:55:11","slug":"terje-rypdal-lux-aeterna-john-abercrombie-cat-n-mouse-abdullah-ibrahim-african-symphony-africa-magic-charlie-mariano-deep-in-a-dream-dave-o","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/14\/terje-rypdal-lux-aeterna-john-abercrombie-cat-n-mouse-abdullah-ibrahim-african-symphony-africa-magic-charlie-mariano-deep-in-a-dream-dave-o\/","title":{"rendered":"Terje Rypdal &#8211; &#8220;Lux Aeterna&#8221; + John Abercrombie &#8211; &#8220;Cat \u2018n\u2019 Mouse&#8221; + Abdullah Ibrahim &#8211; &#8220;African Symphony&#8221; + &#8220;Africa Magic&#8221; + Charlie Mariano &#8211; &#8220;Deep in a Dream&#8221; + Dave O\u2019Higgins &#8211; &#8220;Fast Foot Shuffle&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 18 Janeiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Terje Rypdal<br \/>\nLux Aeterna<br \/>\nECM<br \/>\n10|10<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7130\" rel=\"attachment wp-att-7130\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Lux_Aeterna_Terje_Rypdal_album.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"313\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7130\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Lux_Aeterna_Terje_Rypdal_album.jpg 318w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Lux_Aeterna_Terje_Rypdal_album-300x295.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Lux_Aeterna_Terje_Rypdal_album-100x98.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><\/p>\n<p>John Abercrombie<br \/>\nCat \u2018n\u2019 Mouse<br \/>\nECM<br \/>\n8|10<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Abdullah Ibrahim<br \/>\nAfrican Symphony<br \/>\n6|10<br \/>\nAfrican Magic<br \/>\n8|10<br \/>\nEnja<\/p>\n<p>Charlie Mariano<br \/>\nDeep in a Dream<br \/>\nEnja<br \/>\n7|10<\/p>\n<p>Dave O\u2019Higgins<br \/>\nFast Foot Shuffle<br \/>\nCandid Productions<br \/>\n6|10<br \/>\nTodos distri. Dargil<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7129\" rel=\"attachment wp-att-7129\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-3.jpg\" alt=\"\" width=\"189\" height=\"742\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7129\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Haja esperan\u00e7a para o ano que agora se inicia. <strong>Terje Rypdal<\/strong> acendeu uma <strong>Lux Aeterna<\/strong> para o iluminar.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Est\u00e1dio da luz<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nO primeiro grande disco para adorar em 2003 tem data de edi\u00e7\u00e3o de 2002, foi gravado em 2001 e&#8230; n\u00e3o \u00e9 de jazz, pese embora a conota\u00e7\u00e3o do seu autor com este g\u00e9nero de m\u00fasica. Tem por t\u00edtulo &#8220;Lux Aeterna&#8221; (o mesmo que o de uma obra de Ligeti que lhe serviu de inspira\u00e7\u00e3o) e como autor o guitarrista noruegu\u00eas Terje Rypdal, com larga e diversificada obra feita na ECM. &#8220;Lux Aeterna&#8221; n\u00e3o \u00e9, de facto, um disco de jazz, da mesma forma que &#8220;Odyssey&#8221; ou &#8220;After the Rain&#8221; eram antes de mais pinturas ambientais e &#8220;Waves&#8221; ou &#8220;Chaser&#8221;, ataques de &#8220;hard rock&#8221;.<br \/>\n\t&#8220;Lux Aeterna&#8221; conduz-nos a outro mundo. Composto por encomenda para o Festival de Jazz de Molde, no \u00e2mbito das celebra\u00e7\u00f5es da instala\u00e7\u00e3o do novo \u00f3rg\u00e3o na igreja desta cidade, tem a participa\u00e7\u00e3o do Bergen Chamber Ensemble, dirigido por Kjell Seim e, como int\u00e9rpretes solistas, al\u00e9m do guitarrista, Palle Mikkelborg, na trompete, Iver Kleive, no \u00f3rg\u00e3o de igreja, e Ashild Stube Gundersen, voz soprano. Um outro mundo, diz\u00edamos, capaz de provocar estados alterados de paix\u00e3o. M\u00fasica religiosa contempor\u00e2nea com a dimens\u00e3o de &#8220;Tabula Rasa&#8221;, de Arvo P\u00e4rt. Um mundo elevado e afastado da confus\u00e3o apocal\u00edptica dos \u00faltimos dias que se vivem c\u00e1 por baixo. Cinco movimentos: &#8220;Luminous galaxy&#8221;, &#8220;Fjelld\u00e2pen&#8221;, &#8220;Escalator&#8221;, &#8220;Toccata&#8221; e &#8220;Lux Aeterna&#8221;. Cinco etapas de uma viagem com destino \u00e0 luz eterna.<br \/>\n\t&#8220;Luminous galaxy&#8221; sobe at\u00e9 \u00e0 primeira camada da estratosfera, em volutas mel\u00f3dicas criadas pela trompete em surdina de Mikkelborg. &#8220;New age&#8221; no esp\u00edrito mas n\u00e3o na forma, a &#8220;gal\u00e1xia luminosa&#8221; dilata-se depois numa majestosa interven\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. &#8220;Fjelld\u00e2pen&#8221; ilustra uma experi\u00eancia de inf\u00e2ncia vivida por Rypdal na vila com este nome onde ent\u00e3o habitava com os seus pais. Ainda experi\u00eancia de subida, ascens\u00e3o solit\u00e1ria ao alto de uma montanha proibida. Sem que ningu\u00e9m soubesse, sem que ningu\u00e9m acreditasse. Segredo bem guardado que a guitarra agora narra com fervor, numa incandesc\u00eancia apaixonada, o timbre caracter\u00edstico expandido como nunca o ouv\u00edramos antes, em \u00e2nsia, grito, espa\u00e7o de projec\u00e7\u00e3o an\u00edmica que tudo parece querer abarcar, num di\u00e1logo com o \u00f3rg\u00e3o que \u00e9 m\u00fasica de Deus a chamar das alturas. Arrepiante.<br \/>\n\t&#8220;Escalator&#8221;: A Terra ficou a perder de vista. Sentimos Mahler e Messiaen, tamb\u00e9m eles proclamando o imenso drama c\u00f3smico. Um glockenspiel anuncia a emerg\u00eancia da luz, a trompete reza, sonhadora. Sil\u00eancio. Duas faces de um mesmo rosto: sofrimento e alegria. A &#8220;Toccata&#8221; \u00e9 simplesmente arrasadora, no arrebatamento provocado pelo \u00f3rg\u00e3o do templo. Bach e, de novo, Messiaen assomam ao esp\u00edrito, ext\u00e1tico, num misto de respeito e adora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se sai inc\u00f3lume da exposi\u00e7\u00e3o a este clar\u00e3o excessivo, desta profundidade que faz tombar para o alto, desta como\u00e7\u00e3o que nos leva a acreditar na exist\u00eancia de um sentido \u00faltimo para a vida. Finalmente, se \u00e9 que a delimita\u00e7\u00e3o temporal faz ainda sentido, a mesma &#8220;lux aeterna&#8221; que ilumina a obra de Ligeti brilha sem uma \u00fanica sombra a toldar a voz da soprano e o para\u00edso revela-se, em \u00eaxtase, na pluralidade das suas criaturas. Obra-prima.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>J\u00f3ia de \u00c1frica<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\nJohn Abercrombie, outro associado de longa data da &#8220;escuderia&#8221; ECM, confirma em &#8220;Cat &#8216;n&#8217; Mouse&#8221; por que \u00e9 considerado um dos nomes incontorn\u00e1veis da guitarra actual. Com Mark Feldman (not\u00e1vel no violino), Joey Baron (bateria, est\u00e1 em todas&#8230;) e Marc Johnson (contrabaixo) a lade\u00e1-lo, o autor de &#8220;Timeless&#8221; assina uma m\u00fasica organizada em &#8220;nuances&#8221; e sinuosos desenvolvimentos harm\u00f3nicos\/mel\u00f3dicos. N\u00e3o se imp\u00f5e, insinua-se, convidando \u00e0 descoberta &#8220;por dentro&#8221;. Subtilmente fascinada pelo Oriente (os cambiantes do &#8216;ud e a m\u00fasica \u00e1rabe, em &#8220;String thing&#8221;, a m\u00fasica chinesa, em &#8220;Show of hands&#8221;), marcada pelo jogo de contrastes de ritmos e timbres (&#8220;Soundtrack&#8221;, um desconcertante &#8220;Third stream samba&#8221;) ou em balan\u00e7o jazzrock (&#8220;On the loose&#8221;), &#8220;Cat &#8216;n&#8217; Mouse&#8221; desdobra-se em renovados e estimulantes sentidos a cada audi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\t&#8220;African Magic&#8221; e &#8220;African Symphony&#8221;, ambos do pianista sul-africano Abdullah Ibrahim, transportam-nos, como acontece na generalidade de toda a sua obra, para \u00c1frica. Um e outro logram, contudo, resultados e vis\u00f5es d\u00edspares. &#8220;African Symphony&#8221; abusa dos meios sem, contudo, obter a desejada correspond\u00eancia na amplitude dos resultados. Eis-no perante outro caso, id\u00eantico a &#8220;American Dreams&#8221;, de Charlie Haden, em que a utiliza\u00e7\u00e3o de uma orquestra &#8211; neste caso a Munich Radio Symphony, com direc\u00e7\u00e3o de Barbara Yahr &#8211; obedece unicamente a intuitos decorativos ao inv\u00e9s de uma integra\u00e7\u00e3o estrutural na economia da pe\u00e7a. M\u00fasica bonita, sem d\u00favida, sabendo-se como o bonito costuma ser inimigo do belo.<br \/>\n\t&#8220;African Magic&#8221; traz de volta o pianista inspirado de &#8220;African Sun&#8221;, &#8220;Echoes from Africa&#8221;, &#8220;African River&#8221;, &#8220;Africa-Tears and Laughter&#8221; e &#8220;Ekaya&#8221;. Em trio com Belden Bullock, no baixo, e Sipho Kunene, na bateria. Vinte e quatro miniaturas nas quais o pianista faz jus ao seu sentido mel\u00f3dico, dir\u00edamos mesmo descritivo, seja nas notas &#8220;gospel&#8221; e &#8220;bluesy&#8221; de &#8220;Blues for a hip king&#8221; ou &#8220;Pule&#8221;, seja na for\u00e7a hipn\u00f3tica, apoiada no baixo &#8220;ostinato&#8221;, de &#8220;District six&#8221;, ou nesse portento de &#8220;swing&#8221; e criatividade a partir de um motivo de &#8220;blues&#8221; simples que \u00e9 &#8220;Black lightning&#8221;.<br \/>\n\tQuem por diversas ocasi\u00f5es privou de perto com o jazzrock foi o veterano saxofonista alto Charlie Mariano, recordando-se aqui as suas colabora\u00e7\u00f5es com o grupo alem\u00e3o Embryo, a cria\u00e7\u00e3o de projectos de fus\u00e3o, como os Osmosis e os United Jazz and Rock Ensemble, ou rodeado pelas percuss\u00f5es indianas dos Karnataka College of Percussion, no \u00e1lbum &#8220;Jyothi&#8221;. Em &#8220;Deep in a Dream&#8221; \u00e9 poss\u00edvel escut\u00e1-lo no registo oposto, a recriar &#8220;standards&#8221; como &#8220;Spring is here&#8221; ou em composi\u00e7\u00f5es em nome pr\u00f3prio ou de parceria com o pianista Bob Degen que relevam os tempos lentos e a balada. Nunca \u00e9 tarde para um homem se reencontrar com o seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tEncontramos o apelido Mariano (Cesar) na assinatura de um dos temas de &#8220;Fast Foot Shuffle&#8221;, de Dave O&#8217;Higgins, mas n\u00e3o passa de pura coincid\u00eancia. Higgins \u00e9 um saxofonista soprano e tenor pleno de &#8220;verve&#8221; e swing interior para quem o jazz permanece, por enquanto, sin\u00f3nimo de alegria e divertimento. Surge acompanhado de um sexteto de rapaziada nova, apostada em valorizar as composi\u00e7\u00f5es do seu l\u00edder mas sem receio de mostrar que n\u00e3o veio do nada, ao abrir com um suado &#8220;Bebop&#8221;, de Dizzy Gillespie. \u00c9 jazz moderna\u00e7o (basta, como \u00e9 o caso, usar um velho teclado Wurlitzer e beber no R&#038;B e no funk, mais um cheirinho cubano, para se soar moderna\u00e7o&#8230;) bem tocado, com entusiasmo e &#8220;savoir faire&#8221;, que ainda n\u00e3o teve tempo para a descoberta de um territ\u00f3rio pr\u00f3prio. Arrume-se ao lado de Ben Allison ou de Medeski, Martin &#038; Wood. E goze-se, como quem vai \u00e0 Feira Popular.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o3QR86bDgBk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 18 Janeiro 2003 Terje Rypdal Lux Aeterna ECM 10|10 John Abercrombie Cat \u2018n\u2019 Mouse ECM 8|10 Abdullah Ibrahim African Symphony 6|10 African Magic 8|10 Enja Charlie Mariano Deep in a Dream Enja 7|10 Dave O\u2019Higgins Fast Foot Shuffle Candid Productions 6|10 Todos distri. 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