{"id":7125,"date":"2018-12-12T11:34:02","date_gmt":"2018-12-12T18:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7125"},"modified":"2018-12-12T11:34:02","modified_gmt":"2018-12-12T18:34:02","slug":"william-parker-steve-lacy-geri-allen-lee-konitz-joey-baron-conversa-de-gigantes-do-jazz-no-ccb-william-parker-em-coimbra-concertos-artigos-de-opiniao-jazz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/12\/william-parker-steve-lacy-geri-allen-lee-konitz-joey-baron-conversa-de-gigantes-do-jazz-no-ccb-william-parker-em-coimbra-concertos-artigos-de-opiniao-jazz\/","title":{"rendered":"William Parker + Steve Lacy &#038; Geri Allen + Lee Konitz &#038; Joey Baron &#8211; &#8220;Conversa De Gigantes Do Jazz No CCB, William Parker Em Coimbra&#8221; (concertos \/ artigos de opini\u00e3o \/ jazz)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> concertos)<br \/>\ns\u00e1bado, 18 Janeiro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Conversa entre gigantes do jazz no CCB<\/p>\n<p>WILLIAM PARKER EM COIMBRA<\/p>\n<p>Duos no CCB. Jazz ao Centro em Coimbra. O jazz no centro das aten\u00e7\u00f5es. Steve Lacy, Geri Allen, Lee Konitz, Joey Baron tocam hoje em Lisboa. O quarteto de William Parker, em Coimbra<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7126\" rel=\"attachment wp-att-7126\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sl.jpg\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"703\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7126\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sl.jpg 488w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sl-208x300.jpg 208w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/sl-69x100.jpg 69w\" sizes=\"auto, (max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/a><br \/>\nSteve Lacy, um dos saxofonistas mais inquietos do jazz contempor\u00e2neo<br \/>\n<\/center><br \/>\nJazz a dois \u00e9 conversa. Amena, inflamada ou, se der para o torto, da treta. Jazz a duas vozes \u00e9 o que esta noite se poder\u00e1 escutar em concerto duplo no Grande Audit\u00f3rio do Centro Cultural de Bel\u00e9m, em Lisboa, a partir das 21h.<br \/>\n\tS\u00e3o quatro os conversadores, qualquer deles de monta, cada qual com muitas hist\u00f3rias para contar, para dizer ao outro e lhe pedir explica\u00e7\u00f5es, respostas ou um simples coment\u00e1rio. O outro far\u00e1 o mesmo. A hist\u00f3ria do jazz est\u00e1 cheia destas conversas.<br \/>\n\tSteve Lacy, um dos saxofonistas mais prolixos e inquietos do jazz contempor\u00e2neo, ter\u00e1 como parceiro a pianista Geri Allen. Ele, homem de longas fidelidades (&#8220;s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es a longo prazo que prezo mais&#8221;), com Kent Carter, Jean-Jacques Avenel, Oliver Johnson (recentemente falecido) ou a sua mulher Ir\u00e8ne Aebi, mostra-se, no entanto, dispon\u00edvel para a descoberta de outras m\u00fasicas que completem ou desafiem a sua. A de Geri Allen esteve sempre debaixo da sua mira. Cumprir\u00e1 hoje esse desejo.<br \/>\n\tLacy \u00e9 o viajante por natureza que aprendeu com a tradi\u00e7\u00e3o a fabricar o futuro. Duke Ellington, que continua a considerar &#8220;o m\u00fasico n\u00ba1&#8221;, ensinou-o a gostar de jazz. Com Thelonious Monk, de quem \u00e9 int\u00e9rprete de excep\u00e7\u00e3o, manteve a liga\u00e7\u00e3o afectiva ao bebop. Mas, \u00e9 claro, por ele passou grande parte da excita\u00e7\u00e3o que nos anos 60 ganhou o r\u00f3tulo, a reputa\u00e7\u00e3o e o grito de &#8220;free jazz&#8221;. Esteve ao lado de Cecil Taylor (foi quem lhe revelou Monk), Ornette Coleman, Don Cherry e Jimmy Giuffre. Era quando o seu saxofone &#8211; o dif\u00edcil soprano, ao qual se dedicou em exclusivo, num caso \u00edmpar de fidelidade a um instrumento a que a maior parte dos saxofonistas recorre em segunda escolha &#8211; soava mais agreste e libert\u00e1rio. A passagem dos anos arredondou-lhe o som, levando-o para junto do calor do alto.<br \/>\n\tEnrico Rava, Louis Moholo, Derek Bailey, Evan Parker, Steve Potts (Lacy foi dos poucos a reconhecer-lhe import\u00e2ncia), John Stevens, Trevor Watts e Roswell Rudd, al\u00e9m da bizarra nave espacial chamada Musica Elettronica Viva, foram alguns dos m\u00fasicos livres que consigo fizeram o jazz passar a fronteira do bop. Nos anos 80 encontrou no piano de Bobby Few um lugar de conforto.<br \/>\n\tAt\u00e9 hoje a sua atividade e os seus interesses estenderam-se \u00e0 can\u00e7\u00e3o (de veia Brecht\/Weilliana, na voz da sua mulher), ao teatro (trabalhou com Merce Cunningham), \u00e0 poesia (gravou com Bryon Gysin, como Willam Burroughs, (poeta das m\u00e1quinas de linguagem do mal) e ao cruzamento com outros universos musicais, da m\u00fasica do Oriente (um dos seus projectos pr\u00f3ximos \u00e9 compor sobre poemas zen e c\u00e2nticos budistas) a pe\u00e7as impressionistas como as &#8220;Gnossiennes&#8221; de Erik Satie, que tranp\u00f4s para o sax soprano.<br \/>\n\tGeri Allen h\u00e1-de levar em aten\u00e7\u00e3o as palavras de Lacy: &#8220;Quando toco com um estranho que nunca me ouviu antes ou s\u00f3 ouviu atrav\u00e9s de um disco, \u00e9 poss\u00edvel que ele n\u00e3o me entenda e pense que estou perdido. Ent\u00e3o \u00e9 ele pr\u00f3prio que se perde e a coisa pode tornar-se uma grande confus\u00e3o&#8221;.<br \/>\n\tDa sua extensa discografia, sugerimos (escolha necessariamente subjetiva e parcelar) os \u00e1lbuns: &#8220;The Forest and the Zoo&#8221;, &#8220;Scretching the Surface&#8221; (triplo CD que re\u00fane alguns dos trabalhos mais experimentalistas, como &#8220;Lapis&#8221; e &#8220;The Owl&#8221;, gravados nos anos 70 em Paris, onde viveu grande parte da sua vida), &#8220;Saxophone Special +&#8221;, &#8220;Weal &#038; Woe&#8221;, &#8220;Trickles&#8221;, &#8220;The Way&#8221;, &#8220;Two, Five &#038; Six\/Blinks&#8221;, &#8220;We See&#8221;, &#8220;Vespers&#8221; e &#8220;5 x Monk 5 x Lacy&#8221; (sax soprano solo, Lacy e Monk em jogo de reflexos).<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>O universo dos outros<\/strong><\/p>\n<p>Geri estar\u00e1 decerto atenta. &#8220;Gosto de entrar no universo dos outros. \u00c9 como ir para outro pa\u00eds e outra cultura &#8211; tem-se a sorte de se poder olhar para o nosso lado de dentro, mais de perto. E adquire-se uma maior clareza quando se volta ao nosso pr\u00f3prio universo&#8221;, diz. Disc\u00edpula de Kenny Barron, Geri Allen possui uma musicalidade, um vigor e um swing inconfund\u00edveis. Mergulhou fundo no movimento M-Base, tocando com Steve Coleman (&#8220;Motherland Pulse&#8221;, recenseado no Mil Folhas da semana passada). Andrew Cyrille, Julius Hemphill, Arthur Blythe, Dewey Redman, Lester Bowie, James Newton, Charlie Haden e Paul Motian puderam igualmente apreciar e aproveitar a poesia poderosa do seu piano. O seu novo disco tem por t\u00edtulo &#8220;Twenty One&#8221;. D\u00favida para hoje \u00e0 noite: ser\u00e1 que trar\u00e1 consigo o sintetizador?<br \/>\n\tConversam a seguir Lee Konitz, saxofonista alto e soprano, e Joey Baron, baterista. De novo duas gera\u00e7\u00f5es frente a frente. Konitz \u00e9 a voz dissidente do bebop que ousou contrariar o dom\u00ednio de Charlie Parker e apontar novas direc\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegar ao &#8220;cool&#8221;, consciente de que o timbre e o fraseado do seu alto n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de assimilar.<br \/>\n\tLennie Tristano, de quem foi fan\u00e1tico disc\u00edpulo e acompanhante &#8211; e, por consequ\u00eancia, de Warne Marsh, outro saxofonista &#8220;desalinhado&#8221; &#8211; foi provavelmente o pianista que melhor o compreendeu, da mesma forma que ele foi dos poucos a compreender Tristano. Talvez por isso este saxofonista um pouco marginal que tanto se rodeia dos maiores solistas como de jovens aprendizes entusiastas, que participou nas sess\u00f5es de &#8220;The Birth of the Cool&#8221; com Miles Davis e que acusou Anthony Braxton de ter insultado a m\u00fasica de Tristano, aprecie a companhia de bateristas &#8220;mel\u00f3dicos&#8221;. Como Joey Baron, em rela\u00e7\u00e3o ao qual manifestou uma \u00e2nsia enorme de tocar.<br \/>\n\tBaron, o baterista do momento, \u00e9, como se costuma dizer, pau para toda a obra. Est\u00e1 no rock, no R&#038;B, na &#8220;downtown&#8221;, na m\u00fasica improvisada como no mais redundante &#8220;mainstream&#8221;. A lista de participa\u00e7\u00f5es \u00e9 infind\u00e1vel: Dizzy Gillespie, Tony Bennett, Chet Baker, Laurie Anderson, Art Pepper, Stan Getz, David Bowie, Philip Glass, John Abercrombie, Al Jarreau, John Scofield, The Lounge Lizards, Tim Berne&#8230; Depois dos Naked City (com John Zorn, Fred Frith, Bill Frisell e Wayne Horvitz), integra atualmente os Masada, de John Zorn, Dave Douglas e Greg Cohen. \u00c9 l\u00edder dos Barondown, em trio com Ellery Eskelin e Steve Swell. A sua mais recente grava\u00e7\u00e3o tem por t\u00edtulo &#8220;Down Home&#8221;.<br \/>\n\tHoje \u00e0 noite se ver\u00e1 quem ir\u00e1 aprender com quem. Divertir com quem. Arriscar com quem.<\/p>\n<p><strong>Steve Lacy + Geri Allen;<br \/>\nLee Konitz + Joey Baron<\/strong><br \/>\nLISBOA Grande Audit\u00f3rio do Centro Cultural de Bel\u00e9m<br \/>\n\u00c0s 21h. Tel. 213612444.<br \/>\nBilhetes entre 5 e 20 euros <\/p>\n<p><strong>Baixo grande em Coimbra<\/strong><\/p>\n<p>O jazz da frente continua a dar cartas em Coimbra, atrav\u00e9s dos seus concertos mensais, no \u00e2mbito de Coimbra 2003, Capital Nacional da Cultura. William Parker e o seu quarteto prosseguem esta noite o ciclo Jazz ao Centro \u2014 Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra.<br \/>\n\tAl\u00e9m de Parker, contrabaixista de reconhecidos m\u00e9ritos que sucede em linha direta a mestres como Jimmy Garrison, Paul Chambers e Charles Mingus, fazem parte do quarteto Rob Brown (saxofone alto), Lewis Barnes (trompete) e Hamid Drake (bateria).<br \/>\n\tParker faz uma s\u00famula bastante convincente e totalmente personalizada do \u201cfree jazz\u201d, do \u201chard bop\u201d e do novo jazz que dispensa cataloga\u00e7\u00f5es. J\u00e1 no final dos anos 80 participa numa s\u00e9rie de grava\u00e7\u00f5es com o pianista Cecil Taylor (\u201cLooking\u201d, \u201cCelebrated Blazons\u201d, \u201cOlu Iwa\u201d, \u201cMelancholy\u201d&#8230;), associando-se posteriormente a improvisadores como Peter Brotzmann, Paul Rutherford, Derek Bailey e Peter Kowald, integrando as fileiras da editora FMP (\u201cFree Music Productions\u201d).<br \/>\n\tO vozeir\u00e3o do seu contrabaixo, como em Mingus, reivindicativo da primeira pessoa em discurso direto, d\u00e1 ainda explica\u00e7\u00f5es no Little Huey Creative Music Ensemble de Nova Iorque.<br \/>\n\tO seu \u00e1lbum mais recente, \u201cRaining on the Moon\u201d, com o selo Thirsty Ear (editora que, segundo alguns, estar\u00e1 a desempenhar neste novo mil\u00e9nio o mesmo papel que a Blue Note nos anos \u00e1ureos do jazz comprendido entre as d\u00e9cadas de 40 e 60) surge curiosamente inserido numa linha tradicionalista, ou neotradicionalista, onde se cruzam os fumos da \u201cdowntown\u201d, a cita\u00e7\u00e3o bop e o cabar\u00e9.<br \/>\n\tCoimbra ser\u00e1 o segundo ponto de passagem do quinteto pela Europa.<\/p>\n<p><strong>William Parker Quartet<\/strong><br \/>\nCoimbra Teatro Acad\u00e9mico Gil Vicente<br \/>\n\u00c0s 21h30. Tel. 239855636. Bilhetes a 10 euros (estudantes: 8 euros)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> jazz >> concertos) s\u00e1bado, 18 Janeiro 2003 Conversa entre gigantes do jazz no CCB WILLIAM PARKER EM COIMBRA Duos no CCB. Jazz ao Centro em Coimbra. O jazz no centro das aten\u00e7\u00f5es. Steve Lacy, Geri Allen, Lee Konitz, Joey Baron tocam hoje em Lisboa. 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