{"id":7117,"date":"2018-12-10T07:43:43","date_gmt":"2018-12-10T14:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7117"},"modified":"2018-12-10T07:43:43","modified_gmt":"2018-12-10T14:43:43","slug":"spring-heel-jack-gianluigi-trovesi-dave-holland-big-band-carlos-barretto-trio-bernardo-sassetti-wayne-shorter-joe-giardulo-joe-mcphee-mike-bisio-tani-tabbal-roscoe-mitchell-the-note","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/10\/spring-heel-jack-gianluigi-trovesi-dave-holland-big-band-carlos-barretto-trio-bernardo-sassetti-wayne-shorter-joe-giardulo-joe-mcphee-mike-bisio-tani-tabbal-roscoe-mitchell-the-note\/","title":{"rendered":"Spring Heel Jack + Gianluigi Trovesi + Dave Holland Big Band + Carlos Barretto Trio + Bernardo Sassetti + Wayne Shorter + Joe Giardulo, Joe McPhee, Mike Bisio, Tani Tabbal + Roscoe Mitchell &#038; The Note + Branford Marsalis + Andrew Hill + Mark Dresser Trio + Billy Cobham + Mat Maneri + Charles Lloyd + Tom Harrel &#8211; Balan\u00e7o Do Ano 2002 (artigo de opini\u00e3o \/ cr\u00edticas de discos \/ balan\u00e7o do ano \/ 2002 \/ jazz \/ listas)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> artigos de opini\u00e3o)<br \/>\ns\u00e1bado, 4 Janeiro 2003<\/p>\n<p><strong>>> Balan\u00e7o do ano 2002<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7118\" rel=\"attachment wp-att-7118\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"138\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7118\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-1.jpg 647w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-1-300x64.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-1-624x133.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/1-1-100x21.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>2002 foi ano de grande jazz em portugu\u00eas. A nova editora Clean Feed deu o mote, lan\u00e7ando para o caldeir\u00e3o dois cl\u00e1ssicos instant\u00e2neos, com as assinaturas de Carlos Barretto e Bernardo Sassetti. L\u00e1 fora, o &#8220;free&#8221;, o &#8220;p\u00f3s-free&#8221; e o que vir\u00e1 a seguir rivalizaram com manifestos de afirma\u00e7\u00e3o por alguns dos cl\u00e1ssicos eternos, num ano que foi tamb\u00e9m de boas reedi\u00e7\u00f5es. \u00c0 frente de todos pusemos o disco, dos Spring Heel Jack, que mais tem dividido as opini\u00f5es. Prova de que, afinal, o jazz conserva intacto o dom de provocar.<\/p>\n<p><strong>01 |<br \/>\nSpring Heel Jack<\/strong> Amassed (Thirsty Ear, distri. Trem Azul)<br \/>\nSa\u00eddo das mentes distorcidas, mas livres e vision\u00e1rias, de dois homens que n\u00e3o faziam parte do jazz \u2013 John Coxon e Ashley Wales \u2013, &#8220;Amassed&#8221;, depois do ensaio pr\u00e9vio que \u00e9 &#8220;Masses&#8221;, revolucionou os par\u00e2metros do jazz eletr\u00f3nico, samplando o que, no passado, pertencera ao dom\u00ednio do anal\u00f3gico nas vis\u00f5es orquestrais de George Russell ou nas pulsa\u00e7\u00f5es barrocas do &#8220;Synthesizer Show&#8221; montado por Paul Bley e Annette Peacock, numa catedral de alucina\u00e7\u00f5es que serve de suporte \u00e0 &#8220;free music&#8221; remodelada em espiral de loucura por alguns dos seus expoentes \u2013 Evan Parker, Han Bennink, Paul Rutherford, Matthew Shipp e Kenny Wheeler. Se at\u00e9 o &#8220;bebop&#8221;, por altura da sua g\u00e9nese, foi considerado o &#8220;fim do jazz&#8221;, e Coltrane vaiado como uma farsa, como n\u00e3o conceder igualmente aos SHJ essa suprema honra de provocar em doses iguais a paix\u00e3o e a repulsa?<\/p>\n<p><strong>02 |<br \/>\nGianluigi Trovesi<\/strong> Dedalo (Enja, distri. Dargil)<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o orquestral com a WSR Big Band alem\u00e3, Markus Stockausen (trompete), Fulvio Maras (percuss\u00e3o) e Tom Rainey (bateria), &#8220;Dedalo&#8221; recupera o cl\u00e1ssico &#8220;From G to G&#8221;, remontado-o num labirinto onde se cruzam os caminhos do &#8220;vaudeville&#8221;, Zappa, Ellington, Gil Evans, Don Ellis, jazz progressivo e jazzrock, mo\u00eddos, destilados e incendiados por uma imagina\u00e7\u00e3o delirante. O homem \u00e9 um feiticeiro.<\/p>\n<p><strong>03 |<br \/>\nDave Holland Big Band<\/strong> What Goes Around (ECM, distri. Dargil)<br \/>\nAlguma da m\u00fasica &#8220;antiga&#8221; deste not\u00e1vel contrabaixista \u00e9 aqui tornada mat\u00e9ria de novos &#8220;standards&#8221; pessoais, em formato de &#8220;big band&#8221; a dar mais volume e cor ao habitual quarteto que tem acompanhado Holland nas suas \u00faltimas realiza\u00e7\u00f5es para a ECM. Enriquecimento e desafio numa proposta de cria\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio instrumental onde leitura, arranjos e improvisa\u00e7\u00e3o se confundem.<\/p>\n<p><strong>04 |<br \/>\nCarlos Barretto Trio<\/strong> Radio Song (ed. e distri. CBTM)<br \/>\nEnquanto solista, voz dialogante ou pe\u00e7a de suporte, Barretto confirma a maturidade e a seguran\u00e7a dos seus recursos t\u00e9cnicos, num \u00e1lbum de m\u00faltiplos matizes que conta com a mais-valia do m\u00fasico franc\u00eas Louis Sclavis.<\/p>\n<p><strong>05 |<br \/>\nBernardo Sassetti<\/strong> Nocturno (Clean Feed, distri. Trem Azul)<br \/>\nGravado em ambiente de &#8220;verdadeira magia&#8221; na Quinta de Belgais, &#8220;Nocturno&#8221; \u00e9 uma incurs\u00e3o impressionista nos meandros mais \u00edntimos do piano. Como Bill Evans, Sassetti cria a partir da c\u00e9lula e a partir dela inventa a noite.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><strong>06 |<br \/>\nWayne Shorter<\/strong> Footprints Live! (Verve, distri. Universal)<br \/>\nTrata-se, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, do primeiro \u00e1lbum ao vivo deste not\u00e1vel executante dos saxofones tenor e soprano, antigo &#8220;sideman&#8221; de Miles e cabe\u00e7a falante dos Weather Report. Impressiona a energia e o lirismo de uma m\u00fasica que alia a investida inquisitiva a uma delicadeza sem limites. Uma pegada impressa com a for\u00e7a de um &#8220;statement&#8221;.<\/p>\n<p><strong>07 |<br \/>\nJoe Giardulo, Joe McPhee, Mike Bisio, Tani Tabbal<\/strong> Shadows and Light (Drimala, distri. Trem Azul)<br \/>\nUm lento avolumar de tens\u00f5es e incandesc\u00eancias em que o jazz &#8220;apodrece&#8221;, para das suas cinzas se erguer a f\u00e9nix renascida. O tenor de McPhee gasta-se, corr\u00f3i, cria andaimes e po\u00e7os. Giardulo \u00e9 o nevr\u00f3tico de servi\u00e7o. &#8220;Shadows &#038; Light&#8221; tenta apanhar o al\u00e9m, o dia seguinte ao da cat\u00e1strofe. E consegue.<\/p>\n<p><strong>08 |<br \/>\nRoscoe Mitchell &#038; The Note<\/strong> Factory Song for My Sister (Pi, distri. Trem Azul)<br \/>\nAos 62 anos o multinstrumentista prossegue os estudos fora da selva de mitos dos Art Ensemble of Chicago. Numa conjuga\u00e7\u00e3o mais formalista do &#8220;free&#8221; (abrangendo mesmo uma faceta did\u00e1ctica) com os rituais remanescentes dos AEC, a m\u00fasica ganha alento numa imensa viagem pelos limites do jazz.<\/p>\n<p><strong>09 |<br \/>\nBranford Marsalis<\/strong> Footsteps for our Fathers (Marsalis Music, distri. Trem Azul)<br \/>\nCruzamento, ou n\u00e3o, como algu\u00e9m disse, entre &#8220;um &#8216;cartoon&#8217; de Disney e um pregador evang\u00e9lico&#8221;, o sopro de Marsalis aventura-se em refazer a totalidade de &#8220;The Freedom Suite&#8221;, de Sonny Rollins, e &#8220;A Love Supreme&#8221;, de Coltrane. Sobrevive inc\u00f3lume. Mais: acompanha o esp\u00edrito daqueles dois g\u00e9nios.<\/p>\n<p><strong>10 |<br \/>\nAndrew Hill<\/strong> A Beautiful Day (Palmetto, distri. Trem Azul)<br \/>\nSess\u00e3o ao vivo no Birdland na companhia de Marty Ehrlich e uma &#8220;big band&#8221;, &#8220;A Beautiful Day&#8221; \u00e9 um dia perfeito na mais recente produ\u00e7\u00e3o pian\u00edstica de Hill, um dos eleitos que soube unir o bop \u00e0 vanguarda.<\/p>\n<p><strong>11 |<br \/>\nMark Dresser Trio<\/strong> Aquifers (Cryptogramophone, distri. Sabotage)<br \/>\n&#8220;Aquifers&#8221; faz a transcri\u00e7\u00e3o musical dos fluxos de \u00e1gua subterr\u00e2neos que fertilizam o planeta. &#8220;Acumula\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;tr\u00e2nsito&#8221; e &#8220;liberta\u00e7\u00e3o&#8221; funcionam como met\u00e1foras tel\u00faricas da circula\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancias, modula\u00e7\u00e3o de timbres e planifica\u00e7\u00e3o de texturas assim\u00e9tricas cuja energia parece provir, de facto, dessa matriz aqu\u00e1tica que alimenta a Terra.<\/p>\n<p><strong>12 |<br \/>\nBilly Cobham<\/strong> The Art of Three (In &#038; Out, distri. Dargil)<br \/>\nSurpresa, ou talvez n\u00e3o, esta categ\u00f3rica afirma\u00e7\u00e3o da arte do trio piano-baixo-bateria pelo baterista jazzrock que, depois da aprendizagem com Miles, ajudou a criar o mito Mahavishnu Orchestra. Tem a seu lado comparsas de luxo: Ron Carter, no baixo, e Kenny Barron, no piano, este \u00faltimo um prod\u00edgio de subtileza e capacidade de voo.<\/p>\n<p><strong>13 |<br \/>\nMat Maneri<\/strong> Sustain (Thirsty Ear, distri. Trem Azul)<br \/>\nMais ferrugem da boa. Outro prego cravado no cr\u00e2neo do &#8220;mainstream&#8221;. Disc\u00edpulo de Ornette e Stuff Smith, Maneri arranca com o seu violino a carapa\u00e7a \u00e0 m\u00fasica improvisada em alian\u00e7a perigosa entre electr\u00f3nica, jazz vertigem e uma permanente dial\u00e9ctica entre o sil\u00eancio e o caos.<\/p>\n<p><strong>14 |<br \/>\nCharles Lloyd<\/strong> Lift Every Voice (ECM, distri. Dargil)<br \/>\nLloyd, o asceta encantado pelo budismo, deixa atr\u00e1s de si um rasto de paradoxos. Desde sempre arreigado a uma vis\u00e3o m\u00edstica da m\u00fasica, &#8220;Lift Every Voice&#8221; perdeu entretanto o grito libert\u00e1rio dos prim\u00f3rdios, para se concentrar em mantras e no Grande Esp\u00edrito onde ardia John Coltrane.<\/p>\n<p><strong>15 |<br \/>\nTom Harrel<\/strong> Live at the Village Vanguard (Bluebird, distri. BMG)<br \/>\nEleito em 2001 pela &#8220;Down Beat&#8221; &#8220;compositor do ano&#8221;, Harrell distribui vitalidade, clareza e extrovers\u00e3o. A sua trompete, iluminada pela tradi\u00e7\u00e3o de Blue Mitchell e Clifford Brown, n\u00e3o ilude por\u00e9m uma tristeza que em &#8220;Where the rain begins&#8221; lateja como uma ferida mal sarada.<\/p>\n<p><strong><em>Discos de 2001 ouvidos em 2002 merecedores de figurarem no top:<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Dave Douglas<\/strong> Witness (RCA, distri. BMG)Dave Holland Not for Nothin&#8217; (ECM, distri. Dargil)<br \/>\n<strong>James Emery, Joe Lovano, Judi Silvano, Drew Gress<\/strong> Fourth World (Between the Lines, distri. Ananana)<br \/>\n<strong>Louis Sclavis<\/strong> L&#8217;Affrontement des Pr\u00e9tendants (ECM, distri. Dargil)<br \/>\n<strong>Myra Melford &#038; Marty Ehrlich<\/strong> Yet Can Spring (Arabesque, distri. trem Azul)<br \/>\n<strong>Steuart Liebig<\/strong> Pomegranate (Cryptogramophone, distri. Sabotage)<\/p>\n<p><strong>REEDI\u00c7\u00d5ES:<\/strong><em><\/p>\n<p><strong>Ella Fitzgerald<\/strong> Whisper Not (Verve, distri. Universal)<br \/>\n<strong>Gerry Mulligan<\/strong> Village Vanguard (Verve, distri. Universal)<br \/>\n<strong>John Coltrane<\/strong> Legacy (Impulse, distri. Universal)<br \/>\n<strong>Nina Simone<\/strong> Nina Simone and Piano! (RCA, distri. BMG)<br \/>\n<strong>Paul Bley, Jommy Giuffre, Steve Swallow<\/strong> The Life of a Trio &#8211; &#8220;Saturday&#8221; e &#8220;Sunday&#8221; (Owl, distri. Universal)<br \/>\n<strong>Sam Rivers<\/strong> Crystals (Impulse, distri. Universal)<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7119\" rel=\"attachment wp-att-7119\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"121\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7119\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-1.jpg 650w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-1-300x56.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-1-624x116.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/2-1-100x19.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> mil-folhas >> jazz >> artigos de opini\u00e3o) s\u00e1bado, 4 Janeiro 2003 >> Balan\u00e7o do ano 2002 2002 foi ano de grande jazz em portugu\u00eas. 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