{"id":7108,"date":"2018-12-04T10:43:33","date_gmt":"2018-12-04T17:43:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7108"},"modified":"2018-12-04T10:43:33","modified_gmt":"2018-12-04T17:43:33","slug":"elena-ledda-elena-ledda-e-o-erotismo-das-dancas-do-sul-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/12\/04\/elena-ledda-elena-ledda-e-o-erotismo-das-dancas-do-sul-concertos\/","title":{"rendered":"Elena Ledda &#8211; &#8220;Elena Ledda E O Erotismo Das Dan\u00e7as Do Sul&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> cultura >> world >> concertos)<br \/>\nter\u00e7a-feira, 16 Setembro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Elena Ledda e o erotismo das dan\u00e7as do Sul<br \/>\n<\/center><br \/>\nElena Ledda<\/strong><br \/>\nCASTRO VERDE Cineteatro<br \/>\ndia 13, 22h00<br \/>\nBastante p\u00fablico<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7109\" rel=\"attachment wp-att-7109\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/el.jpg\" alt=\"\" width=\"351\" height=\"475\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7109\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/el.jpg 351w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/el-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/el-74x100.jpg 74w\" sizes=\"auto, (max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>O Ver\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas e Castro Verde, em pleno Baixo Alentejo, torra ao sol. Felizmente beneficiou do refrig\u00e9rio da m\u00fasica, no festival Plan\u00edcie Mediterr\u00e2nica, integrado na programa\u00e7\u00e3o do Sete S\u00f3is Sete Luas, que terminou no domingo com espet\u00e1culos de Lula Pena e dos Fic\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA felicidade fez-se sentir no s\u00e1bado, no cineteatro da vila, quando os ouvidos e a alma acolheram a m\u00fasica da cantora da Sardenha Elena Ledda, respons\u00e1vel pelos projetos Suonofficina e o atual Maremannu, e senhora de uma voz capaz de deixar qualquer um de rastos (o calor n\u00e3o conseguiu tal). At\u00e9 certo ponto, pelo menos. \u00c9 que, se quase todos se encantaram, houve tamb\u00e9m quem se mostrasse indiferente a esta voz que ora transporta uma religiosidade a ro\u00e7ar o sublime, ora faz estremecer os corpos com o erotismo que atravessa, como um arrepio na pele, as dan\u00e7as do Sul. Mas nem o erotismo nem o sagrado foram suficientes para calar uma parte do p\u00fablico, que insistiu em conversar na plateia em voz alta, enquanto a crian\u00e7ada corria e guinchava pelas cochias.<br \/>\nNo palco, os m\u00fasicos cantavam com devo\u00e7\u00e3o uma liturgia ou polifonias dirigidas a Deus. Valeu que Deus, incluindo quando veste as roupagens de Terra, mesmo quando n\u00e3o se respeita o sil\u00eancio que lhe \u00e9 devido, sabe fazer-se ouvir atrav\u00e9s das vozes que se colocam ao seu servi\u00e7o. A de Elena Ledda \u00e9 uma delas.<br \/>\nUmas vezes grave, outras gracioso, s\u00f3 ou apoiada por uma segunda voz, o canto de Elena escancarou sobre a noite de Castro Verde uma ab\u00f3boda de estrelas. Cantou lengalengas e can\u00e7\u00f5es de ninar que h\u00e1 s\u00e9culos fazem adormecer e acalmar as crian\u00e7as (menos as do Cineteatro de Castro Verde) e espantam os pap\u00f5es. Emocionou ao interpretar um tema em curdo. Criou padr\u00f5es intrincados nas polifonias a duas vozes. Improvisou com inspira\u00e7\u00e3o entre o transe ritual e acentos contempor\u00e2neos moldados no minimalismo. Os dois instrumentistas, um no bandolim outro no baixo el\u00e9trico, refor\u00e7aram a componente r\u00edtmica de alguns temas com balan\u00e7o folk-rock, contribuindo para a descompress\u00e3o de uma m\u00fasica que, nos momentos de eleva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o admite qualquer tipo de interfer\u00eancias.<br \/>\nQuando, por\u00e9m, a religiosidade se materializou em cita\u00e7\u00f5es diretas a Nossa Senhora e ao Menino Jesus ou na laiciza\u00e7\u00e3o musical dos c\u00e2nones de uma missa tradicional, houve na sala quem, mais materialista, se agitasse na cadeira e desviasse o rosto, incomodado. Absorta \u2013 e, no entanto, t\u00e3o pr\u00f3xima \u2013 no seu \u00eaxtase, imune \u00e0s press\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o, Elena Ledda fez o que tinha a fazer, cantando como uma diva em tr\u00e2nsito entre os enlevos do c\u00e9u e as del\u00edcias da Terra. No final, quase todos se renderam, ovacionando-a de p\u00e9.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Cante&#8221; alentejano e jazz com humor<\/strong><br \/>\nAntes de Elena Ledda, cantaram as Camponesas de Castro Verde, com uma curta mas sentida sess\u00e3o de &#8220;cante&#8221; alentejano. A anteceder o concerto propriamente dito, na rua, em frente ao anfiteatro, j\u00e1 tinham atuado os Funk Off, banda de jazz c\u00f3mica italiana que coloca a m\u00fasica ao servi\u00e7o do humor e vice-versa. As suas fanfarras, t\u00e3o swingantes como desbragadas (algures entre os Bandem\u00f3nio e os Madness, como se ouviu algu\u00e9m comentar), as coreografias de circo, a intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, as ordens berradas em jeito de &#8220;rap&#8221; ao megafone, as poses Monty Python e uma alegria e movimenta\u00e7\u00e3o contagiantes arrancaram sorrisos, gritos, palmas e passos de dan\u00e7a \u00e0 pequena multid\u00e3o que se juntou em redor desta &#8220;big band&#8221; de &#8220;jazzmen&#8221; faz-tudos.<br \/>\nMas a noite tinha ainda reservadas outras surpresas. A seguir ao concerto, numa tenda improvisada, um baile tradicional reavivou, ao som das violas campani\u00e7as, os ancestrais passes de dan\u00e7a que, durante s\u00e9culos, foram repetidos no Alentejo, mas que a passagem do tempo vai apagando dos corpos e das mem\u00f3rias dos mais novos. Nada tradicionais, os Chocalhos subiram depois ao estrado para continuar o baile. Misturaram valsas e mazurkas, reggae e rock, batucadas e andamentos medievais, um tema dos Milladoiro e toques dos Gryphon. T\u00eam um \u00e1gil percussionista (ao que parece, antigo elemento dos Ciganos de Oiro) e um &#8220;virtuose&#8221; flautista (flautas transversal e de bisel) e executante de instrumentos de sopro medievais que ir\u00e1 dar que falar. O CD de estreia dos Chocalhos, que t\u00eam tudo para triunfar menos o nome, sair\u00e1 em breve.<br \/>\nQuando, por fim, um grupo de gaiteiros se juntou \u00e0 festa, o Alentejo deixou de ser \u00e1rabe para sucumbir \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o celta. Vasta, ardente e luminosa plan\u00edcie mediterr\u00e2nica, puxaram-na para Norte, mas continua a ser ela. Eixo em redor do qual a nova Europa ir\u00e1 bailar.<\/p>\n<p><strong>EM RESUMO<\/strong><br \/>\nCastro Verde assistiu a um concerto memor\u00e1vel por uma das grandes vozes atuais do Mediterr\u00e2neo. Antes, divertiu-se \u00e0 grande com as tropelias dos Funk Off. Pena a falta de respeito de algum p\u00fablico presente no cineteatro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> world >> concertos) ter\u00e7a-feira, 16 Setembro 2003 Elena Ledda e o erotismo das dan\u00e7as do Sul Elena Ledda CASTRO VERDE Cineteatro dia 13, 22h00 Bastante p\u00fablico O Ver\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9guas e Castro Verde, em pleno Baixo Alentejo, torra ao sol. 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