{"id":7092,"date":"2018-11-27T10:02:26","date_gmt":"2018-11-27T17:02:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=7092"},"modified":"2018-11-30T09:04:12","modified_gmt":"2018-11-30T16:04:12","slug":"totonho-cabra-2totonho-soltou-a-cabra-no-musicas-do-mundo-de-sines-concertos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/11\/27\/totonho-cabra-2totonho-soltou-a-cabra-no-musicas-do-mundo-de-sines-concertos-festivais\/","title":{"rendered":"Totonho + Cabra &#8211; &#8220;Totonho Soltou A Cabra No M\u00fasicas Do Mundo DE Sines&#8221; (concertos \/ festivais)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> world >> concertos \/ festivais)<br \/>\ndomingo, 27 Julho 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Totonho soltou a cabra no M\u00fasicas do Mundo de Sines<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Ao fim de dois dias, o 5.\u00ba festival M\u00fasicas do Mundo pode orgulhar-se de ser o mais participado de sempre. M\u00fasica, com \u201cM\u201d grande, para j\u00e1, s\u00f3 a dos portugueses Dan\u00e7as Ocultas e dos afeg\u00e3os Ensemble Kaboul. Do Brasil ouviu-se um enorme estrondo.<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7093\" rel=\"attachment wp-att-7093\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t1.jpg\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"326\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7093\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t1.jpg 488w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t1-100x67.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><\/a><br \/>\nEm cima, totonho e os cabras, no fim os mais desejados; em baixo os Mahotella Queens<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=7094\" rel=\"attachment wp-att-7094\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t2.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"355\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7094\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t2.jpg 240w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t2-203x300.jpg 203w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/t2-68x100.jpg 68w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Surpreendentemente, foram os brasileiros Totonho e os Cabra a arrancar a maior e mais furiosa onda de aplausos registada ao fim de dois dias do festival M\u00fasicas do Mundo, que ontem terminou em Sines. Chanfana de cabra, prato pesado, esteve prestes a provocar indigest\u00e3o mas, servida como ceia, foi engolida pelos mais resistentes com sofreguid\u00e3o.<br \/>\n\tTotonho e o seu grupo, \u00faltimos artistas a atuar sexta-feira num castelo completamente lotado, cantam e falam com alguma dificuldade. A m\u00fasica do grupo \u00e9 simpl\u00f3ria, os ritmos s\u00e3o de uma pobreza confrangedora, mas o entusiasmo e a convic\u00e7\u00e3o mostram um empenhamento total, uma raiva genu\u00edna, um desejo de vomitar as tripas e de comunicar, custe o que custar. Houve quem n\u00e3o aguentasse e fosse abandonando o recinto, insens\u00edvel \u00e0 mistura de batuque, megafone e rap disparados \u00e0 queima-roupa. Os que aguentaram, por\u00e9m, renderam-se, transformando em ritual pag\u00e3o o que de in\u00edcio parecera chinfrineira e erro de \u201ccasting\u201d do festival.<br \/>\n\t\u00c9 o Brasil do Nordeste, o Brasil pobre, o Brasil profundo que Totonho e os Cabra lan\u00e7am \u00e0 cara de quem os ouve. Totonho \u00e9 o cabra (embora o seu verdadeiro apelido seja Bezerra), que grita atrav\u00e9s de um megafone impreca\u00e7\u00f5es e palavras embrulhadas em escarros. \u201cSegura a cabra\u201d foi o hino repetido no encore, por entre eletr\u00f3nica industrial (consta que o grupo aprecia os alem\u00e3es Einstuerzende Neubauten) e cordas gordurentas. Totonho est\u00e1 pouco \u00e0 vontade em palco, inicia frases de explica\u00e7\u00e3o sem as terminar, engasga-se, tudo parece coisa de amadores. E os Cabra s\u00e3o-no, de facto, embora o vocalista n\u00e3o seja nenhum Z\u00e9 Cabra. Ensaia passos fora de ritmo, ergue um totem com a cabe\u00e7a de uma cabra, n\u00e3o se percebe o que diz mas percebe-se que est\u00e1 a ser sincero e que gostaria que a m\u00fasica servisse, de facto, para mudar a sociedade e o mundo. Grita, imita um c\u00e3o a ladrar e faz de cabra mais do que uma vez. Em \u201cBabaovo midi\u201d rima Peter Tosh com Macintosh mas \u00e9 preciso chegar \u00e0 parte final do \u201cconcerto\u201d para tudo fazer sentido, atrav\u00e9s de um rock pesado, implosivo, massacrante.<br \/>\n\tNos bastidores ele e o grupo choram e abra\u00e7am-se, comovidos. O p\u00fablico pede \u201cencores\u201d (foram os \u00fanicos a dar dois) e parecem n\u00e3o acreditar que s\u00e3o desejados. T\u00eam que ser empurrados para o palco. Tinham estado ali, nus, arriscando-se ao rid\u00edculo. Mas regressam, como her\u00f3is. Totonho acerta finalmente nos movimentos do corpo e da voz, improvisa no lugar certo, os outros m\u00fasicos perdem a timidez e d\u00e3o o m\u00e1ximo de si pr\u00f3prios, enlouquecidos. \u201cSegura a cabra\u201d, mas a cabra j\u00e1 se transformara num dem\u00f3nio. Tudo poderia come\u00e7ar nesse momento e, quando as luzes se apagam, j\u00e1 de madrugada, continuam a ouvir-se os gritos dos jovens das filas da frente a pedir mais.<br \/>\n\tA melhor m\u00fasica da noite veio dos Ensemble Kaboul, do Afeganist\u00e3o. Talvez numa sala fechada tivesse soado ainda melhor. Ainda assim, para quem entrasse a tempo (e esta \u00e9 uma m\u00fasica que, como o \u201craga\u201d indiano, necessita que entremos nela e n\u00e3o o contr\u00e1rio), o transe instalou-se de forma subtil e gradual, como a serpente que, sem nos darmos conta, se enrola em torno do cora\u00e7\u00e3o e o hipnotiza. Solos de percuss\u00e3o e de instrumentos de corda ex\u00f3ticos criaram um clima de relaxamento no qual a voz da cantora Mahwash se encaixou sem se destacar. M\u00fasica para se ouvir deitado a olhar para as estrelas.<br \/>\n\tNo registo oposto, o trio de cantoras veteranas Mahotella Queens e o seu grupo el\u00e9trico, limitou-se a p\u00f4r as pessoas a baloi\u00e7ar o corpo. Sessentonas mas bem ginasticadas, as rainhas dan\u00e7aram, mudaram de roupa, vestiram camisas transparentes, mostraram as pernas e o rabo, foram alegria e comunicabilidade e, no final, depois de um tema da tradi\u00e7\u00e3o zulu (o melhor da sua atua\u00e7\u00e3o), desfizeram-se em elogios a Sines, ao p\u00fablico, ao festival, prometendo voltar. A \u201cMbaquanga\u201d, da qual mostraram a vers\u00e3o em pl\u00e1stico, uma africanada batida em rock autom\u00e1tico, funcionou, como um \u201cpreset\u201d de ritmo.<br \/>\n\tNo dia de abertura, os Dan\u00e7as Ocultas, na apresenta\u00e7\u00e3o de temas de um \u00e1lbum a editar em breve, mostraram que a europeiza\u00e7\u00e3o parece ser caminho obrigat\u00f3rio para este quarteto de acorde\u00f5es diat\u00f3nicos. Est\u00e3o mais adultos, e composi\u00e7\u00f5es como \u201cLa danse id\u00e9ale\u201d, \u201cDan\u00e7as ocultas\u201d e \u201cTristes europeus\u201d, s\u00e3o tape\u00e7arias de c\u00e2mara, dignas da grande folk em qualquer parte do mundo. Arranjos intrincados, uso s\u00e1bio do contraponto e uma erudi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dispensa o contacto com as f\u00f3rmulas populares d\u00e3o garantias de que o grupo poder\u00e1 ser, num futuro muito pr\u00f3ximo, par de pleno direito de forma\u00e7\u00f5es como Trans Europe Diatonique ou de solistas como Alain Genty e Riccardo Tesi.<br \/>\n\tQuinta-feira terminou com os Simentera, de Cabo Verde, que mostraram o que \u00e9 habitual nos grupos com esta proveni\u00eancia: um balan\u00e7o a que os corpos dificilmente resistem, um calor que se entranha na pele, belas vozes femininas nas baladas e hist\u00f3rias para contar, como a do guitarrista mais velho, com apenas tr\u00eas dedos numa das m\u00e3os e filhos feitos em todas as ilhas do arquip\u00e9lago, fa\u00e7anha que o p\u00fablico aplaudiu devidamente \u2014 o f\u00e9rtil guitarrista agradeceu, erguendo os bra\u00e7os em triunfo. Infelizmente houve tamb\u00e9m um suporte r\u00edtmico sem grande imagina\u00e7\u00e3o, um saxofonista sofr\u00edvel e um tempo excessivo de atua\u00e7\u00e3o, dando a entender que os Simentera, caso os deixassem, ficariam no palco toda a noite.<br \/>\n\tO M\u00fasicas do Mundo cumpre, assim, o ritual. Dentro do castelo, a \u201cworld music\u201d, sobre relva (sim, sim, aqui n\u00e3o h\u00e1 p\u00f3, o ch\u00e3o \u00e9 verde e confort\u00e1vel!&#8230;) e sob o c\u00e9u do Ver\u00e3o alentejano. Fora dele, o folclore do costume: tendas de artesanato e de ch\u00e1s, falsos e verdadeiros hippies (para os distinguir, basta ver se h\u00e1 crian\u00e7as e c\u00e3es por perto, caso haja, s\u00e3o verdadeiros), \u201crastas\u201d e bailarinas, aprendizes de malabaristas e outros cromos que, n\u00e3o se sabe bem porqu\u00ea, est\u00e3o sempre presentes neste tipo de festivais. Vimos mas n\u00e3o ouvimos djemb\u00e9s, louvado seja o Deus da m\u00fasica do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> world >> concertos \/ festivais) domingo, 27 Julho 2003 Totonho soltou a cabra no M\u00fasicas do Mundo de Sines Ao fim de dois dias, o 5.\u00ba festival M\u00fasicas do Mundo pode orgulhar-se de ser o mais participado de sempre. 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