{"id":707,"date":"2009-07-08T04:18:34","date_gmt":"2009-07-08T11:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=707"},"modified":"2009-07-08T04:18:34","modified_gmt":"2009-07-08T11:18:34","slug":"sand-ultrasonic-seraphim-conj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/07\/08\/sand-ultrasonic-seraphim-conj\/","title":{"rendered":"Sand &#8211; Ultrasonic Seraphim (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>12.02.1999<br \/>\nKrautrock<br \/>\nGille Lettmann, Sand, Cluster, Roedelius<br \/>\nViagens Da Rapariga Das Estrelas Pelo Cosmos<br \/>\nRolf Ulrich-Kaiser, patr\u00e3o da editora Ohr, como Julian Cope diz no seu livro \u201cKrautrocksampler\u201d, \u201ctinha uma vis\u00e3o\u201d: a cria\u00e7\u00e3o, na sua editora, de uma m\u00fasica absolutamente fora deste mundo, a pr\u00f3pria ess\u00eancia da \u201ckosmische music\u201d. Entre os v\u00e1rios projectos que organizou com este fim, todos derivados de desvairadas sess\u00f5es de est\u00fadio alimentadas a \u00e1cido, contam-se a fase inicial dos Ash Ra Tempel, \u201cTarot\u201d, do cigano pintor e m\u00edstico Walter Wegm\u00fcller, \u201cLord Krishna Von Goloka\u201d, do poeta sui\u00e7o Sergius Golowin e o naipe de discos dos Cosmic Jokers, montados pelo pr\u00f3prio Kaiser a partir da colagem de excertos das ditas sess\u00f5es de est\u00fadio, com participa\u00e7\u00f5es da nata dos auto-designados \u201ccosmic courriers\u201d. Gille Lettmann era a mulher de Rolf-Ulrich Kaiser e musa inspiradora de todo o movimento. \u201cGilles Zeitschiff\u201d, de 1974, assinado com o seu nome, re\u00fane um punhado de alucina\u00e7\u00f5es s\u00f3nicas recortadas de sess\u00f5es de est\u00fadio dos \u201ccosmic courriers\u201d, posteriormente manipuladas por Kaiser e realizadas pelos \u201csuspeitos\u201d do costume: Manuel G\u00f6ttsching e Hartmut Enke (dois Ash Ra Tempel), Klaus Schulze, Jurgen Dollase e Harald Grosskopf (ambos dos Wallenstein) e Walter Westrupp, al\u00e9m de Wegm\u00fcller, Golowin e Timothy Leary, o papa do LSD (que a \u201ctroupe\u201d c\u00f3smica encontrou na Sui\u00e7a, quando o professor andava fugido da pol\u00edcia). Leary que funcionou como motor de arranque de v\u00e1rios produtos dos \u201ccosmic courriers\u201d, entre os quais este \u201cGilles Zeitschiff\u201d, um manifesto psicad\u00e9lico sobre a percep\u00e7\u00e3o do tempo sob o efeito das drogas psicotr\u00f3picas. \u201cO Tempo \u00e9 a nova dimens\u00e3o que alimenta a m\u00fasica c\u00f3smica. O Tempo cont\u00e9m tr\u00eas grandes experi\u00eancias que nos fazem voar em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 rainha do sol. O amor est\u00e1 no Tempo. Voem com alegria\u201d, exclama Gilles no cume do seu transe. Sobre um fundo de \u201cacid jams\u201d c\u00f3smicas, a \u201csternenmadchen\u201d, a \u201crapariga das estrelas\u201d, como era conhecida, faz flutuar a sua voz de virgem-bruxa (antecipando um papel semelhante assumido por Gilly Smyth nos Gong) em declama\u00e7\u00f5es espaciais e coment\u00e1rios sobre os seus amigos c\u00f3smicos (incluindo a apologia de Leary), retalhados por efeitos de est\u00fadio, que apenas fazem sentido no contexto do \u00e1cido. \u00c9 um dos melhores exemplos do esp\u00edrito ent\u00e3o reinante no seio da comunidade c\u00f3smica, dominado pelos sintetizadores de Klaus Schulze, superior em estranheza e em poder de s\u00edntese da simbiose \u00e1cido-m\u00fasica, a qualquer dos \u00e1lbuns dos Cosmic Jokers. Depois, \u00e9 deveras interessante verificar como soa um \u201cblues\u201d executado em plena \u201ctrip\u201d, como em \u201cDowntown\u201d, na linha dos \u201cblues\u201d c\u00f3smicos dos Ash Ra Tempel. (Spalax, import. Lojas Valentim de Carvalho, 8).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/sand_ultrasonicseraphim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/sand_ultrasonicseraphim.jpg\" alt=\"sand_ultrasonicseraphim\" title=\"sand_ultrasonicseraphim\" width=\"607\" height=\"600\" class=\"alignnone size-full wp-image-708\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/sand_ultrasonicseraphim.jpg 607w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/sand_ultrasonicseraphim-300x296.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 607px) 100vw, 607px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/50650707\/sand1.zip\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD1)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/50714720\/sand2.zip\" target=\"_blank\">LINK <\/a>(CD2)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AIRfNDw_RDA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AIRfNDw_RDA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Outro objecto valiosos do psicadelismo germ\u00e2nico, tamb\u00e9m de 1974, chega ao compacto por uma via algo bizarra: \u201cGolem\u201d, disco \u00fanico dos Sand, um trio origin\u00e1rio de Bodenwerder, na Sax\u00f3nia, liderado por Johannes Vester, reeditado por Steve Stapleton, mago dos Nurse With Wound e admirador de longa data do \u201ckrautrock\u201d em geral e dos Sand em particular. Reintitulado \u201cUltrasonic Seraphim\u201d, o disco aparece aumentado para CD duplo, incluindo quatro baladas psicad\u00e9licas de um disco a solo de Vester, \u201cBorn at Dawn\u201d, e um segundo disco composto por uma releitura da m\u00fasica dos Sand pelos Nurse With Wound. Influenciados pelos Pink Floyd mais planantes, os Sand criaram em \u201cGolem\u201d mantras de sintetizadores animados por pulsa\u00e7\u00f5es animalescas numa esp\u00e9cie de variante c\u00f3smica de \u201cUmmagumma\u201d. Faixas como \u201cHelicopter\u201d (longa e assustadora alucina\u00e7\u00e3o electr\u00f3nico-psicad\u00e9lica), as personifica\u00e7\u00f5es, por Johannes Vester, de Syd Barrett, em \u201cOld loggerhead\u201d e \u201cOn the corner\u201d (n\u00e3o estaria descabida em \u201cThe Piper At Gates Of Dawn\u201d), a balada semi-ac\u00fastica \u201cMy Rain\u201d (entre os Faust e os Eagles&#8230;) ou a viagem cavernosa pelos meandros da psique de uma tal \u201cSarah\u201d, em dois movimentos que v\u00e3o dos sepulcros estelares de \u201cAtem\u201d, dos Tangerine Dream aos Cluster industriais de \u201cCluster II\u201d, constituem uma das experi\u00eancias mais marginais de todo o \u201ckrautrock\u201d. (United Durtro, distri. Symbiose, 8)<\/p>\n<p>Finalmente, os Cluster regressam com uma nova reedi\u00e7\u00e3o na Sky, desta feita \u201cCuriosum\u201d, de 1981, um dos discos da obra da dupla Moebius-Roedelius, posteriores a \u201cSowiesoso\u201d, preferidos por Julian Cope. Abstracto, maquinal e minimalista, por vezes pr\u00f3xima de \u201cRalf &#038; Florian\u201d, dos Kraftwerk (\u201cTristan in der bar\u201d), a \u201cCuriosum2 faltar\u00e1 apenas o humor e o tom de realejo da obra-prima \u201cZuckerzeit\u201d, numa m\u00fasica cuja arquitectura concilia o sentimento e a matem\u00e1tica. Indispens\u00e1vel para os incondicionais do grupo, \u201cCuriosum\u201d prenuncia ainda trabalhos mais recentes como \u201cApropos Cluster\u201d ou a sess\u00e3o do super-grupo Space Explosion. (Sky, import. Lojas Valentim de Carvalho, 8).<\/p>\n<p>Elemento rom\u00e2ntico dos Cluster, Hans-Joachim Roedelius gravou \u201cJardin Au Fou\u201d em 1978, um dos seus melhores e mais diversificados trabalhos dos anos 70. Aqui, a vertente cl\u00e1ssica e pian\u00edstica (presente em temas como \u201cToujours\u201d ou \u201cBalsam\u201d) caracter\u00edstica de grande parte da sua discografia a solo, escapa por completo ao teor \u201cnew age\u201d que enferma \u00e1lbuns como \u201cMomenti Felicci\u201d, num saud\u00e1vel conv\u00edvio com o experimentalismo electr\u00f3nico e um lado concretista que o m\u00fasico apenas viria a retomar nos recentes (e magn\u00edficos), \u201cSinfonia Contempora No.1\u201d e \u201cLa Nordica\u201d. \u201cCafe Central\u201d apresenta a sonoridade e uma constru\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica t\u00edpica de Michael Rother, \u201cLe Jardin\u201d \u00e9 uma aguarela matutina de sol e chilrear de p\u00e1ssaros com a mesma serenidade zen dos Popol Vuh, enquanto a valsa de marionetas \u201cRue Fortune\u201d constitui um delicioso exemplo da arte de Roedelius, no dif\u00edcil equil\u00edbrio entre o s\u00e9rio e o pueril. (Captain Trip, import. FNAC, 8).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>12.02.1999 Krautrock Gille Lettmann, Sand, Cluster, Roedelius Viagens Da Rapariga Das Estrelas Pelo Cosmos Rolf Ulrich-Kaiser, patr\u00e3o da editora Ohr, como Julian Cope diz no seu livro \u201cKrautrocksampler\u201d, \u201ctinha uma vis\u00e3o\u201d: a cria\u00e7\u00e3o, na sua editora, de uma m\u00fasica absolutamente fora deste mundo, a pr\u00f3pria ess\u00eancia da \u201ckosmische music\u201d. 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