{"id":6986,"date":"2018-10-02T07:29:44","date_gmt":"2018-10-02T14:29:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6986"},"modified":"2018-10-02T07:29:44","modified_gmt":"2018-10-02T14:29:44","slug":"rolling-stones-satisfacao-garantida-artigo-de-opiniao-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/10\/02\/rolling-stones-satisfacao-garantida-artigo-de-opiniao-concertos\/","title":{"rendered":"Rolling Stones &#8211; &#8220;Satisfa\u00e7\u00e3o Garantida&#8221; (artigo de opini\u00e3o \/ concertos)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o \/ concertos)<br \/>\ns\u00e1bado, 27 Setembro 2003<\/p>\n<p>Integra o Destaque: STONES PELA TERCEIRA VEZ EM PORTUGAL<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 234;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"234x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Coment\u00e1rio<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Satisfa\u00e7\u00e3o garantida<\/p>\n<p>Melhor ou pior do que antigamente, o fen\u00f3meno Stones continua a atrair multid\u00f5es. Atravessou inc\u00f3lume quatro d\u00e9cadas e quatro gera\u00e7\u00f5es. Esta noite, como sempre, milhares de gargantas ir\u00e3o gritar em un\u00edssono \u201cI can\u2019t get no satisfaction!\u201d<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6987\" rel=\"attachment wp-att-6987\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/rs.jpg\" alt=\"\" width=\"587\" height=\"469\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6987\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/rs.jpg 587w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/rs-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/rs-100x80.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Se pergunt\u00e1ssemos \u00e0s 45 mil pessoas que esta noite v\u00e3o encher o novo est\u00e1dio de Coimbra para assistir ao concerto dos Stones, qual o t\u00edtulo do \u00faltimo \u00e1lbum de originais do grupo ou como se chama a obra dos anos 60 que se tornou um cl\u00e1ssico do psicadelismo, o mais certo seria a maioria n\u00e3o saber responder. E, no entanto, toda gente quer ir v\u00ea-los. Dos mais velhos \u00e0 crian\u00e7ada, s\u00e3o quatro gera\u00e7\u00f5es a salivar de antecipa\u00e7\u00e3o. Como o pudim Boca Doce, gosta o av\u00f4 e gosta o beb\u00e9.<br \/>\n\tAs pessoas v\u00e3o ver os Stones por variadas raz\u00f5es. V\u00e3o porque se trata da &#8220;maior banda de rock &#8216;n&#8217; roll do universo&#8221;. V\u00e3o porque os Stones assinaram um pacto com o diabo. V\u00e3o para se certificar de que Mick Jagger ainda consegue correr de ponta a ponta do palco sem a ajuda de uma cadeira de rodas. V\u00e3o para contar os dentes que restam a Keith Richards. V\u00e3o para comentar o branco cada vez mais branco dos cabelos de Charlie Watts. V\u00e3o, enfim, por piedade, porque, coitados, os Stones, apesar de terem uma carreira que parece eterna, nunca conseguiram ultrapassar os Beatles em popularidade e sabe-se como o p\u00fablico gosta de apoiar os eternos segundos. Alguns v\u00e3o pela m\u00fasica.<br \/>\n\tOs mais velhos v\u00e3o para ouvir &#8220;(I can&#8217;t get no) Satisfaction&#8221;. Os das gera\u00e7\u00f5es do meio, e os mais rom\u00e2nticos, para trocar juras de amor ao som de &#8220;Angie&#8221;. Os mais jovens v\u00e3o porque os pais os obrigaram ou porque ouviram dizer que esses tais de Stones eram &#8220;bu\u00e9 rebeldes&#8221; e porque (menos importante) algumas das bandas da sua prefer\u00eancia (n\u00e3o se lembram dos nomes) jamais teriam pegado numa guitarra.<br \/>\n\tH\u00e1 ainda os que v\u00e3o para ouvir os Primal Scream, uma das verdadeiras bandas psicad\u00e9licas dos anos 90, autores do cl\u00e1ssico e tripante &#8220;Screamadelica&#8221;. Sem esquecer os f\u00e3s &#8220;hardcore&#8221; dos Xutos e Pontap\u00e9s que n\u00e3o perdem pitada da sua banda favorita.<\/p>\n<p><strong>Eu vi o mito<\/strong><br \/>\nPonto assente: os Rolling Stones s\u00e3o um mito. Mais, os Rolling Stones s\u00e3o um mito vivo. \u00c9 isso, mais do que tudo o resto, que atrai as multid\u00f5es e excita a imagina\u00e7\u00e3o. Perder a terceira vinda (ou ser\u00e1 melhor dizer, apari\u00e7\u00e3o?) do grupo a Portugal (depois da estreia em 1990 e do regresso em 1995, de ambas as vezes no antigo est\u00e1dio de Alvalade, em Lisboa), seria como deixar passar em claro a vinda do Papa ou esquecer-se de receber o pr\u00e9mio de um &#8220;seis&#8221; no Totoloto.<br \/>\n\tTorna-se, portanto, sup\u00e9rfluo, avaliar o fen\u00f3meno Stones apenas pelo prisma da m\u00fasica. Sejamos claros: o que os Rolling Stones fazem ou n\u00e3o fazem hoje nessa mat\u00e9ria (a prop\u00f3sito, qual \u00e9 mesmo o nome do \u00faltimo disco de originais?) \u00e9 irrelevante, a n\u00e3o ser em termos comerciais porque, apesar de tudo, a m\u00e1quina continua a carburar e os mitos, como \u00e9 sabido, desde que bem &#8220;marketizados&#8221;, s\u00e3o altamente rent\u00e1veis. A verdade \u00e9 cristalina: os Rolling Stones do s\u00e9c. XXI est\u00e3o para os Rolling Stones dos anos 60 e 70 como o Benfica dos \u00faltimos dez anos est\u00e1 para o &#8220;glorioso&#8221; dos anos 60 que conquistou duas ta\u00e7as europeias. Num e noutro caso s\u00e3o hoje forma\u00e7\u00f5es e estados de esp\u00edrito diferentes cuja m\u00edstica se diluiu.<\/p>\n<p><strong>Malditos<\/strong><br \/>\nOs Rolling Stones foram, sem d\u00favida, a &#8220;grande besta negra&#8221; do rock das duas d\u00e9cadas atr\u00e1s referidas, a banda maldita que cobriu de sensualidade os &#8220;blues&#8221;, desafiou os Beatles e &#8220;Sgt. Pepper&#8217;s Lonely Hearts Club Band&#8221; com uma dedicat\u00f3ria a Satan\u00e1s (no tal \u00e1lbum, hoje renegados por muitos mas venerado pelos apreciadores do Psicadelismo, &#8220;Their Satanic Majesties Request&#8221;, de 1967) e fez acreditar que o &#8220;rock &#8216;n&#8217; roll&#8221; podia mudar o mundo, desde que todos gritassem juntos a sua revolta. &#8220;I can&#8217;t get no satisfaction&#8221; foi o hino de uma gera\u00e7\u00e3o &#8211; a dos anos 60 &#8211; que consagrou a rebeldia como bandeira. Hoje os Stones s\u00e3o simp\u00e1ticos (eles devem achar o termo um insulto) sexagen\u00e1rios (Mick Jagger tem 60 anos, Keith Richards, idem, Charlie Watts, 62) que fazem gala em exibir a sua longevidade e o que lhes resta de energia.<br \/>\n\tH\u00e1, por\u00e9m, algo que continua a fazer &#8220;clic&#8221;. Uma empatia constru\u00edda sobre mem\u00f3ria e ilus\u00f5es mas tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de teimosia orgulhosa, uma milit\u00e2ncia provavelmente j\u00e1 sem causa mas que n\u00e3o esmorece. Como se cada um exclamasse para si pr\u00f3prio e para os que o rodeiam: &#8220;Se estes tipos n\u00e3o desistem eu tamb\u00e9m n\u00e3o!&#8221; Uma maneira de atirar \u00e0 cara, do que j\u00e1 n\u00e3o volta, e da engrenagem que nos esmaga, o grito: &#8220;Estou vivo e estou farto desta merda!&#8221;<br \/>\n\t\u00c9 por isso que continua a ser importante dizer &#8220;eu vi os Rolling Stones ao vivo!&#8221;. Os mais novos terem estado l\u00e1 para contar aos filhos e aos netos. Esta noite, se o grupo quiser \u2013 h\u00e1-de querer \u2013 l\u00e1 se ouvir\u00e3o milhares de gargantas a gritar a plenos pulm\u00f5es: &#8220;N\u00e3o consigo sentir satisfa\u00e7\u00e3o!&#8221; Durante todo o tempo que durar o concerto estar\u00e3o a mentir, claro!<\/p>\n<p><strong>NOTA: <\/strong>O \u00faltimo \u00e1lbum de originais dos Rolling Stones chama-se &#8220;Bridges to Babylon&#8221; e foi editado em 1997.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o \/ concertos) s\u00e1bado, 27 Setembro 2003 Integra o Destaque: STONES PELA TERCEIRA VEZ EM PORTUGAL Coment\u00e1rio Satisfa\u00e7\u00e3o garantida Melhor ou pior do que antigamente, o fen\u00f3meno Stones continua a atrair multid\u00f5es. Atravessou inc\u00f3lume quatro d\u00e9cadas e quatro gera\u00e7\u00f5es. 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