{"id":695,"date":"2009-07-06T08:51:10","date_gmt":"2009-07-06T15:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=695"},"modified":"2009-07-06T08:51:10","modified_gmt":"2009-07-06T15:51:10","slug":"nova-musica-electronica-portuguesa-um-oasis-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/07\/06\/nova-musica-electronica-portuguesa-um-oasis-no-deserto\/","title":{"rendered":"Nova M\u00fasica Electr\u00f3nica Portuguesa &#8211; Um O\u00e1sis No Deserto"},"content":{"rendered":"<p>03.11.2000<br \/>\nNova M\u00fasica Electr\u00f3nica Portuguesa<br \/>\nUm O\u00e1sis No Deserto<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/vitorjoaquim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/vitorjoaquim.jpg\" alt=\"vitorjoaquim\" title=\"vitorjoaquim\" width=\"425\" height=\"513\" class=\"alignnone size-full wp-image-696\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/vitorjoaquim.jpg 425w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/vitorjoaquim-248x300.jpg 248w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A m\u00fasica electr\u00f3nica tem sido uma paisagem desoladora, onde a vida escasseia. Mas no meio do deserto surgem, de quando em quando, o\u00e1sis. \u00c9 sobre eles que o P\u00daBLICO fala esta semana, em conversa com V\u00edtor Joaquim, no balan\u00e7o do festival EME 2000, e atrav\u00e9s da recens\u00e3o de alguns \u00e1lbuns representativos do g\u00e9nero, por ilustres desconhecidos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos algo mudou na m\u00fasica electr\u00f3nica produzida em Portugal. Provam-no a edi\u00e7\u00e3o, nalguns casos de autor, de diversos e interessantes CD apostados em dignificar a electr\u00f3nica feita em Portugal e at\u00e9, pasme-se, a organiza\u00e7\u00e3o de concertos protagonizados por m\u00fasicos nacionais. \u00c9 o caso do festival, ou dos encontros, Eme 2000 que recentemente teve lugar em Set\u00fabal onde, entre outros, estiveram presentes Nuno Rebelo, V\u00edtor Joaquim, Em\u00eddio Buchinho e Rodrigo Amado. V\u00edtor Joaquim, de nome art\u00edstico Free Field, autor do projecto com este nome ao qual se deve a edi\u00e7\u00e3o de \u201cTales from Chaos\u201d, um dos marcos da m\u00fasica electr\u00f3nica feita em Portugal, foi ali\u00e1s um dos respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do evento.<br \/>\n\u201cTales From Chaos\u201d faz parte de um grupo selecto de discos que tamb\u00e9m inclui cl\u00e1ssicos como \u201cMr Wollogallu\u201d, de Nuno Canavarro e Carlos Maria Trindade, \u201cPlux Quba\u201d, de Nuno Canavarro, \u201cM\u00fasica de Baixa Fidelidade\u201d, de Toz\u00e9 Fereira, \u201cMusiques de Sc\u00e9ne\u201d, de Carlos Z\u00edngaro, \u201cCelsianices\u201d, de Celso de Carvalho, \u201cPart Human, Part Simpson\u201d, de Discmen, \u201cEvil Meatal\u201d, dos Telectu, \u201cM2\u201d e \u201cAzul Esmeralda\u201d de Nuno Rebelo, \u201cA Nova Portugalidade\u201d, dos U-Nu, e Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzp!\u201d do grupo com este nome, do qual ser\u00e1 editado em breve um novo \u00e1lbum. A estes nomes pode acrescentar-se os dos No Noise Reduction, V\u00edtor Rua, Rafael Toral e Bernardo Devlin, entre outros.<br \/>\nMas sob o solo lavrado pelos cl\u00e1ssicos agitam-se novos miasmas e organismos vivos em fase de crescimento, \u00e1vidos de sa\u00edrem para a luz do dia. \u00c9 sobre alguns destes novos discos e projectos que falaremos neste artigo, ao mesmo tempo que convid\u00e1mos V\u00edtor Joaquim a fazer um balan\u00e7o do Eme 2000. A electr\u00f3nica j\u00e1 d\u00e1 choque, em Portugal.<\/p>\n<p>Eme 2000<\/p>\n<p>O Eme 2000 dividiu-se em tr\u00eas sess\u00f5es ao longo das quais a electr\u00f3nica andou lado a lado com a m\u00fasica improvisada. V\u00edtor Joaquim (VJ) explica como foi poss\u00edvel: \u201cAp\u00f3s tr\u00eas meses de produ\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, maioritariamente de telefone em punho e e-mails intermin\u00e1veis (enquanto os amigos iam de f\u00e9rias e para a praia!), acabou por surgir um conjunto de apoios bastante interessante que viria a tornar vi\u00e1vel a montagem dos encontros, enquanto se delineava simultaneamente uma equipa de pessoas entusiasmadas, que do primeiro ao \u00faltimo momento contribuiu com o seu melhor nas tarefas mais diversas que se possa imaginar: vender bilhetes, servir caf\u00e9s, esticar alcatifas, carregar aparelhagem, esticar cabos, controlar entradas, etc.\u201d.<br \/>\nQuanto ao crit\u00e9rio de escolha dos artistas, a \u201cideia fundamental foi encontrar um grupo de m\u00fasicos que pudesse proporcionar um conjunto suficientemente diversificado de abordagens em termos da g\u00e9nese do som \u2013 desde a electr\u00f3nica acentuada at\u00e9 \u00e0 exclusividade ac\u00fastica -, assim como do pr\u00f3prio discurso interpretativo sem perder de vista, obviamente, o lado performativo de cada indiv\u00edduo na sua rela\u00e7\u00e3o com o(s) instrumento(s)\u201d. N\u00e3o foi esquecida, \u201cnum plano paralelo de op\u00e7\u00f5es, uma perspectiva de \u2018sedu\u00e7\u00e3o\u2019 na apresenta\u00e7\u00e3o e progress\u00e3o dos concertos, com toda a subjectividade que o termo pode implicar\u201d.<br \/>\nO Eme 2000 p\u00f4de contar com o apoio de \u201c13 entidades que se mostraram dispon\u00edveis para prestar apoio \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o, sendo que, de entre elas, cinco fizeram apoio financeiro directo, enquanto as restantes colaboraram em termos de permuta publicit\u00e1ria\u201d. Uma cr\u00edtica \u00e0 autarquia do concelho que VJ culpa pelo \u201ctrabalho nulo ao longo dos anos\u201d e acusa de n\u00e3o ter contribu\u00eddo \u201ccom um \u00fanico centavo\u201d para a realiza\u00e7\u00e3o destes encontros.<br \/>\nSobre o saldo final em termos de ades\u00e3o de p\u00fablico e dos m\u00fasicos, ou do ambiente, e dada a escala modesta destes encontros, V\u00edtor Joaquim \u00e9 perempt\u00f3rio: \u201cEm termos de ades\u00e3o de p\u00fablico foi verdadeiramente surpreendente. N\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero global de espectadores como tamb\u00e9m pelo aumento na aflu\u00eancia, passando de aproximadamente 85 pessoas no primeiro dia para 100 no segundo, culminando em cerca de 120 no terceiro.\u201d<br \/>\nVJ refere mesmo a exist\u00eancia de \u201cs\u00e9rios indicadores de um interesse progressivo pela \u00e1rea da improvisa\u00e7\u00e3o e da experimenta\u00e7\u00e3o, provando-se desta forma que, quando h\u00e1 trabalho e empenhamento por parte dos m\u00fasicos e produtores, as coisas acontecem de facto\u201d. \u201cAo que as pessoas reagem\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Macacos E Ap\u00f3stolos<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Set\u00fabal, VJ n\u00e3o resiste a comentar que \u201cest\u00e1 na fase de aprender a soletrar\u201d e que \u201cdemorar\u00e1 ainda algum tempo at\u00e9 que, para al\u00e9m das palavras, as pessoas em causa saibam compreender os conceitos que elas abrigam ou invocam\u201d. E cita Lichtenberg: \u201cTais obras s\u00e3o como espelhos; se um macaco olhar para dentro delas, nunca poder\u00e1 ver um ap\u00f3stolo\u201d.<br \/>\nO Eme 2001 est\u00e1 na calha, com a hip\u00f3tese de participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos estrangeiros, embora a \u201cprimazia continue a pertencer aos portugueses\u201d. Entretanto, \u201ccomo forma de preencher o vazio existente entre duas edi\u00e7\u00f5es, est\u00e1 em fase de implementa\u00e7\u00e3o um programa de espect\u00e1culos que carece ainda de um suporte finaceiro regular por forma a poderem ser produzidos espect\u00e1culos n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea da experimenta\u00e7\u00e3o musical como da dan\u00e7a, perfomance, instala\u00e7\u00f5es, etc.\u201d, diz VJ.<br \/>\nV\u00edtor Joaquim prepara entretanto a edi\u00e7\u00e3o de um novo \u00e1lbum, que dar\u00e1 pelo nome de \u201cLa Strada is on fire\u201d com o subt\u00edtulo \u201cAnd we are all naked\u201d, onde contar\u00e1 com participa\u00e7\u00f5es de V\u00edtor Coimbra, no baixo, Rodrigo Amado, no saxofone, e o ingl\u00eas Martin Archer, em saxofone, assim como colabora\u00e7\u00f5es de Chris Bywater e Charlie Collins, na electr\u00f3nica.<\/p>\n<p>Novos Rumos<br \/>\nCode-N<br \/>\nPer:Form<br \/>\nEd. de Autor<br \/>\nNuno Correia \u00e9 o c\u00e9rebro dos Code-N. Entre temas compostos para um recital de poesia multim\u00e9dia e para uma pe\u00e7a de teatro, \u201cPer:Form\u201d atravessa os territ\u00f3rios da electr\u00f3nica ambiental, do dum \u2018n\u2019 bass, do breakbeat, do neo-industrialismo e da techno de corridas (\u201cMach One\u201d), entrando em regi\u00f5es menos exploradas do universo electro em temas como \u201cSouthwest\u201d, \u201cO Som dos Instrumentos\u201d ou \u201cLuzazul\u201d. A manipula\u00e7\u00e3o digital assumida a cem por cento, com resultados por vezes surpreendentes.<\/p>\n<p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tvJcK8V-43I&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tvJcK8V-43I&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Mola Dudle<br \/>\nMobilia<br \/>\nEd. de Autor<br \/>\nNasceram em Tavira e arrumaram a mob\u00edlia da casa segundo o design e a l\u00f3gica alucinada de um louco. Nanu e Miguel Cabral, os \u201cloucos\u201d, asseguram a totalidade da produ\u00e7\u00e3o sonora, usando para tal \u201ctudo o que produz som que se pode encontrar em casa\u201d. Colagens, electr\u00f3nica desconstrutivista e disseca\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegam a s\u00ea-lo, confluem num compartimento onde a desarruma\u00e7\u00e3o sonora \u00e9 apenas aparente. A est\u00e9tica Recommended espreita, os desarranjos psicol\u00f3gicos de uns Biota, idem, mas quando o swing electr\u00f3nico de um tema como \u201cAllo\u2026\u201d funciona em pleno, s\u00e3o os melhores Negativland ou os actuais brincalh\u00f5es da a.musik que deitam a cabe\u00e7a de fora, enquanto em \u201cPartypooper\u201d enm Frank Zappa faria melhor. Mas os Mola Dudle devoraram todas as influ\u00eancias e, queira algu\u00e9m \u201cpegar\u201d neles, poder\u00e3o tornar-se num dos casos mais s\u00e9rios e originais da nova m\u00fasica portuguesa.<\/p>\n<p>Ras.Al.Ghul<br \/>\nSubharmonic Density Strucutures<br \/>\nAquatica, distri. Symbiose<br \/>\nTerceiro trabalho desta banda formada por ex-elementos dos \u201cindustriais\u201d Cranioclas, \u201cSubharmonic Density Structures\u201d limpou o som das antigas impurezas para se concentrar numa electr\u00f3nica de cariz hipn\u00f3tica e forte carga on\u00edrica em forma de mantras que comandam os movimentos do c\u00e9rebro. Do transe psicad\u00e9lico ao chill out, passando pelo techno ambiental, os Ras.Al.Ghul visitam as divis\u00f5es vazias deixadas pelos Biosphere para tentarem chegar ao lado obscuro revolvido pelos Coil.<\/p>\n<p>V\u00e1rios<br \/>\nAr Da Guarda<br \/>\nEd. C\u00e2mara Municipal da Guarda<br \/>\nA julgar pelos 13 exemplos apresentados nesta colect\u00e2nea, a Guarda apresenta-se na vanguarda das novas m\u00fasicas nacionais. Entre os exerc\u00edcios das guitarras \u201cnew age\u201d de Rog\u00e9rio Pires a parasit\u00e1ria de Albrecht Loops, o neoclassicismo pian\u00edstico de Maria Jo\u00e3o Magno e de H\u00e9lia Fernandes, destacam-se as colabora\u00e7\u00f5es de Leonel Valbom e Jos\u00e9 Tavares, ambos disc\u00edpulos do \u201csequenciador anal\u00f3gico\u201d dos Heldon, V\u00edtor Afonso, do projecto Kubik, com uma sequ\u00eancia acutilante de percuss\u00e3o e vozes de \u201ccontempor\u00e2nea erudita\u201d, sax zorniano e electr\u00f3nica fraccionada (David Garland meets Holger Hiller meeets Laibach) e Miguel Prata Gomes, com um excelente peda\u00e7o de mist\u00e9rio em fita magn\u00e9tica na linha de Steve Moore\/Jocelyn Robert. Anote-se ainda a proposta consistente de Gilberto Costa na \u00e1rea do jazz fusionista tend\u00eancia \u201celectrodowntown\u201d, a portugalidade bizarra de um fado astral electrocutado por Carlos Barreto Xavier e o \u201cjazz mesmo\u201d que Maria Jo\u00e3o e M\u00e1rio Laginha poderiam assinar se estivessem pedrados, de Ant\u00f3nio Cavaleiro, com a voz de Joana Correia. Saud\u00e1veis e inovadores estes ares que sopram da Guarda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03.11.2000 Nova M\u00fasica Electr\u00f3nica Portuguesa Um O\u00e1sis No Deserto A m\u00fasica electr\u00f3nica tem sido uma paisagem desoladora, onde a vida escasseia. 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