{"id":6946,"date":"2018-09-11T09:58:22","date_gmt":"2018-09-11T16:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6946"},"modified":"2018-09-11T09:58:22","modified_gmt":"2018-09-11T16:58:22","slug":"o-circo-de-feras-passou-por-alvalade-artigo-de-opiniao-concertos-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/09\/11\/o-circo-de-feras-passou-por-alvalade-artigo-de-opiniao-concertos-festivais\/","title":{"rendered":"&#8220;O Circo De Feras Passou Por Alvalade&#8221; (artigo de opini\u00e3o \/ concertos \/ festivais)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> cultura >> pop\/rock >> concertos \/ festivais)<br \/>\ns\u00e1bado, 31 Maio 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O CIRCO DE FERAS PASSOU POR ALVALADE<br \/>\nPrimitive Reason, Disturbed, Audioslave, Deftones e Marilyn Manson inauguraram, quinta-feira, em Alvalade, a temporada dos festivais rock. \u201cMosh\u201d, urros, relva arrancada e cerveja. Quem precisa de m\u00fasica em ocasi\u00f5es como esta?<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6947\" rel=\"attachment wp-att-6947\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/fm.jpg\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"320\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6947\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/fm.jpg 486w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/fm-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/fm-100x66.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 486px) 100vw, 486px\" \/><\/a><br \/>\n20 mil pessoas passaram quinta-feira pelo Est\u00e1dio Jos\u00e9 de Alvalade, a maioria para ouvir Marilyn Manson<br \/>\n<\/center><br \/>\nVendo as coisas objetivamente, a generalidade da m\u00fasica que se ouviu no Festival Super Rock in Lisbon, quinta-feira, no Est\u00e1dio de Alvalade, na era p\u00f3s-futebol, foi m\u00e1. E quando n\u00e3o foi m\u00e1, foi muito m\u00e1. Mas as 20 mil pessoas que estiveram longe de esgotar o recinto (as bancadas estavam pouco mais que vazias e, no relvado, a mole humana apenas se estendia at\u00e9 pouco mais de metade) aderiram e gostaram.<br \/>\n\tA prova disso residiu no espet\u00e1culo que, praticamente durante as oito horas que durou o festival, foi oferecido pela parte da assist\u00eancia que se comprimia em frente ao palco e se entregou com entusiasmo a uma sess\u00e3o permanente de &#8220;mosh&#8221;, na sua nova modalidade: a ecol\u00f3gica.<br \/>\n\tParecia uma daquelas imagens t\u00edpicas da banda-desenhada, um torvelinho de poeira com bra\u00e7os, cabe\u00e7as e pernas a sa\u00edrem pelos lados. Mas com uma novidade relativamente ao &#8220;mosh&#8221; tradicional: \u00e0 confus\u00e3o da carne em combate do costume juntou-se o arremesso em todas as dire\u00e7\u00f5es (preferencialmente as cabe\u00e7as) de nacos de relva \u2013 com dimens\u00f5es que variavam entre o simples torr\u00e3o e a placa tect\u00f3nica \u2013 arrancados ao vetusto tapete verde de Alvalade. Bonito de se ver.<br \/>\n\tNas bancadas, pelo contr\u00e1rio, o ambiente era de maior conten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque, \u00e0 dist\u00e2ncia que se fica do palco, n\u00e3o d\u00e1 para a excita\u00e7\u00e3o se propagar com a mesma intensidade.<br \/>\n\tAs bandas em cartaz cumpriram todas o que lhes era pedido, ou seja, que baixassem o n\u00edvel de qualidade formal da m\u00fasica o mais poss\u00edvel at\u00e9 perto do zero (o que, regra geral, conseguiram) e, em compensa\u00e7\u00e3o, for\u00e7assem, tamb\u00e9m o mais poss\u00edvel, o n\u00edvel decib\u00e9lico.<br \/>\n\tOutra das caracter\u00edsticas comuns entre as cinco bandas \u2013 Primitive Reason, Disturbed, Audioslave, Deftones e Marilyn Manson \u2013 foi o facto dos respetivos vocalistas passarem mais tempo a urrar do que a cantar. O efeito, esteticamente l\u00edcito, embora pass\u00edvel de levantar algumas obje\u00e7\u00f5es, teve o cond\u00e3o de nivelar m\u00fasicos e multid\u00e3o numa sess\u00e3o de &#8220;gestalt&#8221; libertador. Ou, noutra perspetiva, de aproximar a pessoa humana de uma certa animalidade primordial, com a multid\u00e3o a comunicar, por sua vez, entre si, atrav\u00e9s de uivos e urros. Ou, dito de uma maneira mais simples: parecia o jardim zool\u00f3gico.<\/p>\n<p>Volta, Alice Cooper, est\u00e1s perdoado!<br \/>\nO rock dos Primitive Reason, que na ocasi\u00e3o apresentaram o novo \u00e1lbum, &#8220;Firescroll&#8221;, soou duro, com cita\u00e7\u00f5es ao ska, met\u00e1lico e vociferante qb. O p\u00fablico aplaudiu com modera\u00e7\u00e3o, atarefado em ensaiar as primeiras coreografias de &#8220;mosh&#8221;. Intervalo para recarregar baterias, leia-se, para atestar o dep\u00f3sito de cerveja, mesmo com a imperial a um euro e meio.<br \/>\n\tSeguiram-se os Disturbed. Puseram o povo a gritar &#8220;we are&#8230; we are&#8230;&#8221;, que sim, que somos todos &#8220;disturbed&#8221;. O vocalista urrou, pediu para a assist\u00eancia p\u00f4r os &#8220;motherfuckin&#8217; fists&#8221; no ar (no que foi prontamente obedecido), a relva come\u00e7ou a ser metodicamente arrancada do seu lugar natural e a ser arremessada como proj\u00e9til bal\u00edstico. Tudo nos conformes. Intervalo para atestar o dep\u00f3sito de cerveja.<br \/>\n\tOs Audioslave, de Chris Cornell, ex-Soundgarden, acompanhado de tr\u00eas ex-Rage Against the Machine, sem descurarem os urros da praxe, tocaram a melhor m\u00fasica da noite. Riffs poderosos, metal fundido que n\u00e3o dispensou alguns desvarios electr\u00f3nicos nem a melodia, a par de uma sensibilidade sem vergonha de pedir conselhos \u00e0 pop, obtiveram, contudo, da multid\u00e3o, a mesma reac\u00e7\u00e3o. &#8220;Mosh&#8221;, escalpes de relva, murros e pontap\u00e9s desferidos com um misto de amor e selvajaria. Yeeeaaaahhhh! &#8211; por assim dizer. Foi muito ou foi pouco, mas foi o suficiente para os colocar acima da concorr\u00eancia. Afinal de contas, os Audioslave mostraram ter algo que, provavelmente, o rock atual tende cada vez mais a desprezar: ideias. Outra boa ideia, para o intervalo: atestar \u2013 hic! \u2013 o dep\u00f3sito de cerveja.<br \/>\n\tAguardados com enorme expectativa, os Deftones rastejaram (metaforicamente) pelo ch\u00e3o, com uma torrente de sons em estado bruto e o vocalista a urrar mais alto do que todos os outros, intercalando o berreiro com uma esp\u00e9cie de mini-manifestos ideol\u00f3gicos. O p\u00fablico interiorizou a mensagem e redobrou a f\u00faria do &#8220;mosh&#8221;. Interv-hic-alo para, hic-ates-hic-tar o dep\u00f3sito-hic de cerveja.<br \/>\n\tE, finalmente, o monstro por que todos ansiavam. Marilyn Manson, com o \u00e1lbum &#8220;The Golden Age of Grotesque&#8221; para mostrar. Grotesco foi, surgindo em Alvalade com o seu &#8220;look&#8221; habitual de Bela Lugosi acabado de sair do caix\u00e3o. Mas, para al\u00e9m da maquilhagem, mostrou pouco ou quase nada. Rock de metal, rock sinf\u00f3nico, baladas bimbas, uma vers\u00e3o, pretensamente perversa, de &#8220;Sweet dreams (are made of this)&#8221;, dos Eurythmics, &#8220;showbusiness&#8221; de pacotilha que meteu umas donzelas a fingir de nuas, luzes relampejantes, tudo a despachar, tudo a soar a falso (regressa, Alice Cooper, est\u00e1s perdoado!), gritos de &#8220;Portogalo&#8221; e &#8220;fight!&#8221; (ou seria &#8220;bite&#8221;?) e o omnipresente &#8220;grroaaaarrrrhhh&#8221; que acabou por se tornar o &#8220;slogan&#8221; mais entoado da noite.<br \/>\n\tTerminada a fun\u00e7\u00e3o, do lado do p\u00fablico, a refrega abrandou, por fim. Com os corpos e as cabe\u00e7as bem massacradas, saiu toda a gente do est\u00e1dio feliz. E isso \u00e9 bom. Ou, como suspirava no final uma rapariga, arrasada mas em \u00eaxtase, estendida no relvado: &#8220;Foi lindo!&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> pop\/rock >> concertos \/ festivais) s\u00e1bado, 31 Maio 2003 O CIRCO DE FERAS PASSOU POR ALVALADE Primitive Reason, Disturbed, Audioslave, Deftones e Marilyn Manson inauguraram, quinta-feira, em Alvalade, a temporada dos festivais rock. \u201cMosh\u201d, urros, relva arrancada e cerveja. 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