{"id":6920,"date":"2018-08-28T10:27:37","date_gmt":"2018-08-28T17:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6920"},"modified":"2018-08-28T10:27:37","modified_gmt":"2018-08-28T17:27:37","slug":"pink-floyd-o-monstro-que-saiu-dos-pink-floyd-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/08\/28\/pink-floyd-o-monstro-que-saiu-dos-pink-floyd-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Pink Floyd &#8211; &#8220;O Monstro Que Saiu Dos Pink Floyd&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o)<br \/>\n28 Mar\u00e7o 2003<\/p>\n<p><strong>O lado escuro da Lua deixou de ser negro para passar a ser azul. \u201cDark Side of the Moon\u201d, no original de 1973, e a presente reedi\u00e7\u00e3o em Super \u00c1udio CD, s\u00e3o como a noite e o dia. Um som perfeito para uma m\u00fasica que alguns teimam em n\u00e3o aceitar como tal. De que lado da Lua est\u00e1 a raz\u00e3o, afinal?<\/strong><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>O monstro que saiu dos<br \/>\nPINK FLOYD<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6921\" rel=\"attachment wp-att-6921\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/pinkFloyd.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"508\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6921\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/pinkFloyd.jpg 625w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/pinkFloyd-300x244.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/pinkFloyd-624x507.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/pinkFloyd-100x81.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Se, no imagin\u00e1rio da m\u00fasica popular do \u00faltimo s\u00e9culo, os Beatles foram condecorados com a ins\u00edgnia mais nobre da pop e os Rolling Stones se assumem de bom grado como a mais perene das maldi\u00e7\u00f5es rock, pertence aos Pink Floyd o estatuto de representantes oficiais de todas as outras m\u00fasicas situadas no territ\u00f3rio indefinido onde as mais variadas tend\u00eancias, cores, estilos e estrat\u00e9gias servem para, precisamente, retirar ao termo \u201cm\u00fasica popular\u201d o adjetivo \u201cpopular\u201d. \u201cDark Side of the Moon\u201d, editado pela primeira vez em 1973, tem suscitado desde sempre um sem-n\u00famero de diverg\u00eancias, n\u00e3o sendo poss\u00edvel chegar-se a uma unanimidade quanto \u00e0 sua dimens\u00e3o e import\u00e2ncia reais, quer no interior da discografia dos Floyd quer relativamente ao papel desempenhado por esta obra no desenvolvimento do rock progressivo dos anos 70.<br \/>\n\tA extrema exposi\u00e7\u00e3o a que, logo nesse ano e at\u00e9 hoje, foi sujeito faz deste disco um objeto apetec\u00edvel mas tamb\u00e9m uma presa f\u00e1cil para os que t\u00eam o h\u00e1bito de colecionar \u00f3dios de estima\u00e7\u00e3o. Como \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d dos Beatles, \u201dDark Side of the Moon\u201d come\u00e7a por ser um triunfo da produ\u00e7\u00e3o. Um disco fechado em si mesmo que parece existir suspenso num universo aut\u00f3nomo, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fase anterior, psicad\u00e9lica e \u201cspace rock\u201d, do grupo, personificado pelos \u00e1lbuns \u201cThe Piper at the Gates of Dawn\u201d (ainda com Syd Barrett), \u201cA Saucerful of Secrets\u201d, \u201cUmmagumma\u201d, \u201cAtom Heart Mother\u201d e \u201dMeddle\u201d, quer enquanto an\u00fancio da fase mais pop que haveria de seguir-se com \u201cWish you Were Here\u201d, \u201cAnimals\u201d e \u201cThe Wall\u201d. O impacte das can\u00e7\u00f5es esfuma-se perante a opul\u00eancia dos efeitos \u2014 que v\u00e3o do barulho de passos a um despertador, de uma caixa registadora a vozes perdidas \u2013, a grandiloqu\u00eancia dos coros e solos de saxofone perigosamente colados \u00e0 est\u00e9tica MOR (\u201cmiddle of the road\u201d).<br \/>\n\tSe a totalidade dos \u00e1lbuns atr\u00e1s referidos valem por uma m\u00fasica aberta que n\u00e3o se esgota nos meios de produ\u00e7\u00e3o utilizados, \u201cDark Side of the Moon\u201d, pelo contr\u00e1rio, soa como cristaliza\u00e7\u00e3o. O que para alguns \u00e9 perfei\u00e7\u00e3o tem, para outros, a configura\u00e7\u00e3o da morte, mumifica\u00e7\u00e3o de uma linguagem tornada autof\u00e1gica, como a serpente que a si pr\u00f3pria se completa e se devora. Claro que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar as pequenas e iluminadas \u201ccomptines\u201d alucinadas de Syd Barrett, como \u201cArnold Layne\u201d ou \u201cSee Emily play\u201d, ou navega\u00e7\u00f5es gal\u00e1cticas como \u201cSet the controls for the heart of the sun\u201d, com as melodias, t\u00e3o exatas como redundantes, de \u201cDark Side of the Moon\u201d. S\u00e3o naturezas diferentes e isso ser\u00e1 o que mais chocar\u00e1 os admiradores dos Pink Floyd at\u00e9 ao aparecimento do \u201cmonstro\u201d. O que, em contrapartida, levou a m\u00fasica do grupo a um outro tipo de auditores, mais vasto, e, como consequ\u00eancia, a ser abocanhada pela hidra do \u201cmainstream\u201d.<\/p>\n<p>\to mesmo e o outro. \u201cDark Side of the Moon\u201d, apesar de poder orgulhar-se de ser um dos discos mais vendidos de todos os tempos (25 milh\u00f5es de c\u00f3pias, um n\u00famero assombroso que n\u00e3o p\u00e1ra de crescer) e de ter permanecido durante uma d\u00e9cada, sem interrup\u00e7\u00f5es, no Top da \u201cBillboard\u201d, continua, por\u00e9m, a provocar tanto ades\u00f5es entusiastas como a mais profunda das avers\u00f5es. A verdade \u00e9 que, ame-se ou odeie-se, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha entranhadas nos ouvidos as melodias de can\u00e7\u00f5es como \u201cTime\u201d, \u201cMoney\u201d ou \u201cUs and them\u201d, o que, temos que admitir, tamb\u00e9m contribuir\u00e1 para que, de tempos a tempos, algu\u00e9m sinta vontade de partir o disco em peda\u00e7os (as edi\u00e7\u00f5es em vinilo) ou, no caso dos CD, o submeter a um banho de \u00e1cido sulf\u00farico concentrado.<br \/>\n\tNuma \u00faltima tentativa de restituir ao dito cujo uma frescura que parecia definitivamente perdida, eis que a reedi\u00e7\u00e3o em formato de Super \u00c1udio CD \u201ch\u00edbrido\u201d, ou seja, pass\u00edvel de ser tocado tanto num leitor de CD espec\u00edfico como<br \/>\nnum convencional, vem de novo recordar-nos que \u201cDark Side of the Moon\u201d nunca esteve, afinal, longe de n\u00f3s.<br \/>\n\t\u00c9 o mesmo e outro disco, aquele que chega \u00e0s bancas na pr\u00f3xima 2\u00aa feira. A capa, apesar de levar a assinatura de Storm Thorgerson, o mesmo que, integrado no projeto Hipgnosis, desenhou a original, sofreu altera\u00e7\u00f5es de pormenor. O prisma que refrata a luz branca no espectro do arco-\u00edris tornou-se mais branda, abandonando o negro do fundo. A noite tornou-se, mais do que penumbra, azul do dia, traindo a ess\u00eancia noturna que o pr\u00f3prio t\u00edtulo do \u00e1lbum cont\u00e9m. Mas o mais importante \u00e9 que esta m\u00fasica, que pens\u00e1vamos n\u00e3o ter j\u00e1 reservada qualquer surpresa para oferecer, soar\u00e1 agora como nunca soou antes, numa gloriosa submiss\u00e3o \u00e0 audiofilia que finalmente justificar\u00e1 o esfor\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o posto na edi\u00e7\u00e3o original de 1973. \u201cDark Side of the Moon\u201d ser\u00e1, afinal, uma pot\u00eancia dispon\u00edvel at\u00e9 ao infinito, mat\u00e9ria de atualiza\u00e7\u00e3o dos permanentes avan\u00e7os da tecnologia, um livro em branco atrav\u00e9s do qual sucessivas gera\u00e7\u00f5es encontrar\u00e3o algo de fe\u00e9rico mas que pouco ou nada ter\u00e1 j\u00e1 a ver com o contexto hist\u00f3rico que esteve na sua origem. Mas talvez fa\u00e7a sentido: \u201cDark Side of the Moon\u201d nunca teve verdadeiras sombras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o) 28 Mar\u00e7o 2003 O lado escuro da Lua deixou de ser negro para passar a ser azul. \u201cDark Side of the Moon\u201d, no original de 1973, e a presente reedi\u00e7\u00e3o em Super \u00c1udio CD, s\u00e3o como a noite e o dia. 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