{"id":6914,"date":"2018-08-17T05:20:23","date_gmt":"2018-08-17T12:20:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6914"},"modified":"2018-08-17T05:20:23","modified_gmt":"2018-08-17T12:20:23","slug":"sparks-uma-noite-na-opera-concertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/08\/17\/sparks-uma-noite-na-opera-concertos\/","title":{"rendered":"Sparks &#8211; &#8220;Uma Noite Na \u00d3pera&#8221; (concertos)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> concertos)<br \/>\n21 Mar\u00e7o 2003<\/p>\n<p>\u201cLil\u2019 Beethoven\u201d, a mais genial das \u00f3peras bufas dos Sparks, vai ser tocada ao vivo em Lisboa, dia 26, no CCB. Escandaleira em perspetiva.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Uma noite na \u00f3pera<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6915\" rel=\"attachment wp-att-6915\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sparks-1.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"732\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6915\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sparks-1.jpg 524w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sparks-1-215x300.jpg 215w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sparks-1-72x100.jpg 72w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: pode a pop ser arte e entretenimento ao mesmo tempo? Ou, dito de outra maneira, exerc\u00edcio perene de criatividade tanto como objeto de consumo e de prazer imediato? Para o grupo americano Sparks, 33 anos no ativo, a resposta \u00e9 de uma simplicidade desarmante: a pop pode e deve ser ao mesmo tempo uma provoca\u00e7\u00e3o, uma rutura com o gosto dominante, uma inven\u00e7\u00e3o e um p\u00e1tio de recreio.<br \/>\nDepois de nos anos 70 terem sido c\u00f3moda e apressadamente arrumados no pesich\u00e9 barroco do glam rock, prosseguindo pelos 80 com aproxima\u00e7\u00f5es bizarras \u00e0 pop eletr\u00f3nica e \u00e0 dance music nascida do disco, segundo as profecias do rob\u00f4 das pistas de dan\u00e7a de discoteca, Giorgio Moroder, e pelos 90 com uma insist\u00eancia em produ\u00e7\u00f5es contra a corrente, a banda dos irm\u00e3os Russell e Ron Mael, respetivamente respons\u00e1veis pela m\u00fasica e pelas letras do grupo que viu nascer a luz do dia em 1970 na Calif\u00f3rnia do Sul, acaba de espantar o mundo com a obra maior da sua carreira: o \u00e1lbum \u201cLil\u2019 Beethoven\u201d, premiado com a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima pelo Y e aclamado pela cr\u00edtica no resto do mundo. \u00c9 o disco que v\u00eam apresentar a Lisboa, CCB, dia 26, \u00c0s 21h. Escandaleira em perspetiva.<br \/>\n\u201cLil\u2019 Beethoven\u201d amplia o que nos cl\u00e1ssicos \u00e1lbuns dos anos 70, \u201cKimono My House\u201d, \u201cPropaganda\u201d e \u201cIndiscreet\u201d, causaram um misto de repulsa, paix\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o, consoante a disponibilidade de cada um para aceitar os excessos, mas tamb\u00e9m as inova\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas constantes que o grupo cunhou neste tr\u00eas discos. Para os irm\u00e3os Mael a pop, ontem como hoje, \u00e9 um circo romano onde as feras e as conven\u00e7\u00f5es se digladiam. \u201cLil\u2019 Beethoven\u201d vai um pouco mais longe. A desmesura e o lado oper\u00e1tico de algumas vocaliza\u00e7\u00f5es continuam presentes mas o que mais distingue este objeto com conta, peso e medida (ainda que de acordo com escalas n\u00e3o oficiais) \u00e9 a espantosa capacidade de gerar a cada segundo melodias viciantes e de as colorir com uma produ\u00e7\u00e3o simultaneamente ultramoderna e enfarpelada com a peruca e o fato de fantasia de Lu\u00eds XV, enquanto outras vozes n\u00e3o se co\u00edbem de convocar, na compara\u00e7\u00e3o, monstros sagrados como os Beatles e os Beach Boys.<br \/>\nMas \u201cLil\u2019 Beethoven\u201d, a par do verniz de classicismo que enforma temas como \u201cThe rhythm thief\u201d, opereta a deitar a l\u00edngua de fora \u00e0s modas atuais que derrama o crude do sarcasmo nas areias hed\u00f3nicas de Ibiza, disp\u00f5e as melodias em blocos sonoros que se distribuem pela m\u00fasica minimal e o rock &#038; roll, a can\u00e7\u00e3o suburbana e o puro abstracionismo eletr\u00f3nico. As letras de Russell Mael reduzem-se, por seu lado, a \u201cslogans\u201d repetidos at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o at\u00e9, num s\u00fabito golpe de rins, revelarem novos e inesperados \u00e2ngulos po\u00e9ticos. Russell ri-se do efeito, para alguns exasperante, provocado por esta t\u00e1tica e explica que se trata t\u00e3o-s\u00f3 de uma forma de fazer trope\u00e7ar os auditores, empurrando-os para um lado da hist\u00f3ria somente para no momento seguinte os fazer cair no outro, iludindo num instante o que era aceite como certo nos versos anteriores.<br \/>\nSurpreendente \u00e9 que nenhuma destas opera\u00e7\u00f5es soa pretensiosa, antes convida a assobiar as melodias e a bater o p\u00e9 no compasso de ritmos insidiosos. Particular em que \u201cMy baby\u2019s taking me home\u201d \u2013 Steve Reich intoxicado e aos solu\u00e7os a escrever cartas de amor \u00e0 namorada t\u00e3o rid\u00edculas como as de Fernando Pessoa mas capazes de p\u00f4r uma pessoa a chorar, inclusive de riso \u2013 se revela absolutamente imbat\u00edvel. Russell e Ron Mael s\u00e3o os Irm\u00e3os Marx na \u00f3pera mas, ao contr\u00e1rio dos iconoclastas da com\u00e9dia americana dos anos 30, n\u00e3o destroem os cen\u00e1rios. At\u00e9 porque, vendo bem as coisas, a sua m\u00fasica \u00e9 toda ela um imenso cen\u00e1rio, gigantesco painel de ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>\t<strong>g\u00e9nios da propaganda<\/strong>. A hist\u00f3ria dos Sparks acompanha a evolu\u00e7\u00e3o da pop nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Recuando aos prim\u00f3rdios da sua funda\u00e7\u00e3o torna-se f\u00e1cil perceber qual a escola prim\u00e1ria onde os irm\u00e3os aprenderam a conjugar melodia, energia e excentricidade, ao tomarem como professores os The Kinks, os Pink Floyd de Syd Barrett e os norte-americanos de \u201cpsychadelic garage\u201d, The Seeds. Liga\u00e7\u00f5es com o psicadelismo que, na sequ\u00eancia de um primeiro \u00e1lbum produzido por Todd Rundgren (um dos g\u00e9nios ignorados da pop mais hollywoodesca e esquizofr\u00e9nica feita na Am\u00e9rica, autor de trabalhos inesquec\u00edveis como \u201cA Wizard, a True Star\u201d e \u201cInitiation\u201d) se mantiveram at\u00e9 ao segundo \u00e1lbum, \u201cA Woofer in Tweeter\u2019s Clothing\u201d que tinha a participa\u00e7\u00e3o de James Lowe, dos Electric Prunes.<br \/>\nEm 1974 e 1975, os Sparks assinaram os tr\u00eas \u00e1lbuns que ficaram como imagem de marca, os atr\u00e1s citados \u201cKimono My House\u201d (do qual foi retirado o hit \u201cThis town ain\u2019t big enough for both of us\u201d), \u201cPropaganda\u201d e \u201cIndiscreet\u201d, este \u00faltimo j\u00e1 em plena fase de associa\u00e7\u00e3o do grupo ao exibicionismo do \u201cglam rock\u201d, com produ\u00e7\u00e3o de Tony Visconti, que j\u00e1 trabalhara com Marc Bolan e David Bowie. Mas \u201cIndiscreet\u201d \u00e9 muito mais que trejeitos e androginia. Sob as camadas cerradas de \u201cmake up\u201d agita-se um magma de melodias e contramelodias, hinos e aberra\u00e7\u00f5es, c\u00e2nticos e onomatopeias que contrariam a no\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culo gratuito do \u201cglam rock\u201d.<br \/>\n\tO final dos anos 70 passa com \u201cIntroducing Sparks\u201d, de 1977, e enquanto o punk fazia os seus estragos os Sparks recebiam enc\u00f3mios e eram comparados a um cruzamento dos Beach Boys com Randy Newman. Nova viragem nos anos 80. A tecnologia eletr\u00f3nica apontava as baterias \u00e0s discotecas e \u00e0s bolas de luzes. O disco sound fazia a sua entrada triunfante, assumindo-se por sua vez como uma provoca\u00e7\u00e3o kitsch e \u201cmiddle class\u201d ao niilismo do punk. Impressionados com a reviravolta provocada por \u201cI feel love\u201d, o hit-pimba de Donna Summer que alguns erigem como o maior golpe de g\u00e9nio do produtor Giorgio Moroder (esp\u00e9cie de Clemente do electropop em oposi\u00e7\u00e3o ao distanciamento erudito dos Kraftwerk), os Sparks enveredam pelo \u201csynth pop\u201d em \u201cNumber One in Heaven\u201d, fechando a d\u00e9cada com \u201cTerminal Jive\u201d.<br \/>\nNos anos 80 e 90 andaram um pouco perdidos. Passaram de moda e a ser encarados como m\u00famias transvertidas de um g\u00e9nero decadente. Mesmo assim ainda houve quem notasse as profundas dissid\u00eancias e contraven\u00e7\u00f5es \u00e0 pop dominante contidas no \u00e1lbum de 1986, \u201cMusic that you Can Dance to\u201d. Em compensa\u00e7\u00e3o, exploraram o lado mais cinematogr\u00e1fico da sua m\u00fasica \u2013 algo que remontava aos anos 70 e a uma colabora\u00e7\u00e3o com Jacques Tati, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de v\u00eddeos inovadores \u2013 adaptando para uma vers\u00e3o \u201cmusic hall\u201d a \u201cmanga\u201d japonesa \u201cMai, the Psychic Girl\u201d, conquistando deste modo mais um f\u00e3, o realizador Tim Burton.<br \/>\nEm 1993, os escoceses Finitribe (h\u00e1 admiradores dos Sparks espalhados pelas \u00e1reas mais insuspeitas, como os Sonic Youth) convidaram o grupo para a sua editora, da\u00ed resultando o single \u201cNational Crime Awareness Week\u201d, cuja vocaliza\u00e7\u00e3o, em tom declamado, sobre fundo eletr\u00f3nico, refletia a admira\u00e7\u00e3o de Ton Mael pelos rappers Public Enemy. O \u00e1lbum de 1994, \u201cGratuitous Sax and Senseless Violins\u201d (por esta altura j\u00e1 toda a gente deve ter reparado no tom de farsa da maior parte dos t\u00edtulos\u2026) alertou ainda alguns ouvidos mas a impress\u00e3o geral era a de que os Sparks estavam deslocados na pop, prolongando a exist\u00eancia de dinoss\u00e1urios atrav\u00e9s de sucessivas muta\u00e7\u00f5es que poucos reconheciam como obedecendo afinal \u00e0 lei inexor\u00e1vel da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Ainda que em 1998, \u201cPlagiarism\u201d fosse uma auto-homenagem (re)composta com base em velhos \u00eaxitos que contou com as colabora\u00e7\u00f5es dos Erasure, Jimmy Somerville e Faith No More. O 18\u00ba e pen\u00faltimo \u00e1lbum, \u201cBalls\u201d e o DVD \u201cLive in London\u201d prepararam o terreno onde haveria de cair a bomba.<br \/>\n\u201cLil\u2019 Beethoven\u201d sintetiza tudo o que de excitante, decadente, pomposo, inspirado, pirot\u00e9cnico e genuinamente original cont\u00e9m a m\u00fasica dos Sparks. Que \u00e9 a \u00fanica maneira que Ron e Russell Mael conhecem de a fazer. E a \u00fanica maneira que temos para a ouvir. Maior espet\u00e1culo do mundo, o circo dos Sparks est\u00e1 montado na sala de espelhos do Pal\u00e1cio de Versalhes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> concertos) 21 Mar\u00e7o 2003 \u201cLil\u2019 Beethoven\u201d, a mais genial das \u00f3peras bufas dos Sparks, vai ser tocada ao vivo em Lisboa, dia 26, no CCB. Escandaleira em perspetiva. Uma noite na \u00f3pera A pergunta \u00e9: pode a pop ser arte e entretenimento ao mesmo tempo? 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