{"id":6887,"date":"2018-07-13T13:18:09","date_gmt":"2018-07-13T20:18:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6887"},"modified":"2018-07-13T13:18:09","modified_gmt":"2018-07-13T20:18:09","slug":"sparks-estrelas-de-zero-a-dez-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/07\/13\/sparks-estrelas-de-zero-a-dez-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"Sparks &#8211; &#8220;Estrelas De Zero A Dez&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o)<br \/>\n21 Mar\u00e7o 2003<\/p>\n<p>Chamaram nos anos 70 \u201cglam\u201d a uma m\u00fasica e a uma atitude que misturavam pompa, teatro e uma enorme dose de exagero. Teve g\u00e9nios e farsantes. Os Sparks atuam no circo do lado.<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Estrelas de zero a dez<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6888\" rel=\"attachment wp-att-6888\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sparks-1.jpg\" alt=\"\" width=\"646\" height=\"319\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6888\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sparks-1.jpg 646w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sparks-1-300x148.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sparks-1-624x308.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sparks-1-100x49.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\u201cLil\u2019 Beethoven\u201d e, em geral, toda a discografia pr\u00e9via dos Sparks inscreve-se numa no\u00e7\u00e3o da pop enquanto espet\u00e1culo de teatro de revista ou, em casos desesperados, de circo, isto \u00e9, palco de exageros, proezas t\u00e9cnicas, maneirismos em doses mais ou menos razo\u00e1veis de rid\u00edculo, que remonta aos anos 50 e 60 e a personagens bizarras em roup\u00e3o e de olhos esbugalhados como Liberace, Screaming Lord Sutch e Arthur Brown.<br \/>\n\tPeriodicamente a m\u00fasica popular \u00e9 assaltada por esta vontade de transgress\u00e3o que, ao inv\u00e9s de quebrar regras estabelecidas, prefere insufl\u00e1-las com o sup\u00e9rfluo e tirar-lhes de cima a responsabilidade de pretender mudar o mundo. Com trono no \u201cmusichall\u201d, na \u00f3pera, nos cen\u00e1rios de Hollywood ou at\u00e9 como m\u00e1scara para disfar\u00e7ar dramas e trag\u00e9dias pessoais, a pop e o rock travestiram-se, no in\u00edcio dos anos 70, de tecnorock, \u201cpomp rock\u201d, \u201c\u00f3pera rock\u201d, acabando por alcan\u00e7ar o reconhecimento e sedimentar-se como moda atrav\u00e9s do movimento a que se convencionou chamar \u201dglam\u201d.<br \/>\n\tA verdade \u00e9 que o \u201cglam\u201d misturou no mesmo saco maricagem e sacanagem, palha\u00e7os e travestis, impostores mas tamb\u00e9m uma m\u00e3o cheia de g\u00e9nios, melodias-larilas da treta com pop que genuinamente chupava na teta de vacas sagradas da can\u00e7\u00e3o-sem-falhas como os Beatles, Beach Boys e The Kinks.<br \/>\n\tCondi\u00e7\u00e3o essencial do \u201cglamrocker\u201d: ser uma estrela e estar presente nos tops. Ganhava quem cal\u00e7asse botas com tac\u00f5es mais altos ou conseguisse trajar mais luzes e pl\u00e1stico. Claro que farsantes como Gary Glitter, Suzi Quatro, Mud, Slade ou Sweet deixaram, entre 1970 e 1975, pouco espa\u00e7o nas \u201ccharts\u201d. Tinham em comum serem t\u00e3o exibicionistas como maus m\u00fasicos. Mas \u201cexibicionismo\u201d era mesmo a palavra chave mesmo para aqueles que, como Marc Bolan (ex-hippie convertido), David Bowie ou Roxy Music camuflavam sob as camadas espessas de maquilhagem os germes de uma m\u00fasica verdadeiramente provocat\u00f3ria e inovadora.<br \/>\n\t\u00c9 que, se os b\u00e1sicos atr\u00e1s mencionados tinham da hist\u00f3ria da pop uma ideia semelhante \u00e0 que uma dona de casa tem de um cat\u00e1logo de \u201cshamp\u00f4s\u201d ou detergentes, os veteranos e os verdadeiros m\u00fasicos tinham outras ambi\u00e7\u00f5es e o exagero revestia-se neles de um barroquismo e de uma \u00e2nsia de espetacularidade que n\u00e3o se compadecia com os m\u00edseros tr\u00eas minutos de uma simples can\u00e7\u00e3o saloia, muito menos com os traques vocais dos seus int\u00e9rpretes. Artistas como David Bowie, Brian Eno ou Bryan Ferry, eleitos estrelas do \u201cglam\u201d por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, possu\u00edam outro \u201dbackground\u201d e uma cultura apurada no jazz, na m\u00fasica erudita e no psicadelismo.<br \/>\n\tConsideremos dois \u00e1lbuns como Roxy Music e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, ambos de 1972, respetivamente dos Roxy Music e David Bowie. Em ambos encontramos a pose e as pinturas de guerra do \u201cglam\u201d mas a dire\u00e7\u00e3o apontada \u00e9 o futuro. Ziggy, o rapaz que veio de Marte para salvar o rock &#038; roll, era o rom\u00e2ntico-suicida, o adolescente iluminado para quem a guitarra el\u00e9trica era um descarregador de orgasmos. Tudo soa artificial e redundante neste disco. No entanto sem ele o \u201cpunk\u201d e os seus protagonistas n\u00e3o teriam talvez a ousadia de levantar a crista. O mesmo se pode dizer dos Roxy Music, de Bryan Ferry, que se fazia passar por Elvis (ele pr\u00f3prio pioneiro do glam?) e de Brian Eno, um intelectual que em palco se vestia com plumas de um pav\u00e3o enquanto arrancava de um sintetizador VCS3 alguns dos sons maios alien\u00edgenas que o rock conheceu.<br \/>\n\tMas se a pose se moldava na perfei\u00e7\u00e3o aos c\u00e2nones das estrelas \u201cglam\u201d, a m\u00fasica passava ao lado do simplismo, mais ou menos amaneirado, dos \u201ccharttoppers\u201d para consumo imediato. A provoca\u00e7\u00e3o e o teatro dos Roxy Music n\u00e3o se deixavam agarrar. Jazz, minimalismo, m\u00fasica de variedades, cabar\u00e9, ambientalismo, m\u00fasica concreta e uma no\u00e7\u00e3o sofisticada de colagem projetavam no imagin\u00e1rio dos anos 70 um filme com a mesma complexidade do rock progressivo, ent\u00e3o em plena fase ascensional, mas imbu\u00eddo de um esp\u00edrito totalmente diferente que serviria de motivo principalmente aos anos 80 e \u00e0 degeneresc\u00eancia do \u201cglam\u201d, mas em vers\u00e3o futur\u00edstica, dos \u201cnovos rom\u00e2nticos\u201d de discoteca, Visage, Classix Nouveau, Spandau Ballet, Duran Duran e quejandos. Here Come the Warm Jets (1973), que assinala a estreia a solo de Brian Eno, apesar da capa \u201cglam\u201d revela um inspirado escritor de can\u00e7\u00f5es e uma can\u00e7\u00e3o, \u201cBaby\u2019s on fire\u201d, que faz parte da galeria de hinos imortais do rock &#038; roll.<br \/>\n\tQuanto a Bowie, decerto n\u00e3o desconheceria a import\u00e2ncia de um seu antepassado direto chamado Ray Davies, dos The Kinks, que lhe ter\u00e1 ensinado a coser a melodia dolente, uma \u201cbritishness\u201d vagamente doentia e, como em \u201cArthur or the Decine and Fall of the British Empire\u201d (1969), o barroquismo de orquestra\u00e7\u00f5es t\u00e3o imponentes como o antigo imp\u00e9rio mas que no \u201cglam\u201d pac\u00f3vio n\u00e3o passavam de lixo recoberto de verniz. Mesmo os The Who, \u00edcones do rock m\u00e1sculo e decib\u00e9lico, ca\u00edram na tenta\u00e7\u00e3o da teatralidade sem freio na \u00f3pera-rock Tommy (1969), embora neste caso as personagens fossem fantoches animados por uma mente encharcada em LSD.<br \/>\n\tNo outro lado do Atl\u00e2ntico, as estrelas \u201cglam\u201d como Alice Cooper ou os New York Dolls prenunciavam, por seu lado, a emerg\u00eancia de algo mais violento que na Inglaterra se chamaria punk e nos EUA agonizaria alguns furos ao lado na escala do niilismo, sob a designa\u00e7\u00e3o \u201cno wave\u201d. O caso Sparks radica, no entanto, noutro antecedente, gloriosamente impresso na obra de um dos mais menosprezados criadores do rock americano, de seu nome Todd Rundgren, que,<br \/>\nali\u00e1s, reservou para si a produ\u00e7\u00e3o do primeiro \u00e1lbum dos irm\u00e3os Ron e Russell Mael.<br \/>\n\tAntigo elemento da banda de \u201cacid rock\u201d The Nazz, uma mistura explosiva de droga e misticismo empurrou-o para os limites da esquizofrenia mas tamb\u00e9m para uma obra \u00edmpar onde a auto-descoberta, a mitologia UFO e a alquimia se combinavam com uma m\u00fasica t\u00e3o genial como desvairada, nomeadamente na obra-prima A Wizard, A True Star (1973), vis\u00e3o irredut\u00edvel de uma mente a operar no \u00faltimo andar da consci\u00eancia, onde o rock, a m\u00fasica eletr\u00f3nica, a \u201cverve\u201d zappiana e uma irresist\u00edvel queda para a melodia perfeita (mas de uma perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 deste mundo) se aglomeram num caleidosc\u00f3pio em que tudo faz sentido num momento para logo a seguir se desagregar no caos, como o chapit\u00f4 de um circo que subitamente implodisse.<br \/>\n\t\u201cLil\u2019Beethoven\u201d faz parte da mesma companhia. Sentamo-nos l\u00e1 dentro a ver, num misto de excita\u00e7\u00e3o e piedade, a parada de \u201cfreaks\u201d e muta\u00e7\u00f5es (cerne do rock &#038; roll, algu\u00e9m ainda tem d\u00favidas?) e medo de que tudo n\u00e3o passe afinal de um monumental embuste miraculosamente tecido por um alfaiate espertalh\u00e3o. A resposta, a haver uma, est\u00e1 em que o ouvido guarda ciosamente cada can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VXG3y-D1TxA\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> pop\/rock >> artigo de opini\u00e3o) 21 Mar\u00e7o 2003 Chamaram nos anos 70 \u201cglam\u201d a uma m\u00fasica e a uma atitude que misturavam pompa, teatro e uma enorme dose de exagero. Teve g\u00e9nios e farsantes. Os Sparks atuam no circo do lado. 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