{"id":6842,"date":"2018-06-06T10:57:47","date_gmt":"2018-06-06T17:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6842"},"modified":"2018-06-06T10:57:47","modified_gmt":"2018-06-06T17:57:47","slug":"pedro-ayres-magalhaes-madredeus-a-historia-dos-madredeus-e-uma-longa-cancao-entrevista-a-pedro-ayres-magalhaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/06\/06\/pedro-ayres-magalhaes-madredeus-a-historia-dos-madredeus-e-uma-longa-cancao-entrevista-a-pedro-ayres-magalhaes\/","title":{"rendered":"Pedro Ayres Magalh\u00e3es \/ Madredeus &#8211; &#8220;A Hist\u00f3ria Dos Madredeus \u00c9 Uma Longa Can\u00e7\u00e3o&#8221; (entrevista a Pedro Ayres Magalh\u00e3es)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas)<br \/>\nsexta-feira, 12 Dezembro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u201cA HIST\u00d3RIA DOS MADREDEUS \u00c9 UMA LONGA CAN\u00c7\u00c3O\u201d<\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>ENTREVISTA COM<br \/>\nPEDRO AYRES DE MAGALH\u00c3ES<\/p>\n<p>Os Madredeus tocam hoje na Feira, pondo termo em Portugal \u00e0 digress\u00e3o \u201cMovimento\u201d que nos \u00faltimos tr\u00eas anos os levou a 25 pa\u00edses e a dar cerca de 150 concertos. Mas a miss\u00e3o, garante Pedro Ayres de Magalh\u00e3es, ir\u00e1 continuar.<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6843\" rel=\"attachment wp-att-6843\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pam.gif\" alt=\"\" width=\"644\" height=\"415\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6843\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>Come\u00e7ou em Abril de 2001 no Porto e termina hoje a digress\u00e3o, em salas portuguesas, perto do local de origem, em Santa Maria da Feira. Tr\u00eas anos na estrada durante os quais o \u00e1lbum \u201cMovimento\u201d, \u00faltimo de originais do grupo, foi ouvido nos quatro cantos do mundo. S\u00f3 este ano, Fran\u00e7a, B\u00e9lgica, Inglaterra, Alemanha, Maced\u00f3nia, Cabo Verde, It\u00e1lia, Espanha, Hungria, Pol\u00f3nia, M\u00e9xico e, claro, Portugal, renderam-se a uma m\u00fasica que j\u00e1 foi catalogada de \u201cpopular portuguesa\u201d, \u201cworld\u201d, \u201ccl\u00e1ssica\u201d ou \u201cde c\u00e2mara\u201d mas que acima de tudo \u00e9 m\u00fasica portuguesa. Na perspetiva saudosista de \u201cuma mulher que espera\u201d.<br \/>\n\tApresentado ora em quinteto ora, excecionalmente, com o acompanhamento da Flemish Radio Orchestra, nos arranjos sinf\u00f3nicos escritos pelo maestro Victorino d\u2019Almeida, que ficaram registados no \u00e1lbum ao vivo, \u201cEuforia\u201d. Agora \u00e9 tempo de descompress\u00e3o mas tamb\u00e9m de cuidar dos pormenores dos pr\u00f3ximos discos, j\u00e1 agendados, um dos quais dedicado \u00e0 cidade de Lisboa. Pedro Ayres de Magalh\u00e3es, guitarrista, autor das letras e das m\u00fasicas, c\u00e9rebro e principal oper\u00e1rio dos Madredeus, fez o balan\u00e7o e falou do futuro.<\/p>\n<p><strong>P\u00daBLICO \u2013 Ao longo da digress\u00e3o, mudou alguma coisa no esp\u00edrito ou na forma dos Madredeus?<\/strong><br \/>\nPEDRO AYRES DE MAGALH\u00c3ES \u2013 Continua a ser a dramaturgia de uma mulher que est\u00e1 a espera. A dramaturgia da saudade. A voz e a figura dela t\u00eam sido em grande parte respons\u00e1veis pela simpatia e pela notoriedade que o grupo conquistou.<br \/>\n<strong>O facto das letras serem cantadas em portugu\u00eas n\u00e3o dificulta a recep\u00e7\u00e3o da vossa mensagem, no estrangeiro?<\/strong><br \/>\nA maioria das pessoas n\u00e3o compreende a mensagem, pelo menos a verbal. Mesmo em Portugal, as pessoas n\u00e3o conhecem sequer dois ter\u00e7os das can\u00e7\u00f5es. Ao vivo, com a confus\u00e3o das luzes, o espet\u00e1culo, poucas seguir\u00e3o o texto\u2026 Mas no Jap\u00e3o, onde as pessoas t\u00eam um c\u00e9rebro diferente, por causa da linguagem que falam e por terem uma percep\u00e7\u00e3o anal\u00edtica da linguagem e, portanto, tamb\u00e9m da m\u00fasica, resolveram o problema pondo legendas de tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea, como na \u00f3pera. Se virmos bem, a hist\u00f3ria do grupo \u00e9 como um longa can\u00e7\u00e3o. Uma can\u00e7\u00e3o que as pessoas v\u00e3o descobrindo. Muita gente s\u00f3 descobriu os Madredeus a partir de \u201cO Para\u00edso\u201d ou da can\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo da Greenpeace [\u201cAnseio\u201d, na vers\u00e3o de Craig Armstrong, inclu\u00edda no \u00e1lbum de remisturas \u201cElectr\u00f3nico\u201d] . Agora \u00e9 mais f\u00e1cil, basta ir ao \u201csite\u201d, madredeus.com.<br \/>\n<strong>Como surgiu a ideia de tocarem com uma orquestra?<\/strong><br \/>\nA ideia de tocarmos com a Orquestra Flamenga surgiu durante a digress\u00e3o \u201cMovimento\u201d. Por coincid\u00eancia, a m\u00fasica do \u00e1lbum j\u00e1 tinha sido concebida com muito espa\u00e7o instrumental. As pr\u00f3prias \u201cmasters\u201d foram gravadas em \u201coverdubbings\u201d sinf\u00f3nicos, com outros instrumentos. Inclusive o disco foi captado dois graus acima do diapas\u00e3o porque \u00e9 essa a afina\u00e7\u00e3o das orquestras. Depois, n\u00e3o faz sentido amplificar um grupo ac\u00fastico para plateias de 30 mil pessoas. Sugeri, tanto \u00e0 orquestra como ao arranjador, que n\u00e3o se tocasse na estrutura das can\u00e7\u00f5es. Nos arranjos, o maestro Victorino d\u2019Almeida optou por seguir o modelo do \u201cconcerto grosso\u201d italiano, que privilegia o di\u00e1logo entre um grupo de solistas e a orquestra.<br \/>\n<strong>\u00c9 verdade que entrou em euforia, nessas ocasi\u00f5es?<\/strong><br \/>\nSim. Sobretudo durante a grava\u00e7\u00e3o do primeiro concerto. Mas foi barra pesada, fazer concertos com 70 m\u00fasicos em palco. Sobretudo a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 proibitiva. No teatro de Brugges, na B\u00e9lgica, por sinal a primeira sala estrangeira onde toc\u00e1mos, com o est\u00fadio montado l\u00e1 fora, tudo pronto para ser gravado e filmado \u2013 aten\u00e7\u00e3o \u2013 era bastante! \u00c0 medida que via cada uma das can\u00e7\u00f5es a sair bem, ia ficando aliviado e, a seguir ao al\u00edvio, alegre. Nesse dia acabei o concerto realmente euf\u00f3rico.<br \/>\n<strong>\u00c9 um projeto para continuar?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 mais orquestras nos convidaram. Mas a verdade \u00e9 que \u00e9 uma coisa complicad\u00edssima, j\u00e1 para n\u00e3o falar em que destruiria a flu\u00eancia e a organiza\u00e7\u00e3o das nossas vidas. Pusemo-nos essa quest\u00e3o mas n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto ser\u00e1 plaus\u00edvel. Acho que n\u00e3o \u00e9. Manter sempre essa possibilidade em aberto. Se o voltarmos a fazer vamos ter que partir de novo do zero. E contar com o apoio de uma orquestra e de uma companhia de discos. Que n\u00e3o seja a nossa mas a deles! (risos). Mas foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Os m\u00fasicos da orquestra, no Porto, choraram. Eles, flamengos e val\u00f5es, at\u00e9 ali viam aquilo apenas como um report\u00f3rio bizarro. Foi preciso chegarem a Portugal, ao Porto, para perceberem que as can\u00e7\u00f5es, na l\u00edngua estranha que a Teresa cantava, era a mesma l\u00edngua de um povo, com o p\u00fablico do Coliseu a cantar em un\u00edssono o \u201cHaja o que houver\u201d. Ficaram estarrecidos. A emo\u00e7\u00e3o de encontrarem um sentido coletivo naquele projeto instrumental.<br \/>\n<strong>Houve quem dissesse que o universo sinf\u00f3nica n\u00e3o casava naturalmente com a m\u00fasica do grupo\u2026<\/strong><br \/>\nEsse universo, se quisermos, \u00e9 nosso. Como em tudo na vida. O grupo Madredeus \u00e9 tamb\u00e9m uma escola de escrita de m\u00fasica e n\u00e3o apenas uma escola de arranjos para um quinteto. N\u00e3o somos um grupo que faz cole\u00e7\u00e3o de m\u00fasica tradicional e depois inventa uns arranjos para teclados que t\u00eam muito sucesso. N\u00e3o, fomos aprendendo a escrever mais e melhor m\u00fasica. As can\u00e7\u00f5es que escrevemos em l\u00edngua portuguesa, um diadema de canto saudoso, podem efetivamente ser visitadas e revisitadas por ensembles sinf\u00f3nicos ou de percuss\u00f5es ou seja do que for. \u00c9 uma quest\u00e3o de fantasia e iniciativa, nada mais.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PKqT-vu6SOA\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas) sexta-feira, 12 Dezembro 2003 \u201cA HIST\u00d3RIA DOS MADREDEUS \u00c9 UMA LONGA CAN\u00c7\u00c3O\u201d ENTREVISTA COM PEDRO AYRES DE MAGALH\u00c3ES Os Madredeus tocam hoje na Feira, pondo termo em Portugal \u00e0 digress\u00e3o \u201cMovimento\u201d que nos \u00faltimos tr\u00eas anos os levou a 25 pa\u00edses e a dar cerca de 150 concertos. 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