{"id":6807,"date":"2018-05-22T10:17:05","date_gmt":"2018-05-22T17:17:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6807"},"modified":"2018-05-22T10:17:28","modified_gmt":"2018-05-22T17:17:28","slug":"mario-laginha-e-bernardo-sassetti-dois-pianos-a-contar-de-cima-mario-laginha-e-bernardo-sassetti-entrevista-critica-de-discos-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/05\/22\/mario-laginha-e-bernardo-sassetti-dois-pianos-a-contar-de-cima-mario-laginha-e-bernardo-sassetti-entrevista-critica-de-discos-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"M\u00e1rio Laginha E Bernardo Sassetti &#8211; &#8220;Dois Pianos A Contar De Cima&#8221; + &#8220;M\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti&#8221; (entrevista + cr\u00edtica de discos + artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas + cr\u00edtica de discos)<br \/>\ns\u00e1bado, 8 Novembro 2003<br \/>\ncapa<\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6808\" rel=\"attachment wp-att-6808\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml1.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"673\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6808\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml1.jpg 596w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml1-266x300.jpg 266w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml1-89x100.jpg 89w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><strong>M\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti<\/strong> \u00e9 a estreia discogr\u00e1fica nascida da colabora\u00e7\u00e3o e das afinidades entre estes dois pianistas. Um encontro de sensibilidades complementares onde a improvisa\u00e7\u00e3o tem um papel determinante. O jazz deles. Tocado com a naturalidade, mas tamb\u00e9m com o esp\u00edrito de viajante comum a ambos. A apresenta\u00e7\u00e3o oficial est\u00e1 marcada para o dia 13 deste m\u00eas na nova Fnac, em Gaia<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Dois pianos a contar de cima<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6809\" rel=\"attachment wp-att-6809\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2.jpg\" alt=\"\" width=\"649\" height=\"654\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6809\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2.jpg 649w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2-298x300.jpg 298w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2-624x629.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml2-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> \t <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>Freddy Kruger contra Jason Voorhees. M\u00e1rio Laginha \u201ccontra\u201d Bernardo Sassetti. Dois monstrous sagrados do jazz feito em Portugal combatem lado a lado em \u201cM\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti\u201d, disco de piano, dois pianos, apostados em fazer sobressair de duas sensibilidades musicais necessariamente distintas uma terceira pessoa nascida de uma cumplicidade que tem vindo a fortalecer-se ao longo de v\u00e1rias etapas em espet\u00e1culos ao vivo, como o de Junho do ano passado no Centro Cultural de Bel\u00e9m, em Lisboa. Sassetti e Laginha chegaram ao jazz por vias diferentes e nem sempre permanecem por l\u00e1. Mas o gusto pela improvisa\u00e7\u00e3o e pelo di\u00e1logo \u00e9 not\u00f3rio. Laginha, cuja agenda com a cantora Maria Jo\u00e3o, seja na grava\u00e7\u00e3o de \u00e1lbuns como \u201cDan\u00e7as\u201d, \u201cChorinho Feliz\u201d, \u201cLobos, Raposas e Coiotes\u201d, \u201cMumadji\u201d, \u201cCor\u201d e \u201cUndercovers\u201d, seja em concertos, tem deixado pouco espa\u00e7o para outras aventuras, j\u00e1 dialogara com outro pianista, Pedro Burmester, em \u201cDuetos\u201d (1994). Sassetti, por seu lado, gravou \u201cMundos\u201d e um \u201cNocturno\u201d que \u00e9 um dos grandes discos de jazz nacional lan\u00e7ados o ano passado. Recentemente lavrou a sua assinatura nos arranjos orquestrais para o concerto de celebra\u00e7\u00e3o dos 40 anos de carreira de Carlos do Carmo. Viajantes por natureza, dos lugares e dos sons, combinam semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Laginha \u00e9 o extrovertido capaz de juntar no esp\u00edrito Bach, Keith Jarrett e os ritmos africanos. Sassetti, o introvertido dobrado sobre os sil\u00eancios, enredado nas sombras e nas luzes que Bill Evans legou ao jazz, mas tamb\u00e9m o impressionista dos pontos e manchas que adquirem sentido \u00e0 dist\u00e2ncia mais \u00edntima. No disco, por\u00e9m, trocam por vezes de papel e nem sempre o que parece \u00e9. Da alma at\u00e9 \u00e0 ponta dos dedos e destes at\u00e9 ao marfim das teclas vai um instante de eternidade. Os pr\u00f3prios explicam como se percorrem os caminhos.<\/p>\n<p><strong>\u201cM\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti\u201d \u00e9 o prolongamento l\u00f3gico dos vossos espet\u00e1culos ao vivo?<\/strong><br \/>\n\tBernardo Sassetti \u2014 Tem menos a ver com os concertos do que com o repert\u00f3rio, apesar de haver temas antigos que aparecem em novas vers\u00f5es, como \u201cA menina e o piano\u201d ou \u201cSe\u00f1or Cascara\u201d.<br \/>\n\tM\u00e1rio Laginha \u2014 No ano passado come\u00e7\u00e1mos a tocar juntos mais regularmente e a sentir necessidade de arranjar mais repert\u00f3rio. O que t\u00ednhamos dava um bocado \u00e0 conta&#8230; para um concerto relativamente curto.<br \/>\n<strong>Grande parte dos temas s\u00e3o improvisa\u00e7\u00f5es, ou \u201cImprevistos\u201d, como lhes chamaram\u2026<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 Foram improvisados no est\u00fadio. E temas como \u201cDiabolique\u201d, \u201cFisicamente\u201d e \u201cA segunda gaveta a contar de cima\u201d s\u00e3o temas novos, mais longos.<br \/>\nTocam sempre os dois em simult\u00e2neo, ou tamb\u00e9m h\u00e1 solos?<br \/>\n\tB. S. \u2014 H\u00e1 momentos a solo&#8230;<br \/>\n\tM. L. \u2014 &#8230;Tudo sem truques nenhuns.<br \/>\n<strong>Aos primeiros \u201ctakes\u201d ou foram necess\u00e1rias repeti\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 Foi uma sess\u00e3o de est\u00fadio extraordin\u00e1ria. Em geral saiu tudo ao primeiro \u201ctake\u201d, fi cou mais fresco. \u00c0s vezes nota-se, quando se repete de mais&#8230;<br \/>\nAlgum motivo especial para o t\u00edtulo se ficar pelos vossos nomes?<br \/>\n\tB. S. \u2014 Foi propositado. Mas pens\u00e1mos muito nisso. Como disco de apresenta\u00e7\u00e3o resolvemos n\u00e3o recorrer a um t\u00edtulo.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Embora a ideia n\u00e3o nos fosse desagrad\u00e1vel. Mas n\u00e3o quer\u00edamos pegar num dos temas e us\u00e1-lo como t\u00edtulo. Quando isto acontece, as pessoas pensam logo: \u201cOlha este \u00e9 \u2018O tema\u2019!\u201d Para n\u00f3s conta apenas o todo.<br \/>\n<strong>Este \u00e9 um disco de jazz. Mas a conce\u00e7\u00e3o que cada um de voc\u00eas tem do jazz \u00e9 diferente. Tiveram que proceder a adapta\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 Eu comecei na m\u00fasica cl\u00e1ssica, mas a partir do momento em que me apaixonei pelo jazz foi de rompante. Deixei totalmente de parte a cl\u00e1ssica. Mas essa \u00e9 uma quest\u00e3o pertinente\u2026<br \/>\n\tM. L. \u2014 N\u00e3o houve esfor\u00e7o nenhum. Se tivesse havido, perdia um bocado a gra\u00e7a. Nenhum de n\u00f3s est\u00e1 a tentar aproximar-se linguisticamente do outro. Agora&#8230; ambos temos intui\u00e7\u00e3o. Quando se est\u00e1 a tocar, \u00e9 preciso saber ouvir o outro.<br \/>\n\tB. S. \u2014 Ouvir o outro com ouvidos diferentes. N\u00e3o digo que noutras forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenhamos a mesma aten\u00e7\u00e3o, mas aqui estamos a falar de dois pianos.<br \/>\n\tM. L. \u2014 O que faz com que n\u00e3o haja nenhum tema para encher. H\u00e1 \u00f3timos discos, por m\u00fasicos fabulosos, que improvisam muito bem, mas&#8230;<br \/>\n<strong>O que \u00e9 que vos separa e vos aproxima musicalmente?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 Ambos gostamos imenso de improvisar, ambos gostamos imenso de escrever, ambos gostamos imenso de arranjar.<br \/>\n\tB. S. \u2014 O M\u00e1rio tem uma caracter\u00edstica extraordin\u00e1ria que encontro em muito poucos pianistas \u2014 uma capacidade polif\u00f3nica e de criar melodias e contrapontos com as duas m\u00e3os em tempo real. Aprendo sempre com ele. Eu tenho uma conce\u00e7\u00e3o diferente.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Ele, \u00e0s vezes, \u00e9 desconcertante, porque tem um lado que identifico como jazz, de algu\u00e9m que conhece ao mais alto n\u00edvel a hist\u00f3ria do jazz, mas que depois abriu um caminho que falta a muitos pianistas, que \u00e9 o lirismo, a par da capacidade mel\u00f3dica.<br \/>\n<strong>Um \u00e9 extrovertido e o outro introspetivo?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 \u00c9 muito poss\u00edvel. Embora uma das minhas composi\u00e7\u00f5es neste disco, o \u201cSe\u00f1or C\u00e1scaro\u201d seja a atirar para a frente. Mas \u00e9 apenas um caso. O M\u00e1rio \u00e9 daqueles pianistas que toca com garra. Eu tenho talvez muita consci\u00eancia, um cuidado extremo com o toque, o \u201ctouch\u201d. H\u00e1 algumas grava\u00e7\u00f5es minhas, antigas, em que noto alguma estrid\u00eancia e isso teve muita import\u00e2ncia, fez-me mudar, neste momento estou mais l\u00edrico, presto aten\u00e7\u00e3o ao som de cada coisa que fa\u00e7o.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Olho para a lista de temas deste \u00e1lbum e noto uma coisa engra\u00e7ada. H\u00e1 um lado de mim menos representado. Sempre fiz temas, n\u00e3o digo que para fazer chorar as pedras da cal\u00e7ada, mas muito l\u00edricos, mas aqui, realmente, n\u00e3o.<br \/>\n<strong>Para o M\u00e1rio, este \u00e1lbum representou tamb\u00e9m a oportunidade de mostrar outro lado de uma m\u00fasica que nos \u00faltimos tempos tem andado quase sempre ao lado da voz de Maria Jo\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 De facto, durante uns anos, estive de tal forma enredado nesse trabalho que, embora n\u00e3o tenha morto outros projetos, n\u00e3o lhes dava continuidade. De h\u00e1 uns tempos para c\u00e1 decidi que isso tinha que acabar. H\u00e1 outras coisas que n\u00e3o quero deixar de fazer.<br \/>\nNo caso do Bernardo, aconteceu o oposto. O trabalho que fez recentemente para o Carlos do Carmo \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tB. S. \u2014 Sim. Foi um desafio que aceitei e que me deu imenso gozo \u2014 sobretudo por ele me ter dado carta branca, de me dizer: \u201cEh p\u00e1, faz o que quiseres!\u201d Claro que n\u00e3o ia come\u00e7ar a fazer m\u00fasica contempor\u00e2nea, estamos a falar de fado e de um espet\u00e1culo no Coliseu, mas, harmonicamente, muitas coisas foram mudadas. Depois esse outro gozo de poder fazer \u201csacanices\u201d, no bom sentido, p\u00f4r umas coisas marotas l\u00e1 pelo meio&#8230; O Hermeto Pascoal disse uma vez uma coisa muito engra\u00e7ada, num concerto em Guimar\u00e3es. Come\u00e7ou a tocar o \u201cCoimbra\u201d e, \u00e0s tantas, vira-se para o p\u00fablico e diz: \u201cEsta melodia \u00e9 t\u00e3o interessante, t\u00e3o bonita, mas voc\u00eas aqui em Portugal&#8230; Harmonicamente isto \u00e9 muito fraquinho, voc\u00eas deviam puxar a m\u00fasica para a frente.\u201d E come\u00e7a a fazer umas harmonias extraordin\u00e1rias.<br \/>\n<strong>Da jun\u00e7\u00e3o das vossas m\u00fasicas nasce uma Terceira entidade?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 Sim. Existem poucos discos apenas com dois pianos, s\u00f3 me consigo lembrar do Herbie Hancock com o Chick Corea. O que fizemos tem uma identidade pr\u00f3pria, \u00e9 o primeiro bom sinal de que uma m\u00fasica pode ter, mesmo sem ser feita para parecer novidade. A originalidade \u00e9 uma coisa muito relativa e subjetiva. As pessoas t\u00eam as suas influ\u00eancias, a tonalidade, a partir do \u201cfree\u201d, tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 mais do que explorada. N\u00f3s toc\u00e1mos e grav\u00e1mos despreocupadamente, mas essa identidade existe.<br \/>\nEssa despreocupa\u00e7\u00e3o implicou aus\u00eancia de tens\u00e3o? Um menor esfor\u00e7o? Para dois pianistas que encaixam t\u00e3o naturalmente, a facilidade pode n\u00e3o ser boa conselheira.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Essa naturalidade tem mais a ver com a forma como encar\u00e1mos o projeto. H\u00e1 temas que deram um trabalho imenso a montar, dif\u00edceis tecnicamente, como \u201cFuga para dois pianos\u201d, \u201cDiabolique\u201d, \u201cA segunda gaveta a contar de cima\u201d e \u201cSe\u00f1or C\u00e1scara\u201d.<br \/>\n\tB. S. \u2014 Quando estamos a ler uma partitura, o problema pode estar em que, ao princ\u00edpio, cada um de n\u00f3s se preocupa mais com a sua pr\u00f3pria parte e deixa um bocadinho de ouvir a outra. Estamos preocupados em tocar aquilo bem, metidos um bocadinho para dentro. A partir do momento, por\u00e9m, em que come\u00e7amos a perceber o que s\u00e3o as duas vozes, quais as din\u00e2micas, o que cada um tem ou n\u00e3o que fazer, ent\u00e3o a\u00ed \u00e9 que come\u00e7a o trabalho a s\u00e9rio. De resto, \u00e9 trabalho de casa, a dois, um trabalho que demora muito tempo. \u201cO sonho dos outros\u201d, por exemplo, \u00e9 bastante mais simples de montar. Ou a \u201cDespedida\u201d. Mas na \u201cSegunda gaveta&#8230;\u201d tivemos que perceber muito bem o que se estava ali a passar!<br \/>\n\tM. L. \u2014 At\u00e9 ficar como est\u00e1 no disco parece n\u00e3o ter havido conflito. Ambos detestamos sentir que o ritmo se perdeu, um ritmo que, por exemplo, em \u00c1frica, acontece naturalmente, mas que no Ocidente, uma pessoa est\u00e1 a tocar, e at\u00e9 est\u00e1 a soar bem e, de repente, o \u201cgroove\u201d ardeu. Odeio isso. Quando o \u201cgroove\u201d, o \u201cswing\u201d, se vai embora. H\u00e1 neste disco imensos temas que swingam, mas at\u00e9 swingarem, at\u00e9 se chegar l\u00e1, n\u00e3o foi uma coisa imediata, encaixar o sentido e as acentua\u00e7\u00f5es e depois fazer isso j\u00e1 intuitivamente.<br \/>\n<strong>No \u00e1lbum alternam composi\u00e7\u00f5es mais longas com miniaturas de pouco mais de um minuto. Interl\u00fadios?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 O \u00fanico efetivamente pensado como tal foi \u201cDespedida\u201d. No meio de tanto improviso, decidimos fazer uma vers\u00e3o s\u00f3 com o tema.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Normalmente, durante as grava\u00e7\u00f5es, cheg\u00e1vamos ao fim do dia e faz\u00edamos um improviso. Acabou por ser esse o esp\u00edrito.<br \/>\n<strong>\u201cM\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti\u201d n\u00e3o \u00e9 um disco dif\u00edcil de se ouvir. Nunca pensaram em arriscar outro tipo de m\u00fasica, menos imediatamente apelativa  ou ent\u00e3o qualquer tipo de \u201ctara\u201d musical, politicamente incorreta, do tipo \u201ceasy listening\u201d?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 Neste primeiro disco quisemos pegar em tudo o que t\u00ednhamos feito at\u00e9 agora. N\u00e3o h\u00e1 grande diferen\u00e7a, em termos de espontaneidade, n\u00e3o h\u00e1 grandes diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao concerto.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Tenho horror ao \u201ceasy listening\u201d, embora at\u00e9 goste de alguma \u201cm\u00e1 m\u00fasica\u201d (risos) e haja bons tipos a fazer isso, mas mais facilmente aprecio uma can\u00e7\u00e3o pop. O \u201ceasy listening\u201d \u00e9 uma m\u00fasica profundamente est\u00fapida, em que se utilizam conhecimentos razo\u00e1veis, de tipos que at\u00e9 sabem tocar bem, para fazer algo completamente vazio. Irrita-me. Desejo inconfess\u00e1vel seria, como j\u00e1 pensei fazer, um disco comigo a tocar guitarra e a cantar, com a minha voz absolutamente horr\u00edvel (risos). N\u00e3o tenho voz nenhuma, mas afino! Outra coisa, n\u00e3o t\u00e3o inconfess\u00e1vel, passa pela grava\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica mais dif\u00edcil.<br \/>\n\tB. S. \u2014 Eu tenho algumas coisas na manga, sobretudo bandas sonoras. \u00c9 raro poder-se editar uma banda sonora em Portugal. \u00c9 dif\u00edcil as Pessoas imaginarem qu\u00e3o complicado isso \u00e9, em termos de produ\u00e7\u00e3o, de entrega, de financiamento. Um disco que gostaria de fazer, embora fosse necess\u00e1ria muita coragem para o editar, era um de coisas trabalhadas dentro do piano, na caixa harm\u00f3nica, nas cordas, na harpa. E sobretudo um disco com muito, muito sil\u00eancio. Uma coisa \u00e9 certa, na r\u00e1dio n\u00e3o passaria (risos).<br \/>\n\tM. L. \u2014 Entre o primeiro e o segundo acorde punham publicidade (risos).<br \/>\n<strong>Tanto \u201cNocturno\u201d como \u201cUndercovers\u201d, os vossos discos anteriores, venderam bem. Existe finalmente um mercado para discos de jazz feitos em Portugal? Ou s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 Acho que haver\u00e1 sempre mercado para os discos de jazz, mesmo numa sociedade com tend\u00eancia para a estupidifica\u00e7\u00e3o, como a nossa. H\u00e1 sempre camadas que reagem. Isso sempre aconteceu e sempre acontecer\u00e1. De uma maneira geral, o problema est\u00e1 em que as pessoas n\u00e3o s\u00e3o estimuladas a ouvir coisas que desconhecem. Mas, quando se aposta mais, \u00e0s vezes h\u00e1 surpresas e descobre-se que afinal at\u00e9 h\u00e1 pessoas que compram. \u00c9 claro que n\u00e3o compram \u00e0s centenas de milhares, mas compram uns milhares. Apesar de sermos um pa\u00eds pequeno, quanto mais discos se fizerem, melhor.<br \/>\n<strong>Mas ent\u00e3o, por que raz\u00e3o gravaram este \u00e1lbum em edi\u00e7\u00e3o de autor e n\u00e3o atrav\u00e9s de uma editora? De onde veio o dinheiro para a grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 N\u00e3o \u00e9 um disco de autor por n\u00e3o ter havido editoras interessadas. Foi uma op\u00e7\u00e3o. Estou mais ligado \u00e0 Universal e o Bernardo \u00e0 Trem Azul&#8230;<br \/>\n\tB. S. \u2014 Mas \u00e9 importante n\u00e3o termos, como n\u00e3o temos, exclusividade.<br \/>\n\tM. L. \u2014 No meu caso, a liga\u00e7\u00e3o tem mais a ver com os discos com a Maria Jo\u00e3o. Se o Bernardo viesse para a Universal, a Trem Azul era capaz de ficar um bocado melindrada. O oposto teria o mesmo efeito na Universal. Acab\u00e1mos por pensar que a melhor maneira de ningu\u00e9m ficar ofendido seria fazer um disco de autor. E at\u00e9 tivemos sorte, porque a Fnac quis exclusividade. Mas nem se trata de um disco caro&#8230;<br \/>\n<strong>O ambiente de est\u00fadio foi determinante nas grava\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 Grav\u00e1mos no est\u00fadio do M\u00e1rio Barreiros, em Canelas, no Porto, um est\u00fadio cinco estrelas, mesmo a n\u00edvel mundial.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Tudo em madeira, grande, com respira\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\n\tB. S. \u2014 O M\u00e1rio j\u00e1 tinha gravado l\u00e1, o \u201cUndercovers\u201d, cujo som considero extraordin\u00e1rio, e o M\u00e1rio Barreiros \u00e9 um t\u00e9cnico sublime, al\u00e9m de um grande m\u00fasico. Tem uma intelig\u00eancia e uma rapidez de fazer as coisas estonteantes.<br \/>\n<strong>T\u00eam expetativas elevadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\n\tM. L. \u2014 Gostaria que as pessoas ouvissem e gostassem, que acontecesse cumplicidade, comunh\u00e3o. Adoro tocar ao vivo, n\u00e3o h\u00e1 nada melhor, sentir, quando entro no palco, que as pessoas j\u00e1 ouviram o disco e querem mesmo estar ali no concerto.<br \/>\n\u201cM\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti\u201d \u00e9 um disco de jazz \u201cmainstream\u201d? O termo incomoda-os?<br \/>\n\tB. S. \u2014 N\u00e3o acho que seja&#8230; \tM. L. \u2014 O \u201cmainstream\u201d n\u00e3otem a ver com ser bastante tonal ou n\u00e3o, mas com o tipo de linguagem. E, nesse aspecto, n\u00e3o \u00e9. Mas \u00e9 uma m\u00fasica comunicativa, que n\u00e3o se fecha sobre si mesma.<br \/>\n<strong>Como \u00e9 que se evolui como m\u00fasico de jazz em Portugal?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 \u00c9 muito importante os m\u00fasicos sa\u00edrem de c\u00e1. Ir apanhar ar l\u00e1 fora. Vivi muitos anos em Londres, tamb\u00e9m estive algum tempo em Nova Iorque, e \u00e9 realmente extraordin\u00e1rio. Realizam-se sess\u00f5es descontra\u00eddas, \u00e0 tarde, para as pessoas tocarem, s\u00f3 pelo gozo. Aqui \u00e9 mais complicado&#8230; Chega-se a um ponto em que deixa de haver entusiasmo em rela\u00e7\u00e3o ao meio. Os m\u00fasicos novos que querem mesmo fazer esta m\u00fasica t\u00eam que sair daqui. Isto \u00e9 muito pequeno. Uma prov\u00edncia. Lisboa \u00e9 uma cidade grande, mas, se formos a ver, tem caracter\u00edsticas que me fazem pensar em fachada. H\u00e1 muita fachada e pouco conte\u00fado. Isto empobrece o esp\u00edrito. Existe a mania de dizer \u201cn\u00f3s temos\u201d, \u201cn\u00f3s fizemos\u201d o maior edif\u00edcio, a maior sede de n\u00e3o sei qu\u00ea, o maior ocean\u00e1rio, \u201cporque n\u00f3s os portugueses tamb\u00e9m podemos e conseguimos!\u201d&#8230; \u00c9 extremamente redutor.<br \/>\n\tM. L. \u2014 S\u00e3o os mesmos que depois se vergam ao que vem de fora!<br \/>\n<strong>Ambos gostam de viajar. Que viagens, musicais e geogr\u00e1ficas, mais os marcaram?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 A m\u00fasica que me fez vibrar mais at\u00e9 hoje foi a do Brasil. Em Niter\u00f3i, tanto os sons de batucada no meio da rua, durante uma manifesta\u00e7\u00e3o popular, como, \u00e0s duas da manh\u00e3, um grupo de velhinhos a tocarem forr\u00f3, vestidos como se tivessem acabado de sair da cama. Quatro horas a tocar, das 2h \u00e0s 6h. Sem parar! H\u00e1 outra m\u00fasica que me fascina em particular: o flamenco. Tenho estado a tocar e a aprender com o grupo Cruce de Caminos, como o Perico Sambeat e o Gerardo Nunez. Atualmente tenho andado a ouvir m\u00fasica f\u00fanebre para cordas, de Lutoslawski, pelo Kronos Quartet.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Tamb\u00e9m o Brasil. Depois, \u00c1frica, pela qual sinto um fasc\u00ednio enorme. \u00c0s vezes procuro imitar ritmos que n\u00e3o s\u00e3o feitos em piano, mas em guitarra, numa kora ou num balafon. Isso d\u00e1-me ideias \u2014 por exemplo, h\u00e1 um tema no \u201cCor\u201d, \u201cRafael ou a cor de Mo\u00e7ambique\u201d, cujo balan\u00e7o foi conseguido a partir da imita\u00e7\u00e3o de uns balafons, at\u00e9 transformer o ritmo numa coisa pian\u00edstica.<br \/>\n<strong>Existe um jazz portugu\u00eas, da mesma maneira que existe um jazz ingl\u00eas, um jazz franc\u00eas ou um jazz italiano?<\/strong><br \/>\n\tB. S. \u2014 Sim! Uma sonoridade espec\u00edfica. No M\u00e1rio, por exemplo. Oi\u00e7a-se v\u00e1rias das \u201cDan\u00e7as\u201d. Tamb\u00e9m em temas do Jo\u00e3o Paulo, do Carlos Bica e do Carlos Barretto.<br \/>\n\tM. L. \u2014 Mas n\u00e3o s\u00e3o elementos \u00f3bvios. O Jos\u00e9 Duarte dava como exemplo \u2013 do qual discordo completamente \u2013 o Chano Dominguez, ao pegar num \u201cstandard\u201d qualquer e transform\u00e1-lo numa rumba. Eu isso acho que n\u00e3o. Agora misturar flamenco com outras coisas, como fazem os Cruce de Caminos, acho bem. Pegar em temas populares portugueses e adapt\u00e1-los&#8230; Se isso \u00e9 jazz portugu\u00eas, prefiro estar a milhas!<\/p>\n<p><center><br \/>\n<strong>Obcecados pelo belo<\/p>\n<p>M\u00c1RIO LAGINHA E BERNARDO SASSETTI<br \/>\nM\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti<\/strong><br \/>\nEd. de autor, distri. Fnac<br \/>\n<strong>8 | 10<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6810\" rel=\"attachment wp-att-6810\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"297\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6810\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml3.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml3-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ml3-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>A m\u00fasica nasce em crescendo, escorre como \u00e1gua, em acordes que aos poucos se v\u00e3o organizando, como a li\u00e7\u00e3o de piano da crian\u00e7a deslumbrada que descobre a origem dos sons, em \u201cA menina e o piano\u201d, ponto de partida do primeiro \u00e1lbum de dois pianistas que procuram na m\u00fasica do outro o complement e uma resposta para as suas interroga\u00e7\u00f5es musicais. Escutam-se evid\u00eancias. Nesta nova vers\u00e3o do tema compost originalmente para \u201cChorinho Feliz\u201d, \u00e0 semelhan\u00e7a dos outros compostos por Laginha (\u201cFuga para dois pianos\u201d e \u201cDespedida\u201d, ambos do \u00e1lbum \u201cHoje\u201d, de 1994, e o in\u00e9dito \u201cFisicamente\u201d), o ritmo imp\u00f5e-se como fio condutor, o \u201ctouch\u201d \u00e9 marcado, o \u201cswing\u201d quase \u201cragtime\u201d na \u201cFuga\u201d, gismontiano na \u201cDespedida\u201d, e \u201cFisicamente\u201d um poderoso di\u00e1logo de \u201criffs\u201d, sugest\u00f5es de chorinho e harmonias em cascata. J\u00e1 \u201cA segunda gaveta a contar de cima\u201d, escrita em primeiro lugar para a Orquestra de Jazz de Matosinhos, jarrettiana na ess\u00eancia, ser\u00e1 o mais natural ponto de conflu\u00eancia entre os dois pianistas portugueses. Jogo quase telep\u00e1tico, de notas vivas e v\u00edvidas, \u201cclusters\u201d e expressividade a ro\u00e7ar a euforia. A m\u00e9trica pode soar insistente, quase repetitiva, mas \u00e9 tamb\u00e9m da\u00ed que as surpresas e as solu\u00e7\u00f5es brotam, a justifi car a explica\u00e7\u00e3o dada pelos seus int\u00e9rpretes: \u201cTemos ambos um fasc\u00ednio por um lado obsessivo, em usar uma repeti\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e explor\u00e1-la at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o.\u201d \u00c0 pergunta \u201cOnde \u00e9 que isto nos vai levar\u201d, respondem com a disciplina antidogm\u00e1tica dos esp\u00edritos n\u00f3madas: \u201cEntramos numa tonalidade e \u00e0s tantas come\u00e7a a fundir-se numa linguagem mais impressionista e menos tonal.\u201d Em Sassetti, pelo contr\u00e1rio, a intrincada rede de luzes, por vezes ofuscantes, do novo arranjo para \u201cSe\u00f1or C\u00e1scara\u201d (do \u00e1lbum \u201cMundos\u201d) \u00e9 a excep\u00e7\u00e3o \u00e0s filigranas impressionistas de \u201cO sonho dos outros\u201d (de \u201cNocturnos\u201d), janela entreaberta para a matem\u00e1tica secreta de Satie, \u201cDiabolique\u201d (surpreendente pela viol\u00eancia dos contrastes) e um \u201cRenascer\u201d com a mesma tranquilidade de Brian Eno. A escrita de Billy Strayhorn em \u201ctake the A train\u201d introduz o universo ellingtoniano na teia harm\u00f3nica da dupla e acaba por ser nos tr\u00eas \u201cImprevistos\u201d que os dois completam a fus\u00e3o das respetivas linguagens pian\u00edsticas, pela improvisa\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m aqui que, ao esbaterem-se as diferen\u00e7as, a m\u00fasica deixa diluir alguma da sua for\u00e7a \u201cnarrativa\u201d para se revelar como geometria de um jardim zen, aspeto em que o \u201cImprevisto n\u00ba2\u201d, minimal como um mantra de Terry Riley, se mostra exemplar.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D7meXy1OmdU\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> entrevistas + cr\u00edtica de discos) s\u00e1bado, 8 Novembro 2003 capa M\u00e1rio Laginha e Bernardo Sassetti \u00e9 a estreia discogr\u00e1fica nascida da colabora\u00e7\u00e3o e das afinidades entre estes dois pianistas. Um encontro de sensibilidades complementares onde a improvisa\u00e7\u00e3o tem um papel determinante. O jazz deles. Tocado com a naturalidade, mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[724,725,1722,12,24],"tags":[1832,115,1831],"class_list":["post-6807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-2003","category-criticas-2003","category-entrevistas-2003","category-jazz","category-portugueses","tag-bernardo-sassetti","tag-mario-laginha","tag-mario-laginha-e-bernardo-sassetti"],"views":1368,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6807"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6812,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6807\/revisions\/6812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}