{"id":6798,"date":"2018-05-17T10:49:28","date_gmt":"2018-05-17T17:49:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6798"},"modified":"2018-05-17T10:49:28","modified_gmt":"2018-05-17T17:49:28","slug":"ennio-morricone-dulce-pontes-focus-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/05\/17\/ennio-morricone-dulce-pontes-focus-2\/","title":{"rendered":"Ennio Morricone &#038; Dulce Pontes &#8211; &#8220;Focus&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o + cr\u00edtica de discos)<br \/>\n17 Outubro 2003<\/p>\n<p><em>Conheceram-se, ligaram-se e, nos \u00faltimos oito anos, n\u00e3o se largaram. Dessa rela\u00e7\u00e3o nasceu \u201cFocus\u201d, \u00e1lbum de BSOs para filmes m\u00edticos, agora dobrados em portugu\u00eas. Ennio Morricone e Dulce Pontes Concretizaram a miss\u00e3o.<\/em><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>A balada de Ennio e Dulce<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6799\" rel=\"attachment wp-att-6799\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ed.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"562\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6799\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ed.jpg 641w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ed-300x263.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ed-624x547.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ed-100x88.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tEnnio Morricone e Dulce Pontes conheceram-se em 1995, durante as filmagens de \u201cAfirma Pereira\u201d, para o qual o compositor e maestro italiano escreveu a banda sonora, que inclu\u00eda a can\u00e7\u00e3o \u201cA brisa do cora\u00e7\u00e3o\u201d, de Francesco de Melis e Emma Scoles, pela voz da cantora portuguesa, precisamente.<br \/>\n\tNessa altura juraram voltar a trabalhar juntos mas o autor das partituras de \u201cAconteceu no Oeste\u201d, \u201cA Miss\u00e3o\u201d, \u201cCinema Para\u00edso\u201d e \u201cSacco e Vanzeti\u201d imp\u00f4s como condi\u00e7\u00e3o que Dulce esperasse at\u00e9 fazer 30 anos. Para ganhar experi\u00eancia. Dulce esperou, apagou as 30 velas e Ennio cumpriu a promessa.<br \/>\n\tE de que maneira: oferecendo-lhe um \u00e1lbum inteiro com m\u00fasica sua. O \u00e1lbum chama-se \u201cFocus\u201d, tem 16 can\u00e7\u00f5es e letras, entre outros, de Federico Garcia Lorca, Joan Baez, Francesco de Melis, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Mark Niedzwiedz, Carlos Vargas, Phil Galdston, Audry Stainton, M. Travis e da pr\u00f3pria Dulce Pontes, na can\u00e7\u00e3o de homenagem a Am\u00e1lia Rodrigues, \u201cAm\u00e1lia por amor\u201d. A portuguesa cantou na l\u00edngua natal mas tamb\u00e9m em italiano, espanhol e ingl\u00eas. Com empenho. Interiorizando a colabora\u00e7\u00e3o como um \u201csonho tornado realidade\u201d e um \u201cato de amor\u201d, capaz de lhe provocar o \u201c\u00eaxtase\u201d.<br \/>\n\tMorricone, com a calma e a distancia\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos seus 75 anos (40 de carreira), n\u00e3o poupa, por\u00e9m, nos elogios impressos na capa do disco, na forma como se refere \u00e0s cinco novas composi\u00e7\u00f5es que escreveu para o disco (\u201cAm\u00e1lia por amor\u201d, \u201cAntiga palavra\u201d, \u201cLuz prodigiosa\u201d, \u201cVoo\u201d e \u201cI Girasoli\u201d): \u201cEscrevi-as a pensar na voz de Dulce. Queria dar um ritmo intencional a estas novas pe\u00e7as \u2013 chamemos-lhe um ritmo ib\u00e9rico \u2013 porque queria que a Dulce pudesse expressar o seu alcance vocal, mas tamb\u00e9m manter as conota\u00e7\u00f5es do fado portugu\u00eas (\u2026) ela tem qualidades \u2018camale\u00f3nicas\u2019 t\u00e3o completas, t\u00e3o incrivelmente variadas, que tenho de dizer que ela toca em todos os aspetos da can\u00e7\u00e3o, todas as formas de cantar\u201d. Vai mesmo mais longe, ao afirmar que este \u00e9 um dos discos \u201cmais importantes\u201d que alguma vez fez \u201ccom um cantor\u201d, definindo-o como \u201cextraordin\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>\t<strong>perfeccionista.<\/strong> 1995 foi o ano da luz. Dulce e Ennio encontraram-se nas circunst\u00e2ncias atr\u00e1s descritas e ele n\u00e3o a largou mais. \u201cCome\u00e7ou a convidar-me para ir cantar aos concertos dele\u201d, conta a cantora portuguesa, ainda mal refeita desse encontro \u201cprofissional\u201d e \u201cpessoal\u201d com o m\u00edtico autor de BSO para \u201cWestern spaghettis\u201d como \u201cPor um Punhado de D\u00f3lares\u201d, de S\u00e9rgio Leone. \u201cMantivemos contacto ao longo dos \u00faltimos anos e estivemos juntos em v\u00e1rias partes do mundo, como na Arena de Verona, o Pal\u00e1cio dos Congressos, em Paris, Londres, Norte da Europa\u2026\u201d. Proximidade e afeto m\u00fatuos ao ponto de levarem Dulce a considerar o maestro como \u201cuma pessoa da fam\u00edlia\u201d. Algu\u00e9m que descreve como \u201cperfeccionista\u201d e \u201ccom uma objetividade muito grande\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas conce\u00e7\u00f5es musicais, \u201co que se reflete na sua maneira de ser\u201d \u2013 usa muito a express\u00e3o \u2018dignidade art\u00edstica\u2019\u201d. \u201cH\u00e1 poucas pessoas que conservem tais princ\u00edpios ao longo da vida\u201d, reconhece, acrescentando ter estado ao lado de algu\u00e9m \u201cacess\u00edvel, sempre disposto a contar anedotas\u201d.<br \/>\n\tDulce Pontes acompanha a m\u00fasica de Morricone desde a adolesc\u00eancia. Cita como banda sonora preferida \u201cA Miss\u00e3o\u201d. E reconhece que a sua voz se adapta a ela com naturalidade. \u201cPorque a m\u00fasica dele descreve muitas imagens, uma m\u00fasica multifacetada que me permite tocar v\u00e1rias cambiantes da minha personalidade e da minha voz enquanto int\u00e9rprete\u201d, diz Dulce que, apesar dessa admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua, teve que esperar at\u00e9 aos 30 anos para retomar a liga\u00e7\u00e3o art\u00edstica com o mestre italiano. Mas valeu a pena a espera. \u201cIsto acontece no melhor tempo da minha vida. Este disco n\u00e3o seria nada do que \u00e9 se o tivesse feito no meio do rodopio em que eu normalmente andava. Depois, o facto de ter sido m\u00e3e fez-me ficar com mais corpo, o que me ajuda imenso na parte t\u00e9cnica. E tenho hoje uma estabilidade afetiva que antes n\u00e3o tinha\u201d.<br \/>\n\tForam oito anos de espera at\u00e9, finalmente, \u201cse desbloquearem uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es\u201d, como o facto da editora querer que a cantora lan\u00e7asse mais um disco antes da aventura Morricone, o que implicou \u201cced\u00eancias\u201d, das quais, por\u00e9m, Dulce \u201cn\u00e3o se arrepende nada\u201d.<br \/>\n\tAo fim e ao cabo proporcionaram-se as condi\u00e7\u00f5es para \u201cFocus\u201d avan\u00e7ar e poder contar com cinco composi\u00e7\u00f5es novas oferecidas \u201cde bandeja\u201d \u00e0 cantora que em 1999 conquistou o Pr\u00e9mio Jos\u00e9 Afonso com o \u00e1lbum \u201cO Primeiro Canto\u201d. \u201cSobretudo pela quantidade de vozes magn\u00edficas que existem no planeta, sinto-me privilegiada por ele me ter escolhido\u201d.<\/p>\n<p>\t<strong>\u201cva bene, bravo!\u201d. <\/strong>\u201cFocus\u201d foi gravado no mesmo est\u00fadio que \u201cBrisa do cora\u00e7\u00e3o\u201d, no F\u00f3rum est\u00fadio, em Roma. Durante sete dias, \u201ctudo de seguida\u201d, sempre com Morricone presente. \u201cSugeri que grav\u00e1ssemos ao mesmo tempo com a orquestra mas ele n\u00e3o quis, preferiu gravar a orquestra primeiro. Ouvi as orquestra\u00e7\u00f5es cerca de oito dias antes de ir para l\u00e1, onde acrescentei depois a voz. Um dos temas, \u2018Someone you once knew\u2019, tinha um andamento muito fixo e expliquei-lhe isso assim que cheguei ao est\u00fadio, exemplificando. Ele percebeu de imediato e optou por, nessa vez, gravar mesmo em tempo real com a orquestra. Deu-me total liberdade, mas adorava que tivesse sido mais exigente comigo (risos) porque o que acontecia, na maioria das vezes, era eu fazer dois, tr\u00eas \u2018takes\u2019 e ele comentar \u2018va bene, bravo!\u2019. Eu pedia para repetir, \u00e0s vezes repetia demais, talvez por inseguran\u00e7a, noutras por uma certa dificuldade em adaptar-me \u00e0s mudan\u00e7as de linguagem\u201d.<br \/>\n\tAgora que \u201cFocus\u201d a\u00ed est\u00e1 para ser lan\u00e7ado em todo o mundo, incluindo no formato SACD (Super \u00c1udio CD), o que acontece pela primeira vez com um artista portugu\u00eas, Dulce Pontes n\u00e3o tem d\u00favidas em reconhecer que se trata de um momento \u00fanico da sua carreira e que poder\u00e1 ser o in\u00edcio de um report\u00f3rio \u00e0 parte, \u201cpara cantar coisas de outras pessoas\u201d.<br \/>\n\t\u201cFocus\u201d tem apresenta\u00e7\u00f5es marcadas para Roma, no m\u00eas que vem, e para o Royal Albert Hall, em Londres. Por c\u00e1, \u201chaja luz!\u201d: \u201cAdorava fazer o espet\u00e1culo antes do Natal, at\u00e9 porque o Ennio Morricone nunca esteve em Portugal\u201d.<br \/>\n\tPara j\u00e1, Dulce Pontes n\u00e3o se cansa de saborear o momento. \u201cTive que me beliscar, n\u00e3o acreditava que estava a cantar \u2018A Miss\u00e3o\u2019!\u201d. Nem de rebobinar na sua cabe\u00e7a um filme de que ainda n\u00e3o assimilou sequer \u201cos cr\u00e9ditos\u201d. \u201cTalvez por defesa. N\u00e3o gosto de criar expectativas em rela\u00e7\u00e3o a uma coisa, como fiz no passado, e depois desiludir-me. Tenho medo disso. Embora sinta que este foi um passo muito importante, talvez mesmo o mais importante, e que representa a possibilidade de crescimento e de internacionaliza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 coisas neste disco que talvez gostasse de repetir, tenho sempre essa sensa\u00e7\u00e3o. Houve momentos em que fui ainda mais exigente que o maestro, talvez estupidamente exigente (risos)\u201d. Porque a m\u00fasica de Morricone \u201cn\u00e3o se pode interpretar nem s\u00f3 com o cora\u00e7\u00e3o nem s\u00f3 com a cabe\u00e7a, tem que haver um equil\u00edbrio delicad\u00edssimo. Tens aqui um par de asas e agora p\u00f5e-te a voar. De repente abre-se diante de ti um precip\u00edcio enorme mas sabes o prazer que podes ter a voar\u201d.<\/p>\n<p><strong>forte e feio<\/strong><\/p>\n<p>Pegando nas palavras da pr\u00f3pria Dulce Pontes, quando se refere \u00e0 necessidade de equil\u00edbrio entre o cora\u00e7\u00e3o e a cabe\u00e7a na interpreta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica de Morricone, somos tentados a considerar que \u00e9, por a\u00ed, que \u201cFocus\u201d n\u00e3o cumpre por inteiro as expectativas que a colabora\u00e7\u00e3o entre ambos criara \u00e0 partida. Bem entendido, a majestosidade dos novos arranjos criados por Morricone para \u201cCinema paradiso\u201d, \u201cA rose among thorns\u201d (de \u201cA Miss\u00e3o\u201d) ou \u201cYour love\u201d (de \u201cEra uma Vez no Oeste\u201d) imp\u00f5em de imediato o selo t\u00edpico do mestre. Para Dulce ficou reservada a responsabilidade de lhes conferir o tal cunho \u201cib\u00e9rico\u201d pretendido pelo compositor. Acontece que a cantora portuguesa se ter\u00e1 deixado levar em demasia pelo cora\u00e7\u00e3o e menos pela cabe\u00e7a, ao n\u00e3o conseguir resistir a levantar a voz acima daquele n\u00edvel no qual essa no\u00e7\u00e3o de \u201cequil\u00edbrio\u201d deixa de fazer sentido. Cantar \u201cib\u00e9rico\u201d n\u00e3o \u00e9 subir perdidamente aos p\u00edncaros da expressividade decib\u00e9lica. Que Dulce Pontes \u00e9 dona de um potente instrumento vocal, \u00e9 do conhecimento geral; mas n\u00e3o havia necessidade de nos atirar isso \u00e0 cara. Mesmo porque em faixas como \u201cNo ano que vem\u201d \u2013 fort\u00edssimo \u00edmpeto digno da \u00f3pera-rock \u201cJesus Cristo Superstar\u201d \u2013, \u201cNosso mar\u201d, no seu aceit\u00e1vel brasileirismo (enquanto a voz n\u00e3o sobe de tom\u2026), \u201cAntiga palavra\u201d e \u201cI girasoli\u201d (o mais arrojado dos arranjos), se torna evidente que o seu leque de registos se estende bastante para al\u00e9m do mero histrionismo. Entre as sensuais entoa\u00e7\u00f5es \u00e1rabes dos primeiros segundos de \u201cThe ballad of Sacco e Vanzetti\u201d ou o fado com dedicat\u00f3ria a Am\u00e1lia, \u201cAm\u00e1lia por amor\u201d, fica a frustra\u00e7\u00e3o de que \u201cFocus\u201d poderia ter enveredado por criar outro tipo de dial\u00e9tica entre a grandiosidade orquestral e a plasticidade da voz. Assim, soa a exibicionismo e a \u201cworld\u201d em cinemascope de pacotilha. Mas n\u00e3o ter\u00e1 sido isso, afinal, que juntou Ennio e Dulce e d\u00e1 brilho \u00e0 m\u00fasica quer de um quer de outro?<\/p>\n<p><strong>ENNIO MORRICONE &#038; DULCE PONTES<br \/>\nFocus<\/strong><br \/>\nEd. e distri. Universal<br \/>\n<strong>4|10<\/strong><\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PLKXmjTWkRA\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o + cr\u00edtica de discos) 17 Outubro 2003 Conheceram-se, ligaram-se e, nos \u00faltimos oito anos, n\u00e3o se largaram. Dessa rela\u00e7\u00e3o nasceu \u201cFocus\u201d, \u00e1lbum de BSOs para filmes m\u00edticos, agora dobrados em portugu\u00eas. Ennio Morricone e Dulce Pontes Concretizaram a miss\u00e3o. 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