{"id":6780,"date":"2018-05-10T11:47:30","date_gmt":"2018-05-10T18:47:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6780"},"modified":"2018-05-10T11:47:30","modified_gmt":"2018-05-10T18:47:30","slug":"stealing-orchestra-querida-encolhi-a-musica-artigo-de-opiniao-e-entrevista-a-proposito-do-lancamento-de-the-incredible-shrinking-band-residents-the-kubik-mola-dudle-negativland","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/05\/10\/stealing-orchestra-querida-encolhi-a-musica-artigo-de-opiniao-e-entrevista-a-proposito-do-lancamento-de-the-incredible-shrinking-band-residents-the-kubik-mola-dudle-negativland\/","title":{"rendered":"Stealing Orchestra &#8211; &#8220;Querida, Encolhi A M\u00fasica!&#8221; (artigo de opini\u00e3o e entrevista a prop\u00f3sito do lan\u00e7amento de &#8216;The Incredible Shrinking Band&#8217;) + Residents (The) + Kubik + Mola Dudle + Negativland + Biota"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o)<br \/>\n26 Setembro 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Querida, encolhi a m\u00fasica!<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<em>Para os Stealing Orchestra um disco \u00e9 um mundo de possibilidades. Com velhos discos e filmes montaram \u201cThe Incredible Shrinking Band\u201d, que alargou o espectro sonoro da orquestra.<\/em><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6781\" rel=\"attachment wp-att-6781\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/so-1.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"444\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6781\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/so-1.jpg 643w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/so-1-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/so-1-624x431.jpg 624w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/so-1-100x69.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>\u201cThe Incredible Shrinking Band\u201d, segundo longa-dura\u00e7\u00e3o dos Stealing Orchestra, depois de \u201cStereogamy\u201d (e do EP \u201c\u00c9 Portugu\u00eas? N\u00e3o Gosto!\u201d), rouba o que pode e onde pode. A come\u00e7ar pelo t\u00edtulo, adaptado de um filme de s\u00e9rie B, \u201cThe Incredible Shrinking Man\u201d (Jack Arnold, 1957), hoje fita de culto.<br \/>\n\tA opera\u00e7\u00e3o de encolhimento traduz-se graficamente numa capa a fazer lembrar os Negativland e materializa-se literalmente na faixa de encerramento, \u201cHappy ending theme\u201d, segmento s\u00f3nico que em segundos condensa as restantes 14 faixas. O disco termina com uma mensagem subliminar na voz de um Wally amb\u00edguo que cada um tentar\u00e1 identificar.<br \/>\n\tPelo meio, os Stealing Orchestra, sob a al\u00e7ada ideol\u00f3gica de Jo\u00e3o Mascarenhas, prop\u00f5em as sonoridades mais estranhas, designadas por t\u00edtulos n\u00e3o menos bizarros como \u201cQue Deus te d\u00ea o dobro de tudo o que nos desejares\u201d, \u201cTetris (beware boy, videogames are evil)\u201d, \u201cThe darkside of a travesti\u201d,\u201dThe living dead whistlig quartet\u201d, \u201cHow to make a killer rat\u201d e o inultrapass\u00e1vel \u201cSorry captain.but\u2026shouldn\u2019t we be thinking about cosmic hazards instead of destroying our spaceship and kitting the crew?\u201d.<br \/>\n\tS\u00e3o ilustra\u00e7\u00f5es, pinturas de som equivalentes \u00e0s colagens surrealistas que Armando Br\u00e1s criou para o folheto, ilustrativos de uma insanidade controlada que remete os Stealing para uma linhagem de grupos que inclui os Residents, Biota, Renaldo and the Loaf, Yello, Startled Insects, Ol\u00edvia Tremor Control ou os j\u00e1 citados Negativland, bem como Pascal Comelade ou artistas como Duchamp, Breton, Ernst, e Salvador Dali.<\/p>\n<p><strong>asilos.<\/strong> Vale tudo e vale a pena averiguar. Os Stealing Orchestra sacam aos discos e filmes de v\u00e1rios estilos e \u00e9pocas aquilo que neles \u00e9 pass\u00edvel de ser manipulado at\u00e9 adquirir a forma de m\u00fasica. Os resultados variam de faixa para faixa como as simetrias de um caleidosc\u00f3pio: valsas \u00e0 maneira dos Stranglers, surf music, easy listening, jogos de consola, eletr\u00f3nica-champagne, uma cita\u00e7\u00e3o intrusa dos Pink Floyd psicad\u00e9licos (n\u00e3o, eles nunca ouviram, juram, e n\u00f3s fingimos acreditar\u2026), excertos de emiss\u00f5es e est\u00e1tica de r\u00e1dio, vozes camufladas e melodias umas vezes diabolicamente retalhadas outras de uma simplicidade desarmante. Para confundir ainda mais, n\u00e3o faltam \u201cOs Caretos de Podence\u201d, com emula\u00e7\u00f5es de gaita-de-foles sint\u00e9tica de folk mirandesa formatada em disquete.<br \/>\n\tN\u00e3o h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o, c\u00e1 dentro como l\u00e1 fora, para este \u201ctipo\u201d de m\u00fasica, pela raz\u00e3o de que a loucura, mesmo quando elevada a m\u00e9todo (est\u00e9tico ou sociol\u00f3gico), \u00e9 ferozmente individualista. Cada caso \u00e9 um caso e entrar em cada um deles pode ser uma aventura imprevis\u00edvel.<br \/>\n\tClaro, encontram-se na pop asilos bem demarcados. Se os Negativland abusam da colagem como dispositivo de sabotagem, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e9tica como pol\u00edtica, e os Olivia Tremor Control recorrem ao \u201ccorte e costura\u201d como ferramenta de um novo Psicadelismo, j\u00e1 Pascal Comelade se perfila como genu\u00edno \u201cnaif\u201d para quem a m\u00fasica \u00e9, como nos Stealing Orchestra, uma miniaturiza\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros e mitologias enrolados no cilindro de um realejo. O autor de \u201cEl Cabaret Galactico\u201d \u00e9, de resto, das poucas influ\u00eancias assumidas pelo grupo portugu\u00eas.<br \/>\n \tOutros mestres-redutores, como os Residents (o seu \u00e1lbum de 50 \u201cjingles\u201d de um minuto cada permanece como s\u00edmbolo da publicidade filtrada pela esquizofrenia e pela pervers\u00e3o), inserem-se num projeto mais global de subvers\u00e3o que procura atingir o \u00e2mago da pop. Os Biota fazem o mesmo mas propagam a doen\u00e7a, infetando cada som com uma agonia. Idem em rela\u00e7\u00e3o aos Startled Insects, com a diferen\u00e7a de que estes ousam interferir com os c\u00e2nones da m\u00fasica de dan\u00e7a. J\u00e1 os Renaldo and the Loaf s\u00e3o malucos a quem ofereceram instrumentos de m\u00fasica e um contrato de grava\u00e7\u00e3o e os Yello uma varia\u00e7\u00e3o \u201clight\u201d dos Residents. Ponto assente: sem o trabalho pioneiro de Raymond Scott, o cientista e vision\u00e1rio louco de \u201cManhattan Reserach Inc.\u201d, nenhum dos outros se atreveria a fazer o que fez e a expor as respetivas<br \/>\ntaras em p\u00fablico.<br \/>\n\tDe entre esta lista de ilustres anjos do bizarro (parafraseando o t\u00edtulo de um conto de Edgar Allan Poe) \u00e9 no mundo mais afastado do horizonte de refer\u00eancias dos Stealing Orchestra que se detetam enigm\u00e1ticas coincid\u00eancias. E que outro grupo pode estar mais afastado da normalidade do que os Biota, autores de \u201cAlmost Never\u201d, \u201cTinct\u201d e \u201cObject Holder\u201d, comp\u00eandios e rituais de passagem para o pesadelo? Como os Biota, os Stealing Orchestra constroem parte da sua estranheza atrav\u00e9s da justaposi\u00e7\u00e3o de instrumentos ac\u00fasticos, como o piano ou o acorde\u00e3o, e programa\u00e7\u00f5es eletr\u00f3nicas, segundo a l\u00f3gica de \u201ccadavre-exquis\u201d surrealista, que encadeia as imagens mais incongruentes. Desta conjun\u00e7\u00e3o de contr\u00e1rios resulta uma fenda entreaberta que faz desequilibrar, ou apagar, as mnem\u00f3nicas a que se recorre para fazer a descodifica\u00e7\u00e3o de uma particular organiza\u00e7\u00e3o mental\/musical. Se os Biota filtram no est\u00fadio sanfonas e saxofones at\u00e9 estes soarem como emana\u00e7\u00f5es tuberculosas de hinos sobrenaturais, os Stealing Orchestra sequenciam valsas e fragmentos de uma folk imagin\u00e1ria, ou nem por isso (como nuns \u201cCaretos de Podence\u201d cujo mist\u00e9rio se desvanece ao conhecermos as origens transmontanas de Jo\u00e3o Mascarenhas), cuja for\u00e7a adv\u00e9m, precisamente, da aus\u00eancia ou deforma\u00e7\u00e3o de contexto. Nos Stealing Orchestra nada encaixa numa explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e tudo se passa como as imagens de um sonho. E, no entanto, o filme que fazemos com elas fala uma linguagem que reconhecemos. Ou julgamos reconhecer.<br \/>\n\tE da\u00ed, talvez n\u00e3o, se pensarmos que \u201cThe Incredible Shrinking Band\u201d demorou tr\u00eas anos e meio a gravar e que a organiza\u00e7\u00e3o destes O.V.N.I.s sonoros ter\u00e1 custado a Jo\u00e3o Mascarenhas mais do que uma noite sem dormir. Foi dif\u00edcil encontr\u00e1-lo, porque encolheu at\u00e9 \u00e0 escala de 1:260. Encontr\u00e1mo-lo a praticar nata\u00e7\u00e3o no interior de um dos sif\u00f5es de \u00e1gua que matam a sede \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do P\u00daBLICO. Como \u00e9 que l\u00e1 foi parar, n\u00e3o quis dizer nem n\u00f3s conseguimos imaginar. Mas n\u00e3o pod\u00edamos desperdi\u00e7ar a oportunidade. Depois de se enxugar num peda\u00e7o de toalhete de papel e de escapar por um triz a ser espezinhado por um jornalista, prontificou-se a dar explica\u00e7\u00f5es. J\u00e1 instalado no aconchego de uma caixa de f\u00f3sforos, foi mesmo assim com alguma dificuldade que conseguimos ouvir com nitidez este \u201cincredible shrinking man\u201d. Segue-se a rela\u00e7\u00e3o de algumas das verdades liliputianas que nos transmitiu.<\/p>\n<p><strong>ideias em lata.<\/strong><br \/>\n<strong>M\u00c9TODO DE COMPOSI\u00c7\u00c3O:<\/strong> \u201cFa\u00e7o as bases, com samples, depois gravo para CD, passo aos outros m\u00fasicos [Pedro Vidal, Fernando Sousa, Gustavo Costa] e discutimos o que se pode aumentar aqui ou colar ali. Finalmente trabalho outra vez os temas e dou-lhes as programa\u00e7\u00f5es para trabalharem sozinhos\u201d.<br \/>\n<strong>LOCAL DE TRABALHO:<\/strong> Em casa. \u201c\u00c0s vezes n\u00e3o consigo dormir. Estou com um som na cabe\u00e7a e n\u00e3o descanso enquanto n\u00e3o conseguir faz\u00ea-lo. Vou para o computador ver se sai alguma coisa. Se sai, continuo, se n\u00e3o\u2026\u201d<br \/>\n<strong>FONTES SAMPLADAS:<\/strong> Discos e filmes. \u201cA mais descarada: os Bonzo Dog Doo Dah Band, em \u2018Time travelling waltz\u2019, cinco segundos de Brigitte Bardot, de \u201cTous les gar\u00e7ons\u201d, num \u2018pitch\u2019 lento.\u201d<br \/>\n<strong>AUDI\u00c7\u00d5ES RECENTES:<\/strong> Robert Mitchum. Ouve pouca eletr\u00f3nica. \u201cN\u00e3o gosto do som eletr\u00f3nico\u201d. Nos anos 80: Front 242, Skinny Puppy. Mais tarde: Portishead. Massive Attack, Aphex Twin\u2026<br \/>\n<strong>SOFTWARE UTILIZADO:<\/strong> \u201cB\u00e1sico e primitivo. J\u00e1 o uso h\u00e1 11, 12 anos, um programa que cabe tr\u00eas vezes numa disquete, quando hoje \u00e9 tudo \u2018software\u2019 em dois CD. Habituei-me. \u00c9 como um gajo que toca guitarra e n\u00e3o quer mudar de instrumento\u201d.<br \/>\n<strong>UM HER\u00d3I:<\/strong> Raymond Scott. A fase do jazz. \u201cGosto de todos os discos que saem pela Basta, como os dos Beau Hunks\u201d. \u201cAdoro os anos 20\u201d.<br \/>\n<strong>O LIXO E O LUXO:<\/strong> \u201cUm sample n\u00e3o tem que ser lixo s\u00f3 porque \u00e9 de um artista mais foleiro. \u00c0s vezes ou\u00e7o bandas a dizer, orgulhosas, que samplam os Kraftwerk. \u00c9 uma treta. O que \u00e9 que interessa de onde v\u00eam os sons? O que interessa \u00e9 o que se faz com eles. Tanto pode ser Piazzolla como Quim Barreiros\u201d. Crit\u00e9rio: \u201cTem a ver com a pregui\u00e7a. Uso os sons dispon\u00edveis, n\u00e3o tenho pachorra para arranjar mais. Na escola, quando me mandavam fazer uma reda\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o me dessem um tema, n\u00e3o era capaz. Com um tema, desenvolvia facilmente. Um \u2018sample\u2019 \u00e9 como se fosse um tema\u201d<br \/>\n<strong>M\u00daSICO OU N\u00c3O-M\u00daSICO:<\/strong> \u201cN\u00e3o-m\u00fasico. N\u00e3o leio pautas. M\u00fasico \u00e9 um gajo que tanto toca num projeto experimental como numa cena mais foleira, para ganhar dinheiro. \u00c9 uma profiss\u00e3o\u201d.<br \/>\n<strong>ECLETISMO:<\/strong> \u201cTanto podemos fazer misturas de uma banda de \u2018dead metal\u2019 como os Holocausto Canibal como de Kubik. Uma vez tentei fazer uma m\u00fasica pimba, para ver se era f\u00e1cil. N\u00e3o sa\u00eda. Afinal n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o f\u00e1cil. Como n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer electroclash ou hip-hop\u201d<br \/>\n<strong>CONCERTOS:<\/strong> \u201cNunca vi ningu\u00e9m fazer nada de jeito em palco com um computador, os tipos est\u00e3o ali a fazer de conta que est\u00e3o a tocar. Antigamente levava um at\u00e9 que me fartei. Gravo as programa\u00e7\u00f5es todas em CD, fazemos \u2018play\u2019 e tocamos por cima, como uma orquestra que estivesse l\u00e1 atr\u00e1s\u201d.<br \/>\n<strong>UM FINAL FELIZ:<\/strong> \u201c\u2018Happy ending theme\u2019 \u00e9 o disco todo comprimido a andar para tr\u00e1s, como um grande loop. N\u00e3o vou revelar o que a voz diz no final. D\u00e1 mais gozo p\u00f4r o disco a rodar ao contr\u00e1rio e tentar perceber. Esperemos que ningu\u00e9m leve a mensagem a s\u00e9rio\u2026\u201d<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>anjos do bizarro<\/p>\n<p>No corpo da hidra monstruosa que \u00e9 a<br \/>\nm\u00fasica pop n\u00e3o faltam excresc\u00eancias<br \/>\nque extravasam os limites impostos<br \/>\npelo \u201cmainstream\u201d, ou seja, pela<br \/>\n\u201cnormalidade\u201d. Os \u00e1lbuns<br \/>\nseguintes, nacionais e<br \/>\nestrangeiros, s\u00e3o cl\u00e1ssicos<br \/>\nda marginalidade<br \/>\ncultivada como est\u00e9tica, em<br \/>\nque as \u00fanicas regras s\u00e3o as<br \/>\nda loucura, do perigo e da<br \/>\ntransgress\u00e3o. E do humor,<br \/>\ntantas vezes separador entre<br \/>\na patologia, a obra de arte e o<br \/>\ngratuito.<\/strong><br \/>\n<\/center><br \/>\n<strong>THE RESIDENTS<br \/>\nThe Third Reich \u2018n\u2019 Roll<\/strong><br \/>\nEd. Euro Ralph<\/p>\n<p><em>Quem s\u00e3o, de onde v\u00eam, o que pretendem? Ningu\u00e9m sabe. Agem como toupeiras a escavar os t\u00faneis que minam os alicerces da pop. Os \u201ceyeballs\u201d de fraque e cartola s\u00e3o os diletantes do horror em banda-desenhada, \u201ccomp\u00e8res\u201d de uma alucina\u00e7\u00e3o sem fim que vem dos anos 70 e hoje se estende por videojogos para maiores de 21. \u201cThe Third Reich \u2018n\u2019 Roll\u201d, de 1976, \u00e9 uma das etapas mais bizarras deste percurso pelos subterr\u00e2neos da pop, dividida num par de aberra\u00e7\u00f5es onde s\u00e3o amolgados e cuspidos, numa avalanche de ru\u00eddo e vozes de diabretes, \u201chits\u201d pop dos anos 60 e 70: \u201cSwastikas on parade\u201d e \u201cHitler was a vegetarian\u201d. Ou de como destapar o diabo e escancarar o car\u00e1cter intrinsecamente totalit\u00e1rio da m\u00fasica de massas.<\/em><\/p>\n<p><strong>BIOTA<br \/>\nObject Holder<\/strong><br \/>\nEd. Recommended<\/p>\n<p><em>Ao contr\u00e1rio dos Residentes, \u00e9 conhecida a identidade dos Biota: uma equipa de m\u00fasicos e artistas gr\u00e1ficos sediados em Fort Collins, EUA, preocupados com o \u201cbombardeamento das crian\u00e7as pela tecnologia\u201d e empenhados na manipula\u00e7\u00e3o eletr\u00f3nica, at\u00e9 \u00e0 aniquila\u00e7\u00e3o, de instrumentos ac\u00fasticos como a sanfona, trompete, teclados e, em \u201cObject Holder\u201d, da voz humana<br \/>\nSe os Residents s\u00e3o a subvers\u00e3o da pop os Biota transferem-na para um mundo de espectros. A m\u00fasica \u00e9 um aglomerado t\u00f3xico de anti-mat\u00e9ria em metamorfose, miasmas desfocados de \u201cworld\u201d inexistente, \u201cfree jazz\u201d nas rota\u00e7\u00f5es e pelos m\u00fasicos errados. Como num teste Rorschach \u00e9 a nossa imagina\u00e7\u00e3o que faz nascer os monstros.<\/em><\/p>\n<p><strong>NEGATIVLAND<br \/>\nEscape from Noise<\/strong><br \/>\nEd. Seeland<\/p>\n<p><em>Os Negativland disparam aqui rajadas de colagem e eletr\u00f3nica devedoras de Raymond Scott mas que antecipavam as atuais \u201cfunny electronics\u201d alem\u00e3s, em can\u00e7\u00f5es que denunciam o rid\u00edculo e os podres do quotidiano da Am\u00e9rica. Pulveriza-se com veneno mata-ratos a mediocridade do rock \u201cmainstream\u201d (o verdadeiro \u201cnoise\u201d), exp\u00f5em-se os v\u00edcios do pai de fam\u00edlia que v\u00ea \u00e0s escondidas o canal Playboy ou, simplesmente, sintetiza-se o atual estado de coisas num t\u00edtulo como \u201cMethods of torture\u201d. Entre os convidados, encontram-se \u201cfreaks\u201d como Steve Fisk, Fred Frith, Mickey Hart e Jerry Garcia (Grafteful Dead), Henry Kaiser, Mother Mothersbaugh (Devo), Tom Herman (Pere Ubu), Alexander Hacke (Einsturzende Neubauten) e os\u2026Residents.<\/em><\/p>\n<p><strong>MOLA DUDLE<br \/>\nMob\u00edlia<\/strong><br \/>\nEd. Anana<\/p>\n<p><em>Os portugueses tamb\u00e9m sabem fazer esgares. Os Mola Dudle desarrumam a eletr\u00f3nica de entretenimento para nos fazer trope\u00e7ar no espanto. Desarruma\u00e7\u00e3o com a apar\u00eancia de caos, todavia encenada com uma exatid\u00e3o matem\u00e1tica por Nanu e Miguel Cabral, os dois que arrastam a mob\u00edlia e eletrodom\u00e9sticos de museu pelo ch\u00e3o. \u201cFound objects\u201d, instrumentos convencionais manipulados at\u00e9 ao \u00e2mago da sua estrutura at\u00f3mica, programa\u00e7\u00f5es hist\u00e9ricas ou \u201ceasy listening\u201d arrancadas aos cartazes da escola de circo da editora Storage Secret Sounds e vocaliza\u00e7\u00f5es sem tino condensam uma m\u00fasica inteligente mas por enquanto capaz de divertir apenas aqueles ouvidos sem receio de gozar consigo mesmos. Vale a pena mobilar a m\u00fasica portuguesa desta maneira. Os Mola Dudle foram ao ponto de porem microfones nas m\u00e3os do caruncho.<\/em><\/p>\n<p><strong>KUBIK<br \/>\nOblique Musique<\/strong><br \/>\nEd. Zounds<\/p>\n<p><em>O que nos Mola Dudle soa a polimento dos m\u00f3veis, em Kubik (Victor Afonso) \u00e9 metal, cimento e objetos brutos. \u201cOblique Musique\u201d insere-se numa escola de sons que remonta \u00e0 m\u00fasica industrial, aproveita os ensinamentos do minimalismo e assimila m\u00e9todos de colagem, quer da eletro-ac\u00fastica e acusm\u00e1tica quer dos figurinos \u201cpr\u00eat-a-porter\u201d da pop, mas neste campo, como em tudo, vale a imagina\u00e7\u00e3o do autor. Kubik usa o sampler como artilharia pesada, avan\u00e7ando nas programa\u00e7\u00f5es a bordo de um tanque e fazendo denotar granadas a cada intersec\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros como a m\u00fasica \u00e9tnica, melopeias repetitivas e o cat\u00e1logo geral de deforma\u00e7\u00f5es causadas pela \u201cindustrial\u201d. Admir\u00e1vel \u00e9 o modo como Kubik sobrep\u00f5e cita\u00e7\u00f5es e humor, tripas e automatismos, linguagem de m\u00e1quinas e existencialismo humano, criando perspetivas mut\u00e1veis como uma gravura de Eischer.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> artigo de opini\u00e3o) 26 Setembro 2003 Querida, encolhi a m\u00fasica! Para os Stealing Orchestra um disco \u00e9 um mundo de possibilidades. Com velhos discos e filmes montaram \u201cThe Incredible Shrinking Band\u201d, que alargou o espectro sonoro da orquestra. \u201cThe Incredible Shrinking Band\u201d, segundo longa-dura\u00e7\u00e3o dos Stealing Orchestra, depois de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40,724,369,601,81,725,7,1722,14,704,1235,145,44,24,18],"tags":[286,1823,311,272,215,1822,1821,341],"class_list":["post-6780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambient","category-artigos-2003","category-avant-gard","category-clicks-cuts","category-contemporanea","category-criticas-2003","category-electronica","category-entrevistas-2003","category-experimental","category-funny-electronics","category-fusao","category-humor","category-pop","category-portugueses","category-pos-rock","tag-biota","tag-joao-mascarenhas","tag-kubik","tag-mola-dudle","tag-negativland","tag-residents-yhe","tag-stealing-orchestra","tag-the-residents"],"views":1529,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6780"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6780\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6782,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6780\/revisions\/6782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}