{"id":675,"date":"2009-07-02T13:30:17","date_gmt":"2009-07-02T20:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=675"},"modified":"2009-07-02T13:45:51","modified_gmt":"2009-07-02T20:45:51","slug":"julie-driscoll-1969","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2009\/07\/02\/julie-driscoll-1969\/","title":{"rendered":"Julie Driscoll &#8211; 1969 (conj.)"},"content":{"rendered":"<p>21.11.2000<br \/>\nJazz<br \/>\nM\u00fasica Dura Da M\u00e1quina Mole<br \/>\nDo jazz os Soft Machine ret\u00eam mais os nervos e as ramifica\u00e7\u00f5es cerebrais do que o cora\u00e7\u00e3o. No final dos anos 60, ainda com os lun\u00e1ticos Daevid Allen e Kevin Ayers, semearam o jardim de Canterbury, com um delicioso \u00e1lbum de estreia \u201cThe Soft Machine\u201d. Mas com a sa\u00edda destes dois, o primeiro para formar os Gong, o segundo para se dedicar a apanhar sol, beber champagne e compor obras-primas de Pop-Valium como \u201cJoy of a Toy\u201d e \u201cShooting at the Moon\u201d, Mike Ratledge, o teclista intelectual, Hugh Hopper, o baixista experimentalista e Robert Wyatt, o baterista que gostava de cantar, tomaram conta da \u201cm\u00e1quina mole\u201d (\u201cla machine molle\u201d, como lhes chamavam em Fran\u00e7a, onde o grupo gozou sempre de uma enorme popularidade trocadilho fon\u00e9tico que Wyatt aproveitaria para dar nome a uma das suas bandas, os Matching Mole\u2026).<br \/>\nA pop desapareceu para dar lugar a um h\u00edbrido de jazz-rock dif\u00edcil de tragar para muitos mas indubitavelmente criativo e na origem de uma nova corrente que n\u00e3o parou de conquistar novos disc\u00edpulos ao longo das d\u00e9cadas seguintes, dos parentes pr\u00f3ximos Nucleus aos Isotope, passando pelos italianos Dedalus e os alem\u00e3es Brainstorm. Depois de um \u00e1lbum de transi\u00e7\u00e3o, \u201cVolume Two\u201d, os Soft Machine entraram nos anos 70, com um \u00e1lbum marcante dessa d\u00e9cada, o duplo \u201cThird\u201d, cuja intricada rede feita de um jazz complexo e cerebral era cortada apenas por Wyatt numa estranha e longa can\u00e7\u00e3o de pop psicad\u00e9lico intitulada \u201cThe moon in June\u201d.<br \/>\nMas a vertente matem\u00e1tica venceria nos seguintes e herm\u00e9ticos \u201cFourth\u201d e \u201c5\u201d, obras instrumentais densas onde o swing \u00e9 uma miragem e os executantes se comprazem em sobrepor compassos imposs\u00edveis. \u201cSix\u201d e \u201cSeven\u201d, agora reeditados sem qualquer mais valia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s edi\u00e7\u00f5es anteriores, introduziram mudan\u00e7as significativas na sonoridade dos Soft Machine. \u201cSix\u201d, outro duplo-\u00e1lbum (na edi\u00e7\u00e3o original em vinilo, de 1973) \u00e9 composto por um disco ao vivo e outro de est\u00fadio. N\u00e3o se notam grandes diferen\u00e7as. O jazz, ou o que lhe quiserem chamar, da \u201cm\u00e1quina mole\u201d tornara-se minimalista, com as deambula\u00e7\u00f5es do saxofone e o obo\u00e9 de Elton Dean e o fraseado cerrado e saturado de \u201cfuzz\u201d do \u00f3rg\u00e3o electr\u00f3nico de Mike Ratledge (cujo estilo continua inimit\u00e1vel) empenhados em tra\u00e7ar equa\u00e7\u00f5es de extrema rigidez sobre gotas de piano el\u00e9ctrico e drones psic\u00f3ticas. Karl Jenkins que viera dos Nucleus para se tornar aos poucos no l\u00edder incontestado dos Softs, empurrando cada vez mais Ratledge para um lugar secund\u00e1rio, at\u00e9 ao definitivo afastamento em \u201cSofts\u201d, dirigia ao piano el\u00e9ctrico o futuro pr\u00f3ximo da banda, \u201cSeven\u201d, tamb\u00e9m de 1973, \u00e9 o derradeiro \u00e1lbum em que Ratledge faz valer a sua originalidade, acrescentando ao som dos Soft Machine a novidade de solos de sintetizador (Alan Gowen, dos Gilgamesh, seria, neste aspecto, o seu principal disc\u00edpulo) numa m\u00fasica geom\u00e9trica e minimalista que j\u00e1 n\u00e3o era jazz, nem pop, mas um universo pr\u00f3prio definido pelas idossincrasias individuais de cada executante. A m\u00fasica electro-ac\u00fastica, sequ\u00eancias de falso ambientalismo, solos de percuss\u00e3o pelo ex\u00edmio John Marshall, divaga\u00e7\u00f5es modais do soprador Jenkins corporizam em \u201cSeven\u201d um objecto \u00fanico na discografia dos Soft Machine, indiscutivelmente uma das bandas mais originais e \u201cdif\u00edceis\u201d da d\u00e9cada de 70. (Columbia, distri. Sony M\u00fasica, 7\/10 e 8\/10).<\/p>\n<p>Outro grande teclista da cena inglesa dos anos 60 e 70 foi Brian Auger \u2013 Herbie Hancock considerava-o o melhor executante de \u00f3rg\u00e3o Hammond B-3 que alguma vez ouvira \u2013 autor de uma extensa e praticamente desconhecida discografia (para cima de duas dezenas de \u00e1lbuns), agora reeditada na totalidade em vers\u00f5es remasterizadas e em formato digipak pela Disconforme. Antes de percorrer toda a d\u00e9cada de 70 com os Oblivion Express, Brian fundou na d\u00e9cada anterior os Trinity que cedo convocou para as suas fileiras uma voz feminina que se viria a tornar um dos \u00edcones do flower power revolucion\u00e1rio: Julie Driscoll. Em \u201cOpen\u201d, de 1968, com produ\u00e7\u00e3o de Giorgio Gomelsky, o funk e o jazz rock proto-progressivo do organista introduz, na segunda metade do disco, a voz forte de Driscoll, como as de outras cantoras dessa \u00e9poca, como Grace Slick ou Janis Joplin as quais, num mundo dominado pelos homens, necessitava, de se impor pelo grito e pela agressividade. \u201cStreetnoise\u201d, do  ano seguinte, daria mais espa\u00e7o de manobra a esta vocalista tornada c\u00e9lebre com o single \u201cThis wheel\u2019s on fire\u201d (Disconforme, import. Lojas Valentim de Carvalho, 7\/10).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juliedriscoll_1969.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juliedriscoll_1969.jpg\" alt=\"juliedriscoll_1969\" title=\"juliedriscoll_1969\" width=\"500\" height=\"500\" class=\"alignnone size-full wp-image-676\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juliedriscoll_1969.jpg 500w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juliedriscoll_1969-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juliedriscoll_1969-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rapidshare.com\/files\/48047595\/JULIE_DRISCOLL_-_1969.rar\" target=\"_blank\">LINK<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 300;\ngoogle_ad_height = 250;\ngoogle_ad_format = \"300x250_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><object width=\"425\" height=\"344\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9aw-i7BzqH4&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9aw-i7BzqH4&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" width=\"425\" height=\"344\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>A emancipa\u00e7\u00e3o definitiva ocorre nesse mesmo ano com o primeiro \u00e1lbum a solo, \u201c1969\u201d, entrada decisiva nos dom\u00ednios do jazz, onde Julie Driscoll se fazia acompanhar por lumin\u00e1rias como Chris Spedding, Keith Tippett (o pianista com quem viria a casar, passando a chamar-se Julie Tippetts), Elton Dean (ent\u00e3o saxofonista dos Soft machine), nick Evans, Brian Godding, jeff Clynne, Trevor Tomkins (um dos parceiros do derradeiro \u00e1lbum gravado com o malogrado Alan Gowen, \u201cBefore a Word os Said\u201d), marc Charig, Karl Jenkins e Bob Downes, entre outros. Metamorfose que se completaria no bel\u00edssimo \u201cSunset Glow\u201d, j\u00e1 com o apelido Tippetts, um \u00e1lbum apaixonado pelas cristaliza\u00e7\u00f5es e pelos gemidos de alma de Robert Wyatt. (One Way, import. FNAC, 7\/10)<\/p>\n<p>George Duke, outro pianista famoso do jazz rock, produziu e arranjou em 1970, para a MPS, \u201cHere and Now\u201d, do grupo vocal feminino The Third Wave, cinco irm\u00e3s adolescentes de ascend\u00eancia japonesa, de voz cristalina e empenhadas em a\u00e7ucarar can\u00e7\u00f5es que v\u00e3o de \u201cEleanor Rigby\u201d, dos Beatles, a \u201cMaiden Voyage\u201d, de Herbie Hancock a \u201cstandards\u201d como \u201cChloe\u201d e \u201cStormy\u201d. Jazz de Ver\u00e3o com sabor a bossa-nova. (Crippled Dick Hot Wax, distri. Symbiose, 6\/10).<\/p>\n<p>Nos anos 60 a chamada \u201cfree music\u201d explodiu nas Ilhas Brit\u00e2nicas. Forma\u00e7\u00f5es como os Trio (de John Surman, Stu Martin e Barre Philips), Spontaneous Music Ensemble, AMM ou Ovary Lodge (com Keith e Julie Tippets) abriram o \u201cfree jazz\u201d a um tipo de improvisa\u00e7\u00e3o mais conceptual e formalista que integrava elementos da m\u00fasica contempor\u00e2nea, electr\u00f3nica e elementos extra\u00eddos do rock. \u201cA Genuine Tongue Funeral\u201d de Gary Burton com Carla bley e \u201cEscalator over the hill\u201d, de Carla Bley tipificam exemplarmente formas mais organizadas dessa liberade redescoberta fora dos par\u00e2metros definidos pelo \u201cfree\u201d negro. A par destas forma\u00e7\u00f5es em constante muta\u00e7\u00e3o surgiram v\u00e1rias big bands como Chris McGregor\u2019s Brotherhood of Breath, os Centiped e as agora reeditadas e remasterizadas orquestras dos pianistas Mike Westbrook e Mike Gibbs. \u201cMike Westbrook\u2019s Metropolis\u201d, de 1971, com Kenny Wheeler, Harold Beckett, Henry Lowther, Alan Skidmore, John Taylor, Gary Boyle, John Marshall, Malcolm Griffiths, Paul Rutherford e Norma Winstone, entre outros, centra algumas das coordenadas da \u201cfree music\u201d, firme em bases r\u00edtmicas (de Miles a Mingus, passando pelo funk e pelo rock) e refer\u00eancias alicer\u00e7adas no passado (como na bel\u00edssima \u201cPart IV\u201d, com voos do trompete de Lowther e do trombone de Griffiths sobre um horizonte Ellingtoniano) mas que n\u00e3o hesita em lan\u00e7ar-se num espa\u00e7o sem margens como acontece sempre que a voz de Norma Winstone se lan\u00e7a sem rede no que de mais \u201cfree\u201d o canto e pode permitir, em jorro de onomatopeias e alterca\u00e7\u00f5es emocionais. Abrasiva, a oitava parte, com a orquestra a arder em m\u00faltiplas improvisa\u00e7\u00f5es colectivas antes do piano do l\u00edder apagar as labaredas. (BGO, distri. Megam\u00fasica, 8\/10)<\/p>\n<p>Na forma\u00e7\u00e3o e Mike Gibbs, em \u201cThe Only Chrome-Waterfall Orchestra\u201d, de 1975, pontificam como solistas Charlie Mariano, Philipe Catherine e Steve Swallow, a par de acompanhantes de luxo como Stan Sulzmann, outra vez Kenny Wheeler e Henry Lowther, Chris Pyne, Ray Warleigh, Alan Skidmore e Tony Coe. Evitando os paroxismos da \u201cMetropolis\u201d de Westbrook, Mike Gibbs desenha neste \u00e1lbum uma esp\u00e9cie de alter-ego musculado do melodicismo da escola de Canterbury, na linha de \u201cKaleidoscope of Rainbows\u201d, de Neil Ardley, com base em fraseados lineares e num romantismo e numa excentricidade tipicamente brit\u00e2nicos, nos ant\u00edpodas da grande m\u00fasica negra. Jazz Rock, elegante como s\u00f3 os ingleses o conseguem ser. Extraordin\u00e1rio o tema \u201cBlackgang\u201d, a fazer lembrar o inclassific\u00e1vel \u201dFictious Sports\u201d organizados por Carla Bley com a coniv\u00eancia de Nick Mason, baterista dos Pink Floyd. \u201cUnfinished Sympathy\u201d \u00e9 tipicamente Mahavishnu Orchestra (de \u201cBirds of Fire\u201d com o guitarrista Philip Catherine entregue a uma mais do que razo\u00e1vel personifica\u00e7\u00e3o de John McLaughlin\u201d (BGO, distri. Megam\u00fasica, 8\/10).<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a de in\u00fameras bandas de rock progressivo (os King Crimson de \u201cLizard\u201d, Egg, Bem, Running Man, etc.) os The Greatest Show on Earth enriqueceram a sua m\u00fasica com apontamentos de jazz. Nos dois \u00fanicos \u00e1lbuns que gravaram para a Harvest, \u201cHorizons\u201d e \u201cThe Going\u2019s Easy\u201d, ambos de 1970, can\u00e7\u00f5es pop psicad\u00e9licas, resqu\u00edcios de rhythm \u2018n\u2019 blues, colagens progressivas e melodias esquiz\u00f3ides trope\u00e7am em solos de sax, palacetes barrocos de cravo e bebedeiras de \u00f3rg\u00e3o electr\u00f3nico. N\u00e3o \u00e9 jazz, nem de perto nem de longe, mas pode bem ser divertido entrar neste museu de figuras de cera. (Repertoire, distri. Megam\u00fasica, 7\/10 e 6\/10).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>21.11.2000 Jazz M\u00fasica Dura Da M\u00e1quina Mole Do jazz os Soft Machine ret\u00eam mais os nervos e as ramifica\u00e7\u00f5es cerebrais do que o cora\u00e7\u00e3o. No final dos anos 60, ainda com os lun\u00e1ticos Daevid Allen e Kevin Ayers, semearam o jardim de Canterbury, com um delicioso \u00e1lbum de estreia \u201cThe Soft Machine\u201d. 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