{"id":6737,"date":"2018-04-19T10:12:07","date_gmt":"2018-04-19T17:12:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6737"},"modified":"2018-04-19T10:12:07","modified_gmt":"2018-04-19T17:12:07","slug":"ricardo-rocha-combate-com-a-guitarra-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/04\/19\/ricardo-rocha-combate-com-a-guitarra-entrevista\/","title":{"rendered":"Ricardo Rocha &#8211; &#8220;Combate Com A guitarra&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevista)<br \/>\n06 Junho 2003<\/p>\n<p><em>Junta-se ao grupo dos mestres da guitarra portuguesa. O disco aproxima-nos de algo que n\u00e3o se diz em palavras mas se sente como nostalgia do para\u00edso perdido.<\/em><br \/>\n<center><br \/>\n<strong>combate com a guitarra<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 336;\ngoogle_ad_height = 280;\ngoogle_ad_format = \"336x280_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6738\" rel=\"attachment wp-att-6738\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rr.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"282\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6738\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rr.jpg 360w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rr-300x235.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/rr-100x78.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>\tCom \u201cVoluptu\u00e1ria\u201d, Ricardo Rocha, 28 anos, exp\u00f5e uma nova conce\u00e7\u00e3o musical para a guitarra portuguesa que vai do minimalismo \u00e0 m\u00fasica de c\u00e2mara, passando pelo ambientalismo e por uma perspetiva original sobre Carlos Paredes.<br \/>\n\tO neto de Fontes Rocha refuta o virtuosismo, imposs\u00edvel de obter num instrumento que considera \u201climitado\u201d, mas a verdade \u00e9 que este duplo \u00e1lbum com que agora se estreia a solo, \u201cVoluptu\u00e1ria\u201d, materializa essa no\u00e7\u00e3o de \u201cbenfeitoria\u201d que consiste em tornar o Belo am\u00e1vel. Ou, como se pode ler no texto que acompanha esta edi\u00e7\u00e3o, \u201ch\u00e1 diletantismo do benfeitor, com o objetivo de deleitar-se ou recrear-se, haja vista que o bem principal a que se junta uma benfeitoria a dispensa, pelo aspeto utilit\u00e1rio ou funcional, mas fica mais formoso ou recreador\u201d.<br \/>\n\tAl\u00e9m de Carlos Paredes, \u201cVoluptu\u00e1ria\u201d inclui temas de Pedro Caldeira Cabral e composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, fazendo sobressair uma originalidade que \u00e9, afinal, e segundo o seu autor, o que de verdadeiramente \u201cgenial\u201d pode existir nesta luta mais do que contra com a guitarra portuguesa. Vol\u00fapia ou pesadelo?<\/p>\n<p>\t<em><strong>Na capa do disco pode ler-se: \u201cVoluptu\u00e1ria\u201d \u201cn\u00e3o se explica, n\u00e3o se descreve, n\u00e3o se define\u201d. Mesmo assim, tente l\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n\tA primeira parte do disco \u00e9 menos acess\u00edvel. O segundo disco, sem ser totalmente a solo, \u00e9 mais leve e colorido. Ou menos escuro. Mais para o azul-escuro&#8230; As pe\u00e7as para cravo e violino t\u00eam a mesma tonalidade.<br \/>\n\t<em><strong>O seu nome j\u00e1 era conhecido a partir de participa\u00e7\u00f5es em discos de Carlos do Carmo, Janita Salom\u00e9, S\u00e9rgio Godinho, Vitorino ou Mafalda Arnauth. Agora estreia-se a solo com um duplo. Que circunst\u00e2ncias propiciaram que fosse assim?<\/strong><\/em><br \/>\n\tEm parte foi pelo local de grava\u00e7\u00e3o, o Convento dos Capuchos, um s\u00edtio magn\u00edfico. Depois, n\u00e3o houve aquele compromisso burocr\u00e1tico com as editoras, contratos, essas coisas horr\u00edveis&#8230; E j\u00e1 tinha bastantes pe\u00e7as feitas. Ia para l\u00e1 uma vez por semana, ao fim da tarde, e ficava at\u00e9 \u00e0 meia-noite, duas da manh\u00e3&#8230; Ao fim de 20 dias o disco ficou pronto.<br \/>\n\t<em><strong>Quer explicar a raz\u00e3o de ser do t\u00edtulo?<\/strong><\/em><br \/>\n\t\u201cVoluptu\u00e1ria\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de uma pe\u00e7a que faz uma aproxima\u00e7\u00e3o, at\u00e9 obsessiva, entre a palavra e o conte\u00fado musical. Acho absurdo dar um t\u00edtulo ao calha a uma m\u00fasica. Normalmente at\u00e9 demoro mais tempo a encontrar um t\u00edtulo do que a compor a pe\u00e7a (risos). Rid\u00edculo mas verdadeiro (risos). Mas&#8230; no caso de \u201cVoluptu\u00e1ria\u201d tem a ver com \u201cvoluptuoso\u201d, \u201cl\u00fabrico\u201d, \u201cprazer\u201d, \u201cdeleite\u201d, sem chegar \u00e0 \u201clux\u00faria\u201d e ao \u201clascivo\u201d (risos)&#8230;<br \/>\n\t<em><strong>No disco h\u00e1 uma \u201cRotina enfadonha\u201d e um \u201cEstaticismo\u201d, por sinal os dois temas mais longos&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n\t\u201cRotina enfadonha\u201d \u00e9 uma pe\u00e7a repetitiva, no sentido r\u00edtmico, quase hipn\u00f3tico. Com um lado ir\u00f3nico. Esta rotina pode ser a do dia-a-dia de cada um, embora neste caso fale por mim. Mas \u00e9 tamb\u00e9m essa rotina r\u00edtmica que, a dado momento, desaparece para dar lugar a outro ambiente, embora, no fim, regresse de novo&#8230; O \u201cEstaticismo\u201d \u00e9 uma pe\u00e7a parada, direcionando-se de uma forma \u201cext\u00e1tica\u201d.<br \/>\n\t<em><strong>&#8230; J\u00e1 para n\u00e3o falar de uma \u201cTeoria falhada\u201d&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n\tEssa tem a ver com o facto de, quando a estava a fazer, me ter enganado do princ\u00edpio ao fim. Nesta pe\u00e7a, n\u00e3o foi seguida a regra das 12 notas. Fiz 12 notas quando me apercebi de que a 12\u00aa s\u00f3 aparecia j\u00e1 na s\u00e9rie seguinte de notas. Das duas uma, ou fazia tudo do princ\u00edpio, ou continuava. Ironicamente, apercebi-me de que era mais f\u00e1cil construir segundo esta nova maneira. N\u00e3o exigia tanto esfor\u00e7o mental, ou esfor\u00e7o auditivo. \u00c9 dif\u00edcil encontrar uma s\u00e9rie de 12 notas em que todos os intervalos soem bem.<br \/>\n\t<strong><em>Faz tamb\u00e9m uma homenagem tripla ao compositor cl\u00e1ssico Alexander Scriabin (1872-1915).<\/em><\/strong><br \/>\n\tPorque o estilo dessas tr\u00eas pe\u00e7as est\u00e1 de acordo com o de uma determinada fase da m\u00fasica dele. \u00c9 o meu compositor preferido.<br \/>\n\t<strong><em>O primeiro CD conclui-se com composi\u00e7\u00f5es de Pedro Caldeira Cabral. De que forma abordou a m\u00fasica deste compositor?<\/em><\/strong><br \/>\n\tS\u00e3o pe\u00e7as extraordinariamente bem constru\u00eddas para a guitarra e todas elas possuem uma inspira\u00e7\u00e3o magn\u00edfica, ao n\u00edvel mel\u00f3dico e harm\u00f3nico.<br \/>\n\t<em><strong>Sente mais prazer em tocar a m\u00fasica de Caldeira Cabral ou a de Carlos Paredes?<\/strong><\/em><br \/>\n\tS\u00e3o dois mundos distintos. Ao tocar Paredes, a sensa\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 a de uma grande fisicalidade.<br \/>\n\t<em><strong>\u00c9 uma m\u00fasica indissoci\u00e1vel do seu autor e de uma forma muito particular de a executar?<\/strong><\/em><br \/>\n\tMesmo quando outra pessoa toca Paredes, tem de o fazer de forma f\u00edsica. Agora, o tempo, as \u201cnuances\u201d, a din\u00e2mica, \u00e9 fundamental que seja alterada, sob pena de se cair no rid\u00edculo da imita\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso banir a c\u00f3pia da interpreta\u00e7\u00e3o e entrar num processo, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, de esquecer isso tudo e olhar para a pe\u00e7a como se fosse a primeira vez.<br \/>\n\t<em><strong>\u00c9 dif\u00edcil interiorizar a m\u00fasica de Paredes?<\/strong><\/em><br \/>\n\t\u00c9 dif\u00edcil de interpretar. E o mais dif\u00edcil \u00e9 a pessoa abstrair-se da forma de ele tocar. Quando falava de uma forma f\u00edsica, queria dizer de forma en\u00e9rgica. Sem energia, a m\u00fasica n\u00e3o soa a nada.<br \/>\n\t<em><strong>O lado tr\u00e1gico na m\u00fasica do Paredes: \u201capropriou-se\u201d dele?<\/strong><\/em><br \/>\n\tSim. E do seu lado misterioso, sobretudo em \u201cA noite\u201d, curiosamente um tema que usa uma linguagem nada habitual nele. \u00c9 uma pe\u00e7a escura.<br \/>\n\t<em><strong>Carlos Paredes est\u00e1 para a guitarra portuguesa como Am\u00e1lia para o fado? Uma refer\u00eancia que pode tornar-se \u201cmaldi\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><\/em><br \/>\n\tPode ser perigoso&#8230; Mas n\u00e3o sinto isso. A m\u00fasica que fa\u00e7o na guitarra portuguesa n\u00e3o tem nada a ver com ele. Rapidamente percebi que seria in\u00fatil continuar um caminho que ele construiu, iniciado e acabado por ele. Ele fez quest\u00e3o de fazer tudo. \u00c9 quase obrigat\u00f3rio tocar a m\u00fasica dele. Depois, das duas uma, ou se fica preso a ele ou direciona-se a guitarra para outro s\u00edtio. Na pe\u00e7a do \u00e1lbum em que lhe presto homenagem, curiosamente, n\u00e3o estava nada \u00e0 espera de conseguir compor no estilo do Paredes. Mas, coisa extraordin\u00e1ria, o estilo r\u00edtmico, as \u201cnuances\u201d e o carater mel\u00f3dico t\u00eam muito a ver com as formas que ele utilizava. Foi a \u00fanica vez que fiz isso.<br \/>\n<strong><em>\tQual o seu \u00e1lbum preferido de Paredes?<\/em><\/strong><br \/>\n\t\u201cMovimento Perp\u00e9tuo\u201d.<br \/>\n\t<em><strong>Que rela\u00e7\u00e3o a sua guitarra mant\u00e9m com o fado?<\/strong><\/em><br \/>\n\tUma boa rela\u00e7\u00e3o. Gosto imenso de tocar fados quando o grupo funciona perfeitamente, como na m\u00fasica de c\u00e2mara. Mas \u00e9 rar\u00edssimo conseguir estar ao lado de mais duas ou tr\u00eas pessoas que toquem bem ou, melhor ainda, que se entendam, se ou\u00e7am uns aos outros. A rela\u00e7\u00e3o entre a guitarra portuguesa, a guitarra cl\u00e1ssica e a guitarra baixo \u00e9 a que mais se aproxima da minha vis\u00e3o t\u00edmbrica. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria.<br \/>\n\t<em><strong>E com o jazz e a m\u00fasica improvisada?<\/strong><\/em><br \/>\n\tH\u00e1 anos entrei para o Hot Clube onde tive umas aulas de piano mas acabei por nunca tocar jazz. A guitarra portuguesa n\u00e3o se enquadra nessa \u00e1rea, nos \u201cstandards\u201d. Toquei m\u00fasica improvisada mas nada desse g\u00e9nero. Foi engra\u00e7ado.<br \/>\n\t<em><strong>A guitarra portuguesa j\u00e1 atingiu os seus limites?<\/strong><\/em><br \/>\n\t\u00c9 um instrumento limitado. N\u00e3o pode tocar um concerto com uma orquestra, por exemplo&#8230; Poder pode, o problema \u00e9 que essa suposta pe\u00e7a teria de ser constru\u00edda de forma idiom\u00e1tica, para guitarra. N\u00e3o \u00e9 como um violino ou um violoncelo que tocam quase tudo. A guitarra, n\u00e3o, \u00e9 uma coisa limitada, menor, que traz problemas atr\u00e1s de problemas.<br \/>\n\t<em><strong>Ent\u00e3o que gozo tem em toc\u00e1-la?<\/strong><\/em><br \/>\n\tN\u00e3o existe gozo nenhum. O confronto e os obst\u00e1culos s\u00e3o uns atr\u00e1s dos outros. Existe, sim, uma sonoridade caracter\u00edstica e uma pot\u00eancia, uma proje\u00e7\u00e3o de volume que raros instrumentos de corda com trastes t\u00eam. Consegue passar por cima de um cravo, por exemplo.<br \/>\n\t<em><strong>Trata-se, ent\u00e3o, de um mundo aut\u00f3nomo?<\/strong><\/em><br \/>\n\tUm mundo \u00e0 parte, sim&#8230; \u00c9 limitado em rela\u00e7\u00e3o a um violino ou a um piano, instrumentos mel\u00f3dicos com uma capacidade extraordin\u00e1ria para executar qualquer tipo de melodia virtuos\u00edstica. Na guitarra&#8230; acabou! (risos). \u00c9 um instrumento h\u00edbrido que acaba por n\u00e3o ser nem mel\u00f3dico nem harm\u00f3nico. \u00c9 a \u00fanica defini\u00e7\u00e3o real que se pode dar da guitarra portuguesa. N\u00e3o \u00e9 clara, nem assumida, nem transparente&#8230; A pr\u00f3pria guitarra cl\u00e1ssica \u00e9 muito mais completa que a guitarra portuguesa.<br \/>\n\t<em><strong>N\u00e3o ser\u00e1 um caso de personalidade demasiado vincada?<\/strong><\/em><br \/>\n\tDigamos que se afoga na sua personalidade (risos).<br \/>\n\t<em><strong>E, na sua \u201cluta\u201d contra esse \u201cmonstro\u201d, j\u00e1 atingiu os limites?<\/strong><\/em><br \/>\n\tN\u00e3o me preocupo com isso. Em cada coisa que toco deparo-me sempre com dificuldades. O objetivo principal \u00e9 ouvir aquilo que quero ouvir e construir as notas que quero construir. Mas por vezes deparo-me com problemas dif\u00edceis de ultrapassar. Tento ultrapass\u00e1-los, mas sem nunca perder a no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o o consigo fazer (risos). Os problemas surgem porque as coisas que quero ouvir, as notas e a sua sequ\u00eancia, s\u00e3o dif\u00edceis de executar na pr\u00e1tica. \u00c0s vezes o que pretendo ouvir n\u00e3o se propicia. Tudo isto ter\u00e1 a ver com o facto de eu tamb\u00e9m tocar piano e o piano abrir um leque sonoro vast\u00edssimo que depois n\u00e3o pode ser transposto para a guitarra. \u00c9 uma trag\u00e9dia! (risos).<br \/>\n\t<em><strong>Subentende-se que tocar guitarra portuguesa \u00e9 uma luta sem quartel?<\/strong><\/em><br \/>\n\tUma luta permanente. Angustiante e frustrante. \u00c9 um desafio m\u00f3rbido. Chega-se ao fim de 50 ou 60 anos a tocar o instrumento e continua-se com os mesmos problemas. \u00c9 uma aberra\u00e7\u00e3o! (risos).<br \/>\n\t<em><strong>O que \u00e9 ent\u00e3o ser-se um virtuoso neste instrumento?<\/strong><\/em><br \/>\n\tN\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m virtuoso na guitarra portuguesa. Virtuosos s\u00e3o Liszt, Glen Gould, Keith Jarrett. Esse virtuosismo n\u00e3o existe na guitarra portuguesa. Porque n\u00e3o apareceu nenhuma pessoa que o demonstrasse e porque o pr\u00f3prio instrumento impossibilita-o. N\u00e3o est\u00e1 preparado nem musical nem fisicamente para entrar nesse alto jogo.<br \/>\n\t<em><strong>Por vezes d\u00e1 a ideia de que a guitarra portuguesa \u00e9 como que um instrumento \u201cmec\u00e2nico\u201d, como um realejo, em que determinadas sequ\u00eancias de notas parecem impor-se naturalmente&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n\tSim, h\u00e1 essa imposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 hip\u00f3teses de escolha. Se n\u00e3o for assim, n\u00e3o pode ser de outra maneira.<br \/>\n\t<em><strong>J\u00e1 se sujeitou, j\u00e1 est\u00e1 convencido, a guitarra venceu-o?<\/strong><\/em><br \/>\n\tTeoricamente sei isso. Mas na pr\u00e1tica n\u00e3o o fa\u00e7o. E como n\u00e3o fa\u00e7o isso, sujeito-me a esse confronto constante com o instrumento, com dissabores t\u00e9cnicos e problemas dram\u00e1ticos. \u00c9 um pesadelo!<br \/>\n\t<em><strong>Tem mestres da guitarra portuguesa?<\/strong><\/em><br \/>\n\tCarlos Paredes, o meu av\u00f4 [Fontes Rocha], Jos\u00e9 Nunes. Todos geniais.<br \/>\n\t<em><strong>Voltando \u00e0 carga: o que \u00e9 ser-se genial na guitarra portuguesa?<\/strong><\/em><br \/>\n\tEssencialmente, ter uma abordagem e um estilo pessoais, que \u00e9 das coisas mais dif\u00edceis de conseguir. Ter um som imposs\u00edvel de imitar.<br \/>\n\t<em><strong>Nunca pensou, como forma de ultrapassar esses problemas t\u00e9cnicos que aponta, em efetuar no est\u00fadio grava\u00e7\u00f5es em multipistas?<\/strong><\/em><br \/>\n\tComo transformar uma guitarra em v\u00e1rias? N\u00e3o, nunca! Isso \u00e9 uma coisa n\u00e3o muito honesta. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que o que interessa \u00e9 poder executar, em qualquer circunst\u00e2ncia, o resultado final. Apesar dos problemas serem quase intermin\u00e1veis&#8230;<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7fza1Lrh7kg\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevista) 06 Junho 2003 Junta-se ao grupo dos mestres da guitarra portuguesa. 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