{"id":6724,"date":"2018-04-12T10:45:27","date_gmt":"2018-04-12T17:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6724"},"modified":"2018-04-12T10:45:27","modified_gmt":"2018-04-12T17:45:27","slug":"anamar-a-noite-ela-voa-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/04\/12\/anamar-a-noite-ela-voa-entrevista\/","title":{"rendered":"Anamar &#8211; &#8220;\u00c0 Noite Ela Voa&#8221; (entrevista)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 468;\ngoogle_ad_height = 60;\ngoogle_ad_format = \"468x60_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevistas)<br \/>\n9 Maio 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>\u00e0 noite ela voa<\/strong><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p><em>Em torno da antologia \u201cAfinal\u201d bailam as imagens de uma mulher cuja aura continua a intrigar, Anamar. \u00c0 noite as imagens s\u00e3o mais difusas. E voam.<\/em><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6725\" rel=\"attachment wp-att-6725\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/anamar.gif\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"545\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6725\" \/><\/a><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p>Afinal quem \u00e9 Anamar? A cantora da noite e das poses fatais de \u201cAlmanave\u201d e \u201cFeia Bonita\u201d? A lua do Sul que ilumina as profundezas de \u201cM\u201d? A regressada aos dias de luz e a descoberta dos seus guias interiores no projeto SM58 partilhado com N\u00e9 Ladeiras e Pilar Homem de Mello? A int\u00e9rprete mutante das vozes m\u00edticas, de Edith Piaf, Sinatra, David Bowie, Leonard Cohen ou Lou Reed? A presen\u00e7a dentro da escurid\u00e3o radiante do fado, com o fim de lhe extirpar a trag\u00e9dia e de o vestir com um vestido novo, de prefer\u00eancia branco?<br \/>\n\tAnamar \u00e9, afinal, uma mulher simples e \u00e9 nessa simplicidade que reside o seu maior mist\u00e9rio. Afinal um caminho eternamente inacabado, um \u201cBaile final\u201d que agora se revisita na antologia \u201cAfinal\u201d, a preparar um novo disco de originais cujos contornos a cantora prefere manter em segredo. Anamar, olhos verdes muito claros, demasiado transparentes, olha em frente e al\u00e9m. Por vezes torna-se dif\u00edcil, quase doloroso, sustentar o olhar de \u00e1gua, ou de \u00e1guia. Porque dolorosa \u00e9 a m\u00e1goa de enfrentar, cara a cara, a verdade. Mesmo que a verdade seja, como no seu caso, encenada ao pormenor sobre o palco de um antigo e oculto teatro. A entrevista com o Y foi feita de dia, Anamar trajada de negro, com sombras em redor, a brincar.<\/p>\n<p>\t<strong>H\u00e1 alguma raz\u00e3o especial para lan\u00e7ar nesta altura uma antologia?<\/strong><br \/>\n\tH\u00e1, um balan\u00e7o. Por outro lado, est\u00e1 a haver um novo espa\u00e7o para o fado e ouvindo-se os discos que j\u00e1 gravei percebe-se que esta nova abordagem \u00e9 uma coisa recorrente no in\u00edcio da minha carreira e ao longo dela. Mas os discos foram espor\u00e1dicos, alguns n\u00e3o apoiados convenientemente, por n\u00e3o ter feito espet\u00e1culos ao vivo, n\u00e3o ter alimentado uma presen\u00e7a na m\u00fasica&#8230; Um disco precisa absolutamente de ser acompanhado por espet\u00e1culos ao vivo. Eu sou mais real ao vivo do que em disco. H\u00e1 neste disco uma s\u00e9rie de m\u00fasicas que, apesar de n\u00e3o serem in\u00e9ditos, a maior parte das pessoas nunca deve ter ouvido na vida&#8230; Seria um desperd\u00edcio encetar algo novo sem p\u00f4r c\u00e1 fora o sumo do que posso considerar a minha viagem pr\u00f3xima do fado, ou de um canto de alma tel\u00farico qualquer.<br \/>\n\t<strong>Este \u00e9, ent\u00e3o, o tempo certo para se ouvir as suas m\u00fasicas antigas?<\/strong><br \/>\n\tSim, fiz trabalhos talvez desfasados do tempo, que dificultaram o seu consumo: abordagens novas ao fado, um disco mais ambiental como o \u201cM\u201d, numa altura em que no mercado era pouco comum haver esse pioneirismo. Ao mesmo tempo, houve uma aus\u00eancia da minha parte em lhes dar vida ao vivo, na comunica\u00e7\u00e3o com as pessoas.<br \/>\n\t<strong>Hoje vive-se numa situa\u00e7\u00e3o em que tudo o que tem a ver com o fado \u00e9 facilmente aceite&#8230;<\/strong><br \/>\n\tAcho alguma gra\u00e7a. Sobretudo quando j\u00e1 se passaram 20 anos sobre novas abordagens, como o \u201cLisbunah\u201d, da Anabela Duarte, o \u201cAlmanave\u201d, meu, ou o primeiro disco da S\u00e9tima Legi\u00e3o, sem esquecer o nosso eterno irm\u00e3o, Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es. Na altura era o fruto proibido, um tabu. Linchava-se em pra\u00e7a p\u00fablica quem o fizesse. Hoje h\u00e1 um \u201cboom\u201d comercial, porventura marcado por um certo exagero. O que antes era tabu, est\u00e1 agora na pra\u00e7a p\u00fablica. Hoje h\u00e1 mais pessoas a dizerem as mesmas coisas que eu ando a dizer h\u00e1 uma data de anos, sem estarem sujeitas a testes de linchamento ou de endeusamento, tudo ao mesmo tempo. Que foi o que me aconteceu, um teste emocional brutal. Hoje \u00e9 poss\u00edvel ouvir, por exemplo, Cristina Branco falar abertamente da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica, sensualidade e sexualidade sem que seja capa do jornal no dia seguinte, como se fosse o caso mais pol\u00e9mico de Portugal.<br \/>\n\t<strong>Mas algumas das novas fadistas s\u00e3o bastante tradicionalistas. A Anamar, pelo contr\u00e1rio, continua a ser uma transgressora&#8230;<\/strong><br \/>\n\tVoc\u00ea o diz (risos) e nem sabe o que se avizinha! Sobre o pr\u00f3ximo disco apenas posso dizer que ter\u00e1 a ver com o fado e n\u00e3o ser\u00e1 com certeza um trabalho tradicional.<br \/>\n\t<strong>Tem sobre as pessoas o efeito de projetar uma imagem muito forte. Tem consci\u00eancia disso?<\/strong><br \/>\n\tProjeto uma imagem forte que se pode confundir com a minha ess\u00eancia. Isso pode fazer com que as pessoas achem que a figura da mulher vestida de preto, de cabelos compridos e pose de \u201cfemme fatal\u201d seja aquilo que tenho para dar. Na verdade, n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o passa de uma veste.<br \/>\n\t<strong>Recentemente cantou Bowie, Reed, Cohen, Sinatra, Piaf&#8230;t\u00eam ou n\u00e3o algo que tem a ver consigo?<\/strong><br \/>\n\t&#8230;n\u00e3o se esque\u00e7a do Gardel, estamos a falar de um universo vasto. Foi um espet\u00e1culo [\u201cWild Cabaret\u201d] que surgiu na sequ\u00eancia do espet\u00e1culo de teatro \u201cRita Hayworth\u201d, como uma das minhas cria\u00e7\u00f5es \u201c\u00e0 margem\u201d, que sempre versaram universos m\u00edticos internacionais da m\u00fasica. \u00c9 como o David Bowie cantar Brecht.<br \/>\n\tMas o que o n\u00facleo da artista Anamar persegue \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o dos cantos de alma do universo luso-latino.<br \/>\n\t<strong>A capa de \u201cAfinal\u201d tem algo de sombrio, muito David Lynch.<\/strong><br \/>\n\tAcha? Eu leio a noite, sem d\u00favida, que, para todos os efeitos, continua a ser uma imagem colada a mim, mas tamb\u00e9m umas asas brancas e um ar bastante tranquilo. Na noite ela voa&#8230; H\u00e1 um lado teatral evidente mas, curiosamente, a fotografia da capa foi tirada durante uma pausa na sess\u00e3o. O resto do rolo tem poses, encena\u00e7\u00f5es, inten\u00e7\u00f5es, mas nesta estava apenas a descansar.<br \/>\n\t<strong>Mant\u00e9m sempre uma lucidez extrema em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que faz.<\/strong><br \/>\n\tTem vezes!&#8230;(risos). Como provenho de um universo anglo-sax\u00f3nico, americano, preocupo-me com o conhecimento t\u00e9cnico que preside \u00e0 cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, com o controle conceptual, desde a imagem aos conte\u00fados escritos, passando pela escolha de parceiros, pela luz&#8230;<br \/>\n\t<strong>No entanto o mist\u00e9rio que a rodeia adensa-se&#8230;<\/strong><br \/>\n\tMas eu explico, desmonto tudo! Sou uma pessoa simples! As pessoas \u00e9 que n\u00e3o acreditam (risos) e continuam a achar que sou misteriosa. Mas finalmente se constata que o mist\u00e9rio da Anamar n\u00e3o \u00e9 um mist\u00e9rio constru\u00eddo, como foi dito em tempos. Se \u00e0 medida que vou falando e explicando, ele se mant\u00e9m e at\u00e9 se acentua, \u00e9 porque deve existir por si pr\u00f3prio. Claro que n\u00e3o consigo desmontar o que passa atrav\u00e9s da minha voz e do meu canto. Ser\u00e1 a\u00ed que reside o mist\u00e9rio.<br \/>\n\t<strong>Ao vivo, sente que est\u00e1 a expor, ou a expor-se a esse mist\u00e9rio?<\/strong><br \/>\n\tO palco para mim n\u00e3o \u00e9 um territ\u00f3rio de exposi\u00e7\u00e3o, da\u00ed ser apelidada de animal de palco. E \u00e9 verdade. O palco \u00e9 a minha casa. Estou num palco como estou em casa. N\u00e3o tenho a no\u00e7\u00e3o de estarem n\u00e3o sei quantas pessoas a olharem para mim. \u00c9 como se me sentasse, entre aspas, atr\u00e1s de uma secret\u00e1ria, \u00e9 o trabalho que tenho para fazer \u2013 o que passa e o que sinto \u00e9 a comunh\u00e3o.<br \/>\n\t<strong>\u00c9 portanto uma atriz, como Isabelle Hupert, que quanto mais se exp\u00f5e em situa\u00e7\u00f5es teatrais extremas, mais oculta a sua ess\u00eancia?<\/strong><br \/>\n\tComo todas as grandes figuras reais e n\u00e3o as que s\u00e3o constru\u00eddas pela m\u00e1quina de consumo, ela tem uma ess\u00eancia que passa atrav\u00e9s de tudo aquilo que faz e que \u00e9 extraordinariamente profunda e simples. Porque \u00e9 verdadeira. A Isabelle Hupert \u00e9 tamb\u00e9m uma pessoa que explica tudo, que se exp\u00f5e, mas que na sua vida pessoal deve ser com certeza simples. Provavelmente \u00e9 esta ess\u00eancia que est\u00e1 presente em tudo o que se faz quando se trabalha para se ser verdadeiro. O meu caso \u00e9 igual: o melhor que tenho para dar \u00e9 a minha ess\u00eancia. Ser eu o mais verdadeiramente poss\u00edvel. E assim criar pontes com as pessoas. E isso \u00e9 misterioso. Porque \u00e9 misteriosa a rela\u00e7\u00e3o das almas e dos cora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\t<strong>Que m\u00fasicas misteriosas anda a ouvir neste momento?<\/strong><br \/>\n\tAlgumas que at\u00e9 poder\u00e3o ter a ver com o meu pr\u00f3ximo trabalho, mas s\u00f3 em termos t\u00e9cnicos ou de pesquisa hist\u00f3rica. E \u201cSecrets of the Beehive\u201d, de David Sylvian, o \u201cConcerto n\u00ba3\u201d de Rachmaninov, o \u00e1lbum ao vivo do Rodrigo Le\u00e3o, Susana Baca, \u201cBodily Functions\u201d do Matthew Herbert.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IdksoOnXp5A\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> y >> portugueses >> entrevistas) 9 Maio 2003 \u00e0 noite ela voa Em torno da antologia \u201cAfinal\u201d bailam as imagens de uma mulher cuja aura continua a intrigar, Anamar. \u00c0 noite as imagens s\u00e3o mais difusas. E voam. Afinal quem \u00e9 Anamar? 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