{"id":6712,"date":"2018-04-06T07:30:47","date_gmt":"2018-04-06T14:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?p=6712"},"modified":"2018-04-06T07:30:47","modified_gmt":"2018-04-06T14:30:47","slug":"historia-do-fado-custa-um-milhao-de-euros-espolio-nas-maos-de-coleccionador-ingles-artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/2018\/04\/06\/historia-do-fado-custa-um-milhao-de-euros-espolio-nas-maos-de-coleccionador-ingles-artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"&#8220;Hist\u00f3ria Do Fado Custa Um Milh\u00e3o De Euros&#8221; &#8211; &#8220;Esp\u00f3lio Nas M\u00e3os De Coleccionador Ingl\u00eas&#8221; (artigo de opini\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;margin: 12px;\"><script type=\"text\/javascript\"><!--\ngoogle_ad_client = \"pub-9853707030319137\";\ngoogle_alternate_color = \"FFFFFF\";\ngoogle_ad_width = 200;\ngoogle_ad_height = 200;\ngoogle_ad_format = \"200x200_as\";\ngoogle_ad_type = \"text_image\";\ngoogle_ad_channel =\"\";\ngoogle_color_border = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_link = \"\";\ngoogle_color_bg = \"#FFFFFF\";\ngoogle_color_text = \"\";\ngoogle_color_url = \"\";\ngoogle_ui_features = \"rc:0\";\n\/\/--><\/script>\n<script type=\"text\/javascript\"\n  src=\"http:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/show_ads.js\">\n<\/script><\/div><p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> artigos de opini\u00e3o)<br \/>\nsexta-feira, 2 Maio 2003<br \/>\n<center><br \/>\n<strong>Hist\u00f3ria do fado custa um milh\u00e3o de euros<\/p>\n<p>ESP\u00d3LIO NAS M\u00c3OS DE COLECIONADOR INGL\u00caS<\/p>\n<p>Um milh\u00e3o de euros \u00e9 quanto pede Bruce Mastin pela sua valiosa cole\u00e7\u00e3o dos prim\u00f3rdios do fado. S\u00e3o cinco mil discos raros, de 78 rota\u00e7\u00f5es. A proposta de compra vai ser feita nos pr\u00f3ximos dias<\/strong><br \/>\n<\/center><\/p>\n<p><center><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/?attachment_id=6713\" rel=\"attachment wp-att-6713\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fado.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"354\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6713\" srcset=\"https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fado.jpg 548w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fado-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.profelectro.info\/fm\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/fado-100x65.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/a><br \/>\n<\/center> <\/p>\n<p>O fado vende-se. O fado compra-se. O fado paga-se. Paga-se e bem, sobretudo quando se trata de um esp\u00e9cime raro. Imagine-se um esp\u00f3lio de cinco mil discos de 78 rota\u00e7\u00f5es, a maior parte deles in\u00e9ditos, remontando as grava\u00e7\u00f5es mais antigas, ainda em cilindro de cera, a 1904. Este esp\u00f3lio existe, mas est\u00e1 nas m\u00e3os de um ingl\u00eas.<br \/>\n\tO fado \u00e9 nosso. Pois \u00e9. Mas quem tem uma parte importante dele \u00e9 o brit\u00e2nico Bruce Mastin, colecionador. Acontece que Mr. Mastin, sabendo do interesse do Estado portugu\u00eas em adquirir a preciosidade que, em meados do s\u00e9culo passado, adquiriu num armaz\u00e9m de Lisboa por tuta e meia, at\u00e9 compreende e aceita as raz\u00f5es lusitanas, mas, desfazer-se dela, s\u00f3 a troco de um cheque de um milh\u00e3o de euros.<br \/>\n\tE vale esse dinheiro? Se vale! Nesses cinco mil discos est\u00e1 impressa a origem do fado gravado, quando, em 1926, a companhia inglesa Gramophone, com sede em Hayes, Middlesex, estabeleceu filiais em Lisboa (na Valentim de Carvalho) e no Porto (no Grande Bazar do Porto). As duas f\u00e1bricas de gramofones e discos encetaram ent\u00e3o um intenso processo de grava\u00e7\u00e3o de discos, com or\u00e7amentos que previam o pagamento aos artistas, aluguer das salas de grava\u00e7\u00e3o, publicidade, sal\u00e1rio dos engenheiros de som (Fleming e Draycott, assim se chamavam os dois t\u00e9cnicos que a firma inglesa fazia deslocar a Lisboa para o efeito), equipamento, etc&#8230; As sess\u00f5es duraram at\u00e9 1936, a II Grande Guerra estalou entretanto e a Gramophone Company deixou Portugal, abandonando o esp\u00f3lio que o sr. Mastin teve a sorte de encontrar.<br \/>\n\tEntre as hist\u00f3ricas grava\u00e7\u00f5es contam-se os nomes de Reinaldo Varela, Jos\u00e9 Bastos, Isabel Costa, Almeida Cruz, Eduardo de Souza, Rodrigues Vieira, Delfina Victor e Maria Victoria, todas registadas em 1904. Mais recentes, h\u00e1 78 rota\u00e7\u00f5es de, entre outros, Maria Alice, Manassas de Lacerda, Avelino Baptista, Est\u00eav\u00e3o Amarante, Madalena de Melo, Maria Em\u00edlia Ferreira, J\u00falia Florista, Maria do Carmo Torres e dos m\u00edticos Erc\u00edlia Costa, Berta Cardoso, Ant\u00f3nio Menano, Edmundo de Bettencourt, Armandinho e Alfredo Duarte (Marceneiro). Fado como se cantava nos caf\u00e9s Vit\u00f3ria ou Luso, este \u00faltimo descrito no in\u00edcio dos anos 30 pelo music\u00f3logo Rodney Gallop como \u201cum ret\u00e2ngulo amplo, cuja entrada era interdita aos portadores de bon\u00e9s ou boinas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pe\u00e7as \u00fanicas<\/strong><br \/>\nTudo isto existe, tudo isto \u00e9 triste (enquanto n\u00e3o passar para c\u00e1), tudo isto \u00e9 fado. Que fazer, ent\u00e3o, para que deixe de ser triste? Jo\u00e3o Pinto Sousa, diretor da empresa Corda Seca, especializada em iconografia do fado, e elemento da associa\u00e7\u00e3o Movimentos Perp\u00e9tuos, quer ir pessoalmente a Londres e trazer o tesouro para Portugal, custe o que custar. De prefer\u00eancia, menos do que o milh\u00e3o de euros pedidos pelo sr. Mastin (uma \u201cexorbit\u00e2ncia\u201d), mas se for mesmo preciso puxar os cord\u00f5es \u00e0 bolsa, paci\u00eancia.<br \/>\n\tAntes, j\u00e1 uma comiss\u00e3o oficial se deslocara a Londres, chefiada por Joaquim Pais de Brito, diretor do Museu Nacional de Etnologia, para testemunhar \u201ca mais-valia e a import\u00e2ncia deste esp\u00f3lio para Portugal\u201d, at\u00e9 porque s\u00e3o \u201cos primeiros fados gravados\u201d e urge devolv\u00ea-los \u00e0 p\u00e1tria onde nasceram. Feita a avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 a vez de Jo\u00e3o Pinto de Sousa viajar at\u00e9 Londres para tentar convencer o colecionador, o qual, segundo parece, se mostra \u201csens\u00edvel\u201d \u00e0s raz\u00f5es dos portugueses.<br \/>\n\tCom liga\u00e7\u00f5es afetivas \u00e0 Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, empresa municipal interessada na transa\u00e7\u00e3o, \u00e9 nessa condi\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Pinto Sousa recebeu \u201ctodo o apoio para poder, tamb\u00e9m como cidad\u00e3o\u201d, fazer tudo o que estiver ao seu alcance \u201cpara, com algumas boas influ\u00eancias, nomeadamente do pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica, tentar trazer a cole\u00e7\u00e3o para Portugal\u201d.<br \/>\n\tAtingido tal objetivo, os cinco mil discos (dos quais, \u201cpelo menos, 4500 s\u00e3o pe\u00e7as \u00fanicas\u201d) ser\u00e3o organizados, digitalizados, integrados numa base de dados e editados numa antologia, \u201cArquivos do Fado\u201d, pela Tradisom, de Jos\u00e9 Mo\u00e7as, outra das pessoas empenhadas em recuperar os registos fonogr\u00e1ficos \u201cde uma das \u00e9pocas mais importantes do patrim\u00f3nio musical portugu\u00eas\u201d e exemplares cuja import\u00e2ncia e raridade s\u00e3o reconhecidas por especialistas do fado como Daniel Gouveia, Jos\u00e9 Manuel Os\u00f3rio, Jos\u00e9 Pracana e Lu\u00eds Filipe Penedo. Recorde-se que nos arquivos atuais do fado os exemplares mais antigos n\u00e3o ostentam data anterior a 1945. A acompanhar esta antologia ser\u00e1 editado um trabalho in\u00e9dito do investigador norte-americano Paul Vernon, com o levantamento de toda a discografia do esp\u00f3lio.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7o \u201cdescabido\u201d<\/strong><br \/>\nEm teoria, incluindo as necess\u00e1rias autoriza\u00e7\u00f5es, est\u00e1 tudo pronto. Falta apenas trazer o material e, claro, falta o dinheiro para o pagar. Pinto de Sousa tentar\u00e1 fazer descer o pre\u00e7o. O dinheiro n\u00e3o vir\u00e1 do Estado \u2013 \u201cO Minist\u00e9rio da Cultura (MC), atrav\u00e9s do POC, s\u00f3 pode apoiar a futura grava\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a compra efetiva\u201d \u2013, mas de uma s\u00e9rie de mecenatos, como bancos, que Pinto de Sousa procurar\u00e1 angariar, com base nos apoios do pr\u00f3prio MC, da Casa do Fado, da C\u00e2mara de Lisboa e da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<br \/>\n\tMas um milh\u00e3o de euros \u00e9 um pre\u00e7o \u201cdescabido\u201d: \u201cAdmito que, do ponto de vista comercial, o homem seja justamente renumerado, mas o peso do que estaria em cima da balan\u00e7a \u00e9 o de algo que \u00e9 perten\u00e7a de uma certa alma portuguesa. Vou tentar que ele des\u00e7a \u00e0 terra e seja sens\u00edvel aos argumentos rom\u00e2nticos desta hist\u00f3ria\u201d.<br \/>\n\tMesmo que Bruce Mastin n\u00e3o des\u00e7a \u00e0 terra, Jo\u00e3o Pinto Sousa defende que o neg\u00f3cio tem que ser feito. \u201cH\u00e1 coisas que n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o, e este seria um dinheiro bem gasto\u201d. Al\u00e9m disso, dado as primeiras grava\u00e7\u00f5es datarem de 1904, \u201cera bonito em 2004, j\u00e1 que vamos ter a Europa a olhar para n\u00f3s por causa do futebol, podermos ter tamb\u00e9m um centen\u00e1rio do fado\u201d.<\/p>\n<p><center><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zk-xpTvhqEI\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(p\u00fablico >> cultura >> portugueses >> artigos de opini\u00e3o) sexta-feira, 2 Maio 2003 Hist\u00f3ria do fado custa um milh\u00e3o de euros ESP\u00d3LIO NAS M\u00c3OS DE COLECIONADOR INGL\u00caS Um milh\u00e3o de euros \u00e9 quanto pede Bruce Mastin pela sua valiosa cole\u00e7\u00e3o dos prim\u00f3rdios do fado. S\u00e3o cinco mil discos raros, de 78 rota\u00e7\u00f5es. 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